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Isto é o que se chama o neoliberalismo refinado: BCP desmonta burla de 75 milhões

O Ministério Público deduziu acusações contra 4 pessoas, entre as quais um sírio, envolvidos numa tentativa de burla de 75 milhões de euros no BCP. O alarme foi dado pelo próprio banco, e a fraude parecia contar com cumplicidades internas

O Ministério Público (MP) acaba de deduzir a primeira acusação por crime de corrupção activa no sector privado. Os arguidos são quatro indivíduos que se preparavam para desviar pelo menos 75 milhões de euros de contas bancárias do BCP para contas na Suíça, em 2004. Para isso, tentaram aliciar dois funcionários do banco – mas estes deram o alerta ao Departamento de Auditoria do banco.

Os quatro arguidos – João Dias, José Ribeiro, Diamantino Santos e Nizar Sofani (um dinamarquês de origem síria) – negam os factos que lhes são imputados. Além de corrupção, o MP acusa-os também de burla informática agravada por pretenderem aceder ilicitamente às contas do BCP através da instalação de um software nos servidores centrais do banco – aplicação informática essa que seria instalada pelos funcionários e que efectivaria o desvio do dinheiro.

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“A credibilidade da Islândia foi pela janela”

Adalsteinn Leifsson: “Passámos do ‘foie gras e do champanhe para a pizza e Coca Cola”
00h30m

AAdalsteinn Leifsson, director mestrados e professor assistente na School of Business da Universidade de Reiquejavique, dá sua visão dos acontecimentos mais recentes na Islândia.

Quem chega a Reiquejavique não vê grandes sinais da crise. Mas ela existe. Onde é que mais se sente?

Em primeiro lugar, tínhamos três bancos privados que foram nacionalizados. Hoje não há moeda a entrar ou a sair do país. Não temos dinheiro para manter os negócios a funcionar. As empresas que importam, por exemplo, não têm como pagar porque ninguém aceita as coroas.

A credibilidade da Islândia está em causa?

A credibilidade da Islândia foi pela janela. O Reino Unido não é o único país a pôr restrições aos nossos bancos, mas a verdade é que Londres é um centro financeiro mundial e muitos vão seguir o seu exemplo.

O desemprego é uma ameaça que se aproxima?

Há, sem dúvida, muitas pessoas preocupadas com os empregos. Os casos mais graves são os dos que pediram empréstimos em moeda estrangeira e cujas prestações mensais duplicaram.

No dia-a-dia o que mudou?

Vejo menos trânsito na rua. Tenho um amigo cirurgião que compara a actual situação à de um país em guerra: a população está em choque. A vida continua, mas há medo e fúria contra os políticos e os gestores dos bancos. Só depois virá a aceitação.

O que é preciso para passar de uma fase à outra?

É preciso apurar o que aconteceu. Muitas pessoas acham que devíamos recorrer a especialistas estrangeiros, mais isentos. Para nós é difícil construir um novo sistema financeiro. Como académico adito que era muito interessante um pequeno país ter três bancos privados com negócios 15 vezes maiores do que a economia nacional.

O que correu mal?

O Banco Central e o Governo falharam. A economia islandesa era demasiado pequena para apoiar estes bancos numa crise mundial.

A vida de luxo acabou?

Vamos passar a ter comida mais barata nas reuniões familiares. Passámos do “foie gras” e champanhe para a pizza e Coca Cola. É como quem tem de arrumar a casa depois da festa. Também pode ser divertido. Éramos a nação mais feliz do mundo. Acho que isso não tem de mudar. Só precisamos de nos adaptar.

Recuperar a imagem da Islândia é a prioridade?

Queremos mostrar que assumimos a responsabilidade pelas nossas empresas e pelas suas dívidas. Temos de explicar a situação, as razões e a nossa reacção à crise. Neste momento há quem defenda que não devemos pagar pelas dívidas dos bancos porque não seria justo para os contribuintes ser prejudicados pelos erros de três empresas e há quem ache que devemos garantir que os credores vão recuperar o dinheiro, o que implica impostos mais altos e os nossos netos ainda terem de pagar.

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Islândia: um país fechado para obras

Viver num país em crise significa alimentação mais cara, desemprego,perda da habitação paga a crédito e dificuldade em obter empréstimos
00h30m
HELENA TECEDEIRO, Jornalista do DN

Habituados a uma vida de luxo, os islandeses enfrentam agora uma realidade bem diferente. Os textos que se seguem procuram retratar a actualidade de um país onde os efeitos da crise financeira mais se fazem sentir.

Quem chega a Reiquejavique e já folheou um guia da cidade sabe que o que logo capta o olhar na paisagem da capital mais a norte do mundo é a Hallgrimskirka. Com a sua forma de foguetão, a igreja luterana tornou-se símbolo da imponência e excentricidade de um país que nos últimos 15 anos teve um progresso tal que atingiu o primeiro lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU. Mas agora, a Hallgrimskirka está coberta de andaimes. Uma reconstrução que irá durar até ao Natal de 2009 e que a Islândia parece ter de imitar depois da crise financeira que obrigou à nacionalização dos seus três principais bancos e que ameaça lançar muitos trabalhadores para o desemprego.

“Disseram-nos que estava tudo bem e de repente chegou a crise”, diz Eyglo Arnarsdóttir com uma ar incrédulo. Editora do “site” da Iceland Review, esta rapariga loura admite que o desemprego é a maior preocupação neste momento: “As pessoas perderam as poupanças, temem perder o emprego e os apartamentos”. Mas o sentimento dominante para quem estava habituado a viver “uma vida de luxo” é a ira. “As pessoas estão zangadas”, explica Eyglo enquanto bebe um gole do café na redacção sobreaquecida da revista, com a neve lá fora a rodopiar ao sabor do vento gelado. E os alvos do descontentamento são vários: o Governo de Geir Haarde por ter privatizado os bancos, mas também, e sobretudo, os próprios banqueiros.

Abrigada na barraquinha branca da Elding, uma empresa que organiza passeios para ver as baleias, bem no porto de Reiquejavique, Eva María Porarinsdóttir concorda com Eyglo. “Já perdi muito dinheiro em acções”, confessa a gerente da Elding com aquele sorriso resignado que aparece nos rostos dos islandeses quando ouvem a palavra “crise”. “Estamos desiludidos e zangados”, acrescenta com um encolher dos ombros largos cobertos por uma fina camisola preta. Mas, a fazer jus à sua fama de povo mais feliz do mundo, os islandeses parecem estar optimistas. “Acho que vai ficar tudo bem”, exclama Eva María agora com um sorriso aberto. Endireita-se, alisa o longo cabelo loiríssimo e aponta para o computador: “Nós estamos no ramo certo. O turismo pode beneficiar desta crise”.

Antes da crise, a Islândia era um dos países mais caros do mundo. Mas com a coroa a ter perdido metade do valor no último ano, muitos turistas aproveitam para visitar a ilha que, apesar de ficar mais perto da Gronelândia do que da Europa se considera bem europeia. É o caso de Kaj Christiensen. Este dinamarquês que confessa os “40 e tal anos”, sem mais, acaba de sair do supermercado Bónus, em plena Laugavegur, uma das principais artérias comerciais no centro de Reiquejavique. É com um saco amarelo na mão, com um porco cor-de-rosa sempre associado no imaginário popular à poupança, que Kaj explica como há muitos anos vem à Islândia. Mas no avião que na véspera o trouxe, reparou que “havia muitos mais turistas”. Afinal, “as coisas para nós estão a metade do preço”.

Mas se para os estrangeiros a crise é uma benece, para os islandeses o aumento dos preços já se faz sentir. “Saí agora do hospital e encontrei tudo muito mais caro”, explica Olöf Helga Junnarsdottir. Escondida dentro de um casaco branco, com um gorro de lã a condizer, a secretária sai do Bónus com o filho adolescente. “A carne sobretudo aumentou muito”, confessa, para logo acrescentar: “Mas não falta comida como a imprensa estrangeira anda a dizer”.

A maior dificuldade parece ser para quem contraiu empréstimos em moeda estrangeira. É que se as prestações em coroas aumentaram, em euros ou dólares duplicaram. Acabado de sair do imponente edifício do Lansbanki, um dos três bancos que o Estado islandês privatizou, Gunnar Adalsteinsson vem com o semblante carregado. “Fui pedir um empréstimo. Mas é quase impossível conseguir”, explica o empregado da construção civil, cujas calças manchadas revelam a actividade. Apesar de garantir que a empresa de montagem de telhados onde trabalha é sólida, Gunnar admite estar preocupado. “Mais bancos vão cair, as empresas também”. E a crise já começou a bater à porta deste pai de família. “A roupa, a comida. Está tudo mais caro”, suspira. E acrescenta: “Agora é a sobrevivência dos mais fortes”.

* Serviço especial JN/DN

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário