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O que vou lendo por ai…

Do Blogue do advogado José Maria Martins: O Caso Freeport e os comentadores – A RTP prestou um mau serviço à Democracia

O País assistiu a uma edição do programa “Prós e Contras” na RTP que foi uma autêntica tentativa de lavagem do Primeiro Ministro , no caso Freeport.

Fátima Campos Ferreira convidou:

1 – José Miguel Judice – Presidente da Assembleia Geral do BPP – banco que esta semana foi alvo de buscas pela PJ e pelo Mº Pº;
1.1. – José Miguel Judice que foi escolhido por José Sócrates para presidir à reabilitação da Zona Ribeirinha do Tejo;
1.2. – José Miguel Judice que foi mandatário de António Costa , do PS, nas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.
2 – Dr. Raposo Subtil, amigo de José Sócrates , que exerceu o cargo de professor na UNI, a tal que fez José Sócrates “engº” e que entregou na Ordem dos Advogados uma declaração falsa para poder frequentar o estágio, em 1986;
3 – O Secretário de Estado de José Sócrates que viabilizou o projecto Freeport e que em bom rigor terá de ser ouvido -resta saber em que qualidade – no processo Freeport.

Como contraponto a estes apoiantes de José Sócrates – viram a virulência do discurso de Raposo Subtil? Mais parecia que estava numa luta entre os “super dragões ” e os “no name boys”, tal a ânsia de dizer que José Sócrates não é suspeito – temos o Prof. Amorim, o Prof, Saldanha Sanches e o Dr. Morais.
Mas dos 5 comentadores principais 4 são pró-PS e pró-Sócrates.
A participação no programa é tão pobre que ou faltou a aquiescência de figuras de vulto que podiam contrapor, ou então a RTP quis lavar a imagem pública do PS e de José Sócrates.
O caso, todavia, é muito complexo e politicamente insustentável.
Por mais que falem, os factos que vieram a público serviriam ,em qualquer país democrático, para o DCIAP já ter constituído arguidos.
Nem sei do que está à espera!
O Governo Português parece que se esquece que a investigação criminal está também a ser feita no Reino Unido.
E que Portugal é um país sem poder nem força na União Europeia.
Este programa serviu que nem uma luva para José Sócrates e o PS falarem ao Povo e “venderem”a sua versão.
Mas o confronto não é apenas, não está apenas, nas mãos do DCIAP, do Mº Pº, está entre países e daí Cavaco Silva ter dito que ´caso Freeport é um “assunto de Estado”.
O programa “Prós e Contras” serve a estratégia do PS, mas destroi a credibilidade de Portugal no Mundo.
Os ingleses estão a rir-se deste tipo de papalvices.

Os portugueses não aceitam como suficientes as “explicações” dadas por José Sócrates, como se vê da sondagem publicada em :http://diario.iol.pt/politica/socrates-freeport-sondagem/1039162-4072.html

O programa serviu para reforçar a tese de que é necessário dissolver a Assembleia da República, demitir Sócrates, fazer uma investigação pura e dura sobre o caso e responsabilizar quem tiver de ser responsabilizado.
O Presidente da República não terá dúvidas que enquanto José Sócrates estiver como PM o Mº Pº não terá coragem de ir até ao fim.
Cavaco Silva, que destruiu Santana Lopes , agora está calado, sem força, sem ter a conduta que é exigível: Dissolver a AR e convocar eleições.
José Sócrates não pode continuar PM!
Santana Lopes foi corrido de PM porque Cavaco Silva lhe carregou em cima, Marcelo Rebelo de Sousa saiu da TVI e porque um ministro disse umas coisas sobre coordenação!
Cavaco Silva lembrou então a “Lei de Gresham” para destruir Santana Lopes e destruiu o PSD também, , dando trunfos ao PS.
É incompreensível esta dualidade de critério do Presidente da República.
Não escondo que não gosto do procedimento de Cavaco Silva, que no último mandato foi um péssimo PM, e que me preocupa a imagem negativa, provinciana, caciquista, medieval que vai passando de Portugal para o Mundo.
A União Europeia ficará a saber destas estratégias que não resistem a um espírito informado.

POR FIM: O PR deve sensibilizar o PGR para afastar a Drª Cândida de Almeida do DCIAP e do Processo Freeport. Porque os portugueses não são ígnorantes.

Os portugueses merecem mais e melhor política.

Por Portugal!

Fonte: Blog do advogado José Maria Martins

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04/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Eu também ouvi…: Manuel António Pina – Motivo de desassossego

No caso Freeport, eu passo. Depois de tantos anos de “campanhas negras” e “campanhas brancas” (Macau, Casa Pia, Felgueiras, Gondomar, Oeiras, Marco, SIRESP, Portucale, submarinos, e sei lá que mais), tudo é já cinzento e parece-me civicamente exigível evitar ir a jogo. Até porque ando pelos jornais há 40 anos e sei o que a casa gasta e que nem sempre gasta dos fornecedores mais sérios; e observo, de fora, a política e também vou sabendo o que a casa gasta. E porque, entre a liberdade de expressão e o direito ao bom nome (lembram-se do filme “A escolha de Sofia”?), escolho os dois.

Mas, no último e monocórdico “Prós e Contras” da RTP, Saldanha Sanches disse alto e bom som que, se o Ministério Público se encontra, a nível autárquico, “capturado” pelos poderes locais, no topo a situação é “ainda pior”. E, que eu saiba, ninguém, designadamente a PGR, contestou essa afirmação. E isso, sim, é motivo de desassossego. Porque, assim sendo, se a autonomia do Ministério Público e a independência da acção penal são ficções, isto deixou de ser um país democrático e passou a ser uma ficção de Democracia.

Fonte: Jornal de Notícias de 04.03.2009

04/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , , | Deixe um comentário

Carlos de Abreu Amorim: Branquear só suja

O licenciamento do Freeport não foi linear – a partir da demissão de Guterres, deu-se uma correria desaustinada, cuja única motivação visível era conseguir a sua aprovação antes das eleições.

As declarações do tio e os e-mails do ‘filho do tio’ de Sócrates, tal como os que foram trocados pelos responsáveis da empresa entre Portugal e Inglaterra, aludindo expressamente ao pagamento de ‘luvas’, não foram engendrados por sinistros ‘poderes ocultos’ – isso foi feito pelos próprios e tem de ser investigado. Pôr uma lápide sobre assuntos tão duvidosos é fatal para a Democracia.

Politicamente, reduzir a questão à alternativa entre um regime que se conspurca a olhos vistos e o surgimento de um aspirante a Mussolini é a forma mais viciada de manter tudo como está.

Fonte: Correio da Manhã de 04.02.2009

04/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário

Eduardo Dâmaso, Director-adjunto do Correio da Manhã: O assunto de Estado

A audiência entre Cavaco Silva e Pinto Monteiro dá uma indiscutível dimensão de Estado ao caso Freeport. Por muito que se possa dizer que a reunião já estava marcada, é absolutamente impossível ignorar que este caso está a tornar irrespirável a vida política.

Não se compreende a ausência de rapidez na investigação nem a forma como um inquérito desta delicadeza, sobretudo depois do ‘Watergate’ inicial, se arrasta estes anos todos. Depois disso, não se percebe que ele chegue ao ponto de prejudicar as condições de governabilidade do País. A Justiça está a sair obviamente de rastos, sendo que a pessoa com menos culpa é a procuradora Cândida Almeida que aparece numa altura de claro controlo de estragos para evitar um desastre maior.

Mas a forma como o primeiro-ministro tem conduzido a sua defesa também sai de rastos com esta iniciativa de Cavaco Silva. Ao assumir que o assunto é de Estado e ao discuti-lo com o procurador-geral da República, exigindo celeridade, segurança na actuação da Justiça e que tudo seja investigado até ao limite, o Presidente liquida a ideia de que estamos apenas e só perante uma ‘campanha negra’ de ‘poderes ocultos’. Essa linha de defesa teria agora de incluir o Presidente da República, suspeito de estar a regar o fogo com gasolina, dando força a uma investigação que não tem factos nem existe…

Fonte: Correio da Manhã de 04.02.2009

04/02/2009 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário