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Áudio: Xutos falam sobre canção anti-Sócrates

Em conversa com o Expresso, Tim, Zé Pedro, Kálu, Gui e João Cabeleira não escondem que a canção ‘Sem Eira Nem Beira’ é um grito de protesto

A 4 de Abril, o Expresso publicou uma entrevista com os Xutos & Pontapés. O mote era o lançamento do seu 12.º álbum de originais e a comemoração dos seus 30 anos de carreira. Em quase duas horas de conversa, os cinco elementos da banda fizeram o ponto da situação em relação à música que os tornou célebres e ao país que lhes deu voz.

As críticas sociais e políticas foram uma constante na vida da banda. Hoje, apontam o dedo ao desemprego, ao medo instalado na sociedade e a uma revolução com poucos frutos.

“A dúvida” sobre o que se passa no país é o que sentem e o espelho da polémica que o tema ‘Sem Eira nem Beira’, incluído no recém-lançado álbum “Xutos & Pontapés”, tem vindo a suscitar.

Num excerto audio da entrevista, que aqui se recupera, não negam que a crise que o país atravessa os perturba e assumem o grito de alerta.

Oiça-os na primeira pessoa:

http://aeiou.expresso.pt/audio-xutos-falam-sobre-cancao-anti-socrates=f509208

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17/04/2009 Posted by | Música | , | 1 Comentário

Quis brincar: “levou”… – é…é tudo bons rapazes:

Queluz: Pais e irmãos choram morte de Edson Vieira
Assaltante morto queria fio de ouro

17/04/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Baptista-Bastos: “…Mas as crianças, Senhor…”

A sociedade portuguesa perdeu, há muito, a noção de valores e tripudiou sobre as regras de convivência. Lenta mas inexorável uma endemia de dissolução alastrou, de tal forma, que põe em causa a própria razão do ser individual. Abandonámos um conceito de destino e desinteressámo-nos da ideia de futuro, se alguma vez a ambos tivemos. Antero e Oliveira Martins disseram que não. Causticámo-los com o ferrete de cépticos. Desprezámo-los quando devíamos tê-los estudado. A República animou-nos, mas a festa durou pouco. Meio século de cantochão, bota cardada, medos vários, foram as insígnias das nossas obediências. No Abril antigo, o bandolim pareceu tocar a nossa música. Pregámos um susto às bem-pensâncias, andámos a lavar as ruas, a oferecer à pátria um dia de salário e a gritar um estribilho que fora funesto no Chile: “O povo unido jamais será vencido!” Pois sim!

Fui um daqueles que deitou foguetes. E ainda me resta uma pequena fagulha, apesar de o desemprego correr a galope, de os nossos velhos morrerem nos jardins, e de termos atingido, agora, a abjecção com o que fazemos aos nossos miúdos: abandonamo-los, enchemo-los de miséria, de fome e de morte por extinção moral.

Anteontem, os jornais alargaram-se em notícias sobre estes sacrilégios. Porque há pais que abandonam os filhos? Que desespero incontido pode levar alguém a deixar uma criança à bússola do acaso? E que bizarro mecanismo mental encaminha progenitores a não dar de comer aos seus miúdos, mas a adquirir-lhes roupas de marca? Pensemos duas vezes.

A família tem cada vez mais dificuldade em se representar. Mas foi a família que se não opôs às imposições de uma sociedade, cuja inconsistência transformou o secundário em primordial. O desprezo pelos miúdos conduz a conflitos profundos com as suas personalidades. Porém, o Estado abandonou os pais, e os pais deixaram de se interessar, no essencial, pelos filhos. O círculo ainda não encerrou. E as notícias a que me refiro advertem da existência de uma compressão da época e de um mal da alma, resumidos nesta frase medonha: “Não tenho tempo a perder.”

Não temos tempo a perder com quem? Com os nossos filhos? Com os outros? Connosco próprios? Estamos a encurtar tudo (a vida, o amor, a amizade, o ócio) com melancólica leviandade. “Às duas por três nascemos/às duas por três morremos/e a vida?/não a vivemos” – ensinou Alexandre O’Neill. Nunca ouvimos os poetas.

Não há unidade nem absoluto possível se não conseguirmos travar a marcha de um sistema doente, cuja natureza se opõe à partilha, e tem destruído e aniquilado o melhor dos nossos sentimentos e emoções.

Fonte: Diário de Notícias de 15.04.2009

17/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Encaro a História como espelho do futuro, aqui vai: Consanguinidade foi fim dos Habsburgos – Carlos II, o último rei da dinastia dos Habsburgos que Espanha teve, sofreu problemas causados por desvios genéticos

As uniões consanguíneas, das quais abusaram os Habsburgos, estão provavelmente na origem da extinção da dinastia que reinou em Espanha durante 174 anos, segundo um estudo científico espanhol.

Os Habsburgos foram substituídos, em 1700, em Espanha, pela dinastia francesa dos Bourbons, a seguir à morte do seu último rei, Carlos II, que chegou aos 39 anos sem descendência. Os Bourbons reinam até hoje em Espanha.

Os investigadores espanhóis calcularam o “grau de endogamia” do ramo espanhol dos Habsburgos e concluíram que “o grande número de casamentos consanguíneos” celebrados nesta família provocou desvios genéticos no rei Carlos II. Era uma pessoa fraca, fisicamente e mentalmente, tinha o rosto deformado e era impotente, sublinharam os investigadores no estudo publicado pela revista da biblioteca pública científica americana PloS ONE.

Segundo os textos da época, Carlos II não começou a falar antes da idade dos quatro anos, não começou a andar antes dos oito e, durante os seus últimos anos de vida, sofreu de alucinações e de convulsões. Na dinastia dos Habsburgos os tios casavam-se com as sobrinhas, os primos com primos, entre outras.

Fonte: Diário de Notícias de 16.04.2009

17/04/2009 Posted by | Ciência | | Deixe um comentário

Pedro Ivo Carvalho: Ponte para a vergonha

O Estado português não tratou de garantir a segurança de uma ponte situada num pedaço de terra que metade do país não sabia localizar no mapa; essa mesma ponte caiu, arrastando para o fundo do Douro 59 homens, mulheres e crianças; Jorge Coelho, o ministro que tutelava as Obras Públicas na ocasião, demitiu-se; as famílias enlutadas entrepuseram um processo judicial contra uma das partes do problema (no caso, quatro engenheiros da ex-Junta Autónoma de Estradas e dois de uma empresa projectista), convictas de que o sentimento de justiça seria a única forma de se verem reconfortadas pelas perdas.

Mas ninguém foi responsabilizado criminalmente pelo maior acidente rodoviário, em número de mortos, alguma vez ocorrido em Portugal. E a culpa transformou-se, de novo, numa entidade esotérica, sem rosto nem expressão, que se esfarela no despacho de um colectivo de juízes.

Não satisfeito, o sistema judicial português decidiu que a ferida não estava suficientemente em carne viva e mandou a conta do processo para as famílias: 57 mil euros a dividir por 100, de acordo com o Tribunal de Castelo de Paiva.

Lidar com a absolvição e a culpa quando somos atirados ao chão por uma tragédia que nos muda radicalmente a vida, ainda por cima uma tragédia imputada a terceiros que podia ter sido evitada, não é para todos os estômagos. Mas lidar com isto e ainda por cima ser presenteado com uma notificação do tribunal para pagar as custas judiciais do processo é esticar ao limite o conceito do absurdo.

Porém, como ontem bem observava o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, “a lei não é negociável”. Portanto, qualquer cidadão que se sirva da justiça tem de pagar por isso. Dura lex, sed lex.

Mas decisões como estas não podem – não devem – ser tomadas apenas tendo como premissa o estrito cumprimento das normas, do “proceda-se em conformidade”.

Sobretudo porque o que arrisca ficar para a posteridade é a ideia perversa de que os únicos culpados da tragédia de Entre-os-Rios são as vítimas: as que tiveram o infortúnio de ir a atravessar a ponte naquele dia e àquela hora e as que ficaram nas margens a chorá-las. A não ser que o espírito da decência baixe sobre a cabeça de quem pode anular uma aberração que projecta para o país a imagem de uma justiça que, de querer ser tão ciosa dos seus códigos e preâmbulos, se ridiculariza, evidenciando alguns dos tiques que lhe são apontados há anos: sobranceria, prepotência e até alguma alienação.

É certo que a função da justiça não é ser pedagógica. Mas sim avaliar as provas e decidir com base nos factos. Agora, não custa nada à justiça que é aplicada pelos homens mostrar, ainda que de vez em quando, que é mesmo humana.

Fonte: Jornal de Notícias de 17.04.2009

17/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: Vital, o “amordaçado”

Aproveitando sofregamente a circunstância de Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD às europeias, ter usado a palavra “mordaça” para dizer que não se calaria, durante a campanha, sobre questões nacionais, Vital Moreira, o tal candidato “independente” do PS – crendo, como na fábula, que era algum bago -, veio auto-medalhar-se com o facto de que ele é que sabe “o que é suportar mordaça” pois terá “suportado mordaça” durante o Estado Novo, coisa de que o juvenil Rangel, na altura recém-nascido, não pode gabar-se.

Conta-se que uns irlandeses terão procurado um dia George Bernard Shaw ostentando as chagas da repressão inglesa e pedindo o seu apoio à causa republicana, e que Shaw julgou perceber em tal ostentação algum orgulho, comentando: “Não vejo que ter sido maltratado possa ser motivo de orgulho…”. O “professor de Coimbra, meu Deus!” e arrependido do PCP orgulha-se do seu passado de “amordaçado” e tenta pô-lo a render (é, pensará, um capital de credibilidade) na bolsa eleitoral. O que sempre me pergunto, em casos como o de Vital Moreira, é o que, se falasse, o seu passado diria do seu presente.

Fonte: Jornal de Notícias de 17.04.2009

17/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Dá-lhe…: Justiça não pune mais poderosos e influentes – Líder sindical dos magistrados do MP toma posse com discurso polémico

Na tomada de posse, João Palma condenou a desprotecção das vítimas face aos direitos dos arguidos e criticou quem quer tornar o Ministério Público “num corpo amorfo de funcionários ou comissários políticos obedientes”.

O actual Código de Processo Penal “embaraça o objectivo da descoberta da verdade material, essencial à indispensável punição, em favor de uma teia de formalismos, escapatórias e incongruências” que torna a Justiça lenta e desigual porque persegue os menos ricos e socialmente considerados, favorecendo os que têm mais Poder, afirmou ontem o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).

“Temos um MP e órgãos de polícia criminal cuja acção se dirige para a investigação da grande massa de desprotegidos e menos afortunados, excluindo-se dela os mais poderosos e influentes”.

As palavras são de João Palma – que há um mês denunciou as pressões (sob investigação) sobre os investigadores do caso Freeport.

“O princípio constitucional da igualdade dos cidadãos perante a lei apresenta-se como uma miragem” e por isso está cada vez mais enraízada a sensação de que há “margens de impunidade na sociedade portuguesa”, afirmou.

Num discurso de 13 páginas, – lido no Centro de Estudos Judiciários – Palma disse não ser natural “a desacreditada imagem dos tribunais e dos magistrados”, não por culpa destes, mas devido a “políticas de justiça erráticas com objectivos imperceptíveis”.

Condenou também o actual processo penal “caracterizado pela falta de capacidade de resposta ao aumento da criminalidade e à sofisticação do crime”.

“Face a um crime organizado, estruturado, globalizado, profissionalizado e institucionalizado, as alterações ao Código Penal e de Processo Penal”, entre outras leis, “limitam e condicionam a investigação e acção do MP”, referiu.

Os interesses da comunidade também não são garantidos e é evidente o “desequílibrio entre as garantias de defesa do arguido e a desprotecção da vítima”.

O magistrato retratou ainda um MP “acantonado, limitado nas suas capacidades de investigação, sem capacidade, motivação e meios” que controla a investigação, mas cujos órgãos de polícia criminal – a Polícia Judiciária – dependem do poder político.

O presidente do SMMP propõe que “as lideranças do MP sejam questionadas e os resultados do trabalho de gestão e coordenação seriamente avaliados”.

Sem aludir ao caso Freeport (ver caixa em baixo), Palma não deixou, no início da alocução, de falar sobre os que alegadamente pressionam os procuradores.

As críticas à Procuradoria Geral da República (PGR) estão implíctas: o MP corre o risco de se funcionalizar “porventura em troca de compensações materiais”, “ficando enredados em cumplicidades várias, incapazes de nos livrarmos de amarras e limitações”.

Esta via é “mais propícia ao carreirismo, ao amiguismo, ao clientelismo, ao clubismo, a cumplicidades de toda a ordem”, refere, “e potenciará a ascensão meteórica dos que não ousem contrariar vontades declaradas ou supostas, dos que privilegiam os seus poderes pessais à custa e em detrimento dos interesses do MP”.

Concluindo: ” Dos que aceitam perder o estatuto de magistrados pelo de funcionários e comissários, desde que compensados com lugares de destaque da hierarquia administrativa e musculada em que pretendem transformar o MP”.

Fonte: Jornal de Notícias de 17.04.2009

17/04/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário