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A máfia no seu melhor…: Alípio Dias esteve contra concessão de licença para Rendeiro fundar o BPP

O antigo presidente do Banco Totta & Açores desaconselhou Banco de Portugal a autorizar a abertura da instituição com base numa auditoria realizada
à Tottafundos onde Rendeiro teve cargos de gestão

a Alípio Dias, presidente do extinto Banco Totta e Açores (BTA) em 1996, sugeriu ao Banco de Portugal (BdP), então liderado por António de Sousa, não autorizar João Rendeiro a abrir o Banco Privado Português (BPP). Na base da sugestão esteve uma auditoria realizada às sociedades gestoras Tottagest e à Tottafundos (agora designada MC Fundos), do universo do BTA, que detectou várias operações que originaram um prejuízo de 3,5 milhões de euros e onde, à data dos factos, João Rendeiro ocupava cargos de administração.
Em 1996, ano em que João Rendeiro pediu autorização para constituir o BPP, o então presidente do BTA (que três anos depois seria adquirido pelo Santander) terá desaconselhado a instituição a conceder uma licença bancária a João Rendeiro por considerar que a mesma não era oportuna.
Contactado pelo PÚBLICO João Rendeiro declarou: “A auditoria foi produzida pelo dr. Alípio Dias num clima de guerrilha entre mim e ele.” E acrescentou que nunca foi contactado no quadro da auditoria pelo grupo Totta ou pelo BdP. Já Alípio Dias preferiu “não comentar” e o BdP esclareceu “que da consulta feita em 1996 às entidades relevantes concluiu que não existiam razões para não conceder uma licença bancária” a João Rendeiro.
As averiguações à Tottafundos e à Tottagest (ver caixa) iniciaram-se em 1995 e ficaram concluídas no ano seguinte (ano em que Joao Rendeiro recebeu autorização para constituir o BPP), tendo detectado, entre outras coisas, práticas de gestão consideradas “merecedoras de atenção”. No âmbito deste mesmo dossier foi apresentada uma queixa anónima à Procuradoria-Geral da República, ao DIAP e ao BdP. Apenas a PGR deu andamento à denúncia (ler texto ao lado), que acabou por ser arquivada.
Em 1996, a autoridade de supervisão era liderada por António de Sousa, ex-administrador do Banco Totta no início da década de 90, ex-presidente executivo da CGD e actualmente consultor do JP Morgan – que não esteve contactável.
Rendeiro e António de Sousa estiveram juntos recentemente na luta pelo controlo do poder no Banco Comercial Português (BCP). Do outro lado da barricada estava Alípio Dias, um dos ex-administradores cujos actos de gestão estão sob averiguações das autoridades de supervisão. Os três passaram pelo universo Totta na mesma época.

BPP: de 1996 a 2008
A abertura do BPP acabaria por ser concedida em 1996 e passado 12 anos o banco entrou em situação de insolvência – o que levou ao afastamento do seu fundador e maior accionista (com 12 por cento do capital).
Depois de uma avaliação sumária ao BPP e com o argumento de que a medida visa evitar no imediato a sua falência e assegurar o pagamento dos depósitos e das dívidas à banca internacional, o BdP interveio na instituição, indicando uma administração encabeçada por Adão da Fonseca.
O executivo, recrutado no BCP, tem que gerir um dossier complexo, pois terá de avaliar num curtíssimo espaço de tempo se o BPP tem condições para ser “salvo” ou se deve mandar revogar a autorização para exercer actividade e ordenar a sua liquidação. A gestão provisória terá ainda de apreciar com maior profundidade a qualidade dos activos na posse do BPP. Isto porque o Estado vai apoiar o banco através da concessão de uma garantia pública a um financiamento de 450 milhões de euros dado por um consórcio bancário privado para liquidar o passivo do banco.
Em cima da mesa está igualmente a avaliação da actividade desenvolvida por João Rendeiro. O BPP funcionava como uma gestora de fortunas (com cerca de três mil clientes), muito dependente dos mercados financeiros. A crise financeira acabou por revelar as fragilidades deste modelo de negócio que deu aos accionistas e clientes dividendos durante anos. Uma das tarefas de Adão da Fonseca é distinguir o que são depósitos do que são investimentos, e o que são investimentos de clientes e de accionistas, em que o risco é assumido por estes, daqueles em que o risco era assumido pelo BPP.
João Rendeiro diz que a auditoria foi produzida por Alípio Dias num clima de guerrilha entre os dois

Fonte: Público

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13/12/2008 - Posted by | Política: notícias | ,

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