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Do Público: Palavras do Presidente foram decisivas para forçar Sócrates a vetar compra da TVI

Sócrates decidiu “vetar” negócio da PT com a Media Capital, mas o PSD acusou logo o primeiro-ministro de usar a golden share apenas para defender a sua imagem. O resto da oposição fala em trapalhada

O primeiro sinal, discreto, foi dado pelo ministro da Presidência, já depois de Cavaco Silva ter exigido explicações da Portugal Telecom (PT) sobre o negócio da compra de parte da Media Capital, dona da TVI. No final do Conselho de Ministros de quinta-feira, Pedro Silva Pereira deixava no ar dúvidas sobre o negócio, ontem vetado pelo executivo de José Sócrates. “Pelo que sabemos dos intervenientes, esse negócio não se confirma. De qualquer modo, essa mensagem do Presidente da República é dirigida expressamente à PT e não ao Governo, nem o Governo poderia dar explicações relativamente a informações que não possui”, dizia Silva Pereira.

A verdade é que, desde o debate da moção de censura do CDS, quarta–feira, Sócrates e o Governo viveram dias agitados. Com muitas pressões e tensão. Até Cavaco Silva não ficou de fora, ao dizer que ficou com muitas dúvidas quanto aos contornos do negócio. Abriu “uma excepção” e falou em público sobre negócios, face à “natureza do sector que está causa e pela importância nacional da empresa de telecomunicações”. Exigiu transparência numa altura em que se admitia como iminente o acordo PT-Media Capital. “Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.”

Incómodo com Cavaco

A frase de Cavaco veio juntar-se ao vendaval político que saiu do duelo verbal entre Sócrates e Diogo Feio, do CDS, e Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, no debate de quarta-feira. O primeiro-ministro respondeu exaltado à pergunta de Feio sobre qual o interesse do CDS numa eventual mudança de linha editorial da TVI, tão criticada por Sócrates, até no último congresso do PS. “Está preocupado com alguma coisa? Como eu o percebo… Porque o senhor deputado acha que a TVI tem seguido uma linha contra o Governo e deve manter-se”.

Entre dirigentes socialistas, admite-se que a forma como decorreu o debate tenha feito “mossa” na opinião pública. A que se juntou, no dia seguinte, a declaração de “excepção” de Cavaco sobre o negócio. O incómodo foi grande entre a maioria, mas admitido entre dentes. No PS e no Governo, perceberam-se os efeitos negativos que teria o arrastamento da polémica, que não abrandava. O Governo continuava debaixo de fogo. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, chegou a sugerir que Sócrates mentiu ao dizer que nada sabia do negócio, dado que o Estado tem uma golden share na PT.

Ontem de manhã, Sócrates foi ao Parlamento para a interpelação do PCP e, ao contrário do que é normal, tomou a iniciativa de falar aos jornalistas. Para dizer que o Governo vai opor-se ao negócio. Questão central: para que “não haja a mínima suspeita” de que a operação “se destina e qualquer alteração da linha editorial” do canal. E justificou a decisão por uma questão de transparência quer quanto aos “partidos políticos” quer a “protagonistas políticos” – uma definição em se inclui Cavaco.

Para tentar acabar de vez com as dúvidas sobre as reais intenções do negócio, o deputado socialista Arons de Carvalho desafiava entretanto os partidos da oposição a provarem que o afastamento do director-geral da TVI e de Manuela Moura Guedes, apresentadora do Jornal Nacional, era o objectivo da operação. Mas no recuo do Governo, admitem os socialistas, também pesou o clamor público em torno da transacção.

Já depois de Sócrates ter anunciado o recuo, Ferreira Leite acusou o primeiro-ministro de usar a golden share na PT para defender a sua imagem, recorrendo “ao argumento mais extraordinário”, o de afastar suspeições, para vetar o negócio com a Media Capital. “Utilizou um argumento impensável para quem tem alguma responsabilidade de Estado, o argumento da defesa da sua imagem. É a primeira vez que uma golden share é utilizada com semelhante argumento”, criticou. E concluiu que a sucessão de factos mostrou que “tinha razão” por ter afirmando que não podia ser verdade que o primeiro-ministro desconhecia o negócio, como afirmou na quarta-feira.

Trapalhada, diz oposição

Da esquerda à direita, qualquer que seja a leitura do caso, os partidos da oposição não ilibam a imagem do Governo e de José Sócrates em particular.

O CDS-PP associou o “recuo” do Governo à continuidade de José Eduardo Moniz à frente do canal. “Quando o director já não sai, já não há interesse no negócio”, afirmou o deputado Pedro Mota Soares, apontando uma contradição a Sócrates: “Há dois dias, queria ter mais uma televisão, agora já não quer.”

Para Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, o caso “é uma demonstração da trapalhada, falta de transparência e de seriedade política”. O deputado nota a mudança de posição em poucos dias: “quarta e quinta-feira, era o mercado a funcionar e que deixassem os privados resolver tudo; hoje, afinal a golden share obriga o Governo a pronunciar-se e afinal parecia que havia qualquer coisa de profundamente obscuro”.

Na mesma linha, o deputado do PCP António Filipe diz que o veto foi uma decisão avisada, mas retira algumas conclusões: “Põe em evidência que a decisão do negócio só podia ser tomada com a concordância do Governo e retira credibilidade à ideia de que o Governo não estava a par do negócio”.

Fonte: Público de 27.06.2009

27/06/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Leitura aconselhada para se perceber o assalto à TVI por parte do José Sócrates

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
O labirinto socratino (em actualização)

Quinta fase da guerra para o controlo socratino da TVI

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Providência cautelar contra a compra de 30% da Media Capital pela PT

Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Dead Men Walking .

26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

‘Despedimento’ esteve iminente – Pressão política evita saída de Moniz da TVI

As intervenções do Presidente da República, da líder do PSD e dos restantes partidos da oposição travaram a saída de José Eduardo Moniz da direcção da TVI

A demissão estava já decidida há alguns dias pela Prisa (proprietária da Media Capital, a empresa da TVI) e o respectivo anúncio iminente. Faltava apenas concluir a negociação da elevada cláusula de rescisão prevista no contrato de Moniz (entre 2 e 3 milhões de euros) – soube o SOL junto de responsáveis da estação de Queluz.

As declarações de Cavaco Silva, ontem de manhã – abrindo «uma excepção», como o próprio assumiu, na regra de não se pronunciar sobre negócios entre empresas –, foram um sinal claro para o grupo espanhol de que a venda de 30% da TVI à PT se tornara um caso político nacional.

Continue a ler esta notícia na edição impressa disponível nas bancas espalhadas por Portugal e Angola

Fonte: SOL

26/06/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do CM: A novela da política real

Quando as coisas começam a correr mal, as pessoas tendem a cometer mais erros. Que o diga Sócrates, durante quatro anos invencível nos debates parlamentares, que quarta-feira, quando confrontado por Diogo Feio sobre o negócio da Media Capital, teve um lapso ao falar da linha editorial da TVI. Manuela Ferreira Leite comentou o deslize do primeiro-ministro e disse que a “boca lhe fugiu para a verdade”.

A Media Capital até emitiu ontem um comunicado em que Moniz vem defender o negócio entre a Prisa e a PT, mas essa declaração não apaga o ónus que recai sobre o Governo neste processo. Em termos políticos, a soma destas manobras mal explicadas pode sair cara a José Sócrates.

Os portugueses gostam de heróis perseguidos. A própria história da TVI mostra isso: Moniz chegou à liderança do horário nobre com um Zé Maria que todos os concorrentes da primeira edição do ‘Big Brother’ queriam expulsar da casa, mas que por causa disso ficava cada vez mais popular. Agora, na verdadeira novela da política real, o Governo dá a ideia de querer expulsar da casa o ‘José Eduardo’.

O assunto tornou-se mais quente e interessante do que o TGV ou o manifesto dos economistas. E nestas histórias populares o feitiço costuma virar-se contra os feiticeiros.

Fonte: Correio da Manhã de 26.06.2009

26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

João Pereira Coutinho, Colunista: O preço do desespero

O Presidente da República deseja saber por que motivo a PT quer entrar na Media Capital. O prof. Cavaco devia ter ouvido o último debate parlamentar: pela boca do eng. Sócrates, que ironizou com a ‘linha editorial’ da TVI, ficou transparente que o Governo, através da PT, deseja açaimar o único canal televisivo que não come a propaganda do PS.

Acontece que a jogada tem um problema: o tempo. Tirando a natureza óbvia e imoral do negócio, mais própria de democracias latino-americanas,a entrada na TVI pode ser um erro estratégico. A três meses das legislativas e com a possibilidade séria de as perder,o governo Sócrates arrisca-se a comprar um canal televisivo para o oferecer, logo de seguida, ao governo da oposição. Irónico? Sem dúvida. Mas éo preço a pagar quando se governa em desespero.

Fonte: Correio da Manhã de 26.06.2009

26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário