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O que vou lendo por ai…

Enquanto isso em Portugal os banqueiros corruptos e gatunos tem a distinta lata de pedir milhões ao Estado…: Madoff e outras fraudes

(…) Fora de parêntesis, vale a pena contar a história de Ian Thiermann, um californiano de 90 anos e reformado há 25 que perdeu as poupanças de uma vida (mais de quinhentos mil euros) nas trafulhices de Madoff. Descontadas estas, Thiermann provavelmente sabia do “jogo” que esse tipo de investimento representava. Talvez por isso, talvez por carácter, não se queixou a ninguém, incluindo ao Estado: pediu, e conseguiu, emprego numa mercearia da sua cidade, onde trabalha 30 horas por semana a dez dólares por hora. Claro que o episódio é triste. Mas é, igualmente, a prova de que a decência e o esforço individual estão mais próximos do que pretendem certas fraudes do tempo, algumas bem maiores que a de Madoff. (…)

Fonte: Diário de Notícias de 05.07.2009

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05/07/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do Correio da Manhã: Casos de polícia

O BPN não foi o único banco nacional com gestão extravagante, digna de análise mais profunda de quem gosta de casos de polícia. No entanto, é nesta instituição de génese tão portuguesa, onde as fraudes, o compadrio, o gasto pornográfico de dinheiro em projectos sem sentido, mais se fizeram notar.

Rui Pedras, actual administrador, disse no Parlamento que as burlas de Oliveira e Costa são de maior dimensão do que as de Madoff, se tivermos em conta o peso no PIB. O buraco nas contas do BPN custará pelo menos 1,8 mil milhões de euros. As loucuras e erros que, provavelmente de forma injusta, são todos atribuídos a Oliveira e Costa significam quatro dias de riqueza produzida em Portugal. O banqueiro detido não é o único culpado, mas de facto nunca tão poucos roubaram tanto aos contribuintes.

– As audições parlamentares do BPN têm tido até agora uma vantagem. Demonstram a falta de vergonha e a colaboração interna do banco em enganar as autoridades, mas também deixam em claro a ineficiência da supervisão do Banco de Portugal. As operações delicadas podiam estar escondidas, mas a autoridade não procurou muito.

– O último trimestre de 2008 foi desastroso. O primeiro de 2009 parece pior. Ninguém sabe quando esta tragédia acaba. E será que haverá retoma depois da crise?

Fonte: Correio da Manhã de 15.02.2009

16/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , | Deixe um comentário

Parlamento: Rui Pedras ouvido na comissão de inquérito – Caso BPN é pior do que Madoff

O actual administrador do Banco Português de Negócios (BPN) – que chegou ao banco pela mão de Miguel Cadilhe e foi reconduzido após a nacionalização – Rui Pedras, admitiu ontem que “a fraude do Madoff, em termos comparativos, é consideravelmente inferior à do BPN”.

Só em Portugal o esquema fraudulento levado a cabo por Bernard Madoff desencadeou perdas no valor de 96 milhões de euros. A nível mundial, esse valor poderá ultrapassar os 38 mil milhões. Ainda assim, o actual administrador do BPN entende que assumem maior gravidade as imparidades já apuradas de 1,8 mil milhões, pois trata-se de ‘um banco de pequena dimensão a absorver mais de um por cento do PIB’.

Na Comissão de Inquérito ao BPN, Rui Pedras considerou que as irregularidades detectadas constituem uma ‘megafraude’ e admitiu que o sucesso do plano apresentado por Miguel Cadilhe para recuperar a instituição, o qual subscreveu, seria ‘provavelmente impossível’. ‘Era muito difícil que o banco conseguisse gerar resultados que compensassem estas perdas.’

Aliás, o administrador apontou baterias ao Banco de Portugal, afirmando não compreender a razão que levou a supervisão a não nomear administradores provisórios, após a carta em que Abdool Vakil confessou a existência do Banco Insular. ‘Nessa data ficam dúvidas se o Banco de Portugal não devia ter actuado’, assumiu. ‘Se calhar falhou toda a supervisão’, entre os quais os revisores de contas e auditores que analisaram as contas.

A Comissão Parlamentar deverá votar hoje o pedido de levantamento do sigilo bancário.

Fonte: Correio da Manhã de 11.02.2009

11/02/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Pedro Lomba: A ARTE DE ENGANAR TODOS

“Sou muito chegado aos reguladores. A minha sobrinha até casou com um deles.”

Bernard Madoff, 2000

Com certeza que ouviram já falar de Bernard Madoff, o trader de Wall Street que durante décadas criou um esquema colossal de vigarice, com perdas de 50 mil milhões de dólares. Tenho andado a ler sobre a odisseia de Madoff. Podem pensar que nada disto é connosco, mas enganam-se. Notícias de ontem revelavam que, sozinho, Madoff impediu os bancos espanhóis de lucrarem 650 milhões de euros. Em Portugal ainda não sabemos os efeitos, mas o País é pequeno e isso, ocasionalmente, traz vantagens. Um só homem conseguiu o que muitos políticos anti-sistema reclamam: sugou os lucros da banca. Pelo meio apanhou investidores individuais, fundos de pensões, instituições de benemerência social. Fomos todos um pouco por todo o lado roubados por Bernard Madoff.

É verdade, porém, que foram sobretudo os ricos americanos os penalizados pela “arte” de Madoff que usava o dinheiro investido por novos clientes para pagar as comissões dos velhos clientes. Dizem que tudo não passava de um típico esquema Ponzi – nome do trapaceiro italiano que há cem anos aterrou na América e teve a ideia original. Tratava-se de um plano tão simples que ninguém percebe como é que durou tanto tempo sem ser deslindado. Acontece que Madoff era um homem deste tempo. Manipulava aparências como poucos. Controlava-se. Sobreestimava-se. Durante décadas a sua maior preocupação foi alimentar obsessivamente uma imagem de financeiro contido e meticuloso que conhecia a fundo o mercado e, acima disso, a cabeça dos reguladores. Tinha ganho a confiança de todos.

E é isso que faz de Madoff um interessante caso psicológico. Eis aqui um homem que, não só prometia aos investidores retornos rápidos e um certo estatuto selecto – duas coisas que os ricos não desprezam -, como tudo sabia sobre a forma de agir dos reguladores. “Vivia”, na prática, no meio deles. Conhecia-os em Washington, colaborava em comissões governamentais, fazia o discurso legalista que os reguladores apreciavam. Na mesma audiência de 2000, Madoff disse ainda: “Neste sistema de regulação é virtualmente impossível violar as regras por um considerável período de tempo sem ser detectado.” Acho que não se riu.

Desconfiem sempre de políticos demasiado íntimos de jornalistas, de promotores imobiliários demasiado íntimos de autarcas e de outros decisores, de agentes económicos demasiado íntimos dos respectivos reguladores. Todos frequentemente escondem um intento pessoal e pouco saudável. Todos, seguindo o princípio de Madoff, vivem onde menos se vê. No meio.
Jurista – pedro.lomba@eui.eu

Fonte: Diário de Notícias de 29.01.2009

29/01/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

João Vaz: Pela transparência

19 Dezembro 2008 – 09h00
Opinião
Pela transparência
Ninguém imagina a D. Branca – Maria Branca dos Santos (1902/1992) – ‘banqueira do povo’ na primeira metade dos anos 80, com o seu estilo de dona de casa octogenária e cabelo branco apanhado em chinó, como presidente, em Nova Iorque, da praça financeira ligada às novas tecnologias.

No entanto, descobriu-se que Bernard Madoff, septuagenário e antigo presidente do Nasdaq, faz negócios iguais aos que deram fama a D. Branca. Durante dez ou mais anos dos 48 de vida profissional, utilizou a sua credibilidade para manter um negócio fraudulento em pirâmide a que os americanos chamam Ponzi. O no-me vem do primeiro burlão do género, o italiano Charles Ponzi, que chegou à América em 1903 com meia dúzia de moedas no bolso e que nos anos 20 pagava altos juros a quem lhe confiava o dinheiro e levava vida de fausto com piscina aquecida em casa. Acabou a cumprir cinco anos de prisão e expulso dos EUA.

Bernard Madoff não precisou de concluir o curso de Direito para ser rei da finança. Os bilionários que encontrava a jogar golfe deixavam-se seduzir pelos altos rendimentos de 9% a 12% e entregaram–lhe rios de dinheiro. Madoff fez funcionar o mecanismo do ‘segredo é a alma do negócio’. Nenhuma supervisão, nem inspector, descobriu que era tudo fictício. Depois do buraco de 50 mil milhões de dólares nos fundos, cujo crescimento artificial se fazia de rendimentos que nunca existiram, é que se fala de práticas obscuras. Curiosamente, como com a Afinsa dos selos criada em Espanha pelo português Albertino de Figueiredo, houve um alerta na revista ‘Barron’s’ a que ninguém deu importância.

Parece incrível como pessoas inteligentes e informadas imaginam que alguém consegue obter lucros de investimento suficientes para lhes pagar juros especulativos. O hábito de ver o segredo como a alma do negócio cega as pessoas ao ponto de ser decisivo acabar com ele. Enquanto há quem sonhe já com mundos novos e homem novo, sente-se que o mais importante passo em frente será a adopção de práticas de transparência.

O primeiro efeito da transparência é constatar que a riqueza nasce do trabalho. Está em contradição com o dito popular que ‘ninguém enriquece a trabalhar’, mas é o que tem lógica. O trabalho deve ser valorizado em relação ao capital. Quando os juros reais já estão nos EUA de 0% a 0,25% fica claro que é do trabalho, e não dos Madoff, que se espera a saída da crise. Sem segredos e só com transparência.

Fonte: Correio da Manhã

19/12/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Lá vai o Sócrates salvar mais uns ricos…: Fraude Madoff causa perdas de 96 milhões em Portugal

Banca. O maior sistema piramidal de sempre
O total da factura em Portugal da fraude protagonizada por Bernard Madoff cifra-se em perto dos 100 milhões de euros. Os resultados foram ontem anunciados pelos reguladores portugueses, depois das acções de averiguação aos danos provocados pelo maior sistema piramidal alguma vez desenvolvido a nível global.

“A exposição do sistema bancário português ao grupo Madoff é extremamente reduzida, situando-se em cerca de 18 milhões de euros”, explicou em comunicado o Banco de Portugal (BdP). A este valor acrescem 67 milhões de euros relativos à exposição de “clientes cujas carteiras são geridas por aqueles grupos e instituições”. No total, segundo o regulador do sector bancário português, estão em risco 85 milhões de euros.

Esta avaliação inclui o investimento directo em activos lançados por Bernard Madoff (residual), mas sobretudo a aposta em fundos de investimento (estrangeiros, na maioria) que continham fundos ou activos criados pelo norte-americano com base num esquema piramidal.

De acordo com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), “a exposição dos fundos de investimento mobiliários portugueses e da gestão individual de carteiras (…) a activos da Madoff Investment Securities, a 16 de Dezembro” chega a “75 milhões de euros dos quais 11 milhões de euros nos fundos de investimento (0,07% do seu valor total) e 65 milhões de euros nas carteiras individuais (0,11% do seu valor total)”.

Os 11 milhões de euros referidos pela CMVM relativos a fundos de investimento somam aos 85 milhões do BdP, já que os 65 milhões da gestão individual equivalem aos 67 milhões identificados pela entidade liderada por Vítor Constâncio. A discrepância de dois milhões, esclareceu o BdP “pode resultar, entre outros aspectos, de reporte e apuramento em diferentes momentos do tempo de uma informação que foi fornecida numa base de melhor estimativa relativamente a amostras que não são necessariamente coincidentes”. Ou seja, a supervisão foi feita através de uma “estimativa” que pode não coincidir por ter tido como base uma amostra diferente.

Independentemente do valor exacto dos danos provocados pela fraude Madoff, o seu impacto nas carteiras não é significativo. E, no caso da gestão de activos, pode ser contrabalançada por investimentos noutros activos. No entanto, no actual momento de crise dos mercados financeiros, o trabalho dos gestores de carteiras fica mais difícil.

Isso mesmo é sublinhado pela CMVM. “As sociedades gestoras dos fundos e das carteiras individuais deverão, respectivamente, propor ou adoptar, procedimentos de revalorização dos activos expostos” aos activos de Madoff”. E devem “actuar sempre em benefício dos investidores, pelo que devem desencadear todas as medidas necessárias para minimizar as perdas sofridas (…), nomeadamente tendo em vista a recuperação do investimento”.

Fonte: Diário de Notícias

18/12/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Ó Marx olha-me este capitalismo!…mas nos E.U.A. ao menos a justiça é a doer ao contrário de Portugal: Fraude: Investidor tinha 90 milhões de euros guardados para emergências – A lista de Madoff

Bernard Madoff, o investidor caído em desgraça depois de ter revelado um mega-esquema de fraude que envolveu 50 mil milhões de dólares, tinha escondido, para emergências, 130 milhões de dólares. São 90 milhões de euros em bens, títulos e dinheiro no escritório da empresa Madoff em Londres cuja existência apenas o gestor conhecia.

A empresa foi criada para gerir a fortuna pessoal da família Madoff e quatro dos nove directores da firma são familiares do ex–presidente do Nasdaq. Com a lista de vítimas vigarizadas por Madoff a crescer de dia para dia, a firma londrina apressou-se a revelar um comunicado a distanciar-se das práticas de Madoff nos mercados americanos, onde se iniciou a fraude. A explicação não foi suficiente para as autoridades, que se preparam para congelar os 90 milhões de euros da família Madoff.

O gigantesco esquema que provocou vítimas um pouco por todo o Globo (ver gráfico), com os credores a estudarem todas as opções para recuperar o que conseguirem do dinheiro investido em fundos Madoff.

O responsável por toda a fraude, a quem a imprensa norte-americana intitula como ‘o homem mais odiado de Nova Iorque’, compareceu ontem perante um juiz que lhe decretou a prisão domiciliária e obrigou a usar uma pulseira electrónica. Para ir para casa Madoff teve ainda de pagar dez milhões de dólares de fiança e de dar vários apartamentos como colateral, caso tente fugir.

O escândalo, que apanhou todos de surpresa, já levou a polícia da Bolsa americana, a SEC, a lançar um inquérito interno para determinar por que razão a fraude não foi detectada mais cedo, apesar de alertas “repetidos” desde 1999. Debaixo de críticas, a SEC considera “perturbador” que as investigações anteriores nada tenham detectado.

PERFIL

Bernard Madoff nasceu em Nova Iorque em 1938. Fundou a Bernard L. Madoff Investment Securities em 60 e foi presidente do Nasdaq. Tem um barco e casas avaliadas em cinco milhões.

JUDEUS SEM DINHEIRO PARA CARIDADE

O grupo hebraico que providencia fundos a quase todas as fundações sem fins lucrativos em Washington terá perdido mais de dez milhões de dólares com a vigarice de Madoff. O investidor tinha a confiança de muitos judeus ricos, que agora não têm dinheiro para manter as suas iniciativas de caridade. Duas fundações hebraicas já fecharam as portas e poderão não ser as únicas. O próprio sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel viu a sua fundação ser enganada.

PORTUGUESES PERDEM 76 MILHÕES

A exposição dos fundos de investimento mobiliários portugueses e da gestão individual de carteiras aos activos da Madoff Investment Securities atingia ontem os 76 milhões de euros, anunciou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A entidade reguladora presidida por Carlos Tavares alerta para o facto de se tratar de um valor que pode aumentar, dado que ainda se está a apurar mais dados. Desta exposição aos fundos Madoff, 11 milhões estavam nos fundos de investimento, correspondentes a 0,07% do seu valor total, enquanto os restantes 65 milhões de euros estavam nas carteiras individuais (0,11% do seu valor total). Tanto o Ministério das Finanças quanto o do Trabalho negam ter algum tipo de exposição aos produtos geridos pela sociedade de Madoff.

RICOS PENHORAM CASA E BARCO

Os ricos e influentes confiavam no ex-presidente do Nasdaq ao ponto de investirem milhões nos seus fundos e estão agora a pagar o preço. Na cidade californiana de Palm Beach, o esquema Madoff está a mostrar os seus efeitos.

A conjuntura económica não é a melhor e com o dinheiro perdido nos fundos Madoff os ricos de Palm Beach, que chegavam a pagar um ano de pertença a um clube exclusivo apenas para conhecer o investidor, estão agora a rumar às lojas de penhores para conseguir dinheiro. Barcos, casas e jóias, tudo está à venda por alguns milhões.

Os empregados das mansões californianas também estão a ser vítimas da fraude de Madoff, dado que as famílias estão a reduzir nas despesas com o pessoal.

Fonte: Correio da Manhã

18/12/2008 Posted by | Política: notícias | | 1 Comentário

Armando Esteves Pereira: A bolha dos ricos

Bernard Madoff era um homem influente e respeitado em Wall Street. Tão respeitado que foi presidente da Bolsa Nasdaq. Este homem, que era frequentemente solicitado para dar pareceres técnicos à mais poderosa polícia de Bolsa do Mundo, a SEC, é o protagonista da maior fraude financeira mundial (50 mil milhões de dólares, quase 40 mil milhões de euros, ou seja, cerca de um quarto da riqueza produzida em Portugal durante um ano).

Este respeitado financeiro geria um esquema de pirâmide, uma espécie sofisticada de jogo da bolha para milionários. Madoff pagava os juros aos antigos clientes graças ao capital injectado pelos novos subscritores dos seus fundos. E clientes não faltavam, desde os multimilionários americanos, como o cineasta Steven Spielberg, aos grandes bancos mundiais.

Há portugueses que, sem saber, compraram títulos com risco igual aos da Dona Branca. E grandes instituições mundiais colocaram produtos junto dos seus clientes sem acautelarem os riscos. As autoridades de supervisão falharam escandalosamente. As auditorias dos bancos também não revelaram sinais de alerta.

A bolha da economia especulativa rebentou e agora descobre-se que era tudo ficção. Bem engendrada e ajudada pela cegueira das autoridades.

Fonte: Correio da Manhã

16/12/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

EUA: Efeitos da fraude de 50 mil milhões de dólares têm extensões na banca – Clientes do Totta têm 16 milhões no Madoff

Os reguladores nacionais estão preocupados com a dimensão da fraudulenta pirâmide financeira criada pelo ex-líder do Nasdaq, Bernard Madoff, por isso estão a analisar a exposição do sistema nacional aos fundos de alto risco vendidos pelo corretor.

A Comissão do Marcado de Valores Mobiliários (CMVM) está a fazer ‘um levantamento detalhado das exposições dos fundos portugueses e também das gestoras de activos’. fonte da instituição adiantou que a CMVM ‘está a contactar cada uma das sociedades’ para identificar eventuais efeitos directos ou indirectos. Já o Banco de Portugal ‘está a proceder a averiguações no sentido de apurar qual o grau de exposição do sistema bancário’.

Dos maiores bancos a operar em Portugal, apenas o Santander Totta tem valores de clientes investidos em activos vendidos pela Madoff, mas sublinha que ‘a exposição total de clientes é pouco relevante’. Segundo fonte da instituição, o valor é ‘inferior a 0,4% do total dos activos geridos por sociedades do Grupo Santander Totta, isto é, cerca de 16 milhões de euros’. Em Espanha, o Santander admitiu ter investido cerca de 2,3 mil milhões de euros nos fundos de alto risco em nome dos seus clientes.

O Millennium BCP garante não ter ‘nenhuma exposição, nem directa, nem indirecta’ aos fundos, tal como o Banif, o Banco Popular de Portugal e o BPI. Ao que o CM apurou, a CGD também não tem qualquer exposição. Até à hora de fecho da edição, BES e BPN não confirmaram se têm investimentos expostos aos activos Madoff.

HOLLYWOOD NÃO ESCAPA À FRAUDE

O esquema fraudulento montado pelo ex-presidente do Nasdaq enganou pessoas como o realizador Steven Spielberg e Elie Wiesel, um judeu que sobreviveu ao Holocausto e fez uma fortuna nos Estados Unidos, perdendo-a às mãos de Madoff.

As instituições de caridade de Spielberg investiram no passado avultadas somas nos fundos Madoff e estão agora a avaliar os prejuízos. A Fundação Elie Wiesel para a Humanidade foi uma das principais vítimas da megafraude. Elie Wiesel, dos mais ilustres membros da comunidade judaica nos EUA, é autor de 57 livros, a maioria dos quais sobre os seus dias nos campos de concentração nazi, e recebeu o prémio Nobel da Paz em 1986.

A maioria dos investidores da Madoff eram de Palm Springs, uma das zonas mais ricas da Califórnia. Muitos empresários chegavam mesmo a pagar as quotas do Clube de Campo de Palm Springs durante um ano só para serem apresentados a Madoff.

PORMENORES

INVESTIGAÇÃO

As autoridades norte-americanas realizaram há 16 anos uma investigação à gestão de Bernard Madoff depois de sucessivos alertas para ilegalidades. No entanto, nunca encontrou nada.

BENS CONGELADOS

Por decisão do tribunal norte-americano, todos os bens do antigo presidente do Nasdaq estão congelados.

FIANÇA DE MILHÕES

Madoff teve de pagar dez milhões de dólares de fiança para sair da prisão. Vai ter agora de comparecer sexta-feira perante um juiz federal.

BANCA AFECTADA AO NÍVEL MUNDIAL PELO ‘ESQUEMA’

Algumas das maiores instituições bancárias mundiais confirmaram ontem ter feito investimentos nos activos vendidos pela sociedade de Bernard Madoff, acumulando perdas de milhares de milhões de dólares. Só na Suíça, as perdas ultrapassam os 4,2 mil milhões de dólares. O banco britânico HSBC e o Royal Bank of Scotland estão na larga lista de alegadas vítimas do investidor, tal como o francês BNP Paribas, o espanhol Santander e o gigante nipónico Nomura. A maioria aponta o dedo à regulação do mercado norte-americano. ‘Este é provavelmente o maior escândalo financeiro na histórica dos mercados’, confidenciou um investidor nos activos Madoff.

Fonte: Correio da Manhã

16/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário