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Correio da Manhã: BPP pagou um milhão a gestores

Os quatro administradores do Banco Privado Português (BPP), instituição bancária especializada na gestão de fortunas que atravessa uma grave crise financeira, receberam, em 2007, mais de um milhão de euros em remunerações e acções do banco atribuídas pelo próprio BPP.

Os custos com os salários anuais de João Rendeiro, presidente do BPP, Paulo Guichard, Salvador Fezas Vital e Fernando Lima, administradores executivos, ascenderam, segundo o relatório e contas de 2007, a 927 015 euros. Em média, cada um dos quatro membros do conselho de administração ganhou 231 753 euros por mês.

A esta despesa anual com salários, acresceu, ainda, um valor total de 76 008 euros em acções do BPP atribuídas pelo banco aos quatro gestores. Ao todo, entre remunerações e acções do banco, os quatro gestores do BPP receberam, no ano passado, 1 003 023 euros, um aumento de cerca de 25,5 por cento face à verba total de 799 354 euros auferida em 2006.

Este aumento dos encargos com pessoal diz respeito apenas a salários, uma vez que o valor das acções atribuídas é igual ao ocorrido em 2006. Com um resultado líquido de 24,4 milhões de euros em 2007, o BPP registou, no ano passado, um acréscimo de 34 por cento face ao lucro de quase 18,2 milhões de euros obtido em 2006. E, mesmo assim, ‘em 2007 e 2006, não foram pagos prémios aos membros do conselho de administração do Banco’, segundo precisa o relatório e contas do ano passado.

Em contrapartida, em 31 de Dezembro de 2007, segundo o relatório e contas, ‘os órgãos de gestão tinham operações de crédito contratadas junto do Banco no montante de 205 963 euros’, valor inferior aos empréstimos totais de 235 179 euros registados em igual data do ano anterior.

O documento garante, ainda, que ‘o Banco não tem qualquer responsabilidade adicional ou benefício de longo prazo concedido ao conselho de administração, para além dos acima referidos’.

Mesmo com o BPP em situação financeira difícil, João Rendeiro afirmou que está ‘num momento de tranquilidade’ e mostrou-se convicto de que serão encontradas soluções alternativas ao aval do Estado para evitar a falência do BPP.

SAIBA MAIS

ACCIONISTAS

Pinto Balsemão e Stefano Saviotti são accionistas do BPP.

579,6 milhões de euros era o valor dos depósitos no BPP, em 2007. Nas últimas duas semanas, foram levantados 500 milhões de euros.

17,4 milhões de euros foi o valor em dividendos distribuídos pelos accionistas em 2005 e 2006.

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01/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Correio da Manhã: Estado negociou 2,3 mil milhões com o BPN

O Grupo Banco Português de Negócios (BPN) tem relações importantes com empresas do Estado português: desde 2004 o Efisa, banco de investimento que pertenceu ao Grupo liderado por José Oliveira e Costa ao longo da última década, organizou e assessorou operações de financiamento para 18 empresas e instituições públicas, com destaque para Carris, RTP, TAP, Águas de Portugal e até Câmara Municipal de Lisboa. Ao todo, entre empresas do Continente, Açores e Madeira, as verbas envolvidas totalizam, segundo os relatórios e contas dos últimos quatro anos, quase 2300 milhões de euros.

A extensão das relações do Grupo BPN com o Estado português está bem patente nos e-mails, a que o CM teve acesso, trocados entre um funcionário do Banco Efisa e Abdool Vakil, actual presidente interino do banco. A 11 de Junho de 2003, Abdool Vakil era informado do seguinte: ‘A RTP sondou-nos ontem, através de contacto telefónico, sobre a possibilidade de podermos conceder um [empréstimo] intercalar adicional de 20 milhões de euros, até 15 de Agosto, em virtude de a 30 de Junho a empresa ter liquidado uma prestação do financiamento do CSFB (18,5 milhões de euros) e outra do BBVA (4,98 milhões de euros), havendo, por via destes factos, um défice pontual de tesouraria.’

Na tarde do mesmo dia, Abdool Vakil dava a resposta: ‘Pela minha parte, acho que seria bom que o BPN ‘alinhasse’ nisto, por todos os motivos e mais alguns.’ A operação de financiamento internacional da RTP envolveu as verbas mais avultadas: a operação de ‘assessoria financeira e de rating, montagem de financiamento internacional’, como é referida no relatório de 2004, totalizou 800 milhões de euros.

A importância do Grupo BPN é também notória em 2007: ‘Ao contrário de 2006, o ano de 2007 foi um ano marcado pelo lançamento de várias operações de financiamento de longo prazo por parte de empresas públicas, sendo de realçar as operações para o Metro de Lisboa, Metro do Porto, Refer, Câmara Municipal de Lisboa, entre outros’, diz o relatório e contas de 2007. Já este ano soube-se que a Segurança Social terá levantado 500 milhões de euros do BPN.

O Ministério da Segurança Social desmentiu, mas admitiu que tinha uma conta corrente no BPN.

BLOCO PROPÕE INVENTÁRIO

O líder do Bloco de Esquerda propôs ontem que o Banco de Portugal efectue um inventário por forma a determinar ‘todo o lixo tóxico nos bancos portugueses, nomeadamente em fundos de pensões e fundos de investimento’. Na apresentação de novas regras de supervisão bancária, Francisco Louçã adiantou que quer pôr um ponto final na ‘delapidação de fundos públicos, para proteger um efeito de dominó de prejuízos’. Já esta semana o BE vai propor uma nova lei neste sentido.

SOCIALISTAS NO BANCO EFISA

José Lamego, actual deputado pelo PS, e Augusto Mateus, ex-ministro da Economia de António Guterres, são membros do conselho geral do Banco Efisa, órgão que era presidido por José Oliveira e Costa no ano passado, como refere o relatório e contas do banco de 2007.

José Lamego integra aquele órgão desde 2006, altura em que substituiu Guilherme d’Oliveira Martins, que assumira a presidência do Tribunal de Contas. Augusto Mateus e Guilherme d’Oliveira Martins assumiram o cargo de vogais do conselho geral, órgão responsável por nomear, destituir e fiscalizar a direcção do Banco Efisa desde 2003. O mandato, tendo a duração de quatro anos, terminava em 2006.

Os órgãos sociais do Banco Efisa foram destituídos na sequência da nacionalização do BPN. Abdool Vakil é agora presidente interino da instituição.

EXEMPLOS

RTP

800 milhões de euros foi o valor da operação de financiamento no tempo de Almerindo Marques.

CARRIS

215 milhões de euros foi o valor do financiamento para a Carris, com o aval do Estado, segundo relatório e contas de 2004.

ÀGUAS DE PORTUGAL

100 milhões de euros foi o valor do financiamento para a Águas de Portugal, segundo o relatório e contas de 2004.

PORMENORES

NO CONTINENTE

Carris, Águas de Portugal, TAP, Transtejo, Parque Expo, Câmara de Lisboa, metros de Lisboa e do Porto, Refer: são as empresas do Continente com operações de financiamento organizadas pelo Banco Efisa. Ao todo, são 960 milhões de euros, a que acresce 800 milhões para a operação da RTP.

MADEIRA E AÇORES

As operações de financiamento de cinco empresas da Madeirae dos Açores totalizam 482 milhões de euros.

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01/12/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário