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Oposição desafia socialistas a dizerem “o que têm a esconder”

O PS inviabilizou sozinho todas as audições parlamentares sobre o caso BPN, nomeadamente a de Miguel Cadilhe (presidente do banco à data da nacionalização) e de Manuel Dias Loureiro, antigo administrador do grupo que controlava o banco, e que se disponibilizou para ser ouvido no Parlamento.
Para justificar o chumbo, o PS refugiou-se no argumento de uma investigação judicial em curso, mas não foi poupado pela oposição, que desafiou a maioria socialista a dizer o que tem a esconder para não permitir as audições. O CDS-PP vai apresentar uma proposta para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Durante o debate de mais de uma hora e meia na comissão de Orçamento e Finanças, o deputado do PS Vítor Baptista argumentou que a questão da nacionalização do BPN já foi discutida e a respectiva lei promulgada. E rejeitou que o Parlamento servisse para “configurar julgamentos”. “Há matérias que estão sob investigação. Não estamos aqui para ouvir cidadãos que queiram vir desmentir notícias de jornais”, alegou Vítor Baptista.
A oposição às audições propostas pelo PCP e pelo BE suscitou críticas dos restantes partidos. “O que receia esta maioria, afinal?”, questionou o deputado do CDS-PP Nuno Melo. O deputado lembrou que se o argumento do PS fosse válido nunca teriam existido comissões de inquérito sobre o caso Camarate, já que havia uma investigação judicial em curso.
As acusações de falta de transparência fizeram eco também no PSD, que votou a favor de todas as audições. “Têm que explicar o que querem ou quem querem proteger”, disse Hugo Velosa, vice-presidente da bancada social-democrata, criticando a maioria socialista por funcionar como um “rolo compressor no esclarecimento da verdade”.
“Loureiro devia demitir-se”
Na mesma linha, Francisco Louçã classificou o chumbo do PS como um “abuso de poder”. “Porque é que o PS quer fugir à verdade? De quem é que têm medo?”, questionou o deputado do BE, aproveitando para pedir a demissão de Dias Loureiro da função de conselheiro de Estado, na sequência da notícia de ontem do PÚBLICO sobre a participação do antigo administrador da sociedade que controlava o BPN num negócio ocultado às autoridades e não reflectido nas contas do grupo. “A ser verdade tal facto, [Dias Loureiro] devia demitir-se de conselheiro de Estado”, sustentou Louçã.
O deputado do PCP Honório Novo sublinhou ser “estranho que o PS ouse não aceitar” a oferta de um conselheiro de Estado para ser ouvido no Parlamento. “Não há um pingo de vergonha política. Esta maioria absoluta ensurdeceu completamente”, afirmou indignado.

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20/11/2008 Posted by | Política: notícias | , , | Deixe um comentário

Relatório da Delloite realizado a pedido de Auditoria aponta crédito do BPN a Arlindo de Carvalho e Duarte Lima

Arlindo de Carvalho e Duarte Lima são mais dois nomes do Partido Social-Democrata (PSD) ligados ao Banco Português de Negócios (BPN). Os dois militantes sociais-democratas, aparecem ligados ao banco fundado por José Oliveira Costa por terem recebido, respectivamente, perto de 20 e cinco milhões de euros em operações de crédito.

Esta situação é apontada nos relatórios preliminares de auditoria realizados pela Deloitte a pedido do então líder do BPN e da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), Miguel Cadilhe, onde ainda se dá conta de que o banco era credor de vários accionistas da SLN num montante de crédito inferior a 300 milhões de euros. Para além deste montante, a Deloitte aponta ainda créditos concedidos sem terem sido seguidos os procedimentos regulamentares, nunca referindo a existência de ilicitudes.

Na lista de nomes de accionistas da SLN com empréstimos contratualizados junto do BPN, particulares ou empresas, aparece o nome do ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, Arlindo Carvalho. Um financiamento inferior a 20 milhões de euros e que seguiu os procedimentos regulares.

Confrontado com o facto de ter recebido um empréstimo pessoal neste valor, o ex-mandatário de Pedro Santana Lopes no último congresso do PSD negou. Mas admitiu que as empresas de que é accionista “possam ter financiamentos contraídos junto do BPN, como, aliás, fazem junto de outros bancos com os quais trabalham”. Arlindo de Carvalho diz desconhecer o montante do crédito junto do BPN, mas garante que tudo correu dentro da legalidade.

“Não são créditos irregulares, e se devem [as empresas] dinheiro é porque têm activos e se têm activos é porque têm garantias.” O antigo ministro de Cavaco Silva referiu ainda que as sociedades de que é sócio em conjunto com outros parceiros, na sua maioria da área imobiliária, “nunca falharam as suas obrigações” com o BPN ou com qualquer outra instituição.

Arlindo de Carvalho garantiu ainda nunca ter “obtido nenhuma vantagem” pelo facto de ser investidor da SLN, com “pouquíssimas acções”. “Também sou accionista do BCP e as minhas empresas também têm operações nesse banco, como, aliás, possuem na CGD.” Em conjunto com José António Conceição Neto, Arlindo de Carvalho possui interesses, designadamente, na Imobiliária Pousa Flores, onde é gerente.

Para além da sua actividade política e no ramo imobiliário, Arlindo de Carvalho ocupou ainda o lugar de presidente do Conselho Fiscal da Dinensino, a sociedade que controlava a Universidade Moderna, pelo menos até meados do ano passado. Arlindo de Carvalho nega que os créditos contraídos junto do BPN possam ter alguma coisa a ver com as funções na Dinensino. “É absolutamente falso.”

No documento da Deloitte, e dentro da lista de clientes a quem foi concedido crédito pelo BPN sem que tenham sido seguidos os procedimentos habituais, mas sem que tenha havido ilegalidades, aparece o nome de Duarte Lima. O empréstimo concedido pelo BPN ao antigo líder da bancada parlamentar social-democrata quando Cavaco Silva era o líder do PSD aproxima-se dos cinco milhões de euros.

O PÚBLICO tentou ao longo de toda a tarde de ontem contactar Duarte Lima através dos seus dois contactos de telemóvel, mas o social-democrata, apoiante de Pedro Santana Lopes, numa primeira fase, e mais recentemente de Pedro Passos Coelho, nunca atendeu as chamadas.

A auditoria preliminar extraordinária da Deloitte concluiu, entre outras matérias, que as perdas não reconhecidas associadas ao banco (imparidades) atingiam, a 14 de Outubro deste ano (quando o relatório foi entregue), 330 milhões de euros, dos quais 120 milhões dizem respeito a empresas do universo da holding. No total, e somando os 350 milhões de euros de imparidades detectadas no Banco Insular, então perdas totais que atingem quase 700 milhões de euros, valor que, aliás, sustentava as medidas inscritas no plano de saneamento do grupo e que foi apresentado ao Governo por Miguel Cadilhe.

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20/11/2008 Posted by | Política: notícias | , , | Deixe um comentário

Menezes diz que foi alvo de «críticas ameaçadoras» por causa da banca

Quando sugeriu um inquérito à supervisão do sector, o então líder do PSD foi abordado por ex-ministros e houve mesmo demissões no interior do partido

O ex-líder PSD, Luís Filipe Menezes, afirmou esta quarta-feira, em entrevista à RTPN, que foi alvo de «críticas ameaçadoras», quando teve «a coragem de avançar com um inquérito à supervisão bancária, em Portugal.

«Eu fui aquele que teve a coragem de avançar com um inquérito à supervisão bancária em Portugal», numa altura em que «ainda não se falava no BPN, mas apenas do BCP e do papel do Banco de Portugal» no sector, afirmou Menezes. Na altura terá então recebido «criticas ameaçadoras, algumas delas por escrito», enviadas inclusive por «alguns ex-ministros que não queriam que avançasse a fiscalização à supervisão bancária».

«Tive a demissão de membros da minha comissão política nacional porque eram accionistas de referência do BPN e tinham medo que a supervisão bancária fosse tocar nos interesses, por ventura, de instituições financeiras que não estavam a funcionar de acordo com os padrões de transparência do Estado de Direito», revelou ainda o social-democrata.

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20/11/2008 Posted by | Política: notícias | , , | Deixe um comentário