Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto do Correio da Manhã: Bastonário atira ao lado
O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, veio denunciar uma ‘conspiração’, versão à americana da ‘campanha negra’, entre a PJ e alguns jornalistas para envolver Sócrates no Freeport.
O artigo escrito na revista da Ordem dos Advogados não tem nada de novo e é um tiro completamente ao lado do essencial da questão. Tudo o que Marinho Pinto escreve foi objecto de um processo já julgado e que terminou com a condenação de um inspector da PJ pelo crime de falsificação de documento.
Tal como uma andorinha não faz a Primavera, um inspector não é toda uma instituição. Essa espécie de Watergate que visou comprometer José Sócrates em plena campanha de 2005 foi inteiramente desmontada e os responsáveis levados à Justiça, mesmo que nem todos tenham sido condenados. Outra questão – e essa nem em 2005 se poderia ignorar – é a substância do processo Freeport, onde se procura apurar se alguém recebeu ‘luvas’ para licenciar o Freeport. Ou ainda se houve tráfico de influências ou burla. Isso não pode embrulhar-se numa acusação genérica de ‘conspiração’ ou de ‘campanha negra’. Isso é querer matar a Justiça, é criar um clima de suspeição inaceitável sobre quem investiga todos os factos posteriores ao início do caso. Isso é, afinal, manipulação pura e simples da opinião pública.
Fonte: Correio da Manhã de 28.03.2009
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