Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

Carlos Abreu Amorim, Professor universitário: Separação de poderes

António Vitorino garantiu que é absurdo pensar que as pressões sobre os magistrados responsáveis pelo caso Freeport para que estes decidam um veloz arquivamento do caso provenham daqueles que acreditam na inocência de José Sócrates, já que o interesse deste é o de uma decisão ‘ilibatória’ (sic) e nada menos do que isso.

As aparências indicam o contrário. Desde o início, Sócrates e os seus paladinos têm menosprezado a investigação, classificando o caso como uma ‘campanha negra’ orquestrada por sinistros ‘poderes ocultos’. Como é possível não se presumir que as alegadas pressões vêm daí?

A propósito: perante este vendaval de acusações gravíssimas acerca da desestabilização da Justiça alguém se lembrou que ainda existe (?) um ministro que tutela essa pasta? [Comentário: Quem? O Alberto Costa? Aquele que fez pressões em nome de Sócrates]

Fonte: Correio da Manhã de 01.04.2009

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04/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Joana Amaral Dias, Docente universitária (pensaalto@gmail.com): Branca de Névoa

Domingos Névoa, da Bragaparques, tentou subornar o vereador lisboeta Sá Fernandes. Foi condenado por corrupção para acto lícito, distinto do ilícito por uma lei asna que o considera menos grave porque os políticos comprados não decidem algo ilegal. Como se o importante não fosse o suborno e ponto final. Assim, Névoa foi multado em 5 mil euros quando as ‘luvas’ valiam 200 mil. Como recorreu, se calhar nem isso paga. Entretanto, o PS estacionou Cravinho, que lutou contra o branqueamento da névoa & compadrio, num exílio dourado. E não quis retomar as suas propostas, fazendo jus a um país que acreditou num salvador vindo do nevoeiro.

Não admira que o corruptor garantisse que continuaria a fazer o mesmo. Aprendeu que basta pagar mais 2,5% do suborno. E que conta com o centrão. Tanto que, um mês depois da condenação, escolheram-no para gerir a coisa pública, uma empresa que trata lixos de seis municípios minhotos. É como se fosse instituído um novo trabalho comunitário que também contrataria pedófilos para educadores de infância ou pirómanos para bombeiros. Protestar compensa e Névoa abdicou, mas registe-se a demência decadente criada pelo bloco central neste país à beira-mar plantado onde não sobra uma aragem. Que se tornou num produto tóxico e sem-vergonha. Género lixeira a céu aberto.

Fonte: Correio da Manhã de 04.04.2009

04/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 6 comentários

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: Corrupção militar

Os bloqueios que existem em Portugal para se combater a corrupção são conhecidos: má tipificação legal do crime; moldura penal branda; ausência de sanção em comportamentos cada vez mais banais (enriquecimento ilícito e abuso urbanístico); falta de meios técnicos e humanos; escassa censura social do fenómeno e burocracia interminável no Estado.

Um vasto rol de problemas a que nenhum Governo tem dado resposta, exceptuando o primeiro de António Guterres, com Vera Jardim na Justiça. Esse atraso, porém, tem cada vez menos correspondência na forma como o tema é tratado a outros níveis. Ainda esta semana, foi lançado um livro, ‘Segredos e Corrupção – o Negócio das Armas em Portugal’, do jornalista António José Vilela, que é uma corajosa abordagem a uma das maiores zonas de sombra em matéria de crime económico.

O autor faz uma investigação rigorosa e deixa um retrato implacável sobre a opacidade, as pressões, as omissões que marcam esse mundo fechado dos negócios militares e da relação passiva dos governos com ele. Quem quiser aprender um pouco sobre como não se combate a corrupção tem neste livro uma boa oportunidade. Ou como, quando se combate, se faz totalmente à custa do esforço e da coragem de pessoas como o juiz Carlos Alexandre, nunca por abordagem estratégica e prioritária do Estado.

Fonte: Correio da Manhã de 04.04.2009

04/04/2009 Posted by | Uncategorized | , | 1 Comentário

João Pereira Coutinho, Colunista: Os humores de Sócrates

José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra João Miguel Tavares, do ‘DN’. Motivo? A seguinte frase: “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte da Cicciolina.”

Quando li o aforismo, confesso que já imaginava represálias. Não de Sócrates; mas da sra. Cicciolina, que durante longos anos teve casamento estável e consta que fiel. Enganei-me. Foi Sócrates, e não Cicciolina, quem se sentiu ofendido. E, ofendido, o primeiro-ministro decidiu inaugurar um novo capítulo na relação do governo com a opinião: processar qualquer colunista que duvide sobre uma carreira que parece mais esburacada do que um queijo suíço.

Só espero que o eng. Sócrates não amue por eu comparar o seu passado a um queijo. O mesmo já não posso dizer do queijo.

Fonte: Correio da  Manhã de 04.04.2009

04/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 3 comentários