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Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do CM: Ministro despedido

O quarto arguido do caso Freeport é o arquitecto Carlos Guerra, gestor de um programa comunitário com verbas para a agricultura. A partir de ontem é também o responsável involuntário pelo despedimento político do ministro da Agricultura.

A história é simples e, ao mesmo tempo, uma metáfora arrasadora do estado a que o Governo chegou. Sócrates garantiu no plenário da Assembleia da República que Carlos Guerra havia apresentado a demissão ao ministro da Agricultura na semana passada, este apreciara o gesto e aceitara a demissão.

Quase no mesmo instante, nos Passos Perdidos reais ou simbólicos, Jaime Silva garantia aos jornalistas que ainda não falara com Carlos Guerra e que iria “ouvi-lo”. Obviamente o ministro da Agricultura estava distraído e não ouviu o que Sócrates disse. Mas o mais extraordinário é que minutos depois voltou a falar com os jornalistas como se já tivesse arrumado a questão. Aceitara o pedido de exoneração e adiantou mesmo um pormenor ou outro.

Extraordinária capacidade de representação! Jaime Silva não se limitou a estragar o bom ‘número’ que Sócrates havia feito no debate ao desarmar uma questão de Paulo Rangel. A sua ingenuidade levanta a pior nódoa que pode pairar sobre um governo: afinal, quem mentiu? Sócrates? Jaime Silva? Não é irrelevante saber o que aconteceu.

Fonte: Correio da Manhã de 25.06.2009

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26/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do CM: Lavoura em pé de guerra

A Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, é a principal montra do sector e este ano começou com um facto insólito. Na inauguração não esteve presente nenhum membro do Governo. O episódio revela o clima de guerra entre a CAP e o ministro da Agricultura. João Machado, presidente da mais poderosa organização de agricultores, diz ao CM que o ministro Jaime Silva e José Sócrates podem ir à feira “livremente, desde que paguem bilhete”.

O mundo rural vive uma grave crise, sem ânimo e sem futuro. Mas Jaime Silva não é culpado de tudo. É evidente que poderia ter feito mais e melhor, mas o estado desastroso da agricultura tem mais culpados. Até a má organização dos próprios agricultores. Por exemplo, há vários produtores estrangeiros, especialmente holandeses e dinamarqueses, que se instalaram em Portugal e que não se queixam, e até têm bons resultados, quer seja no vinho, nos cereais ou no leite.

Mas o grande problema da agricultura nacional é a distribuição, que impõe condições leoninas para os agricultores colocarem os seus produtos. É muito caro e difícil os agricultores colocarem os produtos nas prateleiras dos hiper e supermercados. E o último ataque à agricultura e à agroindústria portuguesas são as marcas brancas, mais baratas para os consumidores, mas com origem desconhecida.

Fonte: Correio da Manhã de 08.06.2009

08/06/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário