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Armando Esteves Pereira: Privado e fictício

Quando a 19 de Novembro de 2008 João Rendeiro, em entrevista à SIC Notícias, fez um apelo para o Estado dar um aval a um empréstimo de 750 milhões de euros, poucos imaginavam que a instituição tivesse poupanças em risco, especialmente aplicações que os clientes pensavam que eram depósitos, que o banco vendia co-mo produtos de ‘retorno absoluto’.

Rendeiro, que publicou a biografia dos seus sucessos como o homem que venceu o mercado, na semana em que o naufrágio do banco foi conhecido conseguiu convencer ilustres clientes do banco com alguns milhões investidos. Um mês antes de desistir da liderança do BPP, Rendeiro assegurava que estava tudo bem.

Não estava tudo bem, e Carlos Tavares, presidente da CMVM, acusou o banco de ter realizado operações fictícias. Como Madoff ou, na versão portuguesa menos sofisticada, D. Branca. Rendeiro respondeu com ameaça de processo judicial ao regulador da Bolsa.

Se a convicção das autoridades do mercado estiver certa, o banqueiro dos ricos vendeu alguns produtos que não aplicava. Usava o dinheiro captado junto dos clientes para satisfazer necessidades de tesouraria correntes. Parece o jogo de um perigoso esquema de pirâmide. Depois de se saber isto, a quem é que os clientes lesados vão pedir contas? Às autoridades do mercado ou às offshores de Rendeiro?

Fonte: Correio da  Manhã de 25.04.2009

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25/04/2009 - Posted by | Política: artigos de opinião | , , ,

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