Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

BPP: Plano de viabilização foi entregue ontem – Rendeiro geria produtos fictícios

O Banco Privado Português (BPP) terá comercializado produtos financeiros em relação aos quais não houve qualquer tipo de investimento subjacente. Segundo apurou o CM junto de várias entidades, foram lançados investimentos cujo único objectivo seria angariar poupanças que serviam para pagar resgates de outros clientes do banco.

Em causa estarão várias emissões de dois produtos financeiros: os STL – Short Term Liquidity, aplicações com vencimento trimestral e que tinham uma taxa evolutiva até ao máximo de 5,25 por cento, e os produtos designados como ‘Oportunidades’. Em particular a emissão ‘Oportunidade’ 25 de Março de 2010, que oferecia uma rentabilidade anual de seis por cento. Bem como aplicações directas realizadas em produtos fictícios que serviriam para garantir rentabilidades “falsas”.

Questionada a administração do BPP, fonte oficial do banco afirmou não ser verdade “que tenham sido identificados quaisquer veículos comerciais sem nenhuns colaterais subjacentes”. O gabinete de Adão da Fonseca reafirma que “o dinheiro dos clientes foi usado na totalidade para adquirir activos, que existem no banco”.

Estas afirmações contrariam as declarações de Carlos Tavares, proferidas esta semana na Comissão Parlamentar. O presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em resposta a uma pergunta de um deputado, afirmou terem existido “transacções fictícias para alimentar veículos fictícios”.

O CM tentou chegar à fala com João Rendeiro, ex-presidente do BPP, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

Ontem a administração liderada por Adão da Fonseca entregou o plano de viabilização da instituição, que deverá passar pelo recurso ao programa de recapitalização do Estado, acompanhado de um aumento de capital (a subscrever pelos accionistas da Privado Holding) que deverá trazer ao BPP cerca de 300 milhões de euros.

PORMENORES

CONTRA CONSTÂNCIO

Um grupo de 20 clientes do BPP enviou para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DIAP) uma queixa-crime contra a administração do Banco de Portugal. Segundo estes clientes, a actuação do BdP foi ilegal e discriminatória”.

SEM CULPA

O ex-presidente do BPP, João Rendeiro, rejeitou a responsabilidade pelo estado do banco afirmando em Dezembro: “Não me sinto culpado, não há lugar para culpas, há lugar para uma situação financeira complexa” e ameaçou, num artigo de opinião, processar quem o comparasse à Dona Branca

Fonte: Correio da Manhã de 25.04.2009

Anúncios

25/04/2009 Posted by | Política: notícias | , , | 5 comentários

Armando Esteves Pereira: Privado e fictício

Quando a 19 de Novembro de 2008 João Rendeiro, em entrevista à SIC Notícias, fez um apelo para o Estado dar um aval a um empréstimo de 750 milhões de euros, poucos imaginavam que a instituição tivesse poupanças em risco, especialmente aplicações que os clientes pensavam que eram depósitos, que o banco vendia co-mo produtos de ‘retorno absoluto’.

Rendeiro, que publicou a biografia dos seus sucessos como o homem que venceu o mercado, na semana em que o naufrágio do banco foi conhecido conseguiu convencer ilustres clientes do banco com alguns milhões investidos. Um mês antes de desistir da liderança do BPP, Rendeiro assegurava que estava tudo bem.

Não estava tudo bem, e Carlos Tavares, presidente da CMVM, acusou o banco de ter realizado operações fictícias. Como Madoff ou, na versão portuguesa menos sofisticada, D. Branca. Rendeiro respondeu com ameaça de processo judicial ao regulador da Bolsa.

Se a convicção das autoridades do mercado estiver certa, o banqueiro dos ricos vendeu alguns produtos que não aplicava. Usava o dinheiro captado junto dos clientes para satisfazer necessidades de tesouraria correntes. Parece o jogo de um perigoso esquema de pirâmide. Depois de se saber isto, a quem é que os clientes lesados vão pedir contas? Às autoridades do mercado ou às offshores de Rendeiro?

Fonte: Correio da  Manhã de 25.04.2009

25/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , , | Deixe um comentário