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Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do CM: E agora. José?

O Governo de Sócrates depois de Setembro de 2008, quando os mercados financeiros estavam à beira do desastre e a crise financeira contagiou dramaticamente a economia real, resistiu teimosamente a assumir cenários pessimistas.

Em pleno turbilhão apresentou um orçamento do Estado fictício, em que previa para 2009 um défice de 2,2% do PIB. Em Janeiro reviu a previsão para 3,9%. Em Maio, o Governo já assumia 5,9 por cento. Passou o Verão e a campanha eleitoral sem se atrever a falar no buraco negro das contas públicas.

Agora, com dados das receitas fiscais de dez meses, já assume um descalabro de 8%, muito acima da polémica herança de 6,83% de Santana Lopes. É caso para citar Cardoso Pires e perguntar: “E agora. José?”

Os dados da execução orçamental são assustadores. O défice subiu 22 milhões de euros por dia face ao ano passado e já regista 38 milhões em cada dia. Ou seja em cada hora que passa são quase 1,6 milhões de euros que aumentam o buraco orçamental do Estado. Especialmente preocupante é a evolução do saldo da Segurança Social.

Porém, o maior drama da economia é o do desemprego e da destruição de postos de trabalho. Este ano, o saldo de empregos perdidos está em quase 500 por dia.

Fonte: Correio da Manhã de 22.11.2009

22/11/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do CM: A novela da política real

Quando as coisas começam a correr mal, as pessoas tendem a cometer mais erros. Que o diga Sócrates, durante quatro anos invencível nos debates parlamentares, que quarta-feira, quando confrontado por Diogo Feio sobre o negócio da Media Capital, teve um lapso ao falar da linha editorial da TVI. Manuela Ferreira Leite comentou o deslize do primeiro-ministro e disse que a “boca lhe fugiu para a verdade”.

A Media Capital até emitiu ontem um comunicado em que Moniz vem defender o negócio entre a Prisa e a PT, mas essa declaração não apaga o ónus que recai sobre o Governo neste processo. Em termos políticos, a soma destas manobras mal explicadas pode sair cara a José Sócrates.

Os portugueses gostam de heróis perseguidos. A própria história da TVI mostra isso: Moniz chegou à liderança do horário nobre com um Zé Maria que todos os concorrentes da primeira edição do ‘Big Brother’ queriam expulsar da casa, mas que por causa disso ficava cada vez mais popular. Agora, na verdadeira novela da política real, o Governo dá a ideia de querer expulsar da casa o ‘José Eduardo’.

O assunto tornou-se mais quente e interessante do que o TGV ou o manifesto dos economistas. E nestas histórias populares o feitiço costuma virar-se contra os feiticeiros.

Fonte: Correio da Manhã de 26.06.2009

26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do CM: Retrato da economia

O retrato da economia portuguesa traçado no relatório anual do Banco de Portugal não é novo nem surpreendente, mas a instituição liderada por Vítor Constâncio alerta para os calcanhares de Aquiles. Entre os pontos fracos encontra-se a disparidade significativa entre investimento e poupança internos, reflectida num elevado défice da balança corrente e de capital.

O relatório refere que este défice, que em 2008 subiu para 10,5%, contra 8,1% em 2007, “não será sustentável indefinidamente”. Vítor Constâncio também dá receitas: afigura-se crucial a adopção de medidas que “incentivem os agentes económicos a um maior investimento em capital físico e humano, que promovam um quadro contratual mais propício ao dinamismo das empresas e à mobilidade dos factores produtivos e que aumentem a celeridade do sistema judicial”.

Portugal precisa de investimento de qualidade, que valorize o potencial dos seus recursos. Mas o investimento também tem de ter em conta o elevado endividamento da economia. Num tempo em que o dinheiro voltou a ser um bem extraordinariamente escasso, cada euro tem de ter retorno e justificação, especialmente quando se trata de verbas pagas pelos contribuintes. Mas o País ficar parado com a desculpa da falta de dinheiro é uma má opção.

Fonte: Correio da Manhã de 17.06.2009

17/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Pois…: Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do CM – Não há coincidências

(…) Não deixa de ser curiosa a rápida alteração do discurso do Governo sobre o caso do Banco Privado, especialmente se atendermos à coincidência de a decisão ter sido anunciada menos de 48 horas após o desastre eleitoral do PS, castigado por uma subida exponencial do Bloco de Esquerda. Mas em política não há coincidências.

Que se aguentem…desde quando é que eu tenho de pagar os prejuízos dos outros em Bolsa?

Banco só pagaria hoje um sexto do valor

A liquidez gerada pelos títulos, actualmente congelada no banco, só chega a 230 milhões de euros, bem longe dos 1,2 mil milhões investidos.

11/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do Correio da Manhã: Perigo no crédito

Em pouco mais de dez anos Portugal assistiu a uma impressionante mudança na relação com o dinheiro. A baixa de juros provocada pela adesão ao Euro abriu uma corrida histórica ao crédito, que passou a ser o grande motor da economia. Rapidamente os portugueses passaram do grupo dos mais poupados para o dos mais endividados. Na Zona Euro, apenas os holandeses têm um nível de endividamento superior. Graças ao crédito, milhares de famílias têm um conforto material impossível de obter sem ajuda bancária.

Desde a casa, ao carro, aos móveis, às viagens, o crédito tornou-se num instrumento fundamental para melhorar o nível de vida. O problema surge quando as pessoas não têm dinheiro para honrar os compromissos, como aconteceu no caso do subprime americano. O Banco de Portugal teme um aumento do crédito malparado. Por paradoxal que pareça, a principal ameaça do crédito até nem será a curto prazo. Para muitas famílias as dificuldades serão mais notórias quando a crise terminar na Europa. Nessa altura os juros irão subir dos actuais mínimos históricos. Não será estranho que as taxas dupliquem em pouco tempo e que as famílias que dependem de salários, que não aumentarão na mesma proporção, não consigam vislumbrar sinais de retoma e tenham ainda mais dificuldades.

Fonte: Correio da Manhã de 20.05.2009

20/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do Correio da Manhã: Escândalo do BPP

O ministro das Finanças disse ontem que “os clientes do BPP que celebraram contratos de depósito terão as garantias asseguradas”. Esta promessa do ministro não acalma os clientes vítimas do Banco Privado, porque as suas aplicações, tecnicamente, não são depósitos, mas sim investimentos mais próximos de fundos bolsistas.

Até rebentar o caso BPP, os clientes estavam sossegados e pensavam que os produtos de ‘retorno absoluto’, garantidos pelo banco, com um juro pouco superior a 5%, eram depósitos. Descobriram depois que eram produtos de risco e que alguns até serviam para pagar aplicações de outros clientes, como num esquema de D. Branca.

Isto aconteceu num banco de portas abertas, num negócio em que os administradores estão sob a alçada disciplinar do Banco de Portugal. A autoridade falhou de forma absurda e deixou que o banco vendesse gato por lebre.

Os accionistas da Privado Holding estão agora em guerra, enquanto João Rendeiro está tranquilo, com o seu património seguro em offshores. Entre os clientes que invadiram os balcões do banco há casos dramáticos. Pessoas que perderam o pé-de-meia. A actual administração ainda tenta recuperar banco, mas o mais importante não é salvar o BPP: o fundamental é recuperar o máximo possível do dinheiro dos clientes.

Fonte: Correio da Manhã de 09.05.2009

09/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira: O golpe do BPN

O caso BPN arrisca-se a ser um buraco sem fundo para os contribuintes. As imparidades, os prejuízos de actividade e as necessidades de capital injectado pela Caixa Geral de Depósitos elevarão a factura acima dos dois mil milhões de euros.

Oliveira e Costa é até agora o único detido. E se acreditarmos nas declarações dos seus mais directos colaboradores na comissão parlamentar de inquérito, o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais é um verdadeiro génio malévolo.

Oliveira e Costa merece um lugar de destaque na lista de autores de maiores golpes financeiros do Mundo, maior ainda do que Madoff, dado que os custos do BPN no PIB português não andarão longe de 1,5%, enquanto os cinquenta mil milhões de dólares de Madoff pesam muito menos no PIB americano. É difícil acreditar na ingenuidade de homens de vasto currículo que só cumpriam ordens de um todo-poderoso presidente.

Ex-ministros, gestores de prestígio, com influência social, reduzidos ao papel de simples executores de tarefas, parece uma história digna de conto de fadas. Apesar dos lapsos de memória de alguns ex-colaboradores de Oliveira e Costa, esta comissão de inquérito tem feito um excelente trabalho. Pelo menos agora os portugueses ficaram a saber mais sobre os negócios absurdos que terão de pagar.

Fonte: Correio da Manhã de 06.05.2009

06/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira: Privado e fictício

Quando a 19 de Novembro de 2008 João Rendeiro, em entrevista à SIC Notícias, fez um apelo para o Estado dar um aval a um empréstimo de 750 milhões de euros, poucos imaginavam que a instituição tivesse poupanças em risco, especialmente aplicações que os clientes pensavam que eram depósitos, que o banco vendia co-mo produtos de ‘retorno absoluto’.

Rendeiro, que publicou a biografia dos seus sucessos como o homem que venceu o mercado, na semana em que o naufrágio do banco foi conhecido conseguiu convencer ilustres clientes do banco com alguns milhões investidos. Um mês antes de desistir da liderança do BPP, Rendeiro assegurava que estava tudo bem.

Não estava tudo bem, e Carlos Tavares, presidente da CMVM, acusou o banco de ter realizado operações fictícias. Como Madoff ou, na versão portuguesa menos sofisticada, D. Branca. Rendeiro respondeu com ameaça de processo judicial ao regulador da Bolsa.

Se a convicção das autoridades do mercado estiver certa, o banqueiro dos ricos vendeu alguns produtos que não aplicava. Usava o dinheiro captado junto dos clientes para satisfazer necessidades de tesouraria correntes. Parece o jogo de um perigoso esquema de pirâmide. Depois de se saber isto, a quem é que os clientes lesados vão pedir contas? Às autoridades do mercado ou às offshores de Rendeiro?

Fonte: Correio da  Manhã de 25.04.2009

25/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira: Dinheiro no paraíso

Apesar de a crise financeira ter provocado uma elevada erosão nos grandes patrimónios, os portugueses ainda tinham em offshores cerca de 5% da riqueza produzida no País durante um ano. São quase nove mil milhões de euros, o que dava para pagar o novo aeroporto de Lisboa, a terceira travessia do Tejo, entre Chelas e Barreiro, e ainda sobrariam algumas centenas de milhões de euros.

Há duas motivações fundamentais para a aplicação do dinheiro em paraísos fiscais. A mais frequente é o chamado ‘planeamento fiscal’, uma forma legal de pagar menos impostos. Mas também há um importante fluxo de dinheiro ilícito. Nem todos os offshores são iguais mas qualquer pequeno barão da droga sabe quais são os paraísos fiscais que lavam mais branco e de forma segura.

A maior parte do dinheiro português em offshores é de fortunas legítimas e de empresas, especialmente bancos e financeiras, os grandes especialistas em ‘planeamento fiscal’.

Este fenómeno é global. Acontece em toda a Europa, nos EUA e noutros países ricos, mas não deixa de ser irónico que os contribuintes que não têm maneira de escapar às obrigações fiscais sejam agora os fiadores de muitas entidades que ganharam milhões por escaparem ao pagamento de impostos graças ao sofisticado ‘planeamento fiscal‘.

Fonte: Correio da Manhã de 11.04.2009

Vale a pena ler aqui neste link outro artigo directamente relacionado com este:

Revelam dados do Banco de Portugal de Março passado – 8,8 mil milhões fogem para offshores

11/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

A criminalidade subiu porque os criminosos andam todos cá fora…: Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do Correio da Manhã – Paradoxos da Justiça

O Governo aprovou ontem as prioridades de política criminal. Chamar prioridade a um catálogo tão extenso, que na prática inclui todo o tipo de crimes, até parece um paradoxo. Mas de paradoxos está a Justiça cheia, a começar pelo aumento dos crimes violentos e proliferação de formas cada vez mais sofisticadas de criminalidade, enquanto as cadeias têm cada vez menos presos e escasseiam os meios de investigação ao serviço do Ministério Público e polícias.

Dizia o padre Américo, fundador da meritória obra casa do Gaiato, que não há maus rapazes. Infelizmente a realidade tende a contradizer a boa-fé do sacerdote. Contudo, a política criminal portuguesa parece acreditar ingenuamente que todas as pessoas são boas, fazendo quase de tudo para evitar a sua ida para a prisão.

Dá para desconfiar que leis com tantas garantias para criminosos não tenham como objectivo principal nem a Justiça, nem a Segurança, mas antes a poupança do Estado com o sistema prisional.

Prometido como prioridade pelo ministro da Justiça está também “o combate ao tráfico de influências, corrupção, branqueamento e participação económica em negócio”. Promessa repetida há anos, mas cujas boas intenções a realidade desmente. E, com tudo isto, a autoridade do Estado fica mais frágil.

Fonte: Correio da Manhã de 10.04.2009

10/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário