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O que vou lendo por ai…

João Pereira Coutinho, Colunista: O preço do desespero

O Presidente da República deseja saber por que motivo a PT quer entrar na Media Capital. O prof. Cavaco devia ter ouvido o último debate parlamentar: pela boca do eng. Sócrates, que ironizou com a ‘linha editorial’ da TVI, ficou transparente que o Governo, através da PT, deseja açaimar o único canal televisivo que não come a propaganda do PS.

Acontece que a jogada tem um problema: o tempo. Tirando a natureza óbvia e imoral do negócio, mais própria de democracias latino-americanas,a entrada na TVI pode ser um erro estratégico. A três meses das legislativas e com a possibilidade séria de as perder,o governo Sócrates arrisca-se a comprar um canal televisivo para o oferecer, logo de seguida, ao governo da oposição. Irónico? Sem dúvida. Mas éo preço a pagar quando se governa em desespero.

Fonte: Correio da Manhã de 26.06.2009

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26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

João Pereira Coutinho, Colunista: O animal ferido

Depois das europeias e com a maioria em risco, o animal feroz é hoje um animal ferido. Basta olhar para a telenovela TGV. O projecto era fundamental para o futuro do País? Com certeza. Mas Sócrates não tenciona perturbar os portugueses nas vésperas das eleições. Depois das eleições, o novo Governo que decida.

As palavras de Sócrates podem agradar à Oposição e ao Presidente da República. Podem até agradar ao próprio Sócrates, que assim acredita afastar o tema da campanha eleitoral. Tristes enganos.

O gesto de Sócrates mostra apenas um político receoso, disposto a trocar as suas convicções pelas mais básicas ambições. E, ironia maior, revela também a inépcia estratégica do senhor: ao adiar o TGV para adiar um problema, Sócrates apenas o torna mais gritante. A partir de agora, votar Sócrates é votar no TGV.

A campanha segue dentro de momentos.

Fonte: Correio da Manhã de 20.06.2009

20/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 1 Comentário

João Pereira Coutinho, Colunista: Sócrates, o humilde

José Sócrates enfrenta o dilema clássico: ser ou não ser, eis a questão. Deve o primeiro-ministro continuar a trilhar o caminho da arrogância e do autoritarismo? Ou deve moderar a sua encantadora personalidade e apresentar-se ao País como a Madre Teresa do Largo do Rato?

Em entrevista à SIC, Sócrates já respondeu. Se a ideia é reconquistar a maioria, Sócrates não se importa de vender uma humildade que comove. Acontece que a estratégia tem dois problemas: com férias pelo meio, será difícil a Sócrates apagar em dois meses o que andou a cultivar durante quatro anos. E, adicionalmente, os portugueses não parecem dispostos a comprar a encenação, que obviamente fede a hipocrisia.

Ao pretender ser o que não é, Sócrates arrisca-se a parecer o que não pode: um oportunista que muda de pele ao sabor das circunstâncias.

Fonte: Correio da Manhã de 19.06.2009

19/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

João Pereira Coutinho, Colunista: Os humores de Sócrates

José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra João Miguel Tavares, do ‘DN’. Motivo? A seguinte frase: “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte da Cicciolina.”

Quando li o aforismo, confesso que já imaginava represálias. Não de Sócrates; mas da sra. Cicciolina, que durante longos anos teve casamento estável e consta que fiel. Enganei-me. Foi Sócrates, e não Cicciolina, quem se sentiu ofendido. E, ofendido, o primeiro-ministro decidiu inaugurar um novo capítulo na relação do governo com a opinião: processar qualquer colunista que duvide sobre uma carreira que parece mais esburacada do que um queijo suíço.

Só espero que o eng. Sócrates não amue por eu comparar o seu passado a um queijo. O mesmo já não posso dizer do queijo.

Fonte: Correio da  Manhã de 04.04.2009

04/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 3 comentários

João Pereira Coutinho, Colunista: ‘Opera buffa’

O eng. Sócrates e o primeiro-ministro de Cabo Verde chegaram meia hora atrasados a uma ópera no CCB. Em países ligeiramente mais civilizados, ficavam ambos à porta. E entravam no intervalo, caso houvesse um.

Pelos vistos, este procedimento normal e ‘democrático’ não aconteceu. E o restante auditório, cansado de esperar, desatou em vaias quando os governantes entraram na sala. Um erro. A vaia, inteiramente compreensível, devia ter ido para o próprio CCB, que não respeita o seu público, e nunca para os governantes que têm todo o direito de chegar atrasados. Esta lembrança não serve apenas para a ópera. Serve para tudo: para a justiça, para o ensino, para a política e para a mera civilidade. Só teremos um país do Primeiro Mundo quando todas as regras forem uniformemente aplicadas.

Fonte: Correio da Manhã de 29.03.2009

29/03/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário