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Vital embaraça Sócrates com caso Freeport

Candidato afirmou que no lugar de Lopes da Mota teria suspendido funções até ao fecho do processo disciplinar

Depois de não manifestar apoio à recondução de Durão Barroso na chefia da Comissão e de irritar Alegre por causa da disciplina de voto, o candidato do PS nas eleições europeias disse o contrário do que defendeu Sócrates.

“Se estivesse naquele lugar, mas não quero julgar ninguém, eu, porventura, pediria suspensão de funções enquanto o processo disciplinar decorresse”.

Com esta frase, dita anteontem à noite, em Évora, Vital Moreira criou mais um embaraço ao líder socialista que, nesse dia (perante os deputados e o país) defendeu que só no final do processo disciplinar – aberto pelo procurador-geral da república, Pinto Monteiro – ao presidente do Eurojust, por alegadas pressões sobre os dois magistrados do caso Freport, se saberia se houve “responsabilidades pessoais”.

Para o constitucionalista, a suspensão de funções “tornava claro que uma coisa é o exercício de funções, outra coisa é o processo disciplinar”. Ressalvando que “num Estado de direito ninguém pode ser condenado antes de ser condenado”. “Há indícios fortes de ter havido uma infracção, há uma acusação, há um processo disciplinar a decorrer”, concluiu.

A contradição foi de imediato aproveitada pelo cabeça-de-lista do PSD no sufrágio de 7 de Junho, Paulo Rangel, que apontou aconvergência de Vital com a opinião dos sociais-democratas, de que o procurador deveria afastar-se ou demitir-se.

“Se ele não defendesse o afastamento do procurador Lopes da Mota mantinha o silêncio sobre esse assunto”, referiu Rangel, realçando a clara divergência entre as opiniões de Vital Moreira, do PS e do Governo “quanto às pressões no caso Freeport”.

Para o líder parlamentar do PSD desta forma os socialistas “agradam a gregos e a troianos” e satisfazem franjas distintas de eleitorado, o que “não pode passar incólume”, frisou.

A primeira dissonância de Vital com o líder do PS ocorreu a propósito do apoio à recandidatura de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, como candidato natural do Partido Popular Europeu (PPE).

Vital afirmou que se o Partido Socialista (PSE) tiver maioria no hemiciclo deve indicar outro nome – o mesmo defendeu anteontem o líder do PSE, o dinamraquês Rasmussen. Sócrates teve então de evocar “razões patrióticas” para apoiar Barroso.

Depois, foi o reparo a Manuel Alegre: que deveria respeitar a disciplina de voto por ter sido eleito pelo PS e não pelo milhão de votos obtido nas presidenciais.

Ao JN, o porta-voz do PS, Vitalino Canas reafirmou que a posição oficial do PS sobre o assunto é a que foi divulgada dois dias antes. “Eu compreendo as declarações de Vital Moreira, mas a minha posição é de primeiro-ministro”, disse, ontem, no Europarque, José Sócrates.

Fonte: Jornal de Notícias de 15.05.2009

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15/05/2009 - Posted by | Política: notícias | ,

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