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Como falir um banco em três tempos: American Club – João Rendeiro foi o convidado do almoço mensal – Um azar nunca vem sozinho

Vinte minutos de discurso sobre a crise mundial, nem uma palavra sobre a crise do BPP, três perguntas e estava acabado o almoço mensal do American Club com o convidado João Rendeiro, ex–presidente do BPP, que ontem teve lugar no Hotel Sheraton, em Lisboa. Uma aparição dois meses depois de ter saído da ribalta, na sequência do pedido de ajuda ao Banco de Portugal e da sua saída da presidência do banco, que fundou em 1996.

Nessa altura, ia Novembro no seu fim, o dia da desgraça coincidiu com o lançamento do livro ‘João Rendeiro, Testemunho de um Banqueiro’. Ontem, a sua ida ao American Club coincidiu com a a notícia da falência da Privado Holding, que controla a totalidade do capital do BPP, e do prejuízo de 247 milhões que deixou na altura em que abandonou a presidência do banco. O discurso do banqueiro sobre a crise mundial e os negros anos que se avizinham não despertou o entusiasmo dos 70 convidados do American Clube. O que entusiasmou os jornalistas presentes foi obviamente a notícia de mais uma desgraça para os accionistas do BPP e, claro, para o próprio João Rendeiro, principal accionista do banco. Parece coincidência, pode ser azar, mas o banqueiro que se dedica às artes, à inclusão social e a diversas associações de beneficência não anda decididamente nas boas graças dos deuses. Até parece castigo.

“DEUS ABENÇOE OBAMA”

João Rendeiro, fato cinzento escuro, camisa branca e gravata preta, começou a sua intervenção com uma saudação ao novo Presidente dos EUA: “Neste dia cheio de simbolismo somos todos americanos. Deus abençoe Obama, Deus abençoe a América.” Nem esta frase provou um entusiasmo por aí além nos 70 convidados do almoço mensal do American Club. Mas não foram apenas as palavras do convidado que pesaram no ambiente da sala White Plaines do Hotel Sheraton. O almoço propriamente dito também terá deixado muito a desejar. Um creme de ervilhas com estragão e espargos, peito de frango recheado com requeijão e espinafres com batata atomatada e poejos, creme de arroz com cardamomo e sultanas e vinho Cerejeiras, branco e tinto.

PORMENORES

70 CONVIDADOS

Na sala White Plaines do Hotel Sheraton não se via uma cara conhecida do mundo dos negócios.

POUCAS PERGUNTAS

Depois de um discurso de vinte minutos, sem novidades, só três pessoas colocaram questões.

LRIVOS INTERESSANTES

À entrada da sala White Plaines estavam à venda dois livros: o de Rendeiro e ‘Terramoto no BCP’.

PEDRO PASSOS COELHO

O clube de homens e mulheres de negócios, fundado em 1947, vai ter Passos Coelho em Fevereiro.

Fonte: Correio da Manhã de 21.01.2009

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21/01/2009 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

E só agora é que se lembram que é necessário criar riqueza em Portugal? Andam é a dormir ou a gozar com a malta toda…: Deputados pedem auditoria do Tribunal de Contas à TAP por causa dos Airbus

Grupo de trabalho quer que se apurem responsabilidades por omissão do Ministério das Obras Públicas e propõe que Comissão de Contrapartidas passe para a tutela de Basílio Horta

O Tribunal de Contas deve realizar, com carácter de urgência, uma auditoria à TAP para se clarificar o processo da última aquisição de aviões Airbus e a ausência de compensações obtidas pelo Estado num negócio que terá rondado os 2,5 mil milhões de euros. A proposta consta do relató-
rio final do grupo de trabalho da comissão parlamentar de Economia sobre as operações de contrapartidas industriais devidas pelas grandes compras públicas, a que o PÚBLICO teve acesso, e que deve ser discutido hoje.
Em causa está, na óptica do grupo de trabalho (GT) da comissão, a falta de visão estratégica para se aproveitar o maior investimento de sempre de uma empresa portuguesa, que terá atingido 1,75 por cento do PIB, no desenvolvimento de um cluster aeronáutico nacional, garantindo a transferência de tecnologia e formação associadas à manutenção dos novos aviões. Tanto mais que o fabricante das aeronaves mostrou disponibilidade, por diversas formas, para estudar a cooperação que valorizasse a incorporação da indústria nacional.
Na sequência dessa “insistência”, sublinha, o Ministério da Economia chegou a comunicar ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) “o interlocutor nomeado para as negociações e forneceu documentação que ilustrava as potencialidades da indústria nacional e o interesse nessa área”. No entanto, diz o GT, nada aconteceu depois disso. Confrontado pelo PÚBLICO, o MOPTC não quis comentar o tema.
Tal ausência de contrapartidas neste negócio da transportadora aérea pública suscita “surpresa, interrogação e preocupação” aos deputados, “tendo em conta os volumes de investimento envolvidos, a natureza do fornecedor e o que se supõe ser o interesse natural de um Estado da União Europeia”.
“Se um Estado se confronta com uma oportunidade de desenvolvimento de cooperação ao nível industrial, associada directa ou indirectamente à aquisição de aviões, cooperação na qual tem, à partida, interesse, torna-
-se necessário explicar muito bem por que não se aproveita tal oportunidade e se mantém a aquisição de aviões”, lê-se no documento elaborado pelo deputado socialista Ventura Leite, coordenador do GT.
A própria transportadora confirma as diligências da Airbus. “Falou-se nessa possibilidade porque a TAP é uma boa cliente”, avançou fonte oficial, acrescentando que “os pormenores não passaram pela empresa, porque não lhe cabe a responsabilidade desses processos”. Além disso, recusa-se a confirmar os valores envolvidos no negócio porque “são confidenciais”.

Oportunidades perdidas
A ligação entre as duas empresas começou em 1987, mas só a partir do final da década de 90 se passou a negociar em regime de exclusividade, explica a companhia de aviação. Um dos contratos mais sonantes ocorreu em 2005, precisamente no ano em que o GT situa as diligências da Airbus, com a encomenda de dez A350.
O acordo foi revisto, dois anos depois, para 12 aparelhos, com opção de compra de mais três unidades. De acordo com fonte oficial, a transportadora detém actualmente 53 aviões (todos fabricados pela Airbus) e deverá receber mais seis este ano – “quatro para substituir equipamentos antigos e dois para suportar o crescimento da actividade”. Os A350 só deverão chegar no segundo semestre de 2014.
O relatório centra-se na “incapacidade do poder político em definir estratégias ou, pelo menos, de as man-
ter por mais de uma legislatura, na negociação de contrapartidas”, considerando que têm sido muitas as “oportunidades perdidas”. Algo que se pretende inverter de imediato, sobretudo tendo em conta as grandes obras públicas anunciadas – o TGV e o novo aeroporto de Lisboa, além da possível privatização da TAP. “Não seria compreensível, nem aceitável, que um país periférico e pequeno como Portugal, estando à beira de um ciclo de investimentos públicos civis em que três deles respondem por cerca de 10 mil milhões de euros, não tivesse uma estratégia para obter o máximo de benefícios económicos directos e indirectos dos mesmos”, considera-se no documento.
As recomendações do GT não deixam dúvidas: “O Estado tem que assumir um papel estratégico em matéria económica”, dando como exemplo Espanha. Por isso, e dada a falta de operacionalidade da Comissão Permanente das Contrapartidas, sugere uma iniciativa parlamentar com associações empresariais, instituições de investigação e especialistas nacionais para avaliar o impacto possível, na economia nacional, dos investimentos no novo aeroporto de Lisboa e no TGV.

Fonte: Jornal Público

21/01/2009 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário