Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

João Miguel Tavares: Ser ministro é assim uma espécie de martírio

Manuel Pinho levou a sua voz xanax até à SIC Notícias para explicar o hastear dos dedos no Parlamento. Mas dois minutos depois de começar a entrevista já ele estava a divagar sobre o tema favorito dos políticos portugueses: o “sacrifício pessoal”. Os nossos políticos estão convencidos de que são os mártires da República. Com absoluto desinteresse e nenhuma ambição, sacrificando as suas vidas e uma carreira imparável no sector privado, decidem dedicar a sua vida à causa pública, obtendo em troca apenas sofrimento, trabalho infindo, notícias injustas e o distanciamento das suas famílias. Sempre que o leitor assistir a uma entrevista de um ministro em fim de mandato, não se esqueça da caixinha dos kleenexes.

Oh, como somos maus para com estes homens extraordinários. A bem da verdade, a ladainha sacrificial não é exclusiva dos políticos. No futebol é a mesma coisa. Luís Filipe Vieira não se cansa de apregoar os sacrifícios pessoais que faz pelo Benfica. E o novo presidente do Sporting, questionado antes das eleições sobre quanto iria ganhar ao serviço do clube, respondeu esta coisa admirável: “Não sei quanto vou ganhar. Para já sei quanto perdi.” Uma frase de tal forma emblemática deste estado de espírito que valeria a pena transformá-la num azulejo que decorasse todos os gabinetes ministeriais do País, de preferência ao lado de um quadro do menino da lágrima: “O que ganhei, não sei. Apenas sei o que perdi.”

Não está aqui em questão o quanto os ministros trabalham, que é com certeza muito mais do que qualquer um de nós. Acredito piamente que Manuel Pinho tenha passado noites inteiras a sonhar com mineiros. No entanto, defender que o empenho profissional merece, só por si, o nosso agradecimento é ter uma visão muito enviesada do que é a ética do trabalho. Portugal deve estar agradecido aos senhores políticos porque há pingas de suor a escorrer pelas suas frontes? Não brinquem comigo.

A ladainha sacrificial é vergonhosa, e basta olhar para as carreiras pós-política dos ministros para perceber a sua desonestidade. É verdade que os políticos ganham mal em comparação com o sector privado, mas aquilo que eles recebem quando abandonam a política compensa largamente os anos de sofrimento. Que o diga Dias Loureiro. Ou o seu amigo Jorge Coelho. A conversa do “sacrifício pessoal” concentra os piores defeitos da nação. Porque aquilo que ela esconde, na verdade, é o desejo de não se ser questionado, vigiado, escrutinado. Se eu dei tanto de mim, porque tenho ainda de ouvir isto?, perguntam eles. Palavras e atitudes como estas apenas demonstram que seis décadas de ditadura paroquial deixaram marcas profundas nas cabeças mais insuspeitas.

Fonte: Diário de Notícias de 07.07.2009

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08/07/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário

João Miguel Tavares: Quem tem medo de Manuela Moura Guedes?

A peixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI. Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que “aquilo não é jornalismo”. Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional – que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.

Manuela Moura Guedes não é a pivot com que eu mais gosto de acompanhar o jantar. No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de “isto é tudo uma corja”, não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente. Ora, esse “deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro” é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas.

Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos – mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar. As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos – e por isso é bastante mais perverso – são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado. Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem.

Fonte: Jornal de Notícias de 26.05.2009

26/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 4 comentários

João Miguel Tavares: José Sócrates e os cogumelos de Benlhevai

Caro leitor: sempre que lhe vierem dizer que a comunicação social portuguesa é muito agressiva e pouco escrupulosa, lembre-se dos cogumelos de Benlhevai. A tarde de sexta-feira ia a meio quando a TVI24 decidiu fazer um directo da fábrica de cogumelos Sousacamp, em Benlhevai, onde o primeiro-ministro fazia uma distintíssima visita. Eu não tenho nada contra cogumelos, e muito menos contra Benlhevai. Mas o que se passou nessa tarde é um pequeno exemplo de como o grande problema da comunicação social nunca foi o excesso de irreverência ou a falta de escrúpulos, mas sim o respeitinho pelo poder e a devoção às instituições, pondo-se a jeito de tudo o que é propaganda governamental.

Em Benlhevai estava o primeiro-ministro. O ministro da Agricultura. Televisões. A Lusa. E cogumelos. A TVI24 levou um carro de exteriores para um directo que consistiu em acompanhar três anúncios, qual deles o mais ridículo: dois contratos de investimento que vão criar a loucura de 165 postos de trabalho (em tempo de vacas magras, se for preciso Sócrates até convoca as câmaras para anunciar a contratação da sua nova empregada doméstica); o aumento para 28 dos “túneis de produção de substrato”, que parece ser uma coisa que faz os cogumelos muito felizes; e como bónus a notícia de que o Governo vai aumentar as ajudas para a “agricultura de montanha”, coisa que deve preocupar para aí o João Garcia, e só quando não está a trepar os Himalaias.

O interesse noticioso desta viagem de estudo pelos cogumelos de Benlhevai é obviamente nulo. Mas se está lá o primeiro-ministro a comunicação social tem de ir. Porque vai sempre. E depois tem de passar umas imagens nos telejornais. Porque passa sempre. É uma espécie de contrato não escrito entre o primeiro e o quarto poderes, que Sócrates aproveitou como nenhum outro. E por isso devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática.

Para sermos justos, o Governo não é o único beneficiário de toda esta disponibilidade. Ainda recentemente, após a entrevista de José Sócrates à RTP, as TV foram a correr pôr os microfones na boca dos partidos com assento parlamentar (incluindo Os Verdes, para as clássicas “reacções”. Mas porquê, meu Deus? Num país onde os media andam a ser tão acusados de serem terríveis para o nosso querido engenheiro, alguém devia explicar porquê então esse tempo de antena permanente, esta disponibilidade perpétua para escutar o que partidos e Governo têm para dizer, mesmo que quase sempre seja uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Todos os dias nos enfiam cogumelos pela goela abaixo – e ainda protestam.

Fonte: Jornal de Notícias de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

A Democracia em perigo – do DN: Sócrates processa colunista do DN

“Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.” Assim começa um artigo de João Miguel Tavares no DN (3 de Março) que o primeiro- -ministro, José Sócrates, não gostou. Resultado: uma queixa-crime contra o colunista do DN por aquela e outras referências no texto. Sócrates tinha ameaçado com processos os jornalistas que escreveram sobre o Freeport. João Miguel Tavares foi ouvido no DIAP de Lisboa. Contactado pelo DN, o colunista declarou: “Agradeço a atenção que o senhor primeiro-ministro me dedicou de que não me acho merecedor.”

Fonte: Diário de Notícias de 03.04.2009

Aqui deixo mais uns artigos do João Miguel Tavares sobre o caso Freeport que o sr. José Sócrates não gostou também (Vivemos em fascismo? O lápis azul voltou?):

https://livresco.wordpress.com/?s=Jo%C3%A3o+Miguel+Tavares&searchbutton=Go!

O ARTIGO EM CAUSA É ESTE (DIVULGUEM POR E-MAIL!):

opiniao

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

por

João Miguel Tavares

Jornalista – jmtavares@dn.pt03 Março 2009

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da “decência na nossa vida democrática”, ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que “quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena”. Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro – se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra – feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: “Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras.” Reparem bem: não podemos “consentir”. O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser “terreno propício para as campanhas negras”; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

Fonte:  Diário de Notícias de 03.03.2009

03/04/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 5 comentários

JOÃO MIGUEL TAVARES: O caso Freeport (agora em versão áudio)

O que os nossos ouvidos escutaram na sexta-feira à noite na TVI não é nada que os nossos olhos não tivessem já lido nos jornais há várias semanas, mas ouvir aquelas declarações da boca de Charles Smith tem uma vantagem preciosa: a de tornar claríssimo que o caso Freeport não pode ser reduzido a uma mera campanha conspirativa, e que aquilo que está em causa – por muito que custe a José Sócrates e aos seus fiéis ministros – seria notícia de primeira página em qualquer lugar do mundo.

Significa isto que Sócrates é culpado? Não. Significa que o cruzamento do DVD com a data de aprovação do empreendimento e com os contactos entre Smith e a família do primeiro-ministro levantam suspeitas dignas de investigação e de notícia. É possível que Charles Smith tenha atirado culpas para cima de Sócrates para justificar dinheiro que lhe entrou directamente no bolso. E também é possível que as dúvidas sobre o processo levantadas por Marinho Pinto tenham toda a razão de ser. O que não é possível é fingir que nada de relevante se passou, ou carimbar o caso Freeport como “campanha negra” e aguardar serenamente o curso da justiça. Tanto mais que o curso da justiça, em Portugal, é mais ziguezagueante do que a descida das Penhas Douradas para Manteigas.

O caso Freeport já produziu pelo menos dois efeitos colaterais tão graves quanto saber se o primeiro-ministro é ou não corrupto. O primeiro tem a ver com a forma como certa comunicação social, com destaque para o jornal de sexta-feira da TVI, está a ser transformada numa espécie de eixo do mal mediático pelo gabinete de José Sócrates – para além de numerosas entrevistas trauliteiras, há que acrescentar tomadas de posição muito duvidosas por parte da ERC e a ameaça de queixas por difamação interpostas por Proença de Carvalho. O segundo é a denúncia, absolutamente espantosa, do novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, que logo na sua primeira intervenção pública declarou existirem pressões que atingem “níveis incomportáveis” sobre quem está a investigar o caso.

Ora, isto tudo junto, já não é apenas grave – é um filme de terror, que consegue, de uma única penada, abalar as estruturas do poder político, do poder judicial e dos próprios media, três dos principais sustentáculos de qualquer regime democrático. É dever de cada um desses poderes vigiar os outros, num equilíbrio sensível que é a base do sistema em que vivemos. Ver a forma como a trapalhada Freeport consegue o prodígio de lançar lama sobre todos eles diz bem da gravidade do que está em causa. Depois de infindáveis paninhos quentes, Manuela Ferreira Leite afirmou que é fundamental o rápido esclarecimento deste assunto, “para bem do sistema judicial e para bem da democracia”. E por uma vez, a senhora tem toda a razão.

Fonte: Diário de Notícias de 31.03.2009

01/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

João Miguel Tavares – Jornalista – jmtavares@dn.pt: A CABALA EXPLICADA ÀS CRIANCINHAS

Ah, como eu teria ficado mais feliz se José Sócrates, em vez de clamar contra os “poderes ocultos”, tivesse dito que desocultava as suas contas bancárias. Era tão fácil. Estou a imaginá-lo a aproximar-se do microfone, na sua última conferência de imprensa, e em vez de falar em “insídias” e “ignomínias”, dizer simplesmente: “Portugueses, nada tenho a esconder. Abdico voluntariamente do meu sigilo bancário. As minhas contas estão à disposição da Polícia Judiciária e do Ministério Público.” Era tão fácil, não era?

Mas não. Sócrates preferiu deitar mão ao velho discurso da cabala, como se fosse um treinador de futebol no rescaldo de um jogo com arbitragem desfavorável. E não contente, despachou para as televisões os ministros que por ele nutrem a mais platónica das paixões, para sessões de gritinhos histéricos em directo, perorando enviesadamente sobre a ZPE e fazendo os portugueses passar por parvos, como se não existissem dúvidas inteiramente legítimas neste caso. Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira não são o Bobby e o Tareco de José Sócrates. São dois ministros do Estado português. Convinha que se comportassem como tal.

Só que, infelizmente, no meio desta triste história, não há uma alminha sobre a qual possamos dizer “ora aqui está, este pelo menos agiu bem”. De uma ponta à outra, a imoralidade atravessa todas as instituições que deviam sustentar o Estado em que vivemos. A reacção de Sócrates foi inaceitável. O comunicado da Procuradoria foi inacreditável, e mais parecia ter sido escrito por um assessor do primeiro-ministro no intervalo de um Portugal-Inglaterra, conseguindo o prodígio de ser desmentido pelas notícias do dia seguinte. E o que dizer da entrevista da procuradora Cândida Almeida, onde ela quebrou mais do que uma vez o segredo de justiça (por exemplo, na história do suspeito que não é muito suspeito mas apenas um bocadinho suspeito), ao mesmo tempo que informava ir abrir um inquérito sobre quebras do segredo de justiça? Seria hilariante, se não fosse tão triste.

Alguém, por amor de Deus, que tome a iniciativa de repensar o sistema de justiça de cima a baixo, que isto está a tomar dimensões insustentáveis. O que se passou está à vista de todos: após as chatices de 2004, a investigação entrou alegremente em banho-maria até os ingleses virem melgar com aquela carta rogatória, que colocou a polícia e o Ministério Público em cheque. Vai daí, aplicou-se uma velha técnica: isto é muito aborrecido de tratar, o mais provável é não haver provas suficientes para incriminar, porque é que não deixamos a comunicação social tratar disso? Assim foi. E assim vai continuar a ser. Até o País bater no fundo.

Fonte: Diário de Notícias de 03.02.2009

03/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 1 Comentário