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O que vou lendo por ai…

Pois é isso mesmo…: Paulo Martins – Viver para trabalhar

Se política fosse futebol, dir-se-ia que o Parlamento Europeu (PE) venceu ontem ao Conselho. O órgão representativo dos cidadãos derrotou o clube de chefes de Estado e de Governo, ao chumbar as alterações que propunha à directiva sobre organização do tempo de trabalho. Ganhou uma batalha; não a guerra – ou a primeira mão, não a eliminatória. O processo passa agora a uma nova fase, que implica negociação entre as duas partes. Mas não alimentemos ilusões: quanto mais se aprofundar a crise económica, mais caldo de cultura será criado para aumentar o tempo de trabalho. Mais tarde ou mais cedo, as teses da nova escravatura acabarão por vingar.

Na Europa, o período semanal de trabalho já atinge 48 horas (oito por dia, restando um de folga). Numa votação em que Portugal – o ministro Vieira da Silva, mais concretamente – se absteve, o Conselho queria “esticar” o limite até às 65. Como o trimestre passaria a ser o período de referência, um trabalhador poderia ter de cumprir 79 horas semanais. Pior: não contando o tempo de inactividade, o mais provável é que passasse a levar um colchão para o emprego.

Muito sangue se verteu pela jornada de oito horas de trabalho. Entre os direitos laborais, foi o que impulsionou outros, hoje dados como adquiridos. Nos tempos que correm, contudo, falar em direitos adquiridos é quase crime de lesa-pátria. Tomados por “privilégios”, mais facilmente se sacrificam a valores como a competitividade. Como a Europa não aguenta a concorrência dos países emergentes, a receita é conhecida: despede ou força quem tem emprego a trabalhar de manhã à noite. Entenda-se por “concorrência dos países emergentes”, para este efeito, sobretudo a exercida por multinacionais instaladas na China para aproveitarem salários de miséria.

A questão, porém, não se cinge ao retrocesso – civilizacional – que o aumento de horas de trabalho representaria. O social-democrata Silva Peneda e a comunista Ilda Figueiredo, eurodeputados que acompanharam colegas portugueses e mais de 500 estrangeiros na rejeição da proposta, puseram o dedo noutra ferida aberta pela proposta de revisão de uma directiva que também visa, curiosamente, proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores. Poderiam até trocar uma parte dos seus discursos sobre a matéria, aquela em que falavam na conciliação da vida familiar com a profissional.

Políticos que se prezam falam ao coração da família. Se perceberem os sinais dos tempos, não prometem só abonos; prometem incentivos à natalidade, tanto mais necessários quanto mais envelhecida a Europa está a ficar. Mas frequentemente esquecem – como notou o espanhol Alejandro Cercas, relator da Comissão de Emprego do PE – que os cidadãos devem “trabalhar para viver e não viver para trabalhar”.

Fonte: Jornal de Notícias

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18/12/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | Deixe um comentário

Lá vai o Sócrates salvar mais uns ricos…: Fraude Madoff causa perdas de 96 milhões em Portugal

Banca. O maior sistema piramidal de sempre
O total da factura em Portugal da fraude protagonizada por Bernard Madoff cifra-se em perto dos 100 milhões de euros. Os resultados foram ontem anunciados pelos reguladores portugueses, depois das acções de averiguação aos danos provocados pelo maior sistema piramidal alguma vez desenvolvido a nível global.

“A exposição do sistema bancário português ao grupo Madoff é extremamente reduzida, situando-se em cerca de 18 milhões de euros”, explicou em comunicado o Banco de Portugal (BdP). A este valor acrescem 67 milhões de euros relativos à exposição de “clientes cujas carteiras são geridas por aqueles grupos e instituições”. No total, segundo o regulador do sector bancário português, estão em risco 85 milhões de euros.

Esta avaliação inclui o investimento directo em activos lançados por Bernard Madoff (residual), mas sobretudo a aposta em fundos de investimento (estrangeiros, na maioria) que continham fundos ou activos criados pelo norte-americano com base num esquema piramidal.

De acordo com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), “a exposição dos fundos de investimento mobiliários portugueses e da gestão individual de carteiras (…) a activos da Madoff Investment Securities, a 16 de Dezembro” chega a “75 milhões de euros dos quais 11 milhões de euros nos fundos de investimento (0,07% do seu valor total) e 65 milhões de euros nas carteiras individuais (0,11% do seu valor total)”.

Os 11 milhões de euros referidos pela CMVM relativos a fundos de investimento somam aos 85 milhões do BdP, já que os 65 milhões da gestão individual equivalem aos 67 milhões identificados pela entidade liderada por Vítor Constâncio. A discrepância de dois milhões, esclareceu o BdP “pode resultar, entre outros aspectos, de reporte e apuramento em diferentes momentos do tempo de uma informação que foi fornecida numa base de melhor estimativa relativamente a amostras que não são necessariamente coincidentes”. Ou seja, a supervisão foi feita através de uma “estimativa” que pode não coincidir por ter tido como base uma amostra diferente.

Independentemente do valor exacto dos danos provocados pela fraude Madoff, o seu impacto nas carteiras não é significativo. E, no caso da gestão de activos, pode ser contrabalançada por investimentos noutros activos. No entanto, no actual momento de crise dos mercados financeiros, o trabalho dos gestores de carteiras fica mais difícil.

Isso mesmo é sublinhado pela CMVM. “As sociedades gestoras dos fundos e das carteiras individuais deverão, respectivamente, propor ou adoptar, procedimentos de revalorização dos activos expostos” aos activos de Madoff”. E devem “actuar sempre em benefício dos investidores, pelo que devem desencadear todas as medidas necessárias para minimizar as perdas sofridas (…), nomeadamente tendo em vista a recuperação do investimento”.

Fonte: Diário de Notícias

18/12/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Ó Marx olha-me este capitalismo!…mas nos E.U.A. ao menos a justiça é a doer ao contrário de Portugal: Fraude: Investidor tinha 90 milhões de euros guardados para emergências – A lista de Madoff

Bernard Madoff, o investidor caído em desgraça depois de ter revelado um mega-esquema de fraude que envolveu 50 mil milhões de dólares, tinha escondido, para emergências, 130 milhões de dólares. São 90 milhões de euros em bens, títulos e dinheiro no escritório da empresa Madoff em Londres cuja existência apenas o gestor conhecia.

A empresa foi criada para gerir a fortuna pessoal da família Madoff e quatro dos nove directores da firma são familiares do ex–presidente do Nasdaq. Com a lista de vítimas vigarizadas por Madoff a crescer de dia para dia, a firma londrina apressou-se a revelar um comunicado a distanciar-se das práticas de Madoff nos mercados americanos, onde se iniciou a fraude. A explicação não foi suficiente para as autoridades, que se preparam para congelar os 90 milhões de euros da família Madoff.

O gigantesco esquema que provocou vítimas um pouco por todo o Globo (ver gráfico), com os credores a estudarem todas as opções para recuperar o que conseguirem do dinheiro investido em fundos Madoff.

O responsável por toda a fraude, a quem a imprensa norte-americana intitula como ‘o homem mais odiado de Nova Iorque’, compareceu ontem perante um juiz que lhe decretou a prisão domiciliária e obrigou a usar uma pulseira electrónica. Para ir para casa Madoff teve ainda de pagar dez milhões de dólares de fiança e de dar vários apartamentos como colateral, caso tente fugir.

O escândalo, que apanhou todos de surpresa, já levou a polícia da Bolsa americana, a SEC, a lançar um inquérito interno para determinar por que razão a fraude não foi detectada mais cedo, apesar de alertas “repetidos” desde 1999. Debaixo de críticas, a SEC considera “perturbador” que as investigações anteriores nada tenham detectado.

PERFIL

Bernard Madoff nasceu em Nova Iorque em 1938. Fundou a Bernard L. Madoff Investment Securities em 60 e foi presidente do Nasdaq. Tem um barco e casas avaliadas em cinco milhões.

JUDEUS SEM DINHEIRO PARA CARIDADE

O grupo hebraico que providencia fundos a quase todas as fundações sem fins lucrativos em Washington terá perdido mais de dez milhões de dólares com a vigarice de Madoff. O investidor tinha a confiança de muitos judeus ricos, que agora não têm dinheiro para manter as suas iniciativas de caridade. Duas fundações hebraicas já fecharam as portas e poderão não ser as únicas. O próprio sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel viu a sua fundação ser enganada.

PORTUGUESES PERDEM 76 MILHÕES

A exposição dos fundos de investimento mobiliários portugueses e da gestão individual de carteiras aos activos da Madoff Investment Securities atingia ontem os 76 milhões de euros, anunciou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A entidade reguladora presidida por Carlos Tavares alerta para o facto de se tratar de um valor que pode aumentar, dado que ainda se está a apurar mais dados. Desta exposição aos fundos Madoff, 11 milhões estavam nos fundos de investimento, correspondentes a 0,07% do seu valor total, enquanto os restantes 65 milhões de euros estavam nas carteiras individuais (0,11% do seu valor total). Tanto o Ministério das Finanças quanto o do Trabalho negam ter algum tipo de exposição aos produtos geridos pela sociedade de Madoff.

RICOS PENHORAM CASA E BARCO

Os ricos e influentes confiavam no ex-presidente do Nasdaq ao ponto de investirem milhões nos seus fundos e estão agora a pagar o preço. Na cidade californiana de Palm Beach, o esquema Madoff está a mostrar os seus efeitos.

A conjuntura económica não é a melhor e com o dinheiro perdido nos fundos Madoff os ricos de Palm Beach, que chegavam a pagar um ano de pertença a um clube exclusivo apenas para conhecer o investidor, estão agora a rumar às lojas de penhores para conseguir dinheiro. Barcos, casas e jóias, tudo está à venda por alguns milhões.

Os empregados das mansões californianas também estão a ser vítimas da fraude de Madoff, dado que as famílias estão a reduzir nas despesas com o pessoal.

Fonte: Correio da Manhã

18/12/2008 Posted by | Política: notícias | | 1 Comentário