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José Leite Pereira: A impotência da Europa

Poucas vezes teremos tido tantas conversas sobre o nosso dinheiro. Demo-lo sempre como seguro. O que os últimos dias têm mostrado é a possibilidade de as nossas certezas estarem erradas e de podermos estar a ser actores de uma crise financeira de tal dimensão que os nossos vindouros a apontarão como exemplo acabado de certo tipo de comportamentos condenáveis. O que neste momento vivemos é uma enorme crise de confiança. Os bancos desmereceram a confiança que sempre tivemos neles a ponto de lhes entregarmos tudo o que tínhamos e de os ouvir como conselheiros na aplicação do nosso dinheiro. Mas com essa confiança caíram mais coisas, porque o efeito dominó é mais ou menos imparável. Caiu, desde logo, a confiança nas próprias instituições, mas caíram – e continuarão a cair – muitos empregos com todas as consequências que daí advêm. Cúmulo dos cúmulos da crise que atravessamos, a Islândia, um pequeno Estado que julgávamos próspero, declara a sua própria falência.

Os governos procuram incutir confiança. Fazem declarações garantindo cobertura ao dinheiro – ou pelos menos a parte dele – que temos no banco. Como já se tem dito, estas declarações são um pau de dois bicos pois, se por um lado visam criar segurança, pelo outro estão a confirmar que o dinheiro não está muito seguro onde o depositámos.

Na Europa, mais uma vez, os 27 parceiros não conseguem acertar uma estratégia comum. Sucedem-se declarações mas não se sente uma mão forte em Bruxelas que aponte um caminho que todos possam seguir. Tal como na Defesa – e já o confirmámos por diversas vezes – também nas Finanças a Europa se mostra incapaz de agir em conjunto, de ter uma política comum. Uma reunião a quatro para resolver o que sempre se prometeu resolver a 27 deixou a nu a “unidade” europeia. As consultas que vão decorrendo entre os parceiros, a prática mimética de algumas soluções poderão ser, apesar de tudo, boas para os Europeus. Mas, quando um dia passar a crise, os dirigentes precisam mesmo de questionar a eficácia desta União. É que, até para o cidadão comum, já são cada vez mais flagrantes as quebras de confiança entre parceiros e cada vez faz mais sentido interrogar para que nos serve uma União assim.

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08/10/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

O Marx a esta hora deve estar-se a rir…: Reino Unido injecta 64 mil milhões para salvar Banca

Depois de George W. Bush, agora foi o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, quem anunciou um plano de injecção de capital numa tentativa de salvar o mercado financeiro de Londres.

O plano de resgate foi ontem divulgado por Brown e pelo ministro das Finanças, Alistair Darling, e coloca 64 mil milhões de euros à disposição de instituições financeiras com capital igual ou superior a 31 mil milhões de euros.

O capital é retribuído com acções de cada uma das instituições financeiras, que assim ficam parcialmente nacionalizadas. Numa fase inicial serão disponibilizados 32 mil milhões de euros a distribuir por oito instituições, incluindo o Barclays, o Lloyds TSB, o HBOS e o Royal Bank of Scotland.

O plano passa ainda pela disponibilização, por parte do Banco de Inglaterra, de 320 mil milhões de libras, através de um Fundo de Garantia de Depósitos que visa encorajar os bancos a fazerem empréstimos comerciais entre si.

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08/10/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

O neoliberalismo em todo o seu esplendor…: Executivos da AIG festejam fim de falência em “resort” de luxo

A Casa Branca classificou, esta quarta-feira, de “repugnante” a atitude de executivos de topo da AIG/Life que, para comemorar a exorcização do fantasma da falência, esbanjaram centenas de milhar de dólares num luxuoso “resort” californiano.

A seguradora American International Group Inc. – AIG foi salva “in extremis” da falência através de uma injecção de 85 mil milhões de dólares (62 mil milhões de euros) aprovada pela administração do presidente George W. Bush.

De acordo com um inquérito parlamentar em curso, os executivos em causa – que não do sector financeiro da seguradora, alegadamente responsáveis pelo descalabro – esbanjaram 440 mil dólares (320 mil euros) no “resort”, em banquetes, spa e partidas de golfe. “É repugnante”, declarou indignada Dana Perino, porta-voz da Casa branca.

A AIG/Life pagou todos os gastos a estes executivos no “resort” Saint Regis, a sul de Los Angeles, na Califórnia. Da despesa global, 23.380 dólares (17 mil euros) foram para tratamentos vários no spa, de acordo com facturas na posse da comissão parlamentar que conduz a investigação.

“O presidente George W.Bush não avançou com a mega injecção de capital na seguradora para beneficiar executivos de topo”, sublinhou Dana Perino. E concluiu: “Foi antes para proteger o cidadão comum” de uma falência com consequências imprevisíveis para o seu quotidiano.

A porta-voz nada adiantou sobre as eventuais sanções que poderão enfrentar a seguradora e os executivos denunciados.

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08/10/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário