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Cada uma que arranjam…: Público – ERC alega “erro de funcionário” para justificar deturpação em acta de inquérito

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) admitiu hoje que a “reconstituição provisória” divulgada no site da autoridade reguladora dos media e publicada em Setembro pelo jornal “Expresso”, relativa a uma audição realizada em Abril de 2007 ao director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes, sobre alegadas pressões do Governo, não é afinal a versão definitiva dessas declarações. Trata-se, na verdade, de uma primeira versão construída a partir de notas recolhidas pelos membros do conselho regulador durante o encontro, divulgada devido ao “erro de um funcionário”.

Em causa está o facto de as declarações prestadas por José Manuel Fernandes não terem sido gravadas pelo sistema de som da ERC, ao contrário do que sucedeu com os restantes responsáveis ouvidos também na mesma altura, no âmbito de um inquérito da entidade sobre alegadas pressões para abafar a investigação jornalística relativa à licenciatura do primeiro-ministro. “Não nos lembrámos de ligar o gravador ou foi porque o sistema avariou”, justificou ontem ao PÚBLICO o presidente da entidade que regula os media, Azeredo Lopes, indicando que só se deram conta disso após a audição.

“De imediato entrámos em contacto a pedir imensas desculpas” pelo facto de as declarações não terem ficado gravadas, disse. “Combinei que enviaria, com base em notas muito dispersas da audição, aquilo que parecia a reconstituição provisória e José Manuel Fernandes devolveu o documento uns dias mais tarde com correcções”, acrescentou Azeredo Lopes. “Tenho de dizer que a versão definitiva da audição é a versão corrigida pelo director do PÚBLICO”, assumiu também: “A culpa desse erro é da própria ERC”.

Incluídas no processo, disse Azeredo Lopes, ficaram as duas versões: “A que foi enviada [ao director do PÚBLICO] e a respectiva resposta”. “O funcionário que pegou no dossier para o enviar ao Expresso pegou na primeira, pensando que era igual à segunda”, afirmou, acrescentando que “as duas são praticamente idênticas”. “Tinha de ficar a explicação procedimental para a circunstância de [José Manuel Fernandes] não ter sido gravado”, disse. “O próprio José Manuel Fernandes não se tinha apercebido de que aquela não era a versão exacta, apesar de durante dias ter sido muito divulgada; na carta de resposta que nos enviou na altura, manteve no documento o título de reconstituição provisória”, sublinhou o presidente.

A ERC tinha divulgado hoje no site uma carta enviada pelo primeiro-ministro, na qual este acusa o director do PÚBLICO de faltar à verdade “de forma especialmente covarde”. E acusa-o de “deixar a pairar uma suspeita indefinida” sobre a eventual existência de pressões. Em causa está a divulgação da audição de José Manuel Fernandes à ERC, sobre uma conversa telefónica com o primeiro-ministro. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”, cita o documento originalmente divulgado pela ERC. “É uma interpretação subliminar dizer que sempre existiu uma boa relação com o accionista (e admitir que ela poderia ser posta em causa?)”, refere também, como fazendo parte da mesma resposta.

Já a versão definitiva, só hoje divulgada no site, é diferente: “O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”. Questionado sobre se iria reagir em tribunal contra a carta do primeiro-ministro, José Manuel Fernandes disse que não. Já o presidente da ERC indicou que “em relação à carta, o primeiro ministro é que terá de considerar se se justifica ou não um novo esclarecimento da sua parte”.

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07/10/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Deve ser para rir: Entidade desregulada

Depois do estranho caso do som que não funcionou durante a audição de José Manuel Fernandes pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, somado ao erro da publicação no sítio da ERC de uma transcrição a várias mãos que não contava com as correcções reenviadas pelo director do Público, o que estará à espera Azeredo Lopes para apresentar a demissão? A culpa não pode morrer nas mãos de um “funcionário”.

“Tenho de dizer que a versão definitiva da audição é a versão corrigida pelo director do PÚBLICO”, confessa agora, reconhecendo que “a culpa desse erro é da própria ERC”. Perante as culpas assumidas – e depois da publicação de uma carta furibunda do primeiro-ministro – a actual direcção da entidade pública só pode retirar todas as consequências.

Finalmente, qual é a versão certa das declarações de JMF? Descubra as diferenças:

1. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”, cita o documento originalmente divulgado pela ERC

2. “O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”.

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07/10/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

O salvamento da crise financeira

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07/10/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Manuel António Pina: “Aconteça o que acontecer”

O ministro das Finanças, falando ontem no Luxemburgo, sossegou-nos: “Aconteça o que acontecer, as poupanças dos portugueses em qualquer banco que opere em Portugal estão garantidas”.

Gosto, na solene e luxemburguesa declaração, de duas expressões. Uma é “aconteça o que acontecer”; outra é “as poupanças dos portugueses” (dou de barato o “estão garantidas”, sabendo-se que o Fundo de Garantia de Depósitos não vai além dos 25 mil euros, e que, em matéria de garantias, o colchão é, pois, muito mais fiável). “Aconteça o que acontecer” é o género de frase que Gary Cooper dizia escondido debaixo da diligência e cercado de Sioux por todos os lados; no último momento aparecia a Cavalaria e tudo acabava bem, com o herói a beijar a rapariga. Na actual situação, contudo, o Plano Paulson parece-se de mais com o do General Custer para se poder esperar dali salvação. Quanto às “poupanças dos portugueses”, a que se referirá o ministro? Na maioria dos casos, só se for à parte do salário que resiste heroicamente debaixo da diligência até ao dia 15 de cada mês. Ora esse é um filme em que o herói nunca ganha.

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07/10/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

João Miguel Tavares: SÓ EU SEI PORQUE NÃO FICO EM CASA

Está toda a gente muito preocupada por os homossexuais não se poderem casar – eu estou muito mais preocupado por os deputados não poderem pensar. Ao aprovar a disciplina de voto (com excepção de uma mascote da JS, que está autorizada a votar a favor da proposta e assim demonstrar a extraordinária “pluralidade” dos socialistas) numa matéria claríssima de costumes e de consciência individual como é o casamento dos homossexuais, o PS enfiou mais uma machadada na credibilidade do Parlamento e dos seus deputados. Obrigado, Alberto Martins.

A bancada parlamentar do Partido Socialista, que tanto se orgulha da sua liberdade, é assim como uma claque de futebol: o chefe manda bater palmas, eles batem palmas; o chefe manda sentar, eles sentam-se; o chefe manda levantar a mão, eles levantam a mão. Sinto até um certo embaraço por um dia ter pensado que cada deputado tinha o seu próprio cérebro e que era com ele que votava na Assembleia de República. Graças ao badalado projecto de lei do Bloco de Esquerda, o grupo parlamentar do PS teve a amabilidade de me mostrar o quanto eu estava enganado.

Por isso, pedia humildemente aos especialistas em ciência política que tivessem a caridade de esclarecer esta alma baralhada: para que raio serve, afinal, a disciplina de voto? Porque é que devemos permitir que os deputados que nós elegemos e cujos salários nós todos pagamos votem como se a única coisa que os distinguisse de um rebanho fosse a gravata? Para que é que existem 230 deputados na Assembleia da República se no momento mais nobre da sua actividade – a votação das propostas – eles não estão autorizados a decidir segundo a sua consciência? É que se cada deputado está impossibilitado de se exprimir individualmente, uns 20 tipos chegavam e sobravam para distribuir proporcionalmente os votos do País. Se a disciplina de voto é a regra, então há pelo menos 210 cabeças a mais em São Bento.

E tão grave quanto a disciplina de voto do PS é a sua justificação. Segundo Strecht Ribeiro, vice-presidente do grupo parlamentar, os socialistas não estão a votar contra o casamento dos homossexuais. Nada disso. O que eles estão é a votar contra “o oportunismo político” do Bloco de Esquerda. Ou seja, o PS acredita que a situação actual dos gays é manifestamente injusta. Mas entende que esta não é a altura certa para reparar a injustiça. Extraordinário. Nós vivemos num país onde o partido que nos governa entende que até a correcção de injustiças que não dependem de mais nada senão da aprovação de uma lei deve obedecer a um timing certo. E os oportunistas políticos são os outros, claro. Partidos destes não deviam sentar-se no Parlamento. Partidos destes deviam sentar-se nas bancadas do Estádio de Alvalade.

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07/10/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | , | Deixe um comentário