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Manuel Pinho a caminho de Hollywood – parte 3: Portraits from the West Coast of Europe

4218789_D3ictFonte: 31 da Armada

05/07/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Manuel Pinho a caminho de Hollywood – Parte 2: Depois da faena dá-se a volta à arena

Já se disse demasiado sobre o gesto tauromáquico (digamos) de Manuel Pinho, sobre a pressa de Francisco Louçã em enfiar a carapuça (digamos) dirigida a Bernardino Soares e sobre a urgência suicida de um Governo que, se não beneficiasse de dois meses de praia e langor pelo meio, dificilmente chegaria a Setembro. De resto, não era necessário o debate do estado da Nação para mostrar o estado actual dos sujeitos que mandam nela, e quanto à “vergonha” da insólita imagem ter chegado à imprensa internacional, hesito entre o que será menos embaraçoso de justificar a um estrangeiro civilizado: os cornos que o dr. Pinho mostrou ao deputado comunista ou o facto de possuirmos deputados comunistas.

Por mim, achei a entrevista do ex-ministro à SIC Notícias mais reveladora que a lide parlamentar do ministro. Em vinte minutos de conversa teoricamente destinada a exibir arrependimento, o dr. Pinho soltou o “lado humano” e exibiu o curioso espécime que tutela a nossa Economia desde 2005.

O dr. Pinho, que “resolveu” o “negócio” das minas de Aljustrel cinco minutos antes de o anunciar às câmaras de televisão, “sente” que “deu algo de volta a um país” que “adora”. Defende que “o português” é “gente muito boa”. “Admira imensíssimo” o eng. Sócrates. Fora de Portugal, admira imenso o Presidente Lula, visto que fazem anos com um dia de diferença e este ano “apagaram as velas juntos”. Queixa- -se do sistema nacional de saúde, e lembra que a operação aos olhos de uma familiar “correu pessimamente” e a Ordem dos Médicos nunca lhe respondeu a uma carta, a ele, que “foi ministro durante quatro anos e meio”. Tem “muito orgulho em ter participado num governo que fez reformas extremamente importantes” e que quis “rasgar algumas situações”. Refere quatro reformas “fantásticas”: a Segurança Social (“um acto de grande generosidade deste governo”); o ensino (“os miúdos que têm aulas durante todo o dia, que têm aqueles computadores, o inglês, isso tudo…”); as leis laborais (“houve o bom senso de criar um mercado de trabalho mais flexível”); e, “passe a imodéstia”, as energias renováveis, cuja importância explicou detalhadamente: “É através das energias renováveis que Portugal é mais admirado a nível internacional.” Porquê? Porque “o grande desafio que temos neste século é a questão das ‘alterações climáticas’, e se nada se fizer até ao fim do século a temperatura média do planeta aumenta seis graus”. Jura? E? “É catastrófico, os nossos bisnetos vão ter de emigrar para outro planeta.”

Evidentemente, há muito que o dr. Pinho não vive neste.

Fonte: Diário de Notícias de 05.07.2009

05/07/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel Pinho a caminho de Hollywood…: Imagem faz sucesso na Net e nos media

São já dezenas os vídeos no YouTube com a imagem de Manuel Pinho a estender os indicadores, simulando uns chifres. Um sucesso: o vídeo do site esquerda.net, um dos primeiros a colocar a imagem online, contava ontem 25 mil visualizações. Mais cinco vídeos reproduzindo o mesmo gesto do ex-ministro da Economia contavam todos mais de dez mil visitas.

O caso não desperta apenas o interesse dos portugueses. Depois de terem noticiado o incidente, alguns títulos da imprensa internacional voltavam ontem ao caso, dedicando-se a escrutinar o significado do gesto de Manuel Pinho.

O site da televisão pública britânica BBC publicava ontem um longuíssimo artigo sobre a origem e o significado de representar uns chifres, em várias culturas.

No jornal espanhol El País, a crónica da última página, da autoria do escritor galego Manuel Rivas, também é dedicada ao ex-ministro da Economia. O cronista começa por descrever o percurso académico e profissional de Pinho, para concluir num tom irónico que até o seu último gesto como ministro foi feito com “brilhantismo e profissionalismo”. E, no mesmo tom, acaba a afirmar que Manuel Pinho se enganou no Parlamento – tivesse feito o mesmo em Espanha e estaria agora a ser “levado em ombros”, sendo que o insultado é que teria sido demitido.

Desde quinta-feira passada que Manuel Pinho protagoniza um episódio inédito em Portugal. Na noite de sexta-feira juntou-se-lhe mais uma situação invulgar: uma oferta pública de emprego, via televisão, ao ex-ministro. O autor foi o empresário Joe Berardo, que em entrevista à SIC Notícias disse ter um emprego para Manuel Pinho: “Ontem à noite falei pessoalmente com a mulher dele, mandei transmitir que Joe Berardo lhe ofereceu trabalho como administrador da fundação [do próprio empresário]”.

Fonte: Diário de Notícias de 05.07.2009

05/07/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Demissão – Pinho “matou o arranque do PS” para as próximas eleições

Especialistas em ciência política são unânimes: o gesto de Manuel Pinho na Assembleia da República deitou por terra o que seria o momento de relançamento do PS para as próximas eleições legislativas, depois do desaire nas europeias e de quatro semanas em que tudo correu mal ao Executivo de José Sócrates. E as consequências podem não ficar por aqui

Uma “turbulência” que rapidamente passará à história ou uma tempestade política com efeitos eleitorais? O gesto de Manuel Pinho no Parlamento, levantando os dedos indicadores num sinal de chifres, deixou o PS tão incrédulo quanto receoso dos efeitos de mais este caso sobre um eleitorado que já mostrou não estar contente com os socialistas. Especialistas em ciência política apontam danos à imagem do Governo. E são unânimes na apreciação – Pinho arrasou com o que seria o momento simbólico de relançamento do PS.

O politólogo Manuel Meirinho não tem dúvidas: “Em política nenhum episódio individual fica circunscrito. Não há efeitos circunscritos, há sempre efeitos colaterais”. E o primeiro efeito deste episódio, defende, é uma “fragilização do primeiro-ministro”, que viu anulada a estratégia traçada para o debate sobre o Estado da Nação. “Era um momento cardeal para relançar o PS e o Governo depois das eleições europeias. Manuel Pinho anulou isso por completo, matou um arranque que até estava a correr bem” aos socialistas, defende o docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP). O que implica agora que o Governo “reequacione um pouco a estratégia”.

André Freire sustenta que os principais danos vão sobretudo para a imagem da classe política juntos dos portugueses. Acrescenta que a rapidez com que o caso foi resolvido, com o anúncio da demissão de Manuel Pinho ainda durante a tarde de quinta-feira, ajudou a “conter os danos”. Falta saber – e isso dificilmente se pode antever – que percepção ficará na opinião pública do incidente. “Sendo um episódio isolado, pode somar-se a uma imagem de arrogância do Governo. Se passar a mensagem de que isto traduz uma certa atitude do Governo, de uma crispação muito forte, até uma certa agressividade, aí pode fazer mais estragos”, afirma o docente do ISCTE.

“Este episódio acabará por ser esquecido, o problema é a confiança pública num sentido global”, dado que este episódio representa uma “alteração nas circunstâncias da imagem do PS”, defende José Adelino Maltês. Depois do mau resultado nas europeias, com o PS à “procura do seu rumo”, o gesto protagonizado por Pinho representa um “abalo na recuperação de uma ideia de confiança”. Maltês defende que o sucedido no debate do Estado da Nação é “uma ironia do destino” para um primeiro-ministro que se esforçava por aparecer como pioneiro na comunicação através das novas tecnologias. Acabou por ser a primeira vítima”, diz o politólogo. Que destaca outro ponto de todo este processo : “O Presidente da República alinhou no coro de críticas. Não precisava de o fazer, a Assembleia da República já tinha condenado e resolvido o caso”. O que significa, acrescenta, que o PS e o Governo “estão rigorosamente vigiados por Cavaco Silva”.

Fonte: Diário de Notícias de 05-07-2009

05/07/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: É melhor sermos amigos dele

Se a notoriedade por assim dizer política do ministro Manuel Pinho advém, principalmente, de ter conseguido ser fotografado para a posteridade ao lado de celebridades como Catherine Deneuve (a verdadeira, não a do Parque Eduardo VII) e Michael Phelps e de não ter conseguido – que diabo!, um ministro não consegue tudo – salvar a Quimonda ou as minas de Aljustrel, ele é notável também pela luta ardorosa que trava com Mário Lino pelo título de campeão nacional das “bocas” de gosto refinado.

A última foi que Paulo Rangel, do PSD, ainda tem que “comer muita papa ‘Maizena’ para chegar aos calcanhares de Basílio Horta”. Pensar-se-ia (muita gente o pensou) que seria, em tempos de crise, um estímulo ao importante sector económico das papas, do género do de Sócrates ao “Magalhães” e à J.P. Sá Couto. Só que não se tratava da economia nem do país, tratava-se de Basílio Horta ser seu amigo e de ele, como disse à TSF, “defender os amigos”. Foi uma desilusão. Afinal, Manuel Pinho é um ministro como os outros, preocupa-se é com os amigos. Mas o país ainda pode ter esperança: basta-lhe passar a ser seu amigo.

Fonte: Jornal de Notícias de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: “Olhem para mim a nadar”

Há uns anos houve uma inundação na garagem do meu prédio. Os carros ficaram com água pelos radiadores, e só de galochas se conseguia aceder a eles e tentar inutilmente tirá-los dali. Continuava a chover e a água, na garagem, não parava de subir. Então, o administrador do condomínio resolveu intervir afixando um comunicado a tranquilizar-nos: “A situação, embora alarmante, não é preocupante”. O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse-o por outras palavras quando se soube que o desemprego chegara aos 7,6% no último trimestre de 2008, ainda antes da vaga de “layoffs” e fechos de empresas que se seguiu: “É um sinal de esperança…”.

Agora, Silva Lopes, ex-governador do Banco de Portugal, revelou que o país corre o risco de deixar de ter crédito no estrangeiro e que a contracção da economia portuguesa pode chegar a 5% ou mais. O Governo e Manuel Pinho dir-nos-ão que a situação, embora alarmante, não é preocupante, e que em breve começarão as obras do TGV. Assim a modos como o Menino Ru de “Joanica-Puff” a afogar-se e a vir a espaços à tona dizendo: “Olhem para mim a nadar, olhem para mim a nadar!”.

Fonte: Jornal de Notícias de 06.03.2009

06/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Pedro Lomba: O REGIME DOS AMIGOS

Manuel Sebastião, o actual presidente da Autoridade da Concorrência, serviu de intermediário do ministro Manuel Pinho, em 2004, na compra de um prédio ao Banco Espírito Santo. Segundo o Público, Manuel Sebastião acabou por adquirir depois um apartamento no edifício por 500 mil euros, mas garante que não agiu de nenhuma forma na negociação da compra. Diz ele que apenas assinou passivamente o contrato.

Nada disto seria especialmente interessante, excepto que à altura Manuel Sebastião era administrador do Banco de Portugal e Manuel Pinho exercia funções análogas no Banco Espírito Santo, instituição que o Banco de Portugal regula e fiscaliza. E hoje, quatro anos depois, Manuel Pinho é o ministro da Economia e Manuel Sebastião o homem que dirige a Autoridade da Concorrência por recente escolha do Governo. São os dois amigos próximos, têm interesses comuns, segredam um ao outro. Tudo coisas lícitas. Amigos, na verdade, temos todos. Muita da indignação espontânea do português deriva sempre do desejo de substituir os amigos dos outros pelos seus.

Só que existe aqui um óbvio problema que não convém subestimar: por causa das funções que ambos desempenham, Manuel Sebastião e Manuel Pinho não podem ter a proximidade que manifestamente têm. O Governo e a Autoridade da Concorrência representam interesses antagónicos. O primeiro faz política para ganhar eleições, mentindo se for preciso; o segundo serve para aplicar o bem público e vigiar o cumprimento da lei. Isto pressupõe que quem decide a política de economia e quem zela pela livre concorrência dos mercados tenha condições políticas para entrar em “choque” e “conflito” com o outro.

A notícia sobre a compra de um prédio em que Manuel Sebastião agiu como representante de Manuel Pinho não revela necessariamente nada de defeituoso no que respeita à conduta profissional dos dois. Se algum problema existe, ele não é ético nem profissional. Ninguém sabe nem talvez pode saber se Manuel Sebastião incorreu mesmo em conflito de interesses, se favoreceu de alguma maneira o Grupo Espírito Santo durante o tempo em que Manuel Pinho lá esteve.

A substância deste assunto é toda ela política. O que o caso demonstra é que o actual presidente da Autoridade da Concorrência nunca irá importunar grandemente o Governo, mesmo que isso seja necessário como muitas vezes é. A sua imparcialidade e distância estarão sempre sob suspeita. Não sei para que servem estes organismos de regulação se não for para o trabalho difícil de “criar chatices”, sobretudo junto dum Governo com o apetite intervencionista como o nosso. De regulação reverente da escola “Vítor Constâncio” que nunca quis importunar os velhos “amigos” da política por acaso também banqueiros, já estamos todos um pouco cheios.

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13/11/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel Sebastião, actual presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), comprou em 2004 um apartamento à empresa Pilar Jardim – Gestão Imobiliária, que tem como sócio o ministro da Economia, Manuel Pinho.

O negócio, que começou antes de Pinho chegar ao Governo, envolve um montante de 300 mil euros que o presidente da AdC já pagou à PilarJardim a título de sinal, embora não exista nenhum contrato-promessa celebrado nem escritura pública realizada. De facto, o imóvel, localizado na Rua Saraiva de Carvalho, nº 68, em Lisboa, foi a antiga casa do escritor Almeida Garrett e por restrições camarárias ainda não tem constituída a propriedade horizontal.

O ministro, que em Março de 2008 nomeou Manuel Sebastião para a presidência da Autoridade da Concorrência, deixou de ser sócio-gerente da empresa em 10 de Março de 2005 (altura em que entrou para o Governo), de acordo com a III série do Diário da República de 15 de Setembro de 2005. No entanto, segundo um documento das Finanças datado de ontem e consultado pelo CM, o ministro e a mulher continuam a ser identificados como gerentes da Pilar Jardim.

Confrontado com os factos, Manuel Sebastião recusa demitir-se do cargo de presidente da AdC e nega que se trate de um negócio menos transparente. ‘Apesar de ainda não ter celebrado escritura pública’, refere, ‘numa base de confiança, foi acordado um plano de pagamentos constante nas declarações ao Tribunal Constitucional’, disse ao CM o presidente da AdC, salientando que ainda não habita no prédio em questão.

O plano de pagamentos do apartamento em Lisboa, que começou em 2004, inclui um depósito inicial de 190 mil euros, que foi reforçado com mais 110 mil em 2006.

Para Manuel Sebastião, esta relação comercial com a tutela não põe em causa a independência exigida nos estatutos do regulador, justificando que foi por esse mesmo motivo que declarou o negócio ‘de forma transparente nas várias declarações entregues ao Tribunal Constitucional’. Apenas no primeiro ano do contrato é que Manuel Sebastião refere que fez um depósito para ‘um apartamento a construir pela empresa Pilar Jardim – Gestão Imobiliária’. Nos restantes anos, a referência ao nome da empresa desaparece, constando apenas os valores gastos com ‘a entrada para um apartamento em Lisboa’.

O imóvel em questão, por ser propriedade da Pilar Jardim, não consta na declaração de rendimentos do ministro da Economia. Apenas a referência à sua participação na empresa, que tem como sede a própria casa de Manuel Pinho, e como actual sócia-gerente a mulher do ministro.

EMPRESA EM CASA DO MINISTRO

A empresa Pilar Jardim, que vendeu a casa a Manuel Sebastião, tem a sede na Rua D. Pedro V, 108, 4.º andar. O domicílio fiscal do ministro Manuel Pinho.

GESTOR NO BANCO DE PORTUGAL

Manuel Sebastião, nascido em Angola, de 59 anos, e licenciado em Economia, foi administrador do Banco de Portugal, integrando desde 2000 a equipa de Vítor Constâncio, que só abandonou este ano para assumir a presidência da Autoridade da Concorrência.

PRESSÃO SOBRE OS COMBUSTÍVEIS

Os preços elevados dos combustíveis estão a ser uma permanente dor de cabeça para Manuel Pinho e Manuel Sebastião.

O presidente da AdC garantiu, no início de Junho passado, que não havia cartel entre as com-panhias petrolíferas na definição dos preços, mas o ministro da Economia, após constatar que o preço se mantém alto apesar da descida do petróleo, já pressionou a AdC para fiscalizar o mercado. E os consumidores têm também pressionado a AdC.

DEMOLIÇÃO CONTESTADA

A demolição da casa onde viveu e morreu o escritor Almeida Garrett (1799-1854) foi polémica mas a defesa da preservação do imóvel não resistiu aos interesses imobiliários. Aprovada pela Câmara de Lisboa em 2004, chegou a ser suspensa em Junho de 2005 pelo então presidente, Santana Lopes. No entanto, seis meses depois o prédio começou a ir abaixo. Por entre avanços e recuos, gorou-se a hipótese de ver o imóvel renascer como casa-museu, pretensão do Fórum Cidadania de Lisboa, que reuniu 2300 assinaturas. E nem o Instituto Português do Património Arquitectónico ‘ajudou’: apesar de reconhecer ‘valor simbólico’ enquanto ‘local de memória associado a um dos maiores vultos da literatura portuguesa’, considerou que tinha ‘as condições necessárias para, do ponto de vista arquitectónico, ser classificada como património nacional’.

Os defensores da memória repetiram vigílias, protestos e petições, envolvendo figuras públicas. Até pediram a intervenção de José Sócrates. De nada valeu.

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21/09/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Regulação sem rumo

O ministro Manuel Pinho fez um negócio imobiliário com o actual presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, que nomeou para o cargo.

Os dois são amigos, têm uma relação de grande confiança que vai ao ponto de realizarem o negócio sem que exista uma escritura ou um contrato-promessa. Circularam 300 mil euros de Manuel Sebastião para a empresa da qual Manuel Pinho é sócio-gerente. É ilegítimo? Não, mas é moralmente inaceitável que se tenha do poder de nomeação para altos cargos – tão decisivos quanto o de uma Autoridade da Concorrência – a noção de que é um mero instrumento de gestão de uma coutada pessoal.

Nesta altura, aliás, não se pode esquecer que a independência de Abel Mateus, antecessor de Sebastião na Concorrência, nunca foi bem-vista nem no Governo nem em alguns meios empresariais e que o trabalho do actual presidente não tem confirmado esse padrão inicial de distanciamento em relação a vários poderes. Pelo contrário, a regulação atravessa uma fase sem rumo.

De resto, pergunta-se: como é justificado na empresa o dinheiro da transacção? Que tipo de recibos, facturas ou outro suporte contabilístico está lá? Se é que está algum. A transacção não levanta qualquer dúvida ao Fisco? E, levantando ,  isso não obriga Manuel Pinho a prestar esclarecimentos?

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto

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21/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário