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Palavras para quê?: PS trabalha votações ao milímetro, PSD nem por isso

A maioria socialista não brinca em serviço: trabalha o guião das votações com 48 horas de antecedência, faz uma proposta de sentido de voto que envia por e-mail a todos os deputados e que entrega também em papel nas reuniões semanais da quinta-feira. Sempre que há votações são ainda enviadas mensagens de telemóvel aos 121 deputados da bancada.
Um trabalho ao milímetro que é reforçado quando as votações exigem maiorias qualificadas ou quando há possibilidade de alguns votarem ao arrepio da disciplina de voto. Foi o que aconteceu várias vezes nos últimos tempos, por exemplo no Código do Trabalho e, na semana passada, nos projectos de resolução da oposição que pretendiam suspender o modelo de avaliação de professores.

Nesses casos, chega a haver contactos pessoais com os “dissidentes” para os tentar demover dessa intenção. A disciplina de voto é a regra na bancada, nunca quebrada nesta legislatura. As excepções são pontuais: existiu uma, autorizada em reunião da bancada, para a votação do projecto do BE para o casamento homossexual. E existe alguma complacência em relação a Manuel Alegre, que comunica sempre ao líder Alberto Martins as suas posições com antecedência.
Por seu lado, as duas deputadas do Movimento Humanismo e Democracia eleitas nas listas do PS estão sempre autorizadas a votar livremente, excepto nos casos de governabilidade: moções de censura e confiança e Orçamento do Estado. Toda esta disciplina tem permitido ao PS manter a situação sob controlo e não causar surpresas desagradáveis… até sexta-
-feira passada, em que a maioria podia ter ficado, pela primeira vez, em minoria. Dessa vez, foram as ausências do PSD que vieram ‘”salvar” o PS.
Já no PSD, a situação é bem mais volátil nesta legislatura. O facto de estarem na oposição e de contarem, do outro lado, com uma maioria quase sempre coesa, tem desguarnecido as hostes sociais-democratas, por regra as mais faltosas. O guião das votações é feito normalmente na quinta-feira pela direcção e coordenadores, podendo ser discutido nas reuniões quinzenais do grupo. Mas só no dia das votações é distribuído aos deputados, em papel.
Curiosamente, o PSD tem menos disciplina de voto que o PS: só nesta sessão legislativa, com Paulo Rangel, já foi dada liberdade duas vezes, na votação das leis do divórcio e do casamento gay. E por regra os deputados divergentes avisam a direcção da bancada com antecedência. O drama, nesta legislatura, têm sido apenas as faltas.

Fonte: Público

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10/12/2008 - Posted by | Educação: notícias, Política: notícias | ,

1 Comentário »

  1. Pode parecer positiva e interessante a sofisticada organização e eficácia do grupo parlamentar do PS. É apenas a confirmação de que o partido é o dono da consciência do deputado que se limita a “pensar” não com os pés, mas com a ponta do dedo com que carrega no botão a mando do chefe de turma, perdão, do lider da bancada.

    Comentar por Zé Morgado | 10/12/2008 | Responder


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