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Em ditaduras é assim…: Jornalistas da Lusa criticam cobertura do Caso Freeport

O Conselho de Redacção da Lusa «estranha a diferente cobertura jornalística dada às buscas efectuadas ao escritório de advogados de Vasco Vieira de Almeida e às efectuadas ao escritório e casa do tio do primeiro-ministro»

O Conselho de Redacção (CR) da Lusa não poupa críticas à Direcção de Informação da agência. Em comunicado, a que o SOL teve acesso, os jornalistas daquele órgão mostram-se preocupados com a «degradação da qualidade do serviço» da agência noticiosa e criticam a cobertura dada ao Caso Freeport.

Para os membros do CR, é questionável a forma como foi tratado o caso que lança suspeitas contra José Sócrates.

«O CR discorda que não se tenha feito notícia das declarações do tio de José Sócrates ao jornal SOL», lê-se no documento, que refere que a entrevista de Júlio Monteiro ao semanário apenas foi reproduzida pela Lusa «como background numa notícia com as declarações do primeiro-ministro no final do dia».

Os membros do Conselho de Redacção também criticam «a diferente cobertura jornalística dada às buscas efectuadas ao escritório de advogados de Vasco Vieira de Almeida e às efectuadas ao escritório e casa do tio do primeiro-ministro».

«Enquanto as buscas realizadas aos escritórios de Vasco Vieira de Almeida foram objecto de várias notícias autónomas, os procedimentos policiais realizados ao escritório e casa do tio de José Sócrates não foram objecto de qualquer notícia autónoma», dizem no comunicado.

Em tom muito crítico, os jornalistas descrevem a «instabilidade e mal-estar que se vive na redacção». E chamam a atenção para «a degradação da qualidade do serviço da Lusa», denunciando o facto de serem produzidas «notícias sem fonte e notícias sem rigor quer na forma, quer no conteúdo».

O texto a que o SOL teve acesso é, de resto, mais uma prova da tensão crescente entre o Conselho de Redacção e o director da Lusa, Luís Miguel Viana.

O Conselho de Redacção acabou, aliás por reunir, esta terça-feira, sem qualquer representante da Direcção de Informação, que «não compareceu na reunião» depois de ter sido notificada para o fazer.

Em regra, os conselhos de redacção são presididos pelo director do respectivo órgão de comunicação social. Mas os membros eleitos do CR da Lusa optaram por reunir sem a presença de Viana, afirmando que «todos os procedimentos adoptados estão suportados na lei e em parecer jurídico».

No comunicado a que o SOL teve acesso, o CR informa ter já feito seguir uma queixa para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) «sobre a recusa do Director de Informação em se reunir com o Conselho de Redacção». E anuncia que irá comunicar à ERC e à Comissão da Carteira Profissional a «utilização na linha noticiosa do trabalho de estagiários curriculares».

Contactado pelo SOL, o director da Lusa, Luís Miguel Viana recusou fazer qualquer comentário às críticas e denúncias do Conselho de Redacção. «Não vou falar sobre isso», disse.

Fonte: SOL – 18 Fevereiro 2009

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18/02/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Baptista-Bastos – Escritor e jornalista – b.bastos@netcabo.pt: O DISCURSO DO NADA

A vitória de Sócrates é a metáfora do eucalipto: ele seca tudo à sua volta e conduz o partido como muito bem entende. A percentagem de 96,43 por cento dos votos não reflecte, em boa verdade, a imagem que o PS deseja expor. O PS dispõe de cerca de 73 mil militantes, mas apenas 29 mil votaram, por terem as quotas em dia. Há um manifesto desinteresse dos socialistas pelo destino do partido em que militam. Pode-se atribuir essa falta de comparência cívica a mil razões. As mais das vezes razões falaciosas. E as declarações jubilosas de altos dirigentes, em lufa-lufa de subserviência ao chefe, além de fastidiosas, ocultam o nó do problema. O PS é a imagem devolvida do País: desencanto, aborrecimento, ausência de convicções, desmotivação. São os próprios princípios que estão em causa. A absurda justaposição do slogan “socialismo moderno” com a lógica fatal do neoliberalismo mais assanhado conduziu a uma esterilidade ideológica e ética que estas eleições vieram sancionar. O volumoso resultado obtido por Sócrates não tem importância nenhuma. A ameaça dos acontecimentos, a carência de respostas sérias, o desprezo para com a história do partido, a falta de fidelidade descaracterizaram o PS. E José Sócrates não vive em autismo, não se move num universo virtual: simplesmente não sabe como resolver os inúmeros problemas da sociedade portuguesa. Os temas exclusivos que, no congresso, suscitaram o seu interesse, são indicadores do seu oportunismo ou da sua incompetência. Esqueceu o desemprego, o desajuste entre a realidade pungente, na qual estamos mergulhados, e a mudança das instituições; a falência dos bancos, a corrupção e a própria questão da liberdade. Sócrates tinha opções: não as tomou ou não as quis tomar. A sociedade pedia-lhe (e até lhe exigia) respostas. O método de pensamento que utilizou é-lhe habitual. Passa ao lado do que se lhe pedia, exigia ou perguntava. Sob a capa de falar de problemas “fracturantes”, nunca assumiu, com a coragem requerida, enfrentar os dilemas que o excedem, mas que são inseparáveis dos princípios elementares do nosso viver colectivo. Desconhecemos o que José Sócrates pensa da exaustão portuguesa, sovada pela agressividade das leis que promoveu e fez promulgar. Não sabemos dos seus projectos para Portugal, sobre o qual nos é inculcada a ideia de que materialmente não tem futuro.

Parece que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro somente obedece a forças cegas e brutais, impostas e garantidas pelos grandes interesses, que sobrepuseram o económico ao político. Apesar de tudo, presumi, um pouco ingenuamente, que José Sócrates iria inflectir o discurso para outros perímetros. Enganei-me. O homem não tem cura.

Fonte: Diário de Notícias de 18.02.2009

18/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Manuel António Pina: A mais antiga profissão

A propósito do bom uso dos dinheiros públicos, noticia o “Público” que o Tribunal de Contas descobriu que o Governo Regional da Madeira paga (isto é, pagamos nós) para que jornais publiquem artigos de opinião do seu querido líder. No caso concreto analisado pelo tribunal, os contribuintes madeirenses, que é como quem diz os “cubanos” do Continente, pagaram a “O Diabo” mais de cinco mil e quinhentos (!) euros pela publicação de uma redacção de Jardim sobre “A intolerância da esquerda”.

Pode ser uma solução para a crise da imprensa, em vez de pagar aos colaboradores passar a cobrar-lhes, sobretudo aos que pagam com dinheiro alheio, que não discutem preços. Bem vistas as coisas, e como as transferências do Orçamento de Estado para a Madeira continuam a ser um poço sem fundo, o Governo Regional deveria ponderar a hipótese de pagar também a quem leia os artigos de Jardim, o que, se provavelmente aumentaria os níveis de iliteracia geral, ajudaria a resolver os problemas de muitas famílias carenciadas e não só da “Escort Imprensa” que recebe em página e apartamento próprios e vai a hotéis e motéis.

Fonte: Jornal de Notícias de 18.02.2009

18/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Carlos de Abreu Amorim, Professor universitário: Ética e política

Muitos defendem que um titular de um alto cargo público ou político só se deverá demitir caso seja formalmente constituído arguido – estou em desacordo total.

Antes de ser jurídica, a questão é ética. Os que ocupam esses cargos não desempenham uma função qualquer: são uma referência para a comunidade e deverão reflectir valores éticos de serviço público.

Depois, remeter para o MP o poder exclusivo da decisão acerca de um alto cargo público ou político afronta a lógica do princípio da separação de poderes – seria colocar nas mãos do judicial a chave dos poderes político e executivo.

A continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado, politicamente, degrada o órgão e enxovalha o Presidente da República. Quer aquele venha a ser arguido ou não.

Fonte: Correio da Manhã de 18.02.2009

18/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Do Blog PALAVROSSAVRVS REX: Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009 – A REALIDADE E O PATO BRAVO

É incrível como o primeiro-ministro se conserva completamente incapaz de ler a realidade. O tempo risonho do faz e desfaz dos partidos no poder está a rebentar. A miséria torna-se-nos demasiado familiar e os pratos da balança entre, por um lado, bens de sobrevivência e, para outros, brutal ostensividade de ultra-abundância fácil, mostram-se demasiado desequilibrados. A vergonha é multímoda. Um outro paradigma cívico-político está a emergir. Exigências de verdade efectiva completamente novas no fazer da política abrem o seu caminho. Acontece que, porque não leu qualquer livro nem sequer resumos de livros por Fax que lhe sedimentassem valores sólidos humanísticos, nada se pode esperar da nulidade que mora dentro dos Armani socratinos. Que alma mora ali? Zero. Que saberes testados e comprovados? Zero. Este espécimen Anas querquedula ou, em português Pato Marreco (Bravo), não resistiria ao mais simples confronto intelectual com um professor médio, posto a sofrer pela iniquidade em vigor. Daquilo só há a esperar o desenrasca rasca das pauladas e das frases assassinas no Parlamento, e sabemos que tal como nada detém um burro imóvel na sua imobilidade sobre a ponte porque sim, nada o deterá a ele até ser demasiado e vergonhosamente tarde. Hoje mesmo, o ainda PM «afastou implicitamente a possibilidade prática de um pacto de regime com o PSD para o combate à actual crise económica e financeira mundial, sublinhando as diferenças de concepção ao nível do investimento público. A posição de José Sócrates foi transmitida aos jornalistas após ter visitado as obras de uma escola em Odivelas e de ter inaugurado o novo Centro Escolar de Alenquer, onde esteve acompanhado pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. “O Governo entende que é preciso reforçar o investimento público, mas infelizmente tenho notado que há partidos que apenas tentam desmerecer tudo o que se faz”, declarou Sócrates, depois de ser confrontado com um cenário de acordo de regime com o PSD. “Acho que seria bom se todos percebessem que o investimento público é a questão central para combatermos a crise económica internacional”, disse.Em seguida, o primeiro-ministro lamentou “que haja partidos que entendem que a única coisa que se deve fazer é o Governo ficar sentadinho à espera que a crise passe”.» A insistência no investimento público indiscriminado, orientado para as Jorge-Construtoras-Coelhone, a promessa de endividamento infrene, quando as contas púlbicas estão rigorosa e sorridentemente fucked up e não foi Santana, foram treze anos xuxas, a mentira como horror transparente aos olhos de uma Opinião Pública mais atenta, tudo isto fará em frangalhos a personalidade de papel do ainda PM. A realidade tratará dele, não tarda. Dentro em breve, o Governo unilateralista e praticante denodado da selecção artificial não vai poder abrir a boca sem que os dentes da nula credibilidade lhe não caiam. Entretanto, a Realidade continua o seu trabalho mostrando com quantos Patos Bravos se faz uma canoa. Nem de propósito, porque tem moral e provas mais que dadas, como gestor de alguma coisa, para falar, o patrão da Sonae, que participava hoje, em Lisboa, no Forum da Competitividade e arrasou de alto a baixo, para meio entendedor. Belmiro de Azevedo foi particularmente abrangente no alcance das suas críticas (o apanhado é do meu amigo João):- “A crise é de regime, é de líderes dos partidos, é de líderes das associações, é de líderes dos sindicatos, é de líderes dos empresários”- “Se Portugal continuar com a mesma despesa, ficará um país igual aos de África”“Os políticos falam do que não sabem e prometem o que não podem cumprir”– “Para que não haja despedimentos é preciso que o país tenha actividade económica”. Depois estrebuchem quando se expõe e demonstra na bloga com toda a liberdade de que modo se manifesta grosseira e reincidente muita da incompetência e falta de seriedade governamental. Na mentira nada se consegue. Nada.

Fonte: Blog PALAVROSSAVRVS REX

18/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário