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O que vou lendo por ai…

Paulo Martins: Futebol faz de conta

[…] No mundo real, saber se o emprego se conserva para lá do fim do mês é o que, por estes dias, ocupa as cabeças. Nada melhor, portanto, do que desviarmos o olhar para o futebol. Discutir, como se disso dependesse o futuro da […] Humanidade, se a bola entrou mesmo na baliza, se o toque dado pelo defesa dentro da área foi suficientemente intenso para o mergulho do avançado, se o meu clube foi esta época mais roubado do que os outros (para não desgastar em excesso o cérebro do leitor, faço o meu registo de interesses: sou adepto do Sporting; simples adepto, não sócio).

Crise não é palavra que entre no léxico do futebol, um dos mais formidáveis instrumentos de fuga à realidade até hoje inventado. Dos três F do tempo do salazarismo é o que sobrevive mais pujante. O fado, rejuvenescido de vozes e de espírito, deu para este peditório o que tinha a dar. E Fátima já não é só para consumo interno.

A mais apressada conclusão seria que ao futebol nacional, de faz de conta, ninguém confere um pingo de credibilidade. Puro engano. A avaliar por um estudo cujos contornos o JN revelou na edição de ontem, as marcas que patrocinam o futebol não têm razões de queixa. Quanto mais “bernardas”, melhor.

Fonte: Jornal de Notícias de 26.03.2009

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26/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

País com bolinha

Pa�s com bolinha  

Vem daí, crónica, falemos de perfeição e arranjemos, como Pound, bastantes desafectos. O fastidioso Porto-Benfica que há meses se joga por aí sob o imponderado título de “Apito final” tem os ingredientes de uma novela faquista apenas aconselhável a adultos com sólida formação moral.

No “plot” central, um clube do pontapé na bola procura tenazmente meter pela janela o que deixou fugir pela porta, sempre estreita, da competição, enquanto outro é acusado de tentar ganhar em quartos de hotel o que é suposto ser ganho, convocando o empiriocriticista Gabriel Alves, “dentro das quatro linhas”. Depois, em “plots” secundários, personagens não menos secundárias, como o presidente do CJ da Federação (onde representou agora papel semelhante ao que, com decoroso sucesso, já representara no CJ da AFP), atirando-se para o chão como profissionais da falta simulada e trocando golpes baixos capazes de fazer do provedor de iniquidades Monk Eastman o mais transparente dos anjos. Não, não é o “mundo do futebol”. É o país com bolinha no canto superior direito de que todos somos hoje figurantes e espectadores.

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08/07/2008 Posted by | Política: notícias | , , , | Deixe um comentário