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Joana Amaral Dias: É a política, espertalhões

Dias Loureiro e Lopes da Mota gozam da presunção de inocência. Mas não deviam continuar no Conselho de Estado e no Eurojust, respectivamente. E isto não é jurídico. É político. As amnésias e o processo BPN não são currículo para conselheiro do PR. Fortes indícios de pressões para arquivar um caso que envolve o PM não dão perfil para coordenar investigações a nível europeu. Óbvio? Não. Ambos continuam.

Podem tecer-se várias considerações sobre o porquê: usar cargos como escudos, protecção mútua. Mas o PR, a líder do PSD e o PM nunca deram primazia à política. Logo, não aceitam o osso da questão. Os dois primeiros ocuparam sucessivos cargos com um discurso crítico dos políticos. Cavaco acredita que “pessoas com igual informação chegam às mesmas conclusões”. Ferreira Leite fala da suspensão da democracia. E à supremacia da economia (vêem-se os resultados), Sócrates acrescentou a tecnocracia, elegendo Simplexes e Magalhães como grandes desígnios.

Cozinharam o caldo gourmet para o Bloco Central, claro. Mas se PS e PSD são assim separadamente, os cidadãos imaginam como seria se oficializassem a união. E não podendo retirar a confiança a Loureiro e Mota, os eleitores podem retirá-la a quem os mantém. Fazendo com que descubram, finalmente, a política. Pura e dura.

Fonte: Correio da Manhã de 16.05.2009

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17/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , , | 1 Comentário

É vergonhoso – o site de pré-candidatura do Durão Barroso tem acesso em cinco línguas e o português não é uma delas: Joana Amaral Dias (pensaalto@gmail.com) – Made in Centrolândia

Durão Barroso desgovernou o País. Depois fugiu para presidir à Comissão Europeia, cobrando o apoio à Guerra no Iraque. Entretanto, limitou-se à voz do dono. Resultado: um eurocrata diligente e cristalizado no pré-crise e pró-Bush, fracassado na regulação, na resposta imediata à crise e ao desemprego.

O PSD, que acusa o PS de arrebatar cargos, sem líder (pelo menos às europeias), exige o apoio a Durão. Sócrates culpa–o pelo estado do País, ultimamente critica o neoliberalismo, mas corresponde. O motivo é ainda pior. Porque é português. Só que a única coisa que Portugal ganhou com isso foi garantir que depois deste nenhum luso ocupará tal cargo.

Esse patriotismo, além de chão, é anti-Europa. Já o CDS corrigiria o cartaz do PS, ficando “Nós, portugueses, somos europeus”, sem acrescentar uma ideia. O Centrão limita-se ao funcional, a servir-se da UE para “defender os interesses portugueses”, o que, no seu idioma, se traduz por “defender-se”. Não há projecto político. Quando a UE desespera por ideias, tanto falam de nacional-é-bom como de globalização ou se entretêm com Durão. Também por isso, este borrifou-se para os europeus, portugueses incluídos. Recorde-se o defunto referendo ao Tratado. E veja-se o seu site pré-candidatura. Tem acesso em cinco línguas. O português não é uma delas.

Fonte: Correio da Manhã de 11.04.2009

11/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário

Joana Amaral Dias, Docente universitária (pensaalto@gmail.com): Branca de Névoa

Domingos Névoa, da Bragaparques, tentou subornar o vereador lisboeta Sá Fernandes. Foi condenado por corrupção para acto lícito, distinto do ilícito por uma lei asna que o considera menos grave porque os políticos comprados não decidem algo ilegal. Como se o importante não fosse o suborno e ponto final. Assim, Névoa foi multado em 5 mil euros quando as ‘luvas’ valiam 200 mil. Como recorreu, se calhar nem isso paga. Entretanto, o PS estacionou Cravinho, que lutou contra o branqueamento da névoa & compadrio, num exílio dourado. E não quis retomar as suas propostas, fazendo jus a um país que acreditou num salvador vindo do nevoeiro.

Não admira que o corruptor garantisse que continuaria a fazer o mesmo. Aprendeu que basta pagar mais 2,5% do suborno. E que conta com o centrão. Tanto que, um mês depois da condenação, escolheram-no para gerir a coisa pública, uma empresa que trata lixos de seis municípios minhotos. É como se fosse instituído um novo trabalho comunitário que também contrataria pedófilos para educadores de infância ou pirómanos para bombeiros. Protestar compensa e Névoa abdicou, mas registe-se a demência decadente criada pelo bloco central neste país à beira-mar plantado onde não sobra uma aragem. Que se tornou num produto tóxico e sem-vergonha. Género lixeira a céu aberto.

Fonte: Correio da Manhã de 04.04.2009

04/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 6 comentários

Joana Amaral Dias, Docente universitária: Banha-da-cobra

O Primeiro-Ministro descobriu um novo desígnio nacional: “Se querem dar um contributo ao país, para haver mais emprego, por favor instalem painéis solares em casa”, apelou. Perante o galopar do desemprego e da pobreza, é esta a solução do governo: começar a casa pelo telhado.

Aliás, para Sócrates, o bom português adquire Magalhães e painéis solares. Patriota usa dispositivos comparticipados pelo Estado. Porém, esse computador, apresentado como o primeiro luso, emprega tecnologia estrangeira. E nem a língua respeita. Os painéis, dizem os especialistas, são um embuste porque consomem mais energia eléctrica que solar. Gato por lebre, portanto.

Entretanto, falham políticas estruturadas de energia. Este Governo nunca irá sequer debater, por exemplo, a canalização das mais-valias desse sector estratégico para o investimento público, transformando-o num instrumento de política económica, social e até ambiental. Já se sabia que Sócrates prefere a propaganda e o título de vendedor do mês de portáteis, painéis e afins. Mas pior que um Primeiro-Ministro se colocar como perito em telemarketing, é reduzir o executivo à publicidade enganosa e o rumo do país ao papel de consumidor. Mesmo que seja para se vender a si próprio ainda este ano.

Fonte: Correio da Manhã de 28.03.2009

29/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário