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Rafael Barbosa: A crise tem várias caras

1.Borgstena, Nelas: 108 pessoas; Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha: 150 pessoas; FEHST, Braga: 170 pessoas; Unidade de Saúde de Coimbra: 100 pessoas; Intipor, Amares: 150 pessoas; Philips, Ovar: 70 pessoas; Camac, Santo Tirso: 290 pessoas; Subercor e Vinicor, Santa Maria da Feira: 150 pessoas; Diehl, Vila do Conde: 60 pessoas; Ecco, Santa Maria da Feira: 180 pessoas; Citroën, Mangualde: 400 pessoas; Qimonda, Vila do Conde: 1700 pessoas.

A lista é extensa, mas não é exaustiva. Resulta da leitura apressada das páginas de um só jornal, durante a última semana. Associadas a esta lista negra aparecem notícias sobre despedimentos colectivos, falências, salários em atraso. Um caldo que culmina quase sempre em desemprego. Uma dúzia de casos, apenas os que conseguem cobertura mediática. Muitos ficam por relatar, sobretudo no universo das pequenas e médias empresas. E mesmo assim, sabendo-se que são contas por defeito, são mais de 3500 pessoas que já perderam ou estão a caminho de perder o seu emprego. Em apenas uma semana. O ano tem 52. É só fazer as contas. E perceber que o pessimismo de Teixeira dos Santos, quando aponta para 45 mil novos desempregados em 2009, revela, afinal, um perigoso excesso de optimismo.

2. As contradições do tempo que vivemos são surpreendentes. Num dia, ouvimos dizer que, se conseguirmos manter o emprego, vamos ter mais dinheiro no bolso graças à descida das taxas de juro e da inflação. No outro, dão-nos conta de mais uma subida no número de desempregados e portanto do número de pessoas que ficam sem dinheiro no bolso. Num dia, explicam-nos que é preciso estimular o consumo para vencermos a crise. No outro, ficamos a saber que são cada vez mais os que já não são capazes de pagar as dívidas contraídas para consumir.

Os tempos são desesperados, mas o pior é que não se vislumbra lucidez. De todo o lado surgem apelos para que se aumente o consumo. Chega-se ao ponto de ouvir reputados economistas explicar que esse apelo se deve dirigir sobretudo às classes média e média-baixa, precisamente porque são os mais vulneráveis às campanhas. Resumindo, quando o discurso deveria ser de austeridade e poupança, é afinal feito de apelos à irresponsabilidade. Em vez de poupar para garantir o amanhã, gastar como se não houvesse amanhã.

3. Berardo já nem deveria merecer uma nota de rodapé. É apenas mais um especulador que assistiu ao estilhaçar da sua pseudo-fortuna nesse mundo de ficção que é a bolsa. Acontece que se ficou agora a saber que há bancos dispostos a prolongar a ficção do comendador. E que entre eles está a CGD, um banco público. Quando era retratado como uma figura quase messiânica, Berardo conseguiu que a banca lhe emprestasse 1000 milhões de euros para comprar acções do BCP. Como garantia apresentou as acções que comprou. Só que, com o fim da ficção, as acções já só valem 190 milhões. Revelando com Berardo uma generosidade que não tem perante os cidadão sem capacidade para pagar o empréstimo da casa, a banca prolongou o prazo do empréstimo e congelpou o pagamento de juros por mais quatro ou cinco anos. Esperando que nesse intervalo as bolsas recuperem. Há gente que não aprende nada. E que não tem vergonha.

Fonte: Jornal de Notícias de 26.01.2009

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26/01/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Pelo menos no E.U.A. acabam na cadeia…: Detido investidor financeiro que burlou clientes em 50 mil milhões de dólares

Já foi presidente do Nasdaq Stock Market, a bolsa de Nova Iorque que agrupa as empresas tecnológicas. Dirigia uma sociedade de investimento. Arrisca, agora, passar o resto dos dias na cadeia. Bernard Madoff foi detido, em Nova Iorque, por agentes do FBI. É acusado de ter provocado prejuízos de 50 mil milhões de dólares aos seus clientes. O que lhe pode valer, aos 70 anos, uma pena de 20 anos de prisão.
Esta semana, num gesto que apressou a detenção, Madoff confessou a três dos seus funcionários de topo que o negócio era feito segundo o esquema de Ponzi. Trata-se de um processo piramidal em que as rentabilidades prometidas aos clientes são essencialmente garantidas com o dinheiro disponibilizado por novos investidores.
Como no famoso caso D. Branca, quando a corrente quebra, surge o caos numa dolorosa dimensão.
Madoff fundou a firma que dirigia na década de 60. Tinha, entre os seus clientes, alguns dos mais activos hedge-funds (fundos de investimento de elevado risco) que o procuravam pelo milagre da multiplicação que se supunha realizar.
Em Outubro passado, referia ontem, a agência Bloomberg, a companhia de Madoff foi o 23.º maior investidor do Nasdaq com transacções médias diárias de 50 milhões de acções. A General Electric e o Citigroup, a atravessar gravíssimos problemas financeiros, eram títulos em que a firma apostava a partir de ordens dadas pelos corretores.
O antigo presidente do Nasdaq foi detido no apartamento em que vivia na capital financeira dos Estados Unidos. Dizem as agências que os membros do FBI entraram na casa e disseram que estavam ali para “encontrar uma explicação inocente.” A resposta não deixou lugar a dúvidas: “Não há nenhuma explicação inocente”, afirmou Madoff. Dias antes, o investidor tinha conversado com os seus principais colaboradores, a quem confiara a situação de insolvência em que a firma se encontrava. Nessas conversas, o agente financeiro confessou que o negócio que dirigia era uma fraude e acrescentou que estava “acabado”.
A investigação concluiu que a firma detém ainda 17 mil milhões de dólares em activos, mas ainda não conseguiu determinar como se produziram as perdas de 50 mil milhões.
A investigação que conduziu à detenção do investidor ganhou força no início do mês, altura em que Madoff confidenciou a colaboradores que estava a ser pressionado por um conjunto de clientes para devolver sete mil milhões de dólares – montante de que não dispunha, mas que acreditava ser possível reunir. Foi o insucesso da tentativa que apressou o desfecho do caso. O processo judicial fala de um agente financeiro que, nos úlimos dias, vivia em situação de forte stress e fora de controlo.
Ontem, Madoff foi apresentado ao juiz de instrução, num tribunal de Manhattan, Nova Iorque. Nada acrescentou sobre a situação e ouviu, impávido, o anúncio de estabelecimento de uma caução de 10 milhões de dólares. Garante ter deixado em caixa 200 milhões para pagar prestações que serão devidas aos funcionários.

Fonte: Público

13/12/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário