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O que vou lendo por ai…

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: O perfume do regime

O que têm em comum as notícias sobre a fortuna de Mesquita Machado, os negócios de terrenos em Alcochete coincidentes com a nova localização do aeroporto e os lapsos de memória do ex-todo-poderoso Dias Loureiro?

A primeira, que se saiba, nada terá a ver com as manigâncias do BPN, já as últimas duas têm uma relação entre protagonistas. Todas, porém, exprimem tudo aquilo que deveria estar nos próximos programas eleitorais dos partidos, mas só de forma irregular isso acontecerá. Ou seja, porventura apenas partidos minoritários terão propostas em matéria de criminalização do enriquecimento ilícito, eliminação de paraísos fiscais, aumento incondicional de meios para a investigação criminal e a criação de novos crimes no domínio autárquico. Mas esses, porque são minoritários, tenderão a ser olhados como ‘radicais’ pelos influentes cá do burgo e, portanto, nada acontecerá.

Uma coisa é certa: fortunas como as de Mesquita Machado há na actual classe política quase aos pontapés e com a mesma dificuldade de explicação; negócios obscuros como os do BPN, já se viu, pululam como coelhos pelo sistema financeiro; lapsos de memória como os de Dias Loureiro são o pão-nosso-de-cada-dia quando se trata de matérias tão delicadas… Ou seja, o pântano vai continuar a perfumar o regime!

Fonte: Correio da Manhã de 15.02.2009

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15/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Francisco Moita Flores, Professor universitário: Perplexidade

Leio as notícias sobre o BPN com os olhos e o saber de um cidadão médio. Não sei nada sobre a Banca, pouco percebo de acções, obrigações e outros instrumentos correlativos. Tal como qualquer cidadão vulgar, o banco é uma instituição onde é depositado o nosso ordenado e a quem pedimos dinheiro para pagar a casa até sermos velhos. Talvez por isso mesmo me surpreendesse tanto, e não tenho razões para não acreditar em Sócrates, que tenha afirmado ser a nacionalização do BPN um mal menor. A sua falência determinaria um choque terrível no nosso sistema financeiro. É possível.

Agora, face às sucessivas notícias que divulgam negócios fantásticos, milhões e milhões desaparecidos, perdidos, destruídos, à saraivada de críticas que chove de todos os lados da política e de muitos sectores económicos, em guerra declarada com os sistemas de supervisão internos e externos, devo admitir que toda esta gritaria tem, no meu olhar vulgar sobre especiarias bancárias, muitos rabos de palha. Ou seja, não creio que tantos, e tão portentosos, negócios que seguramente levaram anos a fazer, a discutir, a planear, a decidir, a revelar resultados fossem descobertos tão tardiamente e, segundo já ouvi a um especialista, apenas porque a crise financeira internacional se revelou de forma intensa.

Não é possível que, durante tantos anos, uma instituição pudesse usar a boa-fé dos seus depositantes, do sistema nacional de crédito, dos benefícios fiscais do Estado até ao ponto da sua possível falência ser uma ameaça grave à saúde financeira do País. Teve forçosamente de haver muita negligência, muito desleixo, muita cumplicidade, muitos interesses cruzados para que, a ser verdade tudo o que vem a ser publicado, há muito não se tivesse parado este problema, que, como todos os problemas, começam por ser pequeninos antes de serem enormes e alarmantes.

O Banco de Portugal é o bombo da festa por falta de supervisão. Porém, cheira-me que o fogo cerrado sobre Vítor Constâncio, que algumas responsabilidades terá, é uma forma de iludir a questão essencial: durante muitos anos, de certeza, que algum administrador menos parvo, ou menos obediente ao presidente do BPN, algum revisor menos estúpido, algum técnico menos idiota, teve de perceber, e esconder, que aquilo não era um banco, mas um espectáculo de ilusionismo. Só uma rede de silêncios cúmplices, de interesses clandestinos organizados pode explicar que durante tanto tempo tantos tenham sido ludibriados por um só homem. Não é possível. Ou melhor, é impossível.

Fonte: Correio da Manhã de 15.02.2009

15/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Do Blog Blasfémias: 14 Fevereiro, 2009 – Itália à vista?

As notícias deste fim de semana são gravíssimas para Dias Loureiro. E, por contágio indesejável, também o são para Cavaco Silva.
Pela leitura do Expresso fica claro que o papel do (ainda) Conselheiro de Estado é tudo menos isso. Que mentiu despudoradamente no Parlamento e na entrevista a Judite de Sousa. E, sem um pingo de vergonha na cara, veio, já hoje, dizer que tudo é «normal» e que não existe «nenhuma contradição» entre os factos que alegou e o que agora se sabe…
No Sol, a questão ainda é mais inquietante: alguns dos zuns-zuns que circulavam há já algum tempo sem que ninguém os tivesse publicado ganharam agora esse estatuto – e já não não podem mais ser ignorados. Um testa-de-ferro da SLN, com o curioso nome de Fernando Fantasia, comprou mais de 6.000 hectares em Rio Frio, no lugar onde irá ser construído o novo aeroporto.
Quais são as ligações de Fantasia a Dias Loureiro? E Cavaco Silva, conhece Fantasia até que ponto? Qual a relação entre estas personagens e estes estranhíssimos factos e as pressões políticas que redundaram com a escolha daquela localização para o novo aeroporto? Como é possível que Dias Loureiro, com as suas acções, omissões, recordações selectivas, e, sobretudo, com a sua teimosa manutenção no Conselho de Estado, esteja a atingir a imagem do Presidente da República (que o escolheu para esse órgão)?
E por que razão é que estas informações – repito, não são novidade, já delas tinha ouvido falar há algum tempo – surgem agora publicadas? O momento é esquisito e tresanda a resposta ao escândalo Freeport.
Cada vez mais me convenço que se as várias facções da Corte continuarem a atirar porcaria para cima uns dos outros (e para a ventoínha, entendamo-nos) é este regime que corre o perigo de se afundar, de tão podre.

Apesar do medo que ainda sinto em relação às alternativas, começo a pensar que talvez essa seja mesmo a solução mais higiénica.

Fonte: Blog Blasfémias

15/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Do Blog do Advogado José Maria Martins: Sábado, Fevereiro 14, 2009 – O Presidente da República disse aos jovens “Yes you can” ou “yes you could”?

Estou muito confuso com o tempo verbal usado pelo Presidente da República quando dirigindo-se aos jovens, segundo parece, quis “motivá-los”!

Terá dito “Yes you can” – sim vocês podem
ou
“yes you could” – Sim vocês podiam ?

É que me parece que o tempo verbal deveria ter sido “could” , podiam.
Podiam se o Presidente da República começasse pelo Conselho de Estado e falasse com o Dr. Dias Loureiro e lhe dissesse: “Afaste-se que agora é “persona non grata”” .
Uma atitude correcta , face a um conjunto de situações nebulosas, que prejudicam a credibilidade externa de Portugal , lançaram o nosso País para a lama – antes Portugal tinha lameiros, mas ali produzia-se honestamente! – e que são sumariadas de forma muito superior no blogue Blasfémias, a quem eu peço vénia para publicar um excelente artigo, e que se pode ver aqui: http://blasfemias.net/2009/02/14/italia-a-vista/

Senhor Presidente da República, o teor de uma carta aberta que lhe escrevi há cerca de um ano mantem-se actual e está reforçado neste momento.
O Dr. Dias Loureiro presume-se inocente, mas a arte da política não é andar sempre com a boca cheia do principio “presunção de inocência”.
Nos Estados Unidos da América, do tal “yes we can”, o Presidente Obama já tinha afastado o Dr. Dias Loureiro, porque em Política o que parece é, na maioria das vezes.
O apoio que V. Exª está a dar ao Dr. Dias Loureiro faz sorrir a União Europeia!
Os jovens podiam – ” yes you could” – se vivessem num País Democrático, com políticos honestos, com juizes livres e independentes, com um Banco Central vigilante, sem riquezas que aparecem de um dia para o outro e não se sabe como se conseguiram, com um Ministério Público livre da pressão política, desratizado da obediência Maçónica, purificado pela coragem, uma virtude bem cantada por Sócrates – o grego – na obra “Laques”.
Mas os jovens não podem fazer nada, porque os partidos estão blindados e a corrupção, o clientelismo, o amiguismo, o tráfico de influências, a repartição de zonas de corrupção e enriquecimento ilegitimo estão bem definidas pelos partidos do Arco do Poder. Ora agora gamo eu, ora agora gamas tu, ora agora gamas tu mais eu…
Por isso os nossos jovens só podem emigrar , na esmagadora maioria .
Os restantes ficam com o futuro comprometido ou entram nos esquemas da corrupção, num ciclo infernal de “canalhocracia” , já denunciada por … El Rei D. Pedro V, no Séc. XIX, quando a Maçonaria fazia as suas diabruras, destruía Portugal, outros queriam entregá-lo a Espanha -numa coincidência tão estranha com as atitudes de alguns políticos desta década do Sec. XXI! .
O País está a saque e o resultado é cair, cair, cair, cair na profundeza do Deus “Anubis ” que rege os mortos, enquanto o Povo , qual “Prometeu Agrilhoado” continua a ver a águia picar-lhe o fígado , preso no alto do monte Caucaso , porque quer Democracia , mas está nas mãos do Polvo!
Este é o “Estado da Nação” de que V. Exª é Presidente.
O que os jovens devem fazer, podem fazer , é revoltar-se e , em novos partidos, destruir a velha ordem que envergonha Portugal no Mundo , pela falta de organização, pela malandrice de que é exemplo o país nada produzir, pela derrapagem imparável, pela “canalhocracia” que os domina.

NOTA: Para perceber melhor ver sobre o mito – lindissimo – de Prometeu Agrilhoado aqui:http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometeu

Fonte: Blogue do advogado José Maria Martins

15/02/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Do Portugal Diário – 15-02-2009: Mesquita Machado: PSD pede explicações ao PGR – Autarca de Braga foi investigado por suspeitas de enriquecimento ilícito mas processo foi arquivado

O PSD/Braga pediu este domingo, em comunicado, que o Procurador-Geral da República esclareça e o Conselho Superior do Ministério Público apure em que circunstancias se desenvolveu o inquérito ao autarca Mesquita Machado, recentemente arquivado, informa a Lusa.

O documento, subscrito pelo presidente da Concelhia, João Granja, pede ao Ministério Público «que esclareça o fundamento e as circunstâncias em que ocorreu o arquivamento do processo iniciado há cerca de oito anos, face às denúncias de indícios de enriquecimento ilícito do Presidente da Câmara Municipal de Braga e de alguns dos seus familiares directos».

A posição do PSD segue-se a duas notícias do jornal Correio da Manhã de 14 e 15 de Fevereiro de 2009, sob o título «Autarca faz fortuna de milhões – Mesquita Machado, Presidente da Câmara Municipal de Braga» e «Mesquita Machado – Finanças e IGAT recusaram investigar».

O MP arquivou em Dezembro um inquérito a Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga, do PS e a nove outros vereadores e técnicos superiores da Autarquia, por «falta de provas» de enriquecimento ilegal.

Contactado pela Lusa, o adjunto de Mesquita Machado, João Paulo Mesquita, disse que o autarca não presta declarações: «a única coisa que há a dizer é o que disse o MP, que o processo foi arquivado. E, à justiça o que é da justiça», declarou. «Damos as boas vindas ao PSD por se ter juntado, oito anos depois, a Manuel Monteiro nesta questão», ironizou.

Para João Granja, «é da máxima importância que o MP clarifique as diligências que desenvolveu, as investigações que promoveu, e as razões, dada a gravidade dos factos agora tornados públicos, que determinaram o arquivamento do referido inquérito».

«É extraordinariamente grave que seja o Ministério Público que reconheça as fragilidades de uma investigação que esteve parada quase sete anos e que assuma que ‘importava mobilizar meios e redobrar esforços na investigação», sublinha.

Fonte: Portugal Diário em 15-02-2009

15/02/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário