Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

Rui Rangel, Juiz desembargador: A mão na massa

“No meio deste lamaçal, a grande surpresa é a ‘surpresa evangélica’ do governador do Banco de Portugal”

A recente crise financeira, que se abateu sobre o Banco Português de Negócios é, antes de tudo, um verdadeiro caso de polícia, em que o Direito e a Justiça têm de ser chamados a pronunciar-se. Para isso é necessário que os factos noticiados, de uma gestão com uma prática de “legalidade duvidosa”, como disse o ministro das Finanças, cheguem aos tribunais.

A vontade política vai ser o farol que irá fazer despoletar e orientar essa denúncia, para bem da transparência e da credibilização do sector financeiro, que ficou beliscado na sua imagem com esta gestão doméstica dos dinheiros dos contribuintes.

Interessam-me pouco os aproveitamentos políticos. Estou mais preocupado com os efeitos colaterais desta crise que pode manchar a reputação do restante sector financeiro, que é fundamental para a sobrevivência da economia real, e com o dinheiro dos depositantes que não podem pagar as perdas do BPN. Só a responsabilização criminal, civil e política dos administradores que por lá passaram e de alguns accionistas do banco poderá minorar os estragos. Nada fazer e ficar tudo pelos gabinetes da governação, escondendo este escândalo ou este ‘milagre’ que, num toque de mágica, fez desaparecer cerca de 700 milhões de euros, é o que separa o bom do mau governante.

A confiança no sector financeiro é vital para a sua sobrevivência. Com certeza que nesta estória, no que toca ao vil metal, alguém ficou mais rico e com os bolsos cheios. Mas ficou, seguramente, moral e eticamente mais pobre. Bem sei que hoje em dia não são, infelizmente, estes os valores que comandam o Mundo. Mas entre ficar de bolsos cheios, de forma desonesta, prejudicando o País e os depositantes, é preferível ficar mais pobre e andar com a alma limpa e de cabeça erguida.

Esta gestão ruinosa que vem desde 2002, feita por muitos dos homens, verdadeiros notáveis da praça, que ganhavam principescamente, nada tem que ver com a crise financeira internacional. Tem que ver com a ganância, com a avidez e com a falta de escrúpulos, cujo limite é o céu. É bom que se ande rápido, que se apreenda os bens dos administradores e accionistas que participaram nesta triste novela da vida real, impedindo que fujam das malhas da Justiça e ponham a salvo o ‘seu’ património, para que não sejam sempre os mesmos a pagar com mais impostos.

No meio deste lamaçal, a grande surpresa é a ‘surpresa evangélica’ do governador do Banco de Portugal, que não sabia de nada, quando toda a gente sabia de tudo.

LINK

Anúncios

05/11/2008 - Posted by | Uncategorized | ,

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: