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É o chamado tratamento socratino…que vergonha!: Tavira: Queixas revelam clima de descontentamento interno – GNR sem quartos para descansar

Alguns militares ao serviço no recém-inaugurado quartel da GNR de Tavira não têm um local para descansar, apesar de haver quartos fechados, porque são reservados a sargentos e oficiais.

Segundo apurou o Correio da Manhã, aos militares deslocados foram distribuídos quartos. Mas para os que residem no Algarve, que muitas vezes optam por ficar no quartel entre os turnos atribuídos, não há nenhum espaço para descanso. “Muitas vezes saímos de um turno às 20h00 e entramos no dia seguinte à 01h00, quando calha o horário nocturno. São cinco horas de diferença e muitos preferem não ir a casa. Queremos descansar, mas só temos sofás ou cadeiras”, confirmou ao CM um militar, que preferiu manter o anonimato.

O novo quartel, onde funciona o Destacamento Territorial de Tavira, foi inaugurado há pouco mais de um mês, com poupa e circunstância pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Apesar das muitas valências, não foi previsto um local para descanso dos militares.

A revolta aumenta porque há quartos fechados que são reservados a sargentos e oficiais apenas para mudar de roupa. “Os senhores sargentos e oficiais têm quartos simplesmente para trocar de calças, quando têm habitações de função ao lado do quartel”, pode ler-se na denúncia a que o CM teve acesso.

O CM pediu esclarecimentos ao Comando-Geral da GNR, mas após vários dias de espera não recebeu qualquer resposta.

A Associação dos Profissionais da Guarda considera a situação “lamentável”, a juntar a outras que os militares vivem.

“TRATADOS COMO ESCRAVOS”

António Barreira, coordenador da delegação Sul da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), lamenta que “os militares continuem a ser tratados como números e não como humanos”. No caso de Tavira, considera que “não é um exemplo motivante para os militares saberem que os superiores hierárquicos têm quartos reservados só para mudar de roupa quando eles não têm sítio para descansar”.

O dirigente da APG acusa ainda o Comando da GNR de tratar os militares envolvidos na segurança da final da Taça da Liga, no Estádio Algarve, “como escravos”, por obrigar os profissionais a “trabalharem mais de dez horas sem saber se o serviço seria gratificado”.

Fonte do Comando da GNR garantiu ao CM que, como está determinado na lei, “os serviços em eventos desportivos são sempre pagos”.

PORMENORES

QUARTOS RESERVADOS

Há dois quartos reservados no posto da GNR de Tavira. Um é ocupado pelo comandante e adjunto do Destacamento e outro pelos comandantes dos postos territorial e de trânsito.

CASAS DE FUNÇÃO

Tanto os comandantes de posto como de destacamento têm atribuídas casas de função no edifício ao lado do quartel. Fazem pouco uso dos quartos e quando usam é só para mudar de roupa.

80 MILITARES

O novo quartel de Tavira alberga cerca de 80 militares, distribuídos pelos postos territoriais e trânsito.

ÁGUA PARA SEIS

Durante as mais de dez horas de serviço no Estádio Algarve, anteontem, os 450 militares envolvidos tiveram direito a um pão com chouriço e uma água de 1,5 l dividida por seis elementos.

Fonte: Correio da Manhã de 23.03.2009

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23/03/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Do grande Mário Crespo…um artigo simplesmente “mortal”!: Rádio Moscovo não fala verdade

O caso de Eduarda Maio surpreende pela crueza. O conteúdo manipulatório do anúncio da subdirectora de Informação da RDP tem uma falta de sofisticação que é irritante. Com total despudor, os principais centros de indústrias de cultura do Estado coligaram-se para dar ressonância à reacção governamental ao protesto.

Sócrates considerou as manifestações de rua politicamente manipuladas. Dias depois do pronunciamento do primeiro-ministro, RTP e RDP, em total sinergia, acrescentam um efeito adicional para potenciar a mensagem do chefe do Governo: manifestações de rua são incómodas e atrasam a vida a quem quer trabalhar. São manifestações “contra” quem “quer chegar a horas”, acaba a dizer uma das mais altas responsáveis da informação do Estado em Portugal. Esta afirmação de Eduarda Maio não é feita num comentário a notícias do dia, num editorial ou num espaço de opinião, o que seria trabalho jornalístico legítimo.

A propaganda anti-sindical surge toscamente disfarçada num spot promocional da Antena 1, transmitido pela RTP. Face a isto, é muito difícil ao Governo socialista dizer que não interfere na informação prestada pelo Estado. As dúvidas sobre a postura jornalística de Eduarda Maio depois do seu divertido panegírico “Sócrates o Menino de Oiro” dissipam-se com esta participação na urdidura de marketing político em que se confronta a legitimidade do protesto com o slogan da ditadura que a melhor política é o trabalho

Este último incidente denuncia que a deriva totalitária do regime atingiu em quatro anos um descaramento intolerável para a democracia parlamentar, mesmo desnaturada por uma maioria, que a nossa cultura/incultura política provavelmente não comporta. Assim, usando a legitimidade eleitoral como uma espécie de carta branca para a bizarria, órgãos de Estado desdobram-se em propaganda e repressão que trouxeram a desordem ao sector público e a insegurança ao sector privado. Nesta maneira de estar no poder de José Sócrates, os pseudópodes da criatura maioritária vão cobrindo tudo com um manto de opacidade e intimidação que deforma e perverte.

As reformas conduzidas pelos mesmos chefes do antigamente, sobre quem a bênção socialista terá feito descer o espírito da modernidade, exigem seguidismos amorfos e ameaçam com processos disciplinares e degredo os dissidentes. Este é o Estado como Sócrates o vê em período eleitoral: com aumentos para funcionários quando o resto do país vai para o desemprego e com mordaças disciplinadoras e o quadro de excedentes para os rebeldes. Mas agora que as dúvidas são muitas e a rua já grita, não basta silenciar os números do descontentamento porque eles estão à vista. É a altura do contra-slogan. Tal como a Emissora Oficial no passado, RDP/RTP prestam-se uma vez mais à tarefa de defender regimes à custa de propaganda pensada e executada com o mesmo zelo com que o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo “Rádio Moscovo não fala verdade”. O título deste programa da era de Sócrates é: A CGTP não deixa trabalhar. Como sempre, apresenta-o a Direcção de Informação da RDP.

Fonte: Jornal de Notícias de 23.03.2009

23/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina irónico e ácido…: O bom sindicalismo

Os sindicalistas bons, que não são “instrumentalizados” nem fazem greves e manifestações e “aposta(m) na concertação e não no conflito”, reuniram-se em congresso, durante o qual o seu “programa de acção” foi aprovado com 90% de votos.

Um dia depois, em resposta a declarações do líder do patronato, segundo as quais um salário mínimo de 500 euros em… 2011 é apenas uma “indicação” e “iremos ver se é possível”, o secretário-geral reeleito explicitou em que consiste a “aposta”: o sindicalismo bom “espera” que o próximo Governo “seja sensível”.

Este tipo de sindicalismo não reivindica, “espera”, não reconhece o salário como direito de quem trabalha, mas como prodigalidade. Se o próximo Governo for “sensível”, e o patronato também, “darão” em 2011 aos trabalhadores um salário mínimo compatível, como os pedintes dizem, com as suas possibilidades.

Em contrapartida, os sindicatos e os sindicalistas bons continuarão a ser bons, se possível ainda melhores, e a não perturbar o trânsito nem impedir os jornalistas igualmente bons da Antena 1 de chegar a horas às conferências de imprensa da CIP e do Governo.

Fonte: Jornal de Notícias de 23.03.2009

23/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário