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Editorial do Público – José Manuel Fernandes: Demissão de Dias Loureiro – Uma questão de decência

Cada dia, cada hora, cada minuto que passar até Manuel Dias Loureiro apresentar o seu pedido de demissão do Conselho de Estado degrada a qualidade da nossa democracia porque destrói a confiança dos cidadãos nas instituições da República. Dias Loureiro pode estar inocente. Mais: deve ser considerado inocente pois é esse o princípio basilar da Justiça, em que se tem de respeitar a presunção de inocência.

Contudo, em política, como na vida pública, o que parece é. E o que já foi ouvido a várias testemunhas que passaram pela Comissão de Inquérito, designadamente a pessoas como uma imagem de seriedade sólida, como António Marta, do Banco de Portugal, contradiz de forma tão clara, tão contrastante, os seus depoimentos que criou dúvidas que não se limpam com uma simples reafirmação de tudo o que disse. Na opinião pública há, no mínimo, seriíssimas dúvidas não apenas sobre se mentiu ou fala verdade, mas também sobre todo o seu comportamento no caso BPN/SLN. Comportamento ético e comportamento no quadro das leis da República.

As suspeitas que recaem sobre Dias Loureiro são demasiado sérias para que não renuncie de imediato ao seu mandato como membro do Conselho de Estado. Tal não corresponde a uma admissão de culpa, pelo contrário: corresponde a uma demonstração de confiança na sua inocência e na Justiça. Ao teimar manter-se no Conselho de Estado sabendo que não pode ser demitido, Dias Loureiro apenas adensa as suspeitas que rodeiam o seu comportamento pois transmite a ideia de que necessita da sombra protectora de imunidade.

Se tivesse um mínimo de decência, se não sofresse de uma indesmentível “problemática do ego”, também já teria entendido que a sua teimosia embaraça todos os restantes membros do Conselho de Estado – alguns dos quais já o verbalizaram – e coloca numa situação politicamente insustentável o Presidente da República.

Mas a decência e a lealdade não parecem fazer parte das qualidades de um dos políticos portugueses que mais enriqueceu durante e depois de ter exercido cargos públicos.

Fonte: Público de 27.05.2009

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27/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Joana Amaral Dias: É a política, espertalhões

Dias Loureiro e Lopes da Mota gozam da presunção de inocência. Mas não deviam continuar no Conselho de Estado e no Eurojust, respectivamente. E isto não é jurídico. É político. As amnésias e o processo BPN não são currículo para conselheiro do PR. Fortes indícios de pressões para arquivar um caso que envolve o PM não dão perfil para coordenar investigações a nível europeu. Óbvio? Não. Ambos continuam.

Podem tecer-se várias considerações sobre o porquê: usar cargos como escudos, protecção mútua. Mas o PR, a líder do PSD e o PM nunca deram primazia à política. Logo, não aceitam o osso da questão. Os dois primeiros ocuparam sucessivos cargos com um discurso crítico dos políticos. Cavaco acredita que “pessoas com igual informação chegam às mesmas conclusões”. Ferreira Leite fala da suspensão da democracia. E à supremacia da economia (vêem-se os resultados), Sócrates acrescentou a tecnocracia, elegendo Simplexes e Magalhães como grandes desígnios.

Cozinharam o caldo gourmet para o Bloco Central, claro. Mas se PS e PSD são assim separadamente, os cidadãos imaginam como seria se oficializassem a união. E não podendo retirar a confiança a Loureiro e Mota, os eleitores podem retirá-la a quem os mantém. Fazendo com que descubram, finalmente, a política. Pura e dura.

Fonte: Correio da Manhã de 16.05.2009

17/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , , | 1 Comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Regime de casos

O PS está engasgado com a polémica sobre a continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Os dirigentes socialistas surgiram com inusitada vontade de pôr água na fervura, garantindo que ser ouvido num inquérito parlamentar não é motivo de demissão de um cargo político. Percebe-se o embaraço: como quase tudo na política actual, deve-se ao caso Freeport.

O PS acordou cheio de horror a eventuais comparações. Defender a saída de Dias Loureiro no presente contexto (como alguns militantes têm feito, avulsamente) seria arriscar uma perigosa analogia se Sócrates vier a ser chamado para depor no imbróglio Freeport.

Cada vez mais, os casos BPN e Freeport parecem ser duas faces da mesma moeda – aquela que este regime tem cunhado descaradamente nos últimos 30 anos.

Fonte: Correio da Manhã de 07.05.2009

07/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: “Vem vero Povo, que lindo é”

Uma petição de sportinguistas exigindo a repetição da final da Taça da Liga “porque nós merecemos a taça, lutámos por ela com honra e amor à camisola” reuniu, em poucas horas, mais assinaturas que petição idêntica que anda há uma eternidade na Net (na Net, clica-se em qualquer sítio e aparecem duas ou três petições) apelando à demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado na sequência do caso BPN e dos “seus comportamentos que põem em causa o bom-nome do Conselho de Estado, da Presidência da República e do País”.

Quem julgasse que trafulhices de milhões como as do BPN chegariam para comover a Pátria, nunca, como na redacção daquela menina de Leiria, foi lá, à Pátria. A Pátria comove-se é com “penalties” roubados, não com milhões roubados. A Pátria não faz a mínima ideia do que é um milhão e está-se nas tintas (como o povo diz, isso são coisas “lá deles”) para “o bom-nome do Conselho de Estado (de quem…?), da Presidência da República e do País”. Ponham-lhe à frente uma petição a exigir a demissão do Eduardo de “Podia acabar o mundo” do tal Conselho de Estado, e essa, sim, a Pátria assina logo.

Fonte: Jornal de Notícias de 24.03.2009

JÁ AGORA:

Todos os dias surgem mais indícios de que Dias Loureiro mentiu à comissão parlamentar de inquérito. Estas mentiras são motivo suficiente para exigir a sua saída do Conselho de Estado.

Por iniciativa própria ou após ser desautorizado por Cavaco.

A história do BPN é uma vergonha. Ainda não se sabe tudo, mas já percebemos que a marosca é grande. É tempo de levantar a voz da cidadania.

Assinem a petição e passem a palavra:

“Os cidadãos portugueses abaixo-assinados apelam ao ainda conselheiro Manuel Dias Loureiro que, a bem do bom-nome daquele órgão de soberania e da democracia e dando um sinal claro de que não vê o seu cargo como forma de protecção e que quer o cabal esclarecimento de todos os factos, se demita do Conselho de Estado.

E que, caso este teime em não o fazer, o Presidente da República, que o indicou para o cargo, deixe claro que este conselheiro de Estado já não conta com a sua confiança.”

http://www.petitiononline.com/DLCE2009/petition.html

24/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Carlos de Abreu Amorim, Professor universitário: Ética e política

Muitos defendem que um titular de um alto cargo público ou político só se deverá demitir caso seja formalmente constituído arguido – estou em desacordo total.

Antes de ser jurídica, a questão é ética. Os que ocupam esses cargos não desempenham uma função qualquer: são uma referência para a comunidade e deverão reflectir valores éticos de serviço público.

Depois, remeter para o MP o poder exclusivo da decisão acerca de um alto cargo público ou político afronta a lógica do princípio da separação de poderes – seria colocar nas mãos do judicial a chave dos poderes político e executivo.

A continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado, politicamente, degrada o órgão e enxovalha o Presidente da República. Quer aquele venha a ser arguido ou não.

Fonte: Correio da Manhã de 18.02.2009

18/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Manuel António Pina e a ironia ácida…: Em defesa de Dias Loureiro

Dias Loureiro diz que “não se lembra” de ter assinado os contratos para a compra ruinosa de duas empresas tecnológicas em Porto Rico que o “Expresso” revelou, e que só porque, na altura, não se lembrava é que declarou na Comissão de Inquérito ao BPN que nunca tinha ouvido falar do Excellence Assets Fund, parceiro no negócio. Por isso está, obviamente, de “consciência tranquila”. Compreendo-o perfeitamente; as pessoas esquecem-se, eu ainda ontem me esqueci de umas luvas (sem ironia) no café.

Diz William James que a memória é uma narrativa com que construímos o passado que, em cada momento, desejamos ou tememos; se alguém é culpado no caso, não é, pois, Dias Loureiro, é William James. Marc Augé assegura, por seu lado, que uma má memória rejuvenesce, e toda a gente viu o ar fresco e jovial que Dias Loureiro exibia durante a audição parlamentar. Alguns poderão ter pensado que teria feito uma plástica, mas o esquecimento é mais eficaz que o botox para eliminar as rugas, as do rosto como as da consciência. Ora se os filósofos e os antropólogos absolvem Dias Loureiro, quem somos nós para o condenar?

Fonte: Jornal de Notícias de 17.02.2009

17/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , | 1 Comentário

Ando cá com uma falta de memória…: Dias Loureiro – DN – Loureiro concluiu negócio falhado

Caso BPN. O ex-administrador da SLN participou no acordo que pôs fim ao negócio ‘desastroso’ com os porto- -riquenhos da BI. Isto depois de ter dito que só esteve no arranque da parceria

Ex-ministro actuou no acordo que negou conhecer

Dias Loureiro participou activamente no fim do negócio entre a porto-riquenha Biometrics Imagimeering (BI) e a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), liderando várias reuniões, entre Junho e Julho de 2002, e tendo concluído o acordo de saída do grupo português. Uma participação que contraria as suas declarações ao DN há duas semanas, quando referiu ter participado apenas no arranque do negócio, bem como o seu depoimento na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, em que referiu “não se lembrar” dos contratos que assinou.

De acordo com documentos a que o DN teve acesso, Dias Loureiro liderou uma reunião, em Junho daquele ano, em que foram discutidos vários aspectos relacionados com a parceria estabelecida em Novembro de 2001 e que não tinha tido qualquer desenvolvimento.

Confrontado com a sua participação no fim do negócio, Dias Loureiro afirmou ao DN que interveio “activamente” no seu cancelamento, em “várias reuniões”, “para que a SLN não fosse a tribunal por incumprimento do investment agreement”.

Segundo o ex-presidente da SLN Novas Tecnologias – sub-holding do grupo que geria a NovaTech, a empresa criada no âmbito do negócio com a BI, detida a 75% pela SLN e a 25% pela BI – a sua intervenção impediu que os prejuízos com o negócio fossem “mais gravosos em 35 milhões de euros”. Este negócio com a BI resultou num prejuízo de 38 milhões de euros para a SLN, aos quais acresceriam mais 35 milhões. “O desenvolvimento dos produtos resultantes do acordo pressupunham o pagamento de cinco milhões de euros por semestre, durante seis semestres, por parte da SLN Novas Tecnologias, o que não se verificou”, adiantou ao DN, Dias Loureiro.

“A minha intervenção foi no sentido de impedir que os responsáveis porto-riquenhos avançassem para tribunal, o que consegui”, diz.

Com efeito, foi o ex-administrador da SLN que assinou, sozinho, o acordo que pôs fim a uma parceria que durou pouco menos de um ano. A 22 de Julho de 2002, a BI, representada por Hector Hoyos, e as empresas SLN, Nova Tech, Excellence Asset Fund Limited e Newtech Strategic Holding Limited (era nestas duas últimas que estavam estacionadas as acções envolvidas no negócio), representadas por Dias Loureiro, celebravam um acordo. Entre outros pontos, a Nova Tech tornava-se uma subsidiária da BI e o Excellence Assets Funds permanecia como accionista da BI durante dois anos, findos os quais venderia a esta os 25% da sua posição por um dólar.

O “desastre” de todo este negócio poderia ter sido evitado, se os seus responsáveis tivessem atendido ao parecer sobre a porto-riquenha BI, nos domínios tecnológico e estratégico. Neste trabalho, realizado por Vieira Jordão, refere-se que, entre vários aspectos técnicos, a experiência acumulada da BI é “muito reduzida”, caracterizando-se como uma startup.

Para a SLN, esta empresa visava o desenvolvimento do seu projecto de caixas automáticas e terminais de pagamento, o NetPay.

Fonte: Diário de Notícias de 17.02.2009

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Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: O perfume do regime

O que têm em comum as notícias sobre a fortuna de Mesquita Machado, os negócios de terrenos em Alcochete coincidentes com a nova localização do aeroporto e os lapsos de memória do ex-todo-poderoso Dias Loureiro?

A primeira, que se saiba, nada terá a ver com as manigâncias do BPN, já as últimas duas têm uma relação entre protagonistas. Todas, porém, exprimem tudo aquilo que deveria estar nos próximos programas eleitorais dos partidos, mas só de forma irregular isso acontecerá. Ou seja, porventura apenas partidos minoritários terão propostas em matéria de criminalização do enriquecimento ilícito, eliminação de paraísos fiscais, aumento incondicional de meios para a investigação criminal e a criação de novos crimes no domínio autárquico. Mas esses, porque são minoritários, tenderão a ser olhados como ‘radicais’ pelos influentes cá do burgo e, portanto, nada acontecerá.

Uma coisa é certa: fortunas como as de Mesquita Machado há na actual classe política quase aos pontapés e com a mesma dificuldade de explicação; negócios obscuros como os do BPN, já se viu, pululam como coelhos pelo sistema financeiro; lapsos de memória como os de Dias Loureiro são o pão-nosso-de-cada-dia quando se trata de matérias tão delicadas… Ou seja, o pântano vai continuar a perfumar o regime!

Fonte: Correio da Manhã de 15.02.2009

15/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Do Blog Blasfémias: 14 Fevereiro, 2009 – Itália à vista?

As notícias deste fim de semana são gravíssimas para Dias Loureiro. E, por contágio indesejável, também o são para Cavaco Silva.
Pela leitura do Expresso fica claro que o papel do (ainda) Conselheiro de Estado é tudo menos isso. Que mentiu despudoradamente no Parlamento e na entrevista a Judite de Sousa. E, sem um pingo de vergonha na cara, veio, já hoje, dizer que tudo é «normal» e que não existe «nenhuma contradição» entre os factos que alegou e o que agora se sabe…
No Sol, a questão ainda é mais inquietante: alguns dos zuns-zuns que circulavam há já algum tempo sem que ninguém os tivesse publicado ganharam agora esse estatuto – e já não não podem mais ser ignorados. Um testa-de-ferro da SLN, com o curioso nome de Fernando Fantasia, comprou mais de 6.000 hectares em Rio Frio, no lugar onde irá ser construído o novo aeroporto.
Quais são as ligações de Fantasia a Dias Loureiro? E Cavaco Silva, conhece Fantasia até que ponto? Qual a relação entre estas personagens e estes estranhíssimos factos e as pressões políticas que redundaram com a escolha daquela localização para o novo aeroporto? Como é possível que Dias Loureiro, com as suas acções, omissões, recordações selectivas, e, sobretudo, com a sua teimosa manutenção no Conselho de Estado, esteja a atingir a imagem do Presidente da República (que o escolheu para esse órgão)?
E por que razão é que estas informações – repito, não são novidade, já delas tinha ouvido falar há algum tempo – surgem agora publicadas? O momento é esquisito e tresanda a resposta ao escândalo Freeport.
Cada vez mais me convenço que se as várias facções da Corte continuarem a atirar porcaria para cima uns dos outros (e para a ventoínha, entendamo-nos) é este regime que corre o perigo de se afundar, de tão podre.

Apesar do medo que ainda sinto em relação às alternativas, começo a pensar que talvez essa seja mesmo a solução mais higiénica.

Fonte: Blog Blasfémias

15/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Denúncia acusa Dias Loureiro de branqueamento

12 Dezembro 2008 – 21h00
Novas acusações – negócio é de 2000 e envolve valores nunca conhecidos
Denúncia acusa Dias Loureiro de branqueamento
Uma denúncia envolvendo Dias Loureiro, ex-ministro e actual conselheiro de Estado, foi enviada a Maria José Morgado, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa. Um grupo de empresários conta pormenores da venda da Plêiade e a compra de acções da Sociedade Lusa de Negócios, através de Dias Loureiro, apontando, ainda, factos que podem indiciar o crime de branqueamento de capitais.

Diz a denúncia que, com os negócios feitos com José Roquette em Marrocos, Dias Loureiro ganhou 250 milhões de euros. Mas, quando aqueles se zangaram e para ‘não declarar’ os lucros recebidos, o património da Plêiade, dado por Roquette a Dias Loureiro, foi integrado na SLN. ‘Esta transacção valeu-lhe o direito de indicar três administradores da sua confiança para o grupo SLN/BPN’, lê-se ainda no documento, no qual se dá conta de que parte do dinheiro acabou por ser mais tarde transferido para a UBS – União de Bancos Suíços.

A mesma exposição descreve, ainda, com pormenor como funcionava o esquema de branqueamento de dinheiro que normalmente envolvia o BPN e o mesmo banco suíço, com transferências simultâneas para que não fosse encontrado o rasto do dinheiro.

O denunciante dá também conta de que as primeiras negociações com o ministro marroquino com vista à adjudicação de um grande negócio de águas e electricidade a uma empresa de José Roquette teriam acontecido quando Dias Loureiro ainda era ministro. No entanto, aquele prometera na altura ao governante marroquino que, quando saísse do Governo, iria trabalhar com o empresário, o que efectivamente terá acontecido em 2001.

As notícias da altura confirmam o essencial da história. Quando saiu do Governo, José Roquette convidou efectivamente Dias Loureiro para integrar a Plêiade, numa época em que o grupo estava modestamente avaliado em cerca de 1 milhão e 700 mil contos. Dias Loureiro aceitou o repto e ficou com uma stock option até 15% da holding do grupo e mais 7% na repartição dos lucros. As acções foram baratas, mas a liderança de Dias Loureiro terá potenciado os lucros.

As notícias dão conta de que foi Dias Loureiro que conseguiu garantir uma concessão no fornecimento de água e electricidade a Rabat. A Águas de Portugal ainda recusou a parceria, mas a EDP aceitou-a, num negócio que envolveu a empresa espanhola Dragados. O negócio da Redal – empresa que assume a liderança – exige um forte investimento, mas é lucrativa na hora da venda, já no grupo SLN/BPN.

FOI NOMEADO ADMINISTRADOR

A 30 de Novembro de 2001, meses depois da venda da Plêiade, Dias Loureiro foi nomeado administrador executivo no Banco Português de Negócios. Deslocou-se com Oliveira e Costa a Porto Rico onde trataram da aquisição das duas tecnológicas (que fabricavam máquinas alternativas às usadas pela rede multibanco), um dos cinco dossiês a que Dias Loureiro esteve ligado enquanto gestor da SLN. A Biometrics fecharia as portas três meses depois de ser adquirida pela SLN, tendo a NewTech decretado falência por falta de actividade.

QUEIXA

A queixa foi enviada a Maria José Morgado no passado mês de Novembro. Seguiu cópia para o procurador-geral da República e foi dado um prazo aos magistrados, sob pena de o caso ser tornado público, caso não houvesse qualquer diligência.

ESTATUTO DO GESTOR PÚBLICO NO BPN

Os membros do Conselho de Administração do Banco Português de Negócios (BPN) nomeados pelo Estado vão estar sujeitos ao Estatuto do Gestor Público que limita os mandatos dos órgãos sociais e obriga à contratualização por objectivos.

O salário dos gestores executivos do BPN passa a ser definido pelo Governo ‘com base nos preços do mercado’. Os gestores terão ainda que declarar rendimentos e riqueza junto da Procuradoria-Geral da República e da Inspecção-Geral de Finanças. As indemnizações ficam limitadas a um ano de salários.

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira afirmou que o diploma, no essencial, pretende ‘conformar’ o banco ‘com a actual natureza de sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos’.

Entre as alterações agora operadas, Pedro Silva Pereira destacou as mudanças ‘no modelo de governação, de forma a ajustar o regime jurídico aplicável à nova situação’.

‘É eliminada a figura do Conselho Superior na medida em que se trata de um órgão destinado a reunir os accionistas e agora estamos perante um quadro novo de accionista único’, frisou.

BPN RECEBIA COMISSÃO

A denúncia dá conta de que as transferências de dinheiro de Portugal para a Suíça implicavam uma comissão para o BPN.

Haveria também fluxos nos dois sentidos. Clientes portugueses que queriam transferir dinheiro para a Suíça, para ocultar os rendimentos, e os que pretendiam fazer o dinheiro regressar a Portugal, para o poderem usar, mas já devidamente lavado.

A mesma denúncia, enviada agora a Maria José Morgado, diz ainda que Oliveira e Costa, preso preventivamente recentemente, foi obrigado a passar muito dinheiro por empresas offshore, devido à necessidade de branquear dinheiro.

Recorde-se, ainda, que Oliveira e Costa está neste momento indiciado por sete crimes, sendo que o que prevê uma moldura penal mais grave é mesmo o de branqueamento de capitais.

ROQUETTE FOI PREJUDICADO NO NEGÓCIO

A denúncia dá conta de que José Roquette teria sido fortemente prejudicado no negócio da Plêiade. Diz ainda que o empresário e o ex-ministro se desentenderam sobre a forma como deveria ser recebida a participação, se antes ou depois de os negócios se concretizarem. A mesma carta explica depois que José Roquette se tem preferido manter em silêncio, embora tenha sido obrigado a entregar valores superiores aos normais naquele tipo de negócios. ‘Para evitar atritos’, explica a denúncia, garantindo que o pagamento em acções da Plêiade teria sido sugerido por Dias Loureiro.

SAIBA MAIS

OMNI AVIAÇÃO SGPS

A Plêiade tem 18,54 por cento da OMNI Aviação, empresa especializada em voos executivos, voos de emergência e fotografia aérea.

6,3 milhões de euros de prejuízo foi o resultado líquido do exercício de 2007. O total do passivo da empresa ascendia a mais de 32 milhões de euros no final do ano passado.

FRANQUELIM ALVES

O presidente da empresa até 2007 foi Franquelim Garcia Alves e a administração é composta por Luís Gonçalves Gomes, António Roquette e António Lencastre Bernardo.

20 milhões de euros é o capital social da Plêiade, que foi constituída em Junho de 1992 e que actualmente tem apenas quatro empregados.

MAIORIA ESTÁ CONTRA DIAS LOUREIRO

Das pessoas que acompanharam o caso BPN, cerca de 64,5 por cento acredita que Dias Loureiro praticou irregularidades quanto esteve no banco.

VOTANTES NA CDU E NO BE MAIS CRÍTICOS

São os votantes na CDU e no Bloco de Esquerda (com 65,3 e 61,8, respectivamente) quem mais acredita nas irregularidades de Dias Loureiro.

DIAS LOUREIRO E O CASO BPN

Dias Loureiro, membro do Conselho de Estado escolhido por Cavaco Silva, apresentou-se na Comunicação Social explicando que não cometeu qualquer irregularidade quando foi dirigente do banco BPN, cujo ex-presidente está em prisão preventiva.

Tem conhecimento das explicações de Dias Loureiro?

Conhece – 64,3%

Não conhece – 35,7%

Base – 64,3% do total dos inquiridos

Dias Loureiro praticou irregularidades quando foi dirigente do BNP?

Sem opinião – 16,4%

Não praticou irregularidades – 11,1%

Praticou irregularidades – 64,5%

FICHA TÉCNICA

Objectivo: Notoriedade das explicações de Dias Loureiro e caso BPN. Universo: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel. Amostra: Aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 600 entrevistas efectivas: 266 a homens e 334 a mulheres; 155 no Interior, 207 no Litoral norte e 238 no Litoral Centro Sul; 202 em aldeias, 177 em vilas e 221 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral. Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I. (Computer Assisted Telephonic Interview). Trabalho de campo: O trabalho de campo decorreu entre os dias 3 e 5 de Dezembro de 2008, com uma taxa de resposta de 76,9%. Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma “margem de erro” – a 95% – de 4,00%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.
Tânia Laranjo

Fonte: Correio da Manhã

13/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário