Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

Carlos Abreu Amorim, Jurista: É carnaval

Os apoiantes de Sócrates convidaram a Oposição a derrubar o Governo.

Em si mesmo, o pedido é estranho. Os socialistas não ensaiaram explicações para o comportamento aviltante que o primeiro-ministro exibe nos casos em que está sempre a tropeçar. Nem ousaram resgatar algum robustecimento ético substituindo o personagem que os envergonha ainda mais do que a todos nós.

Em vez disso, querem brincar às moções de censura – é o estrebuchar de quem não tem resposta.

Só se podem realizar eleições entre Abril e Julho. Nessa altura, o PSD já estará melhor do que agora (ganhe quem ganhar). Mas duvido que Cavaco repita a ‘receita Sampaio’.

Com o País a afundar-se económica e animicamente, parece que o PS quer deser-tar para que os outros carreguem com as suas asneiras. Outra vez.

Fonte: Correio da Manhã de 16.02.2009

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16/02/2010 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Eleições, eleições…

A máscara de mudança não se resume ao ar de ‘falso manso’ que o primeiro-ministro resolveu trajar após as Europeias: o PS desistiu de quase tudo aquilo que jurava ser inadiável há menos de um mês.

A decisão sobre o TGV foi relegada para o próximo Governo. A do concurso do aeroporto de Alcochete, também. O mesmo sucedeu à inconcebível terceira auto-estrada Lisboa-Porto. Um súbito silêncio desceu sobre a ‘prioridade’ da nova ponte sobre o Tejo. A urgência das portagens nas ‘SCUT’ desapareceu sem deixar rasto. Desde o desaire eleitoral que Sócrates não defende o casamento ‘gay’.

Para este PS a única coisa que importa é ganhar as eleições – as ideias e projectos são instrumentais. Agora é o momento de retirar do debate tudo o que cheire a polémica.

Fonte: Correio da Manhã de 02.07.2009

02/07/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Constâncio, o perpétuo

Mais do que defender o Banco de Portugal e a si mesmo (que bem precisa), Constâncio foi ao Parlamento desdenhar esse órgão de soberania e rebaixar os membros da Comissão que mais o têm criticado.

Estava ciente que a maioria dos comentadores económicos o secundaria e, no espírito de clube (ou de quase-seita?) que os distingue, partilhariam as suas depreciações em nome da tão badalada ‘estabilidade do sistema’.

Sejamos claros – Constâncio é apenas um político de arrimo de Sócrates e tornou-se no maior e mais aflitivo factor de desestabilização e de descrédito do sistema financeiro português. Quando afirma que foi ‘ingénuo’ ao deixar Oliveira e Costa fazer aquilo que agora se sabe, Constâncio está enganado: não foi ingenuidade, foi incompetência. E muita.

Fonte: Correio da Manhã de 17.06.2009

17/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Perguntem à Maya

A indústria das sondagens tem um poder de autopromoção invulgar – esses gurus dos tempos pós-modernos acertam sempre mesmo quando falham clamorosamente. Durante semanas, quase em uníssono, juraram que o PS iria ganhar, apenas divergindo na diferença a que ficaria o PSD. O CDS foi reduzido à sua expressão mais ínfima. Só no último dia da campanha surgiu um ‘estudo’ que colocava o PSD a vencer, mas por pouco.

Na antiguidade, as predições eram feitas por sacerdotes que procuravam as pistas do futuro nas tonalidades do fígado das aves. Mais tarde, as folhas de chá tiveram algum sucesso. Qualquer um dos métodos é mais barato do que as fortunas que agora se pagam às empresas que fazem vaticínios travestidos de ciência – e os resultados têm rigor semelhante.

Fonte: Correio da Manhã de 09.06.2009

09/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Para que serve o CDS?

O CDS tinha uma boa lista. Nuno Melo brilhou no inquérito ao caso BPN, Teresa Caeiro e Diogo Feio são políticos experientes e competentes. Mas Portas apareceu a todo o tempo. Quis fazer de muleta dos seus candidatos mas, ao contrário, encolheu-os e nunca os deixou crescer. As imagens eram de Portas, as prédicas eleitorais eram de Portas e Portas estava nos cartazes e nas feiras.

Na verdade, o CDS já não é bem um partido – parece-se mais com um culto pessoal à volta de Paulo Portas. O grande problema dessa liturgia é que o seu objecto está em irremediável decadência. Portas regressou mal e antes do tempo. Voltou igual, apenas mais gasto e redundante. Transformou o CDS num partido de um homem só cuja mensagem exclusiva é o seu líder. O paradoxo é que, por culpa própria, Portas se tornou na personagem mais estafada e aborrecida da política portuguesa.

O espaço vital do CDS subsiste à custa da variação de conjuntura do vizinho ‘grande’ do lado, o PSD. Este raramente esteve tão mal como nestes anos socráticos, mas o CDS nunca conseguiu aproveitar essa letargia. Não soube ser alternativa. Não faz diferença em área nenhuma. A sua competição eleitoral parece reduzir–se a uma obstinação patética em vencer as sondagens: o CDS julga vencer só porque não perdeu tanto como se previa.

Mas os resultados de ontem não podem deixar ninguém feliz no CDS: quando não há estratégia para além da mera sobrevivência, todos os esforços visam apenas adiar o fim. O próximo desafio será nas Legislativas.

Fonte: Correio da Manhã de 08.06.2009

08/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Há derrotados

Ontem, deu-se o insucesso de uma campanha que jurou só falar em temas europeus e acabou a sujar os adversários à boleia de escândalos internos que não têm partido. Foi o desaire da táctica ridícula da ‘campanha negra’ e dos ‘poderes ocultos’. Foi a queda de um estilo peculiar de querer ser ‘duro’, assente em ameaças pouco veladas a professores descontentes e em processos judiciais a jornalistas menos respeitosos em relação ao ‘chefe’.

Ontem percebeu-se, também, que não é impunemente que se finge governar com muito marketing político mas poucas medidas competentes, com reformas anunciadas mas nunca realizadas.

Ontem, Sócrates foi o grande derrotado. Rangel o vencedor indiscutível. A sorte do ainda primeiro-ministro é que não vai ter o mesmo adversário nas Legislativas.

Fonte: Correio da Manhã de 08.06.2009

08/06/2009 Posted by | Educação: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Carlos de Abreu Amorim, Jurista: O mais caro de sempre

Nuno Melo acusou Vítor Constâncio de estar na origem da funesta decisão de nacionalizar o BPN (cujo custo já anda perto dos 2.500 milhões de euros).

Julgo que Melo inverteu o nexo de causalidade: o Governo não agiu em virtude do que Constâncio disse – ao contrário, Constâncio disse o que disse por causa da intenção governamental.

O perpétuo governador do Banco de Portugal converteu-se num comentador económico pró-governo, numa espécie de Perez Metelo em cargo mais abonado mas igualmente justificador de tudo o que o Governo quer ou sente (ainda vão trocar de ofício!).

Não sei que mais asneiras Constâncio terá de exibir para ser forçado a desocupar a função. Deve ter sido o titular público cuja omissão em agir mais dinheiro custou a esta III República.

Fonte: Correio da Manhã de 03.06.2009

05/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Inimigo de si mesmo

Marinho Pinto não é ingénuo – após Sócrates ter elegido Manuela Moura Guedes e a TVI como seus inimigos figadais, sabe bem que ir esse canal descompor a jornalista tresanda a frete pessoal ao primeiro-ministro. Marinho Pinto conseguiu aquilo que nem o ministro Santos Silva imaginaria nos seus sonhos mais ‘controleiros’.

A colagem ao Governo é a única estratégia aparente do bastonário dos advogados. O resto é uma impetuosa barafunda contra tudo o que mexe na Justiça: juízes, procuradores, polícias, funcionários, advogados, políticos (excepto Sócrates) e faculdades de Direito.

Sem tom nem som, Marinho Pinto tornou-se num caricato argumento a favor dos interesses que diz combater, aniquilando a lógica que o fez eleger talvez por muitos anos.

Fonte: Correio da Manhã de 25.05.2009

25/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Regime de casos

O PS está engasgado com a polémica sobre a continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Os dirigentes socialistas surgiram com inusitada vontade de pôr água na fervura, garantindo que ser ouvido num inquérito parlamentar não é motivo de demissão de um cargo político. Percebe-se o embaraço: como quase tudo na política actual, deve-se ao caso Freeport.

O PS acordou cheio de horror a eventuais comparações. Defender a saída de Dias Loureiro no presente contexto (como alguns militantes têm feito, avulsamente) seria arriscar uma perigosa analogia se Sócrates vier a ser chamado para depor no imbróglio Freeport.

Cada vez mais, os casos BPN e Freeport parecem ser duas faces da mesma moeda – aquela que este regime tem cunhado descaradamente nos últimos 30 anos.

Fonte: Correio da Manhã de 07.05.2009

07/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , , | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: O Seguro do PS

De vez em quando, os partidos resolvem jurar que são a favor da transparência no seu financiamento. Até fazem leis sobre a matéria – que violam sistemática e compulsivamente nas campanhas eleitorais.

Até aqui, pelo menos, ainda tinham o pudor em disfarçar. Agora já nem isso. O Parlamento aprovou uma nova lei que aumenta a opacidade e que contrasta com tudo o que vinha a ser alegado até aqui.

Incoerentemente, as regras do financiamento partidário só funcionaram até à véspera das campanhas eleitorais; depois, esvaziou-se a prosápia do costume sobre a clareza na angariação de fundos.

Em 230 deputados, só um teve a dignidade de votar contra: António José Seguro. Os habituais arautos da moral na política deviam estar ocupados a ligar ao ‘homem da mala’.

Fonte: Correio da Manhã de 05.04.2009

05/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário