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Do Público: Lobby travou controlo das instituições de crédito nos EUA

Para evitar uma regulação mais forte do sector, as 25 maiores instituições de crédito de alto risco gastaram 277 milhões de euros com os políticos

Não é novidade nenhuma que os bancos e outras instituições de crédito estão por detrás da crise económica actual, mas o que não se sabia é que a sua culpa, ou pelo menos responsabilidade, não morre sozinha. Na última década, as 25 maiores instituições que “venderam” crédito de alto risco (subprime) nos Estados Unidos gastaram quase 370 milhões de dólares (cerca de 277 milhões de euros) em operações de lobby e donativos para as campanhas de políticos norte-americanos.

De acordo com um estudo divulgado ontem pelo Center for Public Integrity (CPI), uma organização sem fins lucrativos constituída por jornalistas, o objectivo destas acções era evitar a adopção de regras mais restritivas para o sector financeiro, que pudessem comprometer os altos rendimentos obtidos com os produtos de alto risco.

“As suas contribuições políticas desenfreadas e o lobbying maciço criaram a falta de regulação e vigilância que conduziu à crise”, diz Bill Buzenberg, que conduziu a investigação do CPI. “Apesar dos sinais, o Congresso, a Casa Branca e a Reserva Federal vacilaram, enquanto o desastre do subprime se espalhava”, conclui.

Estas revelações irão certamente incendiar o debate em torno da necessidade de endurecer a regulação do sistema financeiro nos Estados Unidos. O assunto deverá saltar para primeiro plano já hoje, visto que deverão ser divulgados os resultados dos testes de stress que o Governo norte-americano está a aplicar os principais bancos do país.

Entre os maiores receptores de apoios das instituições financeiras entre 1994 e 2008 estiveram o Democratic Senatorial Committee (que elege democratas para o Senado), o Democratic National Committe (que governa o Partido dos Democratas), o Republican National Committee (que governa o Partido dos Republicanos), o Democratic Congressional Campaign Committee (que elege democratas para o Congresso) e a candidatura de Barack Obama a senador do Illinois.

No topo da lista de doadores está a Countrywide Financial. A instituição, hoje detida pelo Bank of America, não só é responsável por empréstimos de risco no valor de 97 mil milhões de dólares entre 2005 e 2007, como terá gasto 11 milhões de dólares em doações para campanhas políticas em Washington entre 1999 e 2008.

Ligação aos bancos

De acordo com a investigação do CPI, a maioria das 25 instituições que concederam crédito de alto risco está actualmente falida e era detida (ou fortemente financiada) pelos maiores bancos norte-americanos, como o Citigroup, Goldman Sachs, Wells Fargo, JP Morgan e Bank of America. Além disso, oito em cada dez das principais fontes de subprime tinham por detrás bancos que receberam as ajudas de emergência do Governo norte-americano.

Em conjunto, as 25 maiores instituições responsáveis pela crise de subprime chegaram a gerir activos de alto risco que totalizavam um milhão de milhão de dólares (750 mil milhões de euros) entre 2005 e 2007 – quase três quartos do valor da indústria. Nove destas grandes instituições actuavam na Califórnia. Este foi um dos estados mais afectado pelo colapso do sector imobiliário que se seguiu à crise do subprime, em Setembro e Outubro de 2008, altura em que o Lehman Brothers declarou insolvência.

A investigação conduzida pela CPI mostrou também que, entre 1994 e 2007, os norte-americanos se foram afundando cada vez mais em dívidas, devido ao desenvolvimento do apetecível mercado do crédito de alto risco.

Analisando mais de 350 milhões de créditos, o CPI concluiu que, em 1994, o valor médio de um empréstimo (depois do ajustamento da inflação) era 120 mil dólares (90 mil euros) e que o rendimento médio de quem contraía o crédito era 73 mil dólares. Isso mostrava que as pessoas pediam empréstimos que chegavam a 165 por cento do seu salário.

A partir de 2000, estes números começaram a disparar. Em 2005, no pico da explosão do subprime, o empréstimo médio tinha subido para 183 mil dólares, mas o rendimento tinha-se mantido praticamente inalterado, ou seja, as pessoas endividavam-se até 246 por cento do que ganhavam.

72%

As 25 maiores instituições que “venderam” empréstimos de alto risco representam cerca de 72 por cento – ou um milhão de milhão de dólares – do total de créditos realizados entre 2005 e 2007.

Fonte: Jornal Público de 07.05.2009

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07/05/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Carlos Abreu Amorim, Jurista: Regime de casos

O PS está engasgado com a polémica sobre a continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Os dirigentes socialistas surgiram com inusitada vontade de pôr água na fervura, garantindo que ser ouvido num inquérito parlamentar não é motivo de demissão de um cargo político. Percebe-se o embaraço: como quase tudo na política actual, deve-se ao caso Freeport.

O PS acordou cheio de horror a eventuais comparações. Defender a saída de Dias Loureiro no presente contexto (como alguns militantes têm feito, avulsamente) seria arriscar uma perigosa analogia se Sócrates vier a ser chamado para depor no imbróglio Freeport.

Cada vez mais, os casos BPN e Freeport parecem ser duas faces da mesma moeda – aquela que este regime tem cunhado descaradamente nos últimos 30 anos.

Fonte: Correio da Manhã de 07.05.2009

07/05/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , , | Deixe um comentário