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Paulo Nogueira, Crítico de televisão: Obama, Chávez e os videotas

A Fox foi a única que não transmitiu a conferência de Obama em directo, preferindo uma série de ficção – e cravou a maior audiência.

A imprensa está a estrebuchar? Oxalá eu acabe antes dela. Quanto tempo ainda tenho? Segundo o dono do canal americano CBS, menos de dez anos. Tique-taque, tique-taque… Por falar em TV americana, os 100 dias de Obama foram uma barrigada de rapapés e servilismo dos media. O presidente pavoneou-se ubiquamente em prime time e foi apaparicado numa conferência de imprensa na qual os repórteres se engalfinhavam para ver quem fazia a pergunta mais graxista. Mas a audiência cambaleia e derrapa. A CNN desabou para o 4º lugar nos canais noticiosos. A MSNBC, que em 2008 ganhou espectadores a apoiar Obama, estatelou-se depois da eleição. Quem cresceu foi a Fox, de Rupert Murdoch (“Os 48% que não votaram nele são só nossos” – bingo!). A Fox foi a única que não transmitiu a conferência de Obama em directo, preferindo uma série de ficção – e cravou a maior audiência.

Em contrapartida, Obama ignorou olimpicamente as perguntas do jornalista da Fox. Um upgrade na capacidade mediática de Reagan, Obama esgrime todos os meios de comunicação. Nesses 100 dias, gravou um vídeo para a entrega do prémio de música latina (‘Buenas Noches!’) e foi o primeiro presidente num talk-show. Fez videoconferência com astronautas no espaço e deu entrevista pela net no site da Casa Branca. Os internautas postaram 100 mil perguntas e 3,6 milhões de votos escolheram as melhores, às quais Obama respondeu. O bipartidarismo é claro também na TV. À esquerda, na MSNBC, a bela pivô Rachel Maddow, 36 anos, lésbica assumida, que aparece sempre de ténis.

À direita, na Fox, o veterano Bill O’Reilly. Moral da história? Quanto mais fragilizados os media, mais dependentes e situacionistas tendem a ser. E, quanto menos independentes, mais vulneráveis se tornam. Há quem não tenha escolha. Na Venezuela, Hugo Chávez (quem tem o seu canal e o seu programa) prometeu retirar a licença da emissora oposicionista Globovisión. Há dois anos, vaporizou a estação mais antiga do país, a RCTV, também uma voz crítica. Desta vez diz que será ainda mais canja: “A Globovisión é um canal de notícias e não dá novelas, como a RCTV dava. Está-se toda a gente nas tintas.” Em seguida, o caudilho aproveitou para promover o telemóvel produzido pela estatal Movilnet (ao preço de 13 euros a unidade). Chávez baptizou o aparelho com o nome de “vergatário”, que no calão local significa um homem com o pénis avantajado. Será que essa edificante informação também vem no milhão de Magalhães que Chávez comprou a Sócrates?

Fonte: Correio da Manhã de 24.05.2009

25/05/2009 - Posted by | Política: artigos de opinião | , ,

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