O Primeiro-Ministro descobriu um novo desígnio nacional: “Se querem dar um contributo ao país, para haver mais emprego, por favor instalem painéis solares em casa”, apelou. Perante o galopar do desemprego e da pobreza, é esta a solução do governo: começar a casa pelo telhado.
Aliás, para Sócrates, o bom português adquire Magalhães e painéis solares. Patriota usa dispositivos comparticipados pelo Estado. Porém, esse computador, apresentado como o primeiro luso, emprega tecnologia estrangeira. E nem a língua respeita. Os painéis, dizem os especialistas, são um embuste porque consomem mais energia eléctrica que solar. Gato por lebre, portanto.
Entretanto, falham políticas estruturadas de energia. Este Governo nunca irá sequer debater, por exemplo, a canalização das mais-valias desse sector estratégico para o investimento público, transformando-o num instrumento de política económica, social e até ambiental. Já se sabia que Sócrates prefere a propaganda e o título de vendedor do mês de portáteis, painéis e afins. Mas pior que um Primeiro-Ministro se colocar como perito em telemarketing, é reduzir o executivo à publicidade enganosa e o rumo do país ao papel de consumidor. Mesmo que seja para se vender a si próprio ainda este ano.
Fonte: Correio da Manhã de 28.03.2009