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O que vou lendo por ai…

Manuel António Pina: Falsas esperanças

Em resposta à decisão do Ministério das Finanças de não garantir as aplicações de “retorno absoluto” impingidas pelo BPP a numerosas pessoas, João Rendeiro, ex-presidente e principal accionista do banco, diz que o Governo “alimentou falsas esperanças aos clientes”. Vinda de um especialista em falsas esperanças, a constatação tem a autoridade de um juízo inter-pares. Foram assim por água abaixo as pretensões dos investidores do BPP de ver reembolsados pelo Estado os seus investimentos falidos. A verdade é que as falsas esperanças que Rendeiro lhes vendeu contaram com a cobertura (ou, tendo em conta os indícios e rumores que já existiam, com o ‘encobrimento por negligência’) do BdP e da CNVM. Os clientes do BPP não confiaram apenas em Rendeiro, confiaram também na regulação de Constâncio e Teixeira dos Santos, então presidente da CNVM. Mas se o Estado fosse a indemnizar todas as vítimas disto e daquilo (roubos, furtos, fraudes…) que por aí há diariamente por a Polícia falhar na sua missão de garantir a segurança, não havia dinheiro dos contribuintes (nem contribuintes) que chegassem.

Por motivo de férias,

esta coluna regressa a 15 de Julho

Fonte: Jornal de Notícias de 12.06.2009

12/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do Correio da Manhã: Contribuinte paga a conta

Ainda não se sabe qual vai ser o desfecho do triste caso do BPP, mas já há uma certeza: os contribuintes vão pagar caro o prejuízo deste banco especializado em gestão de fortunas. Se o Governo optar pela falência, assume pelo menos 800 milhões de euros.

Se optar pela viabilidade, a factura pode ser ainda a maior. E ainda falta saber quem paga a factura dos clientes dos produtos de retorno absoluto, que foram notoriamente enganados pela gestão de Rendeiro. Mais uma vez, o contribuinte perplexo pergunta: Ninguém vai preso?

Fonte: Correio da Manhã de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do Correio da Manhã: Escândalo do BPP

O ministro das Finanças disse ontem que “os clientes do BPP que celebraram contratos de depósito terão as garantias asseguradas”. Esta promessa do ministro não acalma os clientes vítimas do Banco Privado, porque as suas aplicações, tecnicamente, não são depósitos, mas sim investimentos mais próximos de fundos bolsistas.

Até rebentar o caso BPP, os clientes estavam sossegados e pensavam que os produtos de ‘retorno absoluto’, garantidos pelo banco, com um juro pouco superior a 5%, eram depósitos. Descobriram depois que eram produtos de risco e que alguns até serviam para pagar aplicações de outros clientes, como num esquema de D. Branca.

Isto aconteceu num banco de portas abertas, num negócio em que os administradores estão sob a alçada disciplinar do Banco de Portugal. A autoridade falhou de forma absurda e deixou que o banco vendesse gato por lebre.

Os accionistas da Privado Holding estão agora em guerra, enquanto João Rendeiro está tranquilo, com o seu património seguro em offshores. Entre os clientes que invadiram os balcões do banco há casos dramáticos. Pessoas que perderam o pé-de-meia. A actual administração ainda tenta recuperar banco, mas o mais importante não é salvar o BPP: o fundamental é recuperar o máximo possível do dinheiro dos clientes.

Fonte: Correio da Manhã de 09.05.2009

09/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

BPP: Plano de viabilização foi entregue ontem – Rendeiro geria produtos fictícios

O Banco Privado Português (BPP) terá comercializado produtos financeiros em relação aos quais não houve qualquer tipo de investimento subjacente. Segundo apurou o CM junto de várias entidades, foram lançados investimentos cujo único objectivo seria angariar poupanças que serviam para pagar resgates de outros clientes do banco.

Em causa estarão várias emissões de dois produtos financeiros: os STL – Short Term Liquidity, aplicações com vencimento trimestral e que tinham uma taxa evolutiva até ao máximo de 5,25 por cento, e os produtos designados como ‘Oportunidades’. Em particular a emissão ‘Oportunidade’ 25 de Março de 2010, que oferecia uma rentabilidade anual de seis por cento. Bem como aplicações directas realizadas em produtos fictícios que serviriam para garantir rentabilidades “falsas”.

Questionada a administração do BPP, fonte oficial do banco afirmou não ser verdade “que tenham sido identificados quaisquer veículos comerciais sem nenhuns colaterais subjacentes”. O gabinete de Adão da Fonseca reafirma que “o dinheiro dos clientes foi usado na totalidade para adquirir activos, que existem no banco”.

Estas afirmações contrariam as declarações de Carlos Tavares, proferidas esta semana na Comissão Parlamentar. O presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em resposta a uma pergunta de um deputado, afirmou terem existido “transacções fictícias para alimentar veículos fictícios”.

O CM tentou chegar à fala com João Rendeiro, ex-presidente do BPP, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

Ontem a administração liderada por Adão da Fonseca entregou o plano de viabilização da instituição, que deverá passar pelo recurso ao programa de recapitalização do Estado, acompanhado de um aumento de capital (a subscrever pelos accionistas da Privado Holding) que deverá trazer ao BPP cerca de 300 milhões de euros.

PORMENORES

CONTRA CONSTÂNCIO

Um grupo de 20 clientes do BPP enviou para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DIAP) uma queixa-crime contra a administração do Banco de Portugal. Segundo estes clientes, a actuação do BdP foi ilegal e discriminatória”.

SEM CULPA

O ex-presidente do BPP, João Rendeiro, rejeitou a responsabilidade pelo estado do banco afirmando em Dezembro: “Não me sinto culpado, não há lugar para culpas, há lugar para uma situação financeira complexa” e ameaçou, num artigo de opinião, processar quem o comparasse à Dona Branca

Fonte: Correio da Manhã de 25.04.2009

25/04/2009 Posted by | Política: notícias | , , | 5 comentários

Armando Esteves Pereira: Privado e fictício

Quando a 19 de Novembro de 2008 João Rendeiro, em entrevista à SIC Notícias, fez um apelo para o Estado dar um aval a um empréstimo de 750 milhões de euros, poucos imaginavam que a instituição tivesse poupanças em risco, especialmente aplicações que os clientes pensavam que eram depósitos, que o banco vendia co-mo produtos de ‘retorno absoluto’.

Rendeiro, que publicou a biografia dos seus sucessos como o homem que venceu o mercado, na semana em que o naufrágio do banco foi conhecido conseguiu convencer ilustres clientes do banco com alguns milhões investidos. Um mês antes de desistir da liderança do BPP, Rendeiro assegurava que estava tudo bem.

Não estava tudo bem, e Carlos Tavares, presidente da CMVM, acusou o banco de ter realizado operações fictícias. Como Madoff ou, na versão portuguesa menos sofisticada, D. Branca. Rendeiro respondeu com ameaça de processo judicial ao regulador da Bolsa.

Se a convicção das autoridades do mercado estiver certa, o banqueiro dos ricos vendeu alguns produtos que não aplicava. Usava o dinheiro captado junto dos clientes para satisfazer necessidades de tesouraria correntes. Parece o jogo de um perigoso esquema de pirâmide. Depois de se saber isto, a quem é que os clientes lesados vão pedir contas? Às autoridades do mercado ou às offshores de Rendeiro?

Fonte: Correio da  Manhã de 25.04.2009

25/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , | Deixe um comentário

Do Diário de Notícias: Cravinho diz que João Rendeiro é “homem de bem”

BPP. O ex-ministro do PS escreveu prefácio do livro do banqueiro
O socialista João Cravinho não se arrepende de ter escrito o prefácio do livro “Testemunho de um Banqueiro”, de João Rendeiro, mesmo depois do escândalo que envolve o Banco Privado Português (BPP). “O prefácio representa o que penso de João Rendeiro, até prova em contrário. Continuo a pensar que é um homem de bem”, afirmou ao DN.

O actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) sublinha que “é amigo” do ex-presidente do BPP e que apesar de ter sido membro do Conselho Consultivo do banco durante três anos não teve “qualquer conta ou transacção” com o BPP.

“Fiz o prefácio porque o amigo me convidou. Fi-lo com a responsabilidade e o sentido de verdade à data em que o fiz. E se ele me convidasse agora também o faria”, garante João Cravinho. Aproveita para dizer que João Rendeiro lhe transmitiu estar convicto de que o BPP iria sobreviver apesar da crise financeira.

No prefácio do “Testemunho de um Banqueiro”, Cravinho diz a propósito da personalidade de Rendeiro e da ambição que o moveu: “Chegar mais alto pelo seu próprio mérito, com toda a limpeza, é também apontar caminhos aos outros, um pouco como quem abre portas a futuras marés que levantam os barcos à medida que a linha de água sobe.”

O antigo ministro das Obras Públicas do Governo de António Guterres recorda que o banqueiro começou a sua vida profissional na administração pública e que, na altura, mesmo sem o conhecer bem pessoalmente “desde logo me apercebi da sua craveira intelectual e carácter”. Daí que tenha sido ele próprio a escrever uma carta recomendando a admissão de Rendeiro ao programa de doutoramento de Sussex, desviando-o da carreira na função pública.

João Cravinho afirma ainda no prefácio que João Rendeiro soube tirar partido da liberalização dos mercados de capitais em meados dos anos 80. “Hoje, não carece de demonstração o sucesso da ambiciosa e inovadora estratégia empresarial que vem prosseguindo em torno do Banco Privado Português”, pode ainda ler- -se nesta introdução às memórias.

O livro de João Rendeiro, o primeiro em Portugal sobre a vida de um banqueiro, foi lançado em Novembro do ano passado, numa altura em que o BPP já estava debaixo de fogo. Na altura não quis falar da situação do banco, mas prometeu não baixar os braços. Ainda em Novembro, o banqueiro abandonou a presidência do banco destinado a gerir fortunas e do qual era o principal accionista.

Em Dezembro, para salvar o BPP da falência, foi-lhe concedido um empréstimo de 450 milhões de euros, vindos de seis instituições de crédito, com a garantia de Estado, entre as quais a Caixa Geral de Depósitos. Recentemente, a PJ, o Ministério Público e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários fizerem buscas às instalações do BPP que visaram apreender registos de movimentos bancários, que podem estar relacionados com aplicações financeiras suspeitas.

Fonte: Diário de Notícias de 02.02.2009

02/02/2009 Posted by | Política: notícias | , , | Deixe um comentário

Como falir um banco em três tempos: American Club – João Rendeiro foi o convidado do almoço mensal – Um azar nunca vem sozinho

Vinte minutos de discurso sobre a crise mundial, nem uma palavra sobre a crise do BPP, três perguntas e estava acabado o almoço mensal do American Club com o convidado João Rendeiro, ex–presidente do BPP, que ontem teve lugar no Hotel Sheraton, em Lisboa. Uma aparição dois meses depois de ter saído da ribalta, na sequência do pedido de ajuda ao Banco de Portugal e da sua saída da presidência do banco, que fundou em 1996.

Nessa altura, ia Novembro no seu fim, o dia da desgraça coincidiu com o lançamento do livro ‘João Rendeiro, Testemunho de um Banqueiro’. Ontem, a sua ida ao American Club coincidiu com a a notícia da falência da Privado Holding, que controla a totalidade do capital do BPP, e do prejuízo de 247 milhões que deixou na altura em que abandonou a presidência do banco. O discurso do banqueiro sobre a crise mundial e os negros anos que se avizinham não despertou o entusiasmo dos 70 convidados do American Clube. O que entusiasmou os jornalistas presentes foi obviamente a notícia de mais uma desgraça para os accionistas do BPP e, claro, para o próprio João Rendeiro, principal accionista do banco. Parece coincidência, pode ser azar, mas o banqueiro que se dedica às artes, à inclusão social e a diversas associações de beneficência não anda decididamente nas boas graças dos deuses. Até parece castigo.

“DEUS ABENÇOE OBAMA”

João Rendeiro, fato cinzento escuro, camisa branca e gravata preta, começou a sua intervenção com uma saudação ao novo Presidente dos EUA: “Neste dia cheio de simbolismo somos todos americanos. Deus abençoe Obama, Deus abençoe a América.” Nem esta frase provou um entusiasmo por aí além nos 70 convidados do almoço mensal do American Club. Mas não foram apenas as palavras do convidado que pesaram no ambiente da sala White Plaines do Hotel Sheraton. O almoço propriamente dito também terá deixado muito a desejar. Um creme de ervilhas com estragão e espargos, peito de frango recheado com requeijão e espinafres com batata atomatada e poejos, creme de arroz com cardamomo e sultanas e vinho Cerejeiras, branco e tinto.

PORMENORES

70 CONVIDADOS

Na sala White Plaines do Hotel Sheraton não se via uma cara conhecida do mundo dos negócios.

POUCAS PERGUNTAS

Depois de um discurso de vinte minutos, sem novidades, só três pessoas colocaram questões.

LRIVOS INTERESSANTES

À entrada da sala White Plaines estavam à venda dois livros: o de Rendeiro e ‘Terramoto no BCP’.

PEDRO PASSOS COELHO

O clube de homens e mulheres de negócios, fundado em 1947, vai ter Passos Coelho em Fevereiro.

Fonte: Correio da Manhã de 21.01.2009

21/01/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

A justiça em Portugal não funciona mas a situação interessa a muita gente: Segredo bancário acelerou prescrição de denúncia anónima contra Rendeiro

12.12.2008

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa quis averiguar a eventual prática dos crimes de fraude e manipulação de mercado alegadamente praticados por João Rendeiro, mas a invocação do segredo bancário e a recusa de um juiz de instrução de autorizar buscas para a apreensão do documento da auditoria inviabilizaram a investigação.
A abertura do inquérito foi motivada por uma denúncia anónima remetida para o procurador-geral da República, José Narciso Cunha Rodrigues, em 8 de Agosto de 1998. A carta sem remetente apontava João Rendeiro como um dos alvos da denúncia na sua qualidade de presidente, director e accionista do fundo PSFC-Portuguese Smaller Companies Fund. O outro era Miguel Almeida Rodrigues, à data assessor do ex-presidente do Banco Privado Português e posteriormente gestor desta instituição financeira.
A primeira preocupação do Ministério Público (MP) foi obter a auditoria ordenada pela administração do Banco Totta e Açores para avaliar a credibilidade dos factos denunciados e requereu o confisco da auditoria. O juiz de instrução do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa indeferiu a proposta do Ministério Público para a realização de uma busca àquele banco para apreensão do documento. O titular do inquérito não desistiu e solicitou ao Banco Totta e Açores a entrega da auditoria, que lhe foi recusada pelos responsáveis do banco, invocando o segredo bancário.
Esta atitude gerou dúvidas no magistrado do DIAP de Lisboa que sustentou a ilegitimidade da escusa, requerendo ao juiz de instrução a intervenção do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), como prevê o Código do Processo Penal. Quando o incidente foi apreciado no TRL, em 2000, os desembargadores concluíram que o procedimento criminal já não podia prosseguir, devido a ter sido ultrapassado o prazo de prescrição.
Os factos ocorreram em 1994 e como a manipulação de mercado era punível com prisão até dois anos e multa até 120 dias, a prescrição consumava-se ao fim de cinco anos. O inquérito foi assim arquivado, encontrando-se actualmente nos arquivos do DIAP de Lisboa. António Arnaldo Mesquita

Fonte: Público

13/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

É só gatunos…: Auditoria critica actuação de João Rendeiro na Tottafundos e Tottagest

12.12.2008

A auditoria à Tottafundos e Tottagest foi executada pela Direcção de Inspecção e de Auditoria do Banco Totta & Açores a pedido de Alípio Dias, então presidente da instituição, e incidiu sobre dois exercícios, 1994 e 1995, período em que João Rendeiro exerceu cargos de gestão nas duas companhias. Nas conclusões, os auditores consideram que João Rendeiro teve, “em termos éticos, uma actuação condenável”, ao ocupar, em simultâneo, o cargo de administrador da Tottafundos e o de director de um fundo externo (o Portuguese Smaller Companies Fund – PSCF) que realizou inúmeras operações de compra e venda de carteiras de participações às sociedades gestoras de fundos do grupo Totta. E acrescentam que Rendeiro deveria ter comunicado ao Banco de Portugal a sua pretensão de assumir a direcção daquele fundo, ao abrigo da lei.
Segundo os auditores, aquelas operações, identificadas e analisadas, representaram perdas para a Tottafundos e a Tottagest de mais de 700 mil contos (o equivalente a 3,5 milhões de euros).
Durante o trabalho de investigação, a equipa de auditoria do Totta tentou esclarecer a quem pertencia o fundo PSCF e descobriu que ele era gerido pela Geste Advisers Limited, com sede nas ilhas Virgens Britânicas, mas não conseguiu determinar quem eram os accionistas nem os seus órgãos sociais. Os prejuízos, sustenta a auditoria, resultaram da venda de títulos do Fundo Capital Portugal (FCP) da Tottafundos ao fundo externo de que Rendeiro era director e a outras instituições e posterior compra às mesmas entidades mas por preços superiores. Em consequência destas operações, “entre Março e Dezembro de 1994, enquanto a rentabilidade do fundo PSCF (dirigido por Rendeiro) foi positivo em 8,4 por cento, o do FCP foi de -3,2 por cento”. Para os auditores, este facto demonstra que “o fundo Capital Portugal foi utilizado para subsidiar a performance do PSCF e, de forma mais atenuada, a de outros fundos da Tottafundos e de clientes da Tottagest”. Contactado pelo PÚBLICO, João Rendeiro apenas declarou: “A auditoria foi produzida pelo dr. Alípio Dias num clima de guerrilha entre mim e ele.” E acresceu que nunca foi contactado no âmbito da auditoria pelo grupo Totta e pelo Banco de Portugal. Rosa Soares

Fonte: Público

13/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

A máfia no seu melhor…: Alípio Dias esteve contra concessão de licença para Rendeiro fundar o BPP

O antigo presidente do Banco Totta & Açores desaconselhou Banco de Portugal a autorizar a abertura da instituição com base numa auditoria realizada
à Tottafundos onde Rendeiro teve cargos de gestão

a Alípio Dias, presidente do extinto Banco Totta e Açores (BTA) em 1996, sugeriu ao Banco de Portugal (BdP), então liderado por António de Sousa, não autorizar João Rendeiro a abrir o Banco Privado Português (BPP). Na base da sugestão esteve uma auditoria realizada às sociedades gestoras Tottagest e à Tottafundos (agora designada MC Fundos), do universo do BTA, que detectou várias operações que originaram um prejuízo de 3,5 milhões de euros e onde, à data dos factos, João Rendeiro ocupava cargos de administração.
Em 1996, ano em que João Rendeiro pediu autorização para constituir o BPP, o então presidente do BTA (que três anos depois seria adquirido pelo Santander) terá desaconselhado a instituição a conceder uma licença bancária a João Rendeiro por considerar que a mesma não era oportuna.
Contactado pelo PÚBLICO João Rendeiro declarou: “A auditoria foi produzida pelo dr. Alípio Dias num clima de guerrilha entre mim e ele.” E acrescentou que nunca foi contactado no quadro da auditoria pelo grupo Totta ou pelo BdP. Já Alípio Dias preferiu “não comentar” e o BdP esclareceu “que da consulta feita em 1996 às entidades relevantes concluiu que não existiam razões para não conceder uma licença bancária” a João Rendeiro.
As averiguações à Tottafundos e à Tottagest (ver caixa) iniciaram-se em 1995 e ficaram concluídas no ano seguinte (ano em que Joao Rendeiro recebeu autorização para constituir o BPP), tendo detectado, entre outras coisas, práticas de gestão consideradas “merecedoras de atenção”. No âmbito deste mesmo dossier foi apresentada uma queixa anónima à Procuradoria-Geral da República, ao DIAP e ao BdP. Apenas a PGR deu andamento à denúncia (ler texto ao lado), que acabou por ser arquivada.
Em 1996, a autoridade de supervisão era liderada por António de Sousa, ex-administrador do Banco Totta no início da década de 90, ex-presidente executivo da CGD e actualmente consultor do JP Morgan – que não esteve contactável.
Rendeiro e António de Sousa estiveram juntos recentemente na luta pelo controlo do poder no Banco Comercial Português (BCP). Do outro lado da barricada estava Alípio Dias, um dos ex-administradores cujos actos de gestão estão sob averiguações das autoridades de supervisão. Os três passaram pelo universo Totta na mesma época.

BPP: de 1996 a 2008
A abertura do BPP acabaria por ser concedida em 1996 e passado 12 anos o banco entrou em situação de insolvência – o que levou ao afastamento do seu fundador e maior accionista (com 12 por cento do capital).
Depois de uma avaliação sumária ao BPP e com o argumento de que a medida visa evitar no imediato a sua falência e assegurar o pagamento dos depósitos e das dívidas à banca internacional, o BdP interveio na instituição, indicando uma administração encabeçada por Adão da Fonseca.
O executivo, recrutado no BCP, tem que gerir um dossier complexo, pois terá de avaliar num curtíssimo espaço de tempo se o BPP tem condições para ser “salvo” ou se deve mandar revogar a autorização para exercer actividade e ordenar a sua liquidação. A gestão provisória terá ainda de apreciar com maior profundidade a qualidade dos activos na posse do BPP. Isto porque o Estado vai apoiar o banco através da concessão de uma garantia pública a um financiamento de 450 milhões de euros dado por um consórcio bancário privado para liquidar o passivo do banco.
Em cima da mesa está igualmente a avaliação da actividade desenvolvida por João Rendeiro. O BPP funcionava como uma gestora de fortunas (com cerca de três mil clientes), muito dependente dos mercados financeiros. A crise financeira acabou por revelar as fragilidades deste modelo de negócio que deu aos accionistas e clientes dividendos durante anos. Uma das tarefas de Adão da Fonseca é distinguir o que são depósitos do que são investimentos, e o que são investimentos de clientes e de accionistas, em que o risco é assumido por estes, daqueles em que o risco era assumido pelo BPP.
João Rendeiro diz que a auditoria foi produzida por Alípio Dias num clima de guerrilha entre os dois

Fonte: Público

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