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Outra vergonha…: Falta de radares ameaça segurança da costa Nacional

Dos sete radares da GNR que vigiam a costa portuguesa contra traficantes, contrabandistas e terroristas, só dois estão ligados e com graves problemas técnicos. O contrato de manutenção acabou em Dezembro. Não foi renovado porque está a decorrer um concurso para novos equipamentos, que tem falhado todos os prazos. A vigilância é feita com ‘binóculos’.

Os únicos radares que o País tem para detectar pequenas embarcações – como as usadas pelos traficantes de droga ou pessoas, contrabandistas, ou terroristas – não estão a funcionar a 100%. De acordo com informações obtidas pelo DN, há cinco que estão mesmo desligados e dois com graves problemas técnicos, não funcionando sequer durante a noite.

Alertado pela GNR há, pelo menos, quatro anos, para a necessidade urgente de renovar estes equipamentos, o ministério da Administração Interna lançou um concurso, por convite, em 2007, que tem falhado vários prazos e a adjudicação tarda. Os novos radares, que constituem o Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo (SIVICC), vão ainda demorar entre 17 meses e dois anos a ser instalados em todo o País, deixando a costa portuguesa sem a segurança e protecção necessárias. E as ameaças são várias.

Mas como o concurso está a decorrer, a GNR não renovou o contrato de manutenção dos “velhos” radares, instalados há 20 anos. O contrato terminou em Dezembro de 2008 e, desde aí, os radares têm-se “apagado” pouco a pouco. A Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR ainda enviou duas cartas – uma em Janeiro, outra em Abril passado – ao Comando das finanças da Guarda, a solicitar a abertura de um novo concurso público para a manutenção dos radares, para garantir “um elevado grau de operacionalidade, mas a resposta foi negativa. “Fazer a manutenção de sucata é deitar fora dinheiro dos contribuintes”, justificou ao DN um oficial superior deste Comando.

O porta-voz do Comando-Geral da GNR diz que a vigilância agora está a ser feita com câmaras portáteis de longo alcance “que “garantem perfeitamente a falta dos radares”. No entanto, explicou um elemento técnico da UCC, “enquanto os radares têm um alcance de 30 quilómetros, as câmaras apenas vêem a quatro quilómetros da costa, num ângulo de 60 graus, com varrimento manual. Os homens têm de estar de pé, tipo binóculo a varrer o mar. Um barco de traficantes anda a 50 nós e quando é visto a quatro quilómetros demora 2/3 minutos a chegar a terra, no máximo cinco. Estas câmaras não podem ser mais que um apoio local a radares. Senão porquê comprar novos e gastar 30 milhões de euros?”. Segundo o Relatório de Segurança Interna de 2008, o haxixe e a cocaína entram em território continental europeu essencialmente por via marítima, sendo Portugal “um apetecível ponto de entrada”, atendendo “à localização geográfica dos locais onde se processam a produção e transformação do haxixe e da cocaína, respectivamente nos continentes africano e sul-americano”.

As estatísticas oficiais da GNR já revelam consequências destas falhas na vigilância da costa: em 2008 caíram os autos levantados relacionados com apreensões de droga por via marítima e não foi feita sequer nenhuma apreensão de cocaína, cujas redes passam pela nossa costa.

O comandante-geral da GNR, Nelson Santos, confessou ao DN, numa entrevista no início do ano, o seu incómodo: “A situação é um grande problema.” O general lamentava ter de manter 140 homens, que podiam estar em patrulhas de rua, nesta vigilância.

Fonte: Jornal de Notícias de 26.05.2009

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26/05/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

João Miguel Tavares: Quem tem medo de Manuela Moura Guedes?

A peixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI. Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que “aquilo não é jornalismo”. Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional – que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.

Manuela Moura Guedes não é a pivot com que eu mais gosto de acompanhar o jantar. No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de “isto é tudo uma corja”, não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente. Ora, esse “deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro” é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas.

Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos – mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar. As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos – e por isso é bastante mais perverso – são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências. O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado. Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem.

Fonte: Jornal de Notícias de 26.05.2009

26/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | 4 comentários