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O que vou lendo por ai…

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto do Correio da Manhã: Contribuinte paga a conta

Ainda não se sabe qual vai ser o desfecho do triste caso do BPP, mas já há uma certeza: os contribuintes vão pagar caro o prejuízo deste banco especializado em gestão de fortunas. Se o Governo optar pela falência, assume pelo menos 800 milhões de euros.

Se optar pela viabilidade, a factura pode ser ainda a maior. E ainda falta saber quem paga a factura dos clientes dos produtos de retorno absoluto, que foram notoriamente enganados pela gestão de Rendeiro. Mais uma vez, o contribuinte perplexo pergunta: Ninguém vai preso?

Fonte: Correio da Manhã de 12.05.2009

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12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: É melhor sermos amigos dele

Se a notoriedade por assim dizer política do ministro Manuel Pinho advém, principalmente, de ter conseguido ser fotografado para a posteridade ao lado de celebridades como Catherine Deneuve (a verdadeira, não a do Parque Eduardo VII) e Michael Phelps e de não ter conseguido – que diabo!, um ministro não consegue tudo – salvar a Quimonda ou as minas de Aljustrel, ele é notável também pela luta ardorosa que trava com Mário Lino pelo título de campeão nacional das “bocas” de gosto refinado.

A última foi que Paulo Rangel, do PSD, ainda tem que “comer muita papa ‘Maizena’ para chegar aos calcanhares de Basílio Horta”. Pensar-se-ia (muita gente o pensou) que seria, em tempos de crise, um estímulo ao importante sector económico das papas, do género do de Sócrates ao “Magalhães” e à J.P. Sá Couto. Só que não se tratava da economia nem do país, tratava-se de Basílio Horta ser seu amigo e de ele, como disse à TSF, “defender os amigos”. Foi uma desilusão. Afinal, Manuel Pinho é um ministro como os outros, preocupa-se é com os amigos. Mas o país ainda pode ter esperança: basta-lhe passar a ser seu amigo.

Fonte: Jornal de Notícias de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Alberto Gonçalves: A vítima Vital – O PS parece apostado em salvar uma campanha até ver desastrosa mediante a insistência no martírio do candidato

Portugal é como aquelas festas chatíssimas em que só acontece alguma coisa depois de sairmos. Mal aterrei no lado oposto do Atlântico, uma mensagem no telemóvel informava-me que Vital Moreira havia sido agredido e insultado na manifestação da CGTP do 1º de Maio. A festa, portanto, aquecia. Ainda que, inexplicavelmente, os media americanos teimem em ignorar a existência do prof. Vital, tenho seguido o assunto pela Internet e constatado que a festa continuou a aquecer semana afora.

Ao que as escassas visitas aos sites nacionais me permitem apurar, o PS acusa a CGTP e o PCP pela agressão e exige desculpas, a CGTP desculpa os agressores e pede desculpas pela agressão, o PCP acusa o PS por acusar o PCP e, naturalmente, exige desculpas. À revelia da indignação do PS, começou a constar que elementos do Bloco de Esquerda também participaram na folia.

Não vale a pena comentar sujeitos que andam em matilha a insultar o seu semelhante (ou, literalmente, ex-semelhante). Quem insulta sozinho pelo menos possui outra dignidade (e, admito, outras hipóteses de detenção policial ou internamento psiquiátrico). Vale notar a imediata evocação da Marinha Grande feita pelo prof. Vital logo no momento do incidente.

O episódio das agressões a Mário Soares naquela localidade, em 1985, fundou uma crença irrevogável entre os agentes do país político: candidato que leve uns sopapos em campanha tem a eleição garantidamente ganha. Apesar da rima, duvido. A ideia, assaz cristã, de que o sacrifício é indicador de virtude aos olhos do eleitorado parte de dois pressupostos discutíveis: o primeiro é que o êxito de Soares após os sopapos não se deveu a uma série de factores circunstanciais e irrepetíveis; o segundo é que o eleitorado é estúpido.

O PS acredita furiosamente em ambos e parece apostado em salvar uma campanha até ver desastrosa mediante a insistência no martírio do candidato, o qual, graças aos borrifos e ofensas, elevou dentro da sua cabeça o estatuto superior que se atribui desde a nomeação. Eleitoralmente, o PS lá saberá o que faz. Moralmente, o PS não sabe o que diz, e, a propósito de balbúrdias públicas, não lhe fica bem queixar–se em demasia do “ódio” dos comunistas. Como se verificou há cinco anos, em Matosinhos, o amor dos socialistas pelo antecessor do prof. Vital teve consequências um bocadinho mais trágicas do que um fato molhado e o ego cheio.

Fonte: Jornal de Notícias de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

João Miguel Tavares: José Sócrates e os cogumelos de Benlhevai

Caro leitor: sempre que lhe vierem dizer que a comunicação social portuguesa é muito agressiva e pouco escrupulosa, lembre-se dos cogumelos de Benlhevai. A tarde de sexta-feira ia a meio quando a TVI24 decidiu fazer um directo da fábrica de cogumelos Sousacamp, em Benlhevai, onde o primeiro-ministro fazia uma distintíssima visita. Eu não tenho nada contra cogumelos, e muito menos contra Benlhevai. Mas o que se passou nessa tarde é um pequeno exemplo de como o grande problema da comunicação social nunca foi o excesso de irreverência ou a falta de escrúpulos, mas sim o respeitinho pelo poder e a devoção às instituições, pondo-se a jeito de tudo o que é propaganda governamental.

Em Benlhevai estava o primeiro-ministro. O ministro da Agricultura. Televisões. A Lusa. E cogumelos. A TVI24 levou um carro de exteriores para um directo que consistiu em acompanhar três anúncios, qual deles o mais ridículo: dois contratos de investimento que vão criar a loucura de 165 postos de trabalho (em tempo de vacas magras, se for preciso Sócrates até convoca as câmaras para anunciar a contratação da sua nova empregada doméstica); o aumento para 28 dos “túneis de produção de substrato”, que parece ser uma coisa que faz os cogumelos muito felizes; e como bónus a notícia de que o Governo vai aumentar as ajudas para a “agricultura de montanha”, coisa que deve preocupar para aí o João Garcia, e só quando não está a trepar os Himalaias.

O interesse noticioso desta viagem de estudo pelos cogumelos de Benlhevai é obviamente nulo. Mas se está lá o primeiro-ministro a comunicação social tem de ir. Porque vai sempre. E depois tem de passar umas imagens nos telejornais. Porque passa sempre. É uma espécie de contrato não escrito entre o primeiro e o quarto poderes, que Sócrates aproveitou como nenhum outro. E por isso devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática.

Para sermos justos, o Governo não é o único beneficiário de toda esta disponibilidade. Ainda recentemente, após a entrevista de José Sócrates à RTP, as TV foram a correr pôr os microfones na boca dos partidos com assento parlamentar (incluindo Os Verdes, para as clássicas “reacções”. Mas porquê, meu Deus? Num país onde os media andam a ser tão acusados de serem terríveis para o nosso querido engenheiro, alguém devia explicar porquê então esse tempo de antena permanente, esta disponibilidade perpétua para escutar o que partidos e Governo têm para dizer, mesmo que quase sempre seja uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Todos os dias nos enfiam cogumelos pela goela abaixo – e ainda protestam.

Fonte: Jornal de Notícias de 12.05.2009

12/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário