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Fernando Ulrich – líder do BPI: “Governo reagiu mal à pressão mediática”

Fernando Ulrich diz que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças não aguentaram a pressão e lançaram um conjunto de críticas “injustas” aos bancos. E avisa: nem todos os grandes projectos são financiáveis

Uma semana depois de o Governo ter vindo pressionar a banca para que financie a economia, o líder do BPI responde ao Governo. Fernando Ulrich explica quais os grandes desafios por que passa actualmente a economia nacional.
O primeiro-ministro (PM), José Sócrates, e o ministro das Finanças (MF), Teixeira dos Santos, têm razão quando ameaçam a banca de lhe retirar a garantia estatal por não
conceder crédito?
Neste momento, o único banco a que o Governo pode tirar a garantia do Estado é a Caixa Geral de Depósitos (CGD), que foi o único que a utilizou. Mas essa é uma questão interna entre o Governo e o seu banco. Esta crise é muito séria e vai demorar tempo a ser ultrapassada e o que é necessário é que haja uma concertação de esforços dos principais responsáveis, seja dos líderes do Governo, da oposição, das empresas ou dos bancos. Todos temos que estar disponíveis para nos sentarmos à volta da mesa e discutir quais são as melhores soluções. Não vejo nenhuma vantagem em andarmos a atirar pedras uns aos outros. Isso não vai ajudar a resolver os problemas.
Tudo se resume a uma pedra atirada aos bancos?
O Governo tem reagido bem ao procurar encontrar soluções para os problemas no quadro europeu. Mas, nos últimos dias, líderes de opinião e pessoas com especial responsabilidade têm feito declarações injustas.
Está a falar de quem?
Do dr. Mário Soares, do dr. Jorge Sampaio, do eng.º Belmiro de Azevedo e do dr. Henrique Granadeiro. Tenho grande admiração por todos, mas lamento que tenham dito certas coisas, porque não ajudam.
Não sabem do que estão a falar?
Perante esta pressão mediática, muitos líderes de opinião e políticos e até membros do Partido Socialista, como o dr. Manuel Alegre, não reagiram da melhor maneira. E todos foram infelizes, quer mesmo o PM, quer o MF. A sugestão que faço é que se fale menos e que, sobretudo, não atiremos pedras uns aos outros. Mas recuso-me a assumir o papel de banco ofendido e responder, apesar da oportunidade que me dá, a essas afirmações, pois essa é a pior atitude que podemos ter. Se há problemas, sentemo-nos à mesa e encontremos as soluções.
Num quadro de crise como este, José Sócrates e Teixeira dos Santos, que sabem exactamente o que se passa, falam sem fundamento ao criticar a banca? Ou falam com ignorância?
Nem é por ignorância, nem por má-fé. Pelo stress a que devem estar submetidos, reagiram mal à pressão mediática que surgiu por parte da opinião pública e de vários quadrantes da sociedade.
O PM e o MF podem ser permeáveis a pressões?
Foram infelizes e reagiram mal à pressão mediática.
Como explica que dois ex-Presidentes da República se tenham pronunciado nos termos em que o fizeram?
Têm por base preconceitos ideológicos. E no caso de algumas associações empresariais há mesmo uma atitude negocial.
O Governo também já acusou a banca de usar o dinheiro levantado por via do aval do Estado para realizar operações de saneamento interno…
Essa afirmação é muito infeliz. Só a CGD, que é pública, é que utilizou o aval do Estado. Mas o que é importante sublinhar é que Portugal tem um défice da Balança de Transacções Correntes (BTC) muito significativo, pois compramos muito mais ao exterior em bens e serviços do que vendemos. Ora é esse défice que tem que ser financiado. E ainda temos dívida que quer os bancos, quer a República contraíram no passado [de quase 20 mil milhões de euros] e essa dívida tem que ser refinanciada todos os anos.
É a sua maior preocupação?
Portugal é um dos países com um dos maiores défices da BTC do mundo. Quer em percentagem do PIB, quer em valor absoluto. O país com maior défice da BTC é os EUA, o segundo é a Espanha. E Portugal está nos dez primeiros. E o desafio é este, pois financiar este défice vai ser muito mais difícil do que foi até aqui. E pode até não ser possível.
E se não for possível?
Terá consequências negativas quer nos programas de investimento que queremos fazer em Portugal, quer no nível de vida dos portugueses. A necessidade de financiar um dos défices da BTC maiores do mundo e de refinanciar a dívida que emitimos no passado é a questão central. Em condições do boom financeiro dos últimos dez anos era facílimo, em condições da actual crise de crédito é muito complicado. Portugal, nas emissões internacionais de obrigações da República, que têm associado o melhor rating que existe, antes de começar a crise financeira pagava 0,2 por cento a mais do que a Alemanha. Neste momento as obrigações a 10 anos emitidas pela República já pagam mais um por cento do que a dívida alemã. Este é um sinal claríssimo do como o mercado está a fazer a selecção dos vários países. Na Grécia a situação ainda é pior, pois paga mais de dois por cento a mais do que a Alemanha, quando há um ano pagava mais 0,3 por cento, enquanto a Espanha paga quase tanto como Portugal, e a Itália e a Irlanda, que há um ano pagavam o mesmo que Portugal, agora até pagam mais. O mercado está a penalizar os países do Sul da Europa, e também a Irlanda, exigindo-lhes um preço cada vez maior para os financiar. O problema está muito para além dos bancos.
O economista Campos e Cunha diz que os grandes projectos vão absorver recursos que deveriam servir para financiar as PME.
Numa situação de crise e de recessão económica, os governos tendem a estimular a economia e o investimento. Mas esta atitude voluntarista pode não ser suficiente, pois alguns destes grandes projectos podem não ser financiáveis. Ninguém pode garantir que vai haver financiamento, nem mesmo o Tesouro. Admito que alguns dos grandes projectos venham a ter que ser repensados. Poderá não ser possível executar todos, pois poderá não haver resposta dos mercados.
Os bancos estão a cortar o crédito às PME?
As PME são um segmento a que os bancos atribuem grande prioridade comercial, pois são clientes interessantes do ponto de vista da racionalidade económica e da lógica do negócio. Os bancos mais facilmente preferem escusar-se a financiar alguns dos grandes projectos do que prejudicar as PME. Uma vez acabadas as grandes obras, estas não trazem mais negócio. As PME estão cá sempre, são permanentes, têm negócio recorrente, temos o negócio do dono da PME, dos empregados. É uma actividade muito importante para os bancos.
Fernando Ulrich comenta entrada de empresa angolana no capital do BPI

Fonte: Público

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23/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Sócio da consultora dos CTT passou a gestor do grupo BPN

Caso CTT. Auto Aliança aconselhou negócio com Rentilusa, empresa do grupo BPN/SLN

Um ano após o negócio, Paulo Silveira foi presidente da administração da Rentilusa

Um dos sócios da empresa de consultadoria que aconselhou à anterior administração dos CTT o negócio com a Rentilusa, para a renovação da frota automóvel, foi nomeado, um ano depois dos factos, presidente do conselho de administração desta empresa do grupo BPN/SLN que ficou com o contrato.

A actuação da empresa de consultadoria, a AutoAliança, foi alvo de reparos pela Inspecção Geral da Obras Públicas (IGOP), que analisou o negócio de aquisição de viaturas adjudicado pela anterior administração de Carlos Horta e Costa à Rentilusa. Um negócio que, segundo uma auditoria, ficou dois milhões de euros mais caros pela opção feita. Em Janeiro de 2005, apesar de vários pareceres internos, a anterior administração adjudicou o contrato à Rentilusa. O caso, tal como o DN avançou ontem, está a ser investigado pela Polícia Judiciária, no âmbito de um inquérito que tem como temas centrais a venda de dois prédios (um em Coimbra, outro em Lisboa) à empresa TramCrone.

A decisão de adjudicar o contrato de renovação a frota automóvel à Rentilusa foi tomada com base num estudo apresentado pela empresa AutoAliança que pertencia a Paulo Silveira e João Vicente (que o DN não conseguiu localizar para obter uma reacção). Esta empresa, de acordo com a IGOP, foi constituída a 20 de Janeiro de 2005, precisamente um dia depois dos CTT terem decidido avançar para a renovação da frota. Em Fevereiro daquele ano, o contrato foi assinado.

Uma consulta feita pelo DN à base de dados da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa mostrou, entretanto, que a 15 de Março de 2006, Paulo Silveira assumiu o lugar de presidente da administração da Rentilusa. E abandonou o cargo de gerente da AutoAliança em Agosto daquele ano.

Tal como o DN revelou ontem, o anterior conselho de administração dos CTT optaram pela Rentilusa ao arrepio de pareceres internos. Uns que consideravam a opção pelo AOV (Aluguer Operacional de Viaturas) mais dispendiosa do que a gestão directa da frota. Outros, não consideravam a proposta da Rentilusa como a mais vantajosa para a empresa. Certo é que, após parecer da AutoAliança, a administração rubricou o contrato, representando um custo para a empresa de 17,783 milhões de euros. Mais dois milhões do que a proposta apresentada pela Leaseplan, a segunda concorrente.

Em resposta ao inquérito da IGOP, os antigos administradores Carlos Horta e Costa, Luís Fragoso e Manuel Baptista justificaram a contratação da AutoAliança (uma empresa cujo pacto social nada refere quanto a gestão de frotas, mas sim ao comércio de produtos informáticos). Afirmaram que a consultora “não pode seriamente ser posta em causa quando são reconhecidas no meio a reputação e o currículo dos seus sócios”. E que a opção pela Rentilusa se deveu face à “mais completa oferta” em termos de serviços e à cobertura geográfica da mesma.

Fonte: Diário de Notícias

23/12/2008 Posted by | Política: notícias | | 1 Comentário

Dedico este artigo à cegueira, surdez e mudez simultânea de certos homens: Manuel António Pina – À maneira de Darwin

Richard Dawkins fala da “mãe de todas as burcas” a propósito da pequeníssima fresta que a evolução proporcionou aos nossos olhos para verem o mundo. O nosso cérebro terá evoluído de modo a perceber, do espectro electromagnético e do mundo real, a infinitésima parte deles necessária aos nossos antepassados para sobreviverem.

Assim, a nossa “realidade” será um particular modelo do mundo real, construído de modo conveniente aos nossos particularíssimos interesses biológicos. Estou em crer que é a aptidão do dr. Vítor Constâncio para a sobrevivência que explica o modelo do mundo real que habitualmente preside às análises do Banco de Portugal, e que a optimista fresta através da qual costuma analisar as realidades económicas é a que melhor se adequa a conveniências políticas. Isto é, que o BP analisa (e, se calhar, supervisiona) fazendo política. Se não, como explicar o facto de, para o BP, a actividade económica em Portugal ter melhorado em Novembro, enquanto que, para o INE, teve um “abrandamento significativo”, com o indicador do clima económico a atingir mesmo o valor mais baixo desde 1989?

Fonte: Jornal de Notícias

23/12/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário