Armando Esteves Pereira, director-adjunto – Correio da Manhã: Gato por lebre no BPP
A ASAE pode ser acusada de alguns excessos, mas graças à sua actuação temos a garantia de que dificilmente haverá um restaurante que venda literalmente gato por lebre.
Infelizmente na Banca há casos de gato por lebre que passaram com a omissão da entidade que fiscaliza o sector. É o caso dos produtos do BPP com garantia de capital, que tecnicamente não são depósitos, mas que eram vendidos pela instituição como se fossem. O BPP garantia o dinheiro das aplicações em PIAP, produtos a que chamavam estratégias de investimento com mínimo risco. A quebra do mercado revelou que os riscos não eram assim tão mínimos.
Vítor Constâncio tem tido as costas largas sobre as deficiências da supervisão, mas quem tutela essa área é o vice-governador Pedro Duarte Neves. O banco central tinha obrigação de saber que o BPP estava a prometer aos clientes uma expectativa que em caso de evolução negativa do mercado não podia cumprir.
O BPP era especializado em gestão de fortunas mas, como alguém disse, transformou-se numa entidade de digestão de patrimónios. E se na actividade de risco havia clientes que sabiam que as suas aplicações tinham riscos, os consumidores que pensavam que tinham um depósito seguro num banco autorizado também têm razões de queixa da supervisão.
Gostava de saber é o que diferencia o BPP da Afinsa? Deve ser apenas o tipo de clientes, porque as práticas de burla foram iguais. Relativamente ao BPP, acredito que mesmo que houvesse condições para para pagar o dinheiro agora “emprestado” quem gere o Banco procuraria abrir falência. Afinal quanto vale a sede do BPP ? Que outros activos o Banco possui? Nós (contribuintes) que estamos a avalizar o empréstimo gostariamos de saber! É apenas um pormenorzito sem importância…