Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

Meu caro este é o governo da Propaganda, obra feita é que não sei onde está…: Francisco Moita Flores, Professor universitário – Tretas

Há uns anos que o Governo acha por bem divulgar uma coisa a que pomposamente chamam prioridades da política criminal. Uma espécie de boletim meteorológico do crime através do qual os ministros informam o povo das prioridades que vão ter no combate ao crime durante o próximo ano. Uma tontice. Um expediente para arranjar algum tempo de antena e, simultaneamente, induzir os incrédulos de que aquela lista de prioridade é para levar a sério. Então, a lista deste ano é uma verdadeira ementa de um restaurante chinês.

A verdade é que toda a gente sabe que as prioridades do combate ao crime têm mais a ver com as novelas jornalísticas do que com uma política séria de repressão criminal. Se amanhã, por absurdo, desatarem a sair notícias de que os velhotes de qualquer centro social se revoltaram contra a Segurança Social, não temos dúvidas de que chegaram as declarações ministeriais da grande preocupação e do combate às bengaladas desferidas pelos velhotes. Se por outra razão, surgir outro crime nas primeiras páginas dos jornais, que não o da lista agora publicada, para aí correrão outra vez os desgraçados dos ministros, sobranceiros e solícitos, a explicar que é ali mesmo, exactamente ali, que está a prioridade da política criminal. Estes exemplos parecem bizarros, mas são, no fundo, aquilo que move estas declarações de intenções. Conversa da treta e propaganda.

Levássemos a sério esta última declaração solene de guerra aberta de criminalidade violenta e não poderíamos acreditar no óbvio: nos últimos dois anos não parou de diminuir o número de presos que temos em Portugal. Nem a PJ, nem as outras polícias, tem meios para realizar esse combate com êxito. Além de que não é uma guerra para um ano. Só chegámos ao estado a que chegámos porque há muitos anos se corta nos orçamentos da investigação criminal e são cada vez mais pobres os orçamentos da segurança. Como se tudo isto não bastasse, este programa agora anunciado é contraditório com o princípio da igualdade para o tratamento de todos os crimes que chegam ao conhecimento das autoridades.

Não estou a ver outra forma para tapar o sol com a peneira, escamoteando aquilo que é essencial e declarando um conjunto de banalidades que em nada conferem optimismo ao futuro trabalho policial. A criminalidade violenta, assim como a criminalidade grupal, não se combate com declarações de princípios mais dignas do Conde D’Abranhos, do nosso Eça de Queiroz, do que de ministros do séc. XXI. É um atentado à inteligência do cidadão comum.

Fonte: Correio da Manhã de 12.04.2009

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12/04/2009 - Posted by | Política: artigos de opinião | ,

1 Comentário »

  1. É esta merda de blog que você tem!? Apenas é um “arrazoado” de colagens feitas de recortes de jornal.
    Bom, eu não esperava melhor.
    Nem para papel higiénico serve.

    Comentar por darquense | 13/04/2009 | Responder


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