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Caso Freeport tem desde início uma escuta que envolve Sócrates – Chamada interceptada dois dias depois da abertura do inquérito em 2005 referia pagamento de €500 mil

Uma escuta telefónica de 17 minutos, feita a uma pessoa envolvida no caso Freeport, inclui uma afirmação que liga o alegado pagamento de ‘luvas’ em troca da aprovação do outlet ao primeiro-ministro, José Sócrates. A intercepção remonta a 9 de Fevereiro de 2005, dois dias após a abertura do inquérito pelo Ministério Público do Montijo, apurou o Expresso, depois de ter autorização do Tribunal Constitucional para consultar esta semana os oito volumes do processo de fuga de informação que condenou o inspector Elias Torrão, da Polícia Judiciária de Setúbal.

A passagem em forma de desabafo – “vão mas é chatear o Sócrates porque ele é que recebeu os 500 mil” – é descrita pela inspectora titular da investigação, Carla Gomes, durante uma inquirição. O processo paralelo do inspector Torrão dá conta ainda de que um conjunto de dados sobre o património de Sócrates foi enviado em 2006 para os autos da investigação ao Freeport.

A conversa interceptada a 9 de Fevereiro de 2005 surge também referida em duas ocasiões pela coordenadora da PJ de Setúbal, Maria Alice Fernandes, e aconteceu no mesmo dia em que a PJ montou seis buscas em vários pontos de Alcochete, nas vésperas de “O Independente” ter publicado, a 11 de Fevereiro, uma notícia em que referia o nome de Sócrates como fazendo parte da lista de suspeitos do caso. O que significa que a escuta já existia quando, na altura, a direcção nacional da PJ e a Procuradoria-Geral da República se apressaram a afirmar que Sócrates não constava do processo.

Em nenhuma das referências consultadas pelo Expresso vem quem é o suspeito sob escuta, sendo que o nome consta dos 9 volumes e 230 apensos do inquérito-crime do Freeport, ainda em segredo de justiça e ao qual o Expresso não teve acesso.

Numa acareação que confrontou Maria Alice com Torrão, a coordenadora acrescentou que a escuta foi ouvida em alta voz nas instalações da PJ de Setúbal na presença dela, de Carla Gomes, de Torrão e de mais três inspectores, “na qual o indivíduo interceptado revelava elementos importantes para a investigação”.

Os depoimentos de Maria Alice para o processo de fuga de informação dão a entender que estiveram sob escuta nesse dia, pelo menos, indivíduos relacionados com a busca feita especificamente à Câmara de Alcochete.
A coordenadora da PJ revelou que ela própria teve de se deslocar com urgência no final da manhã ao tribunal do Montijo para ser autorizada a incluir nas escutas um novo número, depois de a sua equipa ter concluído que o telemóvel do então presidente da autarquia, José Dias Inocêncio, estava desactivado.
Dados sobre património

Outra das revelações que os oito volumes integrais do processo do inspector Torrão trazem é o facto de uma procuradora-adjunta do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa ter remetido para inclusão no processo-crime do Freeport um dossiê de 145 páginas que incluía “certidões registrais relativas à aquisição e venda de património por José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa e outros actos jurídicos relativos à sua vida privada”, segundo consta de um despacho de 23 de Janeiro de 2006.

No ofício assinado pela procuradora Inês Bonina, lê-se que o dossiê de 145 páginas foi-lhe entregue uma semana antes pela coordenadora da PJ Maria Alice Fernandes. “A nosso ver, e após se ter procedido à sua leitura e análise, a referida documentação não se reveste de qualquer interesse para a presente investigação (sobre a fuga de informação), contudo, a sua pertinência para a investigação em curso no âmbito do NUIP 77/05.2JASTB (processo de corrupção do Freeport) deverá ser ponderada pelo Ministério Público”.

Um dos argumentos usados nas inquirições por Maria Alice para não ter incluído antes, por sua iniciativa, a documentação relativa à vida privada de Sócrates no processo sobre corrupção prende-se com a tese de no inquérito aberto a 7 de Fevereiro de 2005 “apenas estarem em causa as relações entre a câmara municipal de Alcochete, o complexo Freeport e os serviços de consultadoria identificados no processo-crime e em relação aos quais foram pedidas as buscas”.

Fonte: Expresso

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17/03/2009 Posted by | Política: notícias | , | 1 Comentário

Carlos Abreu Amorim, professor universitário: Número um

Número não é argumento”, afirmou Sócrates sobre a manifestação da CGTP. Longe de mim querer insistir no epíteto com que os manifestantes o designaram – mas não é verdade.

O número, em democracia, é um óptimo argumento: o de votos, por exemplo. Duzentos mil a marchar contra o Governo também é um argumento poderoso. Quem não o perceber arrisca-se a perder as eleições – em números.

Sócrates queixa-se muito. De que o perseguem. De que é incomodado com o ‘bota-abaixismo’. Há dias, alguns deputados do PS – pasme-se! – não foram suficientemente lestos a dizerem ‘sim’ a todas as receitas do líder. Este, claro, enfadou-se.

Sócrates não gosta que não gostem dele – e a sua actual governação resume-se a isto. Agora que abafou o PS gostaria de se confundir com o País.

Fonte: Correio da Manhã de 17.03.2009

17/03/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário