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Do Portugal Diário: «Aprendizagem aumenta a necessidade de dormir» – Investigadores norte-americanos revelam que a função principal do sono é libertar o cérebro de informações irrelevantes

Uma equipa de investigadores norte-americanos concluiu que o sono ajuda a limpar o cérebro de informações desnecessárias e a dar lugar a novas aprendizagens, num trabalho publicado pela revista Science, avança a Lusa.

Paul Shaw e a sua equipa de investigadores na University School of Medicine de Saint Louis, que estudam a mosca da fruta, começaram por querer saber quantas ligações neuronais ou uniões de células se alteram durante o dono.

Para os neurologistas, a criação de novas ligações entre neurónios (sinapses) é uma forma fundamental do cérebro codificar recordações e aprendizagens, mas como estas não podem manter-se indefinidamente, é aí que o sono desempenha o seu papel.

Neste sentido, a função principal do sono seria libertar o cérebro das informações irrelevantes registadas no dia anterior.

Segundo os investigadores, é possível seguir a criação de novas sinapses no cérebro da mosca da fruta num momento de aprendizagem e mostrar como o sono diminui o número de sinapses.

Os cientistas vêem nestas moscas um bom modelo para estudar o sono nos humanos, já que, como as pessoas, estes insectos precisam de seis a oito horas de sono por noite e mostram sinais físicos e mentais de privação quando não dormem o suficiente.

«Muito do que aprendemos num dia não precisamos de memorizar», afirmou outra autora do estudo, Chiara Cirelli, da Universidade de Wisconsin-Madison, acrescentando: «Se usarmos todo o espaço, não podemos aprender mais sem limpar o lixo do cérebro».

A descoberta reforça a ideia de que é essencial dormir bem de noite para consolidar as memórias importantes da véspera e eliminar as que estão a ocupar espaço desnecessariamente.

Já se sabia que o sono promove a aprendizagem, mas esta equipa chegou à conclusão de que «a aprendizagem aumenta a necessidade de dormir».

«Actualmente, muitas pessoas estão preocupadas com os seus empregos e com a economia, e algumas delas estão a dormir pouco por causa disso», disse Paul Shaw.

Porém, «estes dados sugerem que o melhor a fazer para estar em forma e aumentar as hipóteses de manter o emprego é dar alta prioridade a dormir o tempo necessário», concluiu.

Fonte: Portugal Diário – 03.04.2009

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03/04/2009 Posted by | Saúde: notícias | , | 1 Comentário

A Democracia em perigo – do DN: Sócrates processa colunista do DN

“Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.” Assim começa um artigo de João Miguel Tavares no DN (3 de Março) que o primeiro- -ministro, José Sócrates, não gostou. Resultado: uma queixa-crime contra o colunista do DN por aquela e outras referências no texto. Sócrates tinha ameaçado com processos os jornalistas que escreveram sobre o Freeport. João Miguel Tavares foi ouvido no DIAP de Lisboa. Contactado pelo DN, o colunista declarou: “Agradeço a atenção que o senhor primeiro-ministro me dedicou de que não me acho merecedor.”

Fonte: Diário de Notícias de 03.04.2009

Aqui deixo mais uns artigos do João Miguel Tavares sobre o caso Freeport que o sr. José Sócrates não gostou também (Vivemos em fascismo? O lápis azul voltou?):

https://livresco.wordpress.com/?s=Jo%C3%A3o+Miguel+Tavares&searchbutton=Go!

O ARTIGO EM CAUSA É ESTE (DIVULGUEM POR E-MAIL!):

opiniao

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA

por

João Miguel Tavares

Jornalista – jmtavares@dn.pt03 Março 2009

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da “decência na nossa vida democrática”, ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que “quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena”. Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro – se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra – feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: “Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras.” Reparem bem: não podemos “consentir”. O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser “terreno propício para as campanhas negras”; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

Fonte:  Diário de Notícias de 03.03.2009

03/04/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 5 comentários

Nuno Rogeiro: Vinte indiozinhos

Vinte indiozinhos? A propósito do G20? Sim, mas ao contrário. Lembram-se do enredo? Um grupo de pessoas é chamado a um sítio remoto, pelo anfitrião misterioso. Os seus membros vão morrendo, um a um. Uma das possíveis morais da história é a de que morrem porque são egoístas, e porque pensam que podem salvar-se sozinhos.

No G20, declarou-se o contrário. Brown chamou-lhe “o novo consenso”. Por outras palavras, estão todos no mesmo barco. Ou, como dizem os ingleses, nos mesmos sapatos.

Mas o G20 é representativo?

Os números estão aí: representa 91% do PIB mundial, 85% da população, etc.. Inclui os emergentes BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), dois gigantes latino-americanos periclitantes, países islâmicos, os tigres asiáticos “ocidentais”, a União Europeia, os EUA. Mas a África, claro, está sub-representada. Quando crescer, aparecerá.

Há divergências fundamentais?

Digamos que há acentos tónicos diferentes, mas a reunião, em si mesma, foi a prova de que os países acordam no essencial. Como se dizia no acordo de 2004, acreditam no “crescimento sustentado”. Muita da substância, claro, tinha sido preparada pelos “sherpas”, burocratas zelosos que andavam a trabalhar há meses.

Quem tem a culpa da crise?

O “comité médico” fez um primeiro diagnóstico: houve um contágio da banca podre do Norte sobre a “economia real”. Mas não foram só os bancos dos brancos, para citar Lula. Como diz Obama, à cupidez dos agiotas juntou-se a avidez dos accionistas e a estupidez dos devedores. E a rapidez dos fluxos, acelerada pelos instrumentos técnicos da globalização.

O que se perdeu, desde então?

Para uns, é crise, para outros, recessão, para outros, ainda depressão. Temos queda massiva de empregos, bancos empobrecidos, produtores que não conseguem vender, consumidores que não conseguem comprar, e um número aterrorizador: cada cidadão do Mundo terá perdido oito mil dólares nos últimos cinco meses.

O que fazer?

Em essência, o G20 foi claro na política dos rr: mais regulação, mas credível, redistribuição de papéis no sistema mundial, reforma de instituições, reestruturação da banca, responsabilização de empresários.

O objectivo é melhor comércio, mais emprego, mais confiança e estabilidade. E alguma ajuda, sem condições, aos países pobres (50 biliões americanos).

O proteccionismo é uma solução?

Há vários proteccionismos: agressivo, defensivo, tradicional, excepcional, regional, nacional, admitido, encapotado. Mas nenhum foi saudado pelos G20. Pelo contrário.

Pode haver guerra?

Ao contrário de outras alturas da história, não se vê, mesmo para os loucos, o que se poderia resolver por uma guerra. E quem seriam os beligerantes?

Que fazer com os “offshore”?

Como se disse no G20, punir os que não cumprem, nem são transparentes, e manter os outros. A “lista negra” era sussurrada, mas foi bom torná-la pública.

Estamos a construir uma nova Bretton Woods? Refroma-se a velha Bretton Woods, a começar pelo FMI e pelo Banco Mundial, e ao criar o novo “Conselho de Estabilidade Financeira”. Haverá mais “aviso prévio”, mais fundos para empréstimos de curto prazo e “empréstimos preventivos”.

Bretton Woods era essencialmente uma construção euro-americana. Agora há mais actores.

Há um efeito Obama?

Há. Os EUA aparecem agora como uma superpotência “normal”, que impressiona, mas não pressiona, e que ouve mais do que dita. Sem esquecer o que é o interesse do seu povo.
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Fonte: Jornal de Notícias de 03.04.2009

03/04/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: Averiguação informal…

Há coisas cada vez mais bizarras em tudo o que, de forma abrangente, se pode chamar ‘caso Freeport’.

O procurador-geral anunciou que estava em curso uma averiguação ao comportamento de um magistrado – que depois disse na ‘Sábado’ ser o presidente do Eurojust, Lopes da Mota – para se saber se houve alguma infracção disciplinar em matéria ética ou deontológica. Passados dois dias, o que se passa: uma suposta acareação entre magistrados, uma tentativa de encontrar uma ‘versão de consenso’ transformada em ‘reunião de trabalho’, enfim, uma sucessão de episódios muito pouco claros e que estão a produzir uma imagem absolutamente destrutiva da hierarquia no Ministério Público.

A coisa deveria ser simples: se há suspeitas de pressões, depoimentos nesse sentido e contraditório, então teria de existir um inquérito, com um instrutor indicado pelo procurador-geral da República, audições formalizadas e não tudo a passar-se na opacidade dos gabinetes em conversas que, pelos vistos, geram versões absolutamente contraditórias aos intervenientes.

Tratando-se de magistrados que deveriam ser contra qualquer espécie de informalidade processual quando se trata de defender valores do Estado de Direito ou a honra das pessoas é, pelo menos, muito preocupante.

Fonte: Correio da Manhã de 03.04.2009

03/04/2009 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário