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Pois…: Grândola – Ramalho Eanes desafia portugueses a serem mais exigentes com os governos

O ex-presidente da República Ramalho Eanes desafiou os portugueses a serem «mais exigentes» com os governantes, durante um colóquio comemorativo do 25 de Abril, realizado na quinta-feira em Grândola, promovido pela câmara local

«Nós temos o governo que merecemos, temos os partidos que merecemos, temos os subsistemas de saúde e educação que merecemos, porque somos responsáveis pela nossa sociedade», disse Ramalho Eanes, depois de citar um autor espanhol que responsabilizava os povos submetidos a regimes tirânicos, pela incapacidade de se revoltarem.

«Cabe-nos a nós impor regras, exigir condutas e, quando for necessário, substituirmos os governantes», frisou Ramalho Eanes, no colóquio moderado pelo jornalista Adelino Gomes, em que também participaram o empresário Belmiro de Azevedo, o social-democrata Pacheco Pereira e o presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, anfitrião e promotor deste colóquio comemorativo do 25 de Abril.

O general que comandou as tropas do 25 de Novembro (de 1975) – que para muitos significou o fim dos excessos do período revolucionário -, acrescentou que «é tempo de mudar» (de atitude), porque deve ser o povo português a definir as linhas do futuro.

Ramalho Eanes foi o último orador no colóquio em que o empresário de Belmiro de Azevedo contou como começou a construir o império da Sonae, de que detinha apenas 17 acções na fase inicial.

Belmiro de Azevedo, um dos maiores empresários portugueses, também se referiu às dificuldades que os portugueses atravessam, deixando um recado às gerações mais jovens para que apostem na qualificação e na «irreverência».

Para o social-democrata Pacheco Pereira, «o 25 de Abril cumpriu-se no fundamental: somos livres, temos uma democracia – não funciona muito bem nas é incomparavelmente melhor (do que a ditadura do Estado Novo)».

O comentador político advertiu, no entanto, para os perigos da crise económica que se faz sentir a nível mundial, e lembrou que «a democracia não sobrevive bem em ambientes em que as pessoas empobrecem rapidamente».

«Estamos a aceitar coisas que são inaceitáveis: estamos a aceitar que, cada vez mais, sejamos controlados electronicamente, a aceitar que toda nossa vida possa ser reconstituída pelo estado», frisou.

«Todos os meus movimentos bancários são conhecidos, todos os meus levantamentos no multibanco são conhecidos, os livros que compro numa livraria são conhecidos, se passear pela baixa de Lisboa estou permanentemente a ser filmado», frisou Pacheco Pereira procurando evidenciar a necessidade de os portugueses continuarem a lutar pela liberdade, no dia-a-dia.

Pacheco Pereira disse ainda que «se houver uma deriva autoritária, há hoje instrumentos muito mais poderosos do que os bufos da PIDE».

Durante o debate que terminou já hoje de madrugada, o jornalista Adelino Gomes leu um noticiário que foi transmitido na Rádio Renascença a 26 de Fevereiro de 1972 (dois anos antes da revolução de 25 de Abril de 1974), e que pouco mais era do que a agenda do então Presidente da República, almirante Américo Tomás.

Lusa/SOL

Fonte: SOL

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24/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: Suspender a democracia

O PS sacou do mais tremendista – e demagógico – argumento contra a criminalização do enriquecimento ilícito. Podia falar de forma racional e objectiva na defesa de direitos fundamentais para não avançar com a inversão do ónus da prova.

Esse campo garantístico é vasto e os socialistas têm nas suas fileiras bons especialistas na matéria. Mas não, preferiu dizer que criminalizar o enriquecimento ilícito seria “suspender a democracia” e, por isso, avança com uma solução administrativa que penaliza, com o pagamento de uma taxa de 60 por cento, quem não conseguir explicar rendimentos superiores a 100 mil euros.

Esta ‘não-suspensão da democracia’ é fabulosa. Atira para uma entidade puramente administrativa e dependente dos governos o controlo de um problema de raiz penal. Transforma o Estado em cobrador de dinheiro negro, obtido a roubar e a traficar, o que também faz dele uma espécie de cúmplice na receptação. E é uma solução destituída da protecção de qualquer espécie de valores, coisa que costuma ser a razão para criar ou aperfeiçoar uma sanção penal.

Ou seja, a solução apreciada pelo Governo em matéria de luta contra o enriquecimento ilícito não é uma ‘suspensão da democracia’, mas apenas e só uma pura aberração política.

Fonte:  Correio da Manhã de 24.04.2009

24/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário