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Do grande jornalista que é o Mário Crespo: Factos e conselhos

É sempre útil saber como os outros nos vêem (…) até porque os estragos que todos estes anos de atraso [no caso Freeport] causaram a Portugal são já muito profundos.Despacho da Agência France Press enviado de Lisboa na passada quarta-feira (tradução minha do original em Francês): EUA0298 4 PJ 0348 PRT /AFP-ZR97 Portugal-GB-politique-justice-corruption-UE

Freeport: accusé de pression, le président d’Eurojust convoqué à Lisbonne

LISBONNE, 1 avr 2009 (AFP) – Segundo fontes judiciais o presidente do Eurojust, José Luís Lopes da Mota, foi chamado quarta-feira pelo Ministério Público português depois de ter sido acusado de exercer pressões na questão do Freeport, um caso de presumida corrupção que implica o primeiro-ministro José Sócrates. Segundo informações recebidas pela Agência France Press do gabinete do Procurador, monsieur Lopes da Mota, um magistrado português eleito em 2007 para a direcção do Eurojust, tem um encontro agendado para as 15H30 (14H30 TMG) pelo procurador-Geral da República Fernando Pinto Monteiro.

Segundo informações divulgadas na Imprensa portuguesa, monsieur Lopes da Mota foi posto em causa no princípio da semana pelos magistrados responsáveis pelo inquérito no caso Freeport. Freeport é o nome de um centro comercial construído em 2002 numa zona protegida na altura em que monsieur Sócrates era ministro do Ambiente.

Numa declaração à rádio TSF, monsieur Lopes da Mota, que na altura do despacho autorizando a construção do Freeport era secretário de Estado da Justiça, desmentiu “ter feito qualquer pressão ou interferência neste caso”.

O caso Freeport, que eclodiu em 2005 com base numa carta anónima em que monsieur Sócrates é acusado de corrupção, está a ser objecto de inquéritos judiciais simultaneamente em Portugal e no Reino Unido, onde está sediado o grupo Freeport.

Enquanto presidente do Eurojust, a organização de coordenação judiciária da União Europeia, “o meu trabalho é apoiar a cooperação entre Portugal e o Reino Unido”, precisou monsieur Lopes da Mota à TSF e disse que as acusações que lhe fazem são “absurdas”.

Adormecido durante vários anos, o caso Freeport reapareceu em Janeiro último após ter sido enviada às autoridades judiciais portuguesas uma carta rogatória da Polícia britânica em que monsieur Sócrates é nomeado como sendo suspeito.

Candidato a um segundo mandato nas eleições do próximo Outono, o chefe do Governo socialista português desmentiu repetidamente o seu envolvimento neste caso e denunciou que há uma campanha com fins eleitorais para o denegrir.

alc/tsc/dfg

AFP

011129 GMT AVR 09

Este é o mais recente de umas dezenas de despachos noticiosos sobre o caso Freeport em que, na linguagem fria e desapaixonada das agências, as suspeitas sobre o Governo português e, mais recentemente, sobre todo o sistema de justiça em Portugal, são descritas para todo o Mundo ler em vários idiomas. É má a imagem do país que sai disto.

Destes factos decorrem três conselhos para a procuradora Cândida Almeida, responsável pelo inquérito:

1. Seja célere. Os estragos que todos estes anos de atraso causaram a Portugal são já muito profundos.

2. Não se ria quando fala com repórteres sobre este assunto. Nada disto é engraçado. Está em causa a respeitabilidade de um país e discute-se a honorabilidade de um chefe de Governo. Não tente aligeirar o que não é aligeirável.

3. Ofereça o estatuto de arrependido e as consequentes imunidades a Charles Smith para ele contar toda a verdade. Já fez isso com sucesso quando tutelou o inquérito às FP25. O caso Freeport não é menos grave para o Estado português.

Fonte: Jornal de Notícias de 06.04.2009

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06/04/2009 - Posted by | Política: artigos de opinião | , ,

1 Comentário »

  1. Nunca pensei fazer um Post em relação a um jornalista pelo qual tinha(passado) uma profunda admiração, desde que o Mário Crespo faz o Jornal das 9 , a minha vida doméstica organiza-se para o ouvir, já era fã no tempo em que o mesmo era jornalista e correspondente na RTP e agora dói-me sinceramente perceber, assim tão friamente que o meu ídolo tem pés de barro. Tenho 43 anos tinha 9 em 25 de Abril de 74 fui educada a ouvir baixinho o Zeca, o Zé Mário Branco o Sérgio Godinho entre outros, tinha na família gente presa, por isso nunca pensei dizer a um profissional que respeitava tanto – que sorte que ele tem em viver em liberdade! Os tribunais e consequentemente as acções colocadas por suposta (pois ainda não existe nenhuma sentença)difamação são um direito, também conquistado pelo 25 de Abril tem o primeiro-mimistro a possibilidade de as colocar, como têm os jornalistas de mandar instaurar acções contra qualquer membro do governo, cabe aos juízes julgar os factos e decidir de acordo com a interpretação dos mesmo no cumprimento da lei. Que bom que é Mário Crespo vivermos num país assim!

    Vou continuar a vê-lo, não sei, suportei estoicamente a entrevista reverencial que fez ao Alberto João Jardim, aguentei as suas ironias e perguntas ao ministro Pedro Silva, que assim como o Mário pergunta a ele assiste-lhe o direito de não responder, também sorri quase enternecida (sem ironia) à sua entrevista doce e emplastrante ao Louçã, e leio estupafacta a sua senda que tresanda a amargo de boca (que gostava de entender) na sua coluna do JN. Vivemos num país livre e ainda bem, nã me canso de o repetir, despeje todo o seu ódio homem, na certeza de que o Mário representa 1 voto, parece com a sua opinião querer influenciar o maior número de pessoas, a querem ver Sócrates preso, quiçá morto, sei lá exportá-lo para um estado americano onde aida vigore apena de morte, se você se transfigurou no paladino da verdade, se sabe que ele é culpado ,se não dá ao homem o direito de se defender, mesmo atacando (não concordo no ataque à TVI, não acho que seja pose de estado, mas até um governante tão atacado terá direito a perder a cabeça, ou também não pode?)Mário apresente provas em tribunal, diga o que sabe, mas por favor entenda que será o povo e não você, quem decide e se decidir manter o Sócrates você graças a Abril pode continuar por aqui a dizer o que pensa, não tem que emigrar, não vai ser preso nem silenciado, poderá perder fãs como eu , mas isso para si não deve ter importância nenhuma. Eu via em si um homem bom, culto, sereno, generoso, que fazia um telejornal decente, agradável,mágico, diferente, que colocava o dedo na ferida, que respeitava qualquer entrevistado, que mesmo não sendo totalmente imparcial, pois tem as suas convicções sabia afirmá-las com dignidade e sem pressionar ou enviesar ou de repente dar a sua opinião, onde anda esse jornalista ou será que eu o inventei! A minha vida já não se organiza em volta do jornal das 9, as minhas noites de informação estão infinitamente mais pobres, prefiro guardar a imagem que tinha de si Mário Crespo e também vou passar sem ler as suas crónicas de opinião no JN, apesar de achar que aí são mais correctas é o que você pensa, provar é que difícil, fácil é lançar a suspeita a dúvida, a pequena insinuação e dizer que o outro não tem direito de colocar acções e se defender em tribunal VIVEMOS EM LIBERDADE, NUM ESTADO DE DIREITO, claro que tem, como o Mário tem de se defender, assim como todos esses pobres jornalistas que se vitimizam tanto ou mais que o primeiro ministo, pois sempre ouvi dizer que quem anda à chuva molha-se, Mário Crespo, como lamento, você afinal tem pés de barro…

    Comentar por Beatriz | 27/04/2009 | Responder


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