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O que vou lendo por ai…

Isto é o que se chama o neoliberalismo refinado: BCP desmonta burla de 75 milhões

O Ministério Público deduziu acusações contra 4 pessoas, entre as quais um sírio, envolvidos numa tentativa de burla de 75 milhões de euros no BCP. O alarme foi dado pelo próprio banco, e a fraude parecia contar com cumplicidades internas

O Ministério Público (MP) acaba de deduzir a primeira acusação por crime de corrupção activa no sector privado. Os arguidos são quatro indivíduos que se preparavam para desviar pelo menos 75 milhões de euros de contas bancárias do BCP para contas na Suíça, em 2004. Para isso, tentaram aliciar dois funcionários do banco – mas estes deram o alerta ao Departamento de Auditoria do banco.

Os quatro arguidos – João Dias, José Ribeiro, Diamantino Santos e Nizar Sofani (um dinamarquês de origem síria) – negam os factos que lhes são imputados. Além de corrupção, o MP acusa-os também de burla informática agravada por pretenderem aceder ilicitamente às contas do BCP através da instalação de um software nos servidores centrais do banco – aplicação informática essa que seria instalada pelos funcionários e que efectivaria o desvio do dinheiro.

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“A credibilidade da Islândia foi pela janela”

Adalsteinn Leifsson: “Passámos do ‘foie gras e do champanhe para a pizza e Coca Cola”
00h30m

AAdalsteinn Leifsson, director mestrados e professor assistente na School of Business da Universidade de Reiquejavique, dá sua visão dos acontecimentos mais recentes na Islândia.

Quem chega a Reiquejavique não vê grandes sinais da crise. Mas ela existe. Onde é que mais se sente?

Em primeiro lugar, tínhamos três bancos privados que foram nacionalizados. Hoje não há moeda a entrar ou a sair do país. Não temos dinheiro para manter os negócios a funcionar. As empresas que importam, por exemplo, não têm como pagar porque ninguém aceita as coroas.

A credibilidade da Islândia está em causa?

A credibilidade da Islândia foi pela janela. O Reino Unido não é o único país a pôr restrições aos nossos bancos, mas a verdade é que Londres é um centro financeiro mundial e muitos vão seguir o seu exemplo.

O desemprego é uma ameaça que se aproxima?

Há, sem dúvida, muitas pessoas preocupadas com os empregos. Os casos mais graves são os dos que pediram empréstimos em moeda estrangeira e cujas prestações mensais duplicaram.

No dia-a-dia o que mudou?

Vejo menos trânsito na rua. Tenho um amigo cirurgião que compara a actual situação à de um país em guerra: a população está em choque. A vida continua, mas há medo e fúria contra os políticos e os gestores dos bancos. Só depois virá a aceitação.

O que é preciso para passar de uma fase à outra?

É preciso apurar o que aconteceu. Muitas pessoas acham que devíamos recorrer a especialistas estrangeiros, mais isentos. Para nós é difícil construir um novo sistema financeiro. Como académico adito que era muito interessante um pequeno país ter três bancos privados com negócios 15 vezes maiores do que a economia nacional.

O que correu mal?

O Banco Central e o Governo falharam. A economia islandesa era demasiado pequena para apoiar estes bancos numa crise mundial.

A vida de luxo acabou?

Vamos passar a ter comida mais barata nas reuniões familiares. Passámos do “foie gras” e champanhe para a pizza e Coca Cola. É como quem tem de arrumar a casa depois da festa. Também pode ser divertido. Éramos a nação mais feliz do mundo. Acho que isso não tem de mudar. Só precisamos de nos adaptar.

Recuperar a imagem da Islândia é a prioridade?

Queremos mostrar que assumimos a responsabilidade pelas nossas empresas e pelas suas dívidas. Temos de explicar a situação, as razões e a nossa reacção à crise. Neste momento há quem defenda que não devemos pagar pelas dívidas dos bancos porque não seria justo para os contribuintes ser prejudicados pelos erros de três empresas e há quem ache que devemos garantir que os credores vão recuperar o dinheiro, o que implica impostos mais altos e os nossos netos ainda terem de pagar.

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Islândia: um país fechado para obras

Viver num país em crise significa alimentação mais cara, desemprego,perda da habitação paga a crédito e dificuldade em obter empréstimos
00h30m
HELENA TECEDEIRO, Jornalista do DN

Habituados a uma vida de luxo, os islandeses enfrentam agora uma realidade bem diferente. Os textos que se seguem procuram retratar a actualidade de um país onde os efeitos da crise financeira mais se fazem sentir.

Quem chega a Reiquejavique e já folheou um guia da cidade sabe que o que logo capta o olhar na paisagem da capital mais a norte do mundo é a Hallgrimskirka. Com a sua forma de foguetão, a igreja luterana tornou-se símbolo da imponência e excentricidade de um país que nos últimos 15 anos teve um progresso tal que atingiu o primeiro lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU. Mas agora, a Hallgrimskirka está coberta de andaimes. Uma reconstrução que irá durar até ao Natal de 2009 e que a Islândia parece ter de imitar depois da crise financeira que obrigou à nacionalização dos seus três principais bancos e que ameaça lançar muitos trabalhadores para o desemprego.

“Disseram-nos que estava tudo bem e de repente chegou a crise”, diz Eyglo Arnarsdóttir com uma ar incrédulo. Editora do “site” da Iceland Review, esta rapariga loura admite que o desemprego é a maior preocupação neste momento: “As pessoas perderam as poupanças, temem perder o emprego e os apartamentos”. Mas o sentimento dominante para quem estava habituado a viver “uma vida de luxo” é a ira. “As pessoas estão zangadas”, explica Eyglo enquanto bebe um gole do café na redacção sobreaquecida da revista, com a neve lá fora a rodopiar ao sabor do vento gelado. E os alvos do descontentamento são vários: o Governo de Geir Haarde por ter privatizado os bancos, mas também, e sobretudo, os próprios banqueiros.

Abrigada na barraquinha branca da Elding, uma empresa que organiza passeios para ver as baleias, bem no porto de Reiquejavique, Eva María Porarinsdóttir concorda com Eyglo. “Já perdi muito dinheiro em acções”, confessa a gerente da Elding com aquele sorriso resignado que aparece nos rostos dos islandeses quando ouvem a palavra “crise”. “Estamos desiludidos e zangados”, acrescenta com um encolher dos ombros largos cobertos por uma fina camisola preta. Mas, a fazer jus à sua fama de povo mais feliz do mundo, os islandeses parecem estar optimistas. “Acho que vai ficar tudo bem”, exclama Eva María agora com um sorriso aberto. Endireita-se, alisa o longo cabelo loiríssimo e aponta para o computador: “Nós estamos no ramo certo. O turismo pode beneficiar desta crise”.

Antes da crise, a Islândia era um dos países mais caros do mundo. Mas com a coroa a ter perdido metade do valor no último ano, muitos turistas aproveitam para visitar a ilha que, apesar de ficar mais perto da Gronelândia do que da Europa se considera bem europeia. É o caso de Kaj Christiensen. Este dinamarquês que confessa os “40 e tal anos”, sem mais, acaba de sair do supermercado Bónus, em plena Laugavegur, uma das principais artérias comerciais no centro de Reiquejavique. É com um saco amarelo na mão, com um porco cor-de-rosa sempre associado no imaginário popular à poupança, que Kaj explica como há muitos anos vem à Islândia. Mas no avião que na véspera o trouxe, reparou que “havia muitos mais turistas”. Afinal, “as coisas para nós estão a metade do preço”.

Mas se para os estrangeiros a crise é uma benece, para os islandeses o aumento dos preços já se faz sentir. “Saí agora do hospital e encontrei tudo muito mais caro”, explica Olöf Helga Junnarsdottir. Escondida dentro de um casaco branco, com um gorro de lã a condizer, a secretária sai do Bónus com o filho adolescente. “A carne sobretudo aumentou muito”, confessa, para logo acrescentar: “Mas não falta comida como a imprensa estrangeira anda a dizer”.

A maior dificuldade parece ser para quem contraiu empréstimos em moeda estrangeira. É que se as prestações em coroas aumentaram, em euros ou dólares duplicaram. Acabado de sair do imponente edifício do Lansbanki, um dos três bancos que o Estado islandês privatizou, Gunnar Adalsteinsson vem com o semblante carregado. “Fui pedir um empréstimo. Mas é quase impossível conseguir”, explica o empregado da construção civil, cujas calças manchadas revelam a actividade. Apesar de garantir que a empresa de montagem de telhados onde trabalha é sólida, Gunnar admite estar preocupado. “Mais bancos vão cair, as empresas também”. E a crise já começou a bater à porta deste pai de família. “A roupa, a comida. Está tudo mais caro”, suspira. E acrescenta: “Agora é a sobrevivência dos mais fortes”.

* Serviço especial JN/DN

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31/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Tiques fascistas?: Paulo Rangel quer José Sócrates a explicar telefonemas para jornais

Orçamento. PSD acusa Governo de instrumentalizar o Parlamento

Líder parlamentar do PSD alerta para diminuição da liberdade de impresa

Paul Rangel , líder parlamentar do PSD, fez ontem “um apelo ao primeiro-ministro” para que este explique o relato feito pelo Expresso do último sábado, em que se dava conta de que José Sócrates ligou ao director do Diário Económico tentando desmentir a manchete daquele jornal que referia as alterações das regras de financiamento partidário introduzidas pela proposta de Orçamento para, em fase posterior, vir a admitir que o jornal tinha razão.

“Acho descabido e disfuncional que numa democracia um primeiro-ministro ligue ao director de um jornal num caso deste tipo”, frisou Paulo Rangel, adiantando que existem sintomas “de diminuição da própria liberdade de imprensa”. O líder dos deputados laranja considerou que o facto do caso ter passado sem qualquer reacção “demonstra como este tipo de comportamentos do PM está entranhado na sociedade portuguesa”. Paulo Rangel questiona mesmo “em que país da Europa um primeiro-ministro telefona para um director directamente quando sai uma notícia desagradável?”.

Na reunião de ontem da conferencia de líderes parlamentares, Rangel aproveitou para contestar o pedido do executivo para que a proposta de Orçamento para 2009 seja rectificada em matéria de Lei de Financiamento dos Partidos Políticos.

O líder parlamentar social-democrata considera que se trata de “pela segunda vez se tentar instrumentalizar o Parlamento”, pois se numa primeira fase o OE foi entregue numa pen que efectivamente não tinha o documento, agora – com o expediente de rectificação de um lapso – se avança com uma proposta de alteração material ao regime que se quis estabelecer para o financiamento dos partidos. Segundo Paulo Rangel, “o Governo procura emendar um erro com outro erro”, daí que o PSD tenha pedido ao presidente da AR que não aceite a alteração enviada pelo Governo. A matéria foi, aliás, remetida por Jaime Gama para a Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças que deverá emitir um parecer sobre a sua admissibilidade, ou não.

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29/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

E vai esta gente receber dinheiro do Estado – até assusta ler a notícia completa…

Cadilhe denuncia quadros por alegados crimes no BPN

29/10/2008 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Rui Rangel: Direito à privacidade

“A Inspecção-Geral das Finanças reduziu a privacidade dos seus funcionários a um código de barras”.

É arrepiante ouvir dizer, com grande serenidade, que a Inspecção das Finanças deste País democrático, leu e-mails de centenas de funcionários, sem o consentimento destes, só para averiguar eventuais fugas de informação. E tudo fez sem qualquer consequência.

George Orwell preconizou, em 1984, um Mundo em que a democracia desaparecia, dando lugar a um governo totalitário que controlava a vida dos cidadãos, através de câmaras de televisão omnipresentes. Hoje em dia, uma das grandes preocupações é a invasão indiscriminada da priva-cidade. Neste admirável Mundo novo, o direito à privacidade não pode ser, cada vez mais, uma mera quimera em que a individualidade é devassada com um toque de tecla. A Inspecção das Finanças reduziu a privacidade dos seus funcionários a um código de barras, pondo em causa a sua dignidade e individualidade. Só os Estados totalitários recusam o direito à privacidade porque convivem mal com a dignidade da pessoa humana.

Diz a Lei, nos arts. 80º do Código Civil e 26º da Constituição, que todos devem guardar dever de reserva quanto à intimidade da vida privada. O carácter universal destes direitos vincula todas as entidades públicas e privadas que estão sujeitas a critérios de ponderação proporcional e de concordância prática, em caso de conflito, com outros direitos fundamentais. São direitos jurídico-constitucionalmente protegidos. Não podem ser violados de forma gratuita, nem escancarados para averiguar fugas de informação. Os e-mails dos funcionários das Finanças só poderiam ser abertos e lidos de duas maneiras: por via de um inquérito e através de prévia autorização judicial, como sucede nas escutas telefónicas, ou através de autorização do lesado que prescinda desse direito e que consinta essa invasão.

Esteoráculodequese serviu a Inspecção das Finanças espelha a tendência cada vez maior de os Governos, em nome de qualquer coisa,arranjaremmeios (i)legais para invadirem a privacidade do cidadão. A devassa da privacidade destes funcionários,queficaram ética e moralmente despidos, além de ser intimidatória, não respeitou a Lei nem se preocupou com as regras de ponderação proporcional e de concordância prática, face à ofensa generalizada que foi cometida aos seus direitos, liberdades e garantias.

De facto as nossas vidas (virtuais) estão ao sabor de um qualquer clique. A mesquinhez do argumento, para a devassa e o abuso cometido, exige uma investigação para que a Inspecção das Finanças aprenda a lição.

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29/10/2008 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Está divinal…Manuel António Pina: Três anos depois

O título da notícia da Globo provocou um abalo sísmico (por pouco escrevia cívico) nas minhas convicções sobre Portugal: “MP vai investigar nepotismo na Câmara e no Executivo”.

Havia um “F” a seguir a MP (Ministério Público), mas, com o alvoroço, nem me apercebi. Tinha na cabeça a contratação por Rui Rio, a 3 790 euros por mês mais IVA, da irmã do seu vice-presidente para um cargo para o qual não tem qualificações específicas, e as de filhos e sobrinhos para tudo o que é gabinete ministerial, e deixei-me levar pelo entusiasmo.

Afinal a Câmara era o Senado brasileiro, e o Executivo o de Lula. Naquela singularíssima Câmara, os “funcionários contratados (…) terão de assinar um termo de compromisso declarando não serem parentes de senadores ou servidores que ocupem cargo de chefia” e 86 parentes deste e daquele, contratados para isto e para aquilo, foram demitidos. Por cá, noutra Câmara, a do Porto, não só o Executivo contrata parentes a peso de ouro como a oposição, apesar de considerar isso imoral e ilegal, se limita a fazer um “julgamento político” e só três anos depois anuncia a “sentença”.

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27/10/2008 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Atitudes de governos corruptos…o que é que querem que eu diga?: DN – Governo deixa atrasar medida anticorrupção

Relatório. Desde 2005, o Governo deixou por regulamentar nove leis, ultrapassando em meses ou mesmo anos os prazos legais definidos nos próprios documentos. No último ano parlamentar, há três leis que já deveriam ter enquadramento, mas continuam à espera. Entre estas está um diploma que estabelece medidas de combate à corrupção

Governo deixa atrasar medida anticorrupção
Três meses depois de expirado o prazo legal para a regulamentação de uma lei anticorrupção, que prevê a criação de um registo de procurações irrevogáveis – uma figura usada no crime económico – o decreto continua por publicar. Segundo o ministério da Justiça, o documento está actualmente em fase de audições. Mas a lei é clara – o prazo legal para o Governo proceder ao enquadramento do diploma terminou a 25 de Julho último.

Esta é uma das nove leis aprovadas na Assembleia da República nesta legislatura, que espera ainda por regulamentação, passados que estão os prazos definidos nos próprios diplomas. Um conjunto em que se incluem leis que datam já de 2005.

No caso do combate à corrupção, trata-se de uma lei aprovada no Parlamento e publicada em Diário da República a 21 de Abril último.

Logo no artigo primeiro, o diploma prevê a criação, no âmbito do Ministério da Justiça, “de uma base de dados de procurações” – “sendo de registo obrigatório as procurações irrevogáveis que contenham poderes de transferência da titularidade de imóveis”. A medida visa uma prática bastante identificada no crime económico: a transferência de bens, através dos chamados “testa-de-ferro”.

Ou seja, num acto de corrupção em que alguém queira pagar favores a uma segunda pessoa – mas não o podendo fazer abertamente por levantar suspeitas – transfere os bens para um terceiro. Este último, o chamado “testa-de-ferro”, passa então uma procuração irrevogável ao real destinatário dos bens, que passa a dispor desse activo. O que a medida prevista na lei vem fazer é criar uma base de dados das procurações, tornando mais fácil a identificação de situações suspeitas.

Regulamentação fora de prazo

A própria lei estabelece que esta medida deveria ser “regulamentada pelo Governo no prazo de 90 dias a contar da data de entrada em vigor”, um prazo que expirou no final de Julho. O DN contactou o ministério da Justiça, no sentido de obter esclarecimentos, tendo este informado que o decreto foi aprovado a 18 de Setembro em Conselho de Ministros, encontrando-se actualmente em fase de audições. Uma vez instituída, a base de dados de procurações ficará disponível para acesso das “entidades com competência na área da investigação criminal e em matéria de combate à corrupção e à criminalidade económico-financeira”.

Quinze leis à espera

A relação dos diplomas de regulamentação das leis aprovadas na Assembleia da República consta de um relatório elaborado pelos serviços parlamentares e já distribuído às várias comissões. De acordo com o documento, estão por regulamentar 15 leis aprovadas na passada sessão legislativa (entre 15 de setembro de 2007 e 14 de Setembro de 2008). Destes diplomas, 12 não definem prazos para a publicação do enquadramento legal, três já ultrapassaram o prazo fixado. O mesmo acontece com leis de anos anteriores. Estão por regulamentar pelo Executivo uma lei de 2007, três de 2006 e duas de 2005.

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24/10/2008 Posted by | Política: notícias | , , , | Deixe um comentário

É uma alegria…também quero empregos destes: DN – Passivo na Gebalis cresceu cinco milhões

Gebalis. Na investigação aos gastos na administração da empresa municipal de habitação social, o MP detectou gastos “sumptuários” que considerou “relevantes” para agravarem o passivo em cinco milhões de euros. Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças são acusados de gestão danosa e peculato
O passivo da Gebalis mais do que duplicou, agravando-se em cinco milhões de euros – de 4,6 milhões passou para 9,6 milhões – durante o mandato dos três gestores acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de peculato e gestão danosa.

O MP considerou no despacho de acusação que a actuação dos arguidos, fazendo despesas “sumptuárias”, “indevidas”, “ilícitas” e “supérfluas”, se revelou “particularmente relevante” tanto na “agravação [sic] da situação deficitária da empresa” como na “diminuição da capacidade da mesma para responder às necessidades da comunidade que tem como atribuição servir”. Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças “bem sabiam que necessariamente dos gastos que realizavam (…) decorreria um prejuízo particularmente relevante para a empresa e um agravamento do respectivo passivo, como efectivamente aconteceu”, lê-se ainda no despacho.

Segundo o MP, os arguidos causaram à Gebalis – a empresa da Câmara Municipal de Lisboa que gere a habitação social – um prejuízo directo de 200 mil euros. Ora esse montante equivaleu, no período em causa (de Março de 2006 a Outubro de 2007), a dois quintos do subsídio que a CML atribuiu à Gebalis (um milhão de euros no total). E foi superior aos 124 mil euros que a empresa registou no exercício de 2006 como proveitos suplementares e ganhos extraordinários.

O despacho do MP consiste, no essencial, em várias listas com as tais despesas “sumptuárias” alegadamente realizadas pelos três arguidos. Francisco Ribeiro (presidente da empresa) e Mário Peças (vogal do conselho de administração) beneficiaram de três cartões de crédito (BES, Milennium e BPI) e Clara Costa (também vogal) de dois (BES e Milennium). E utilizaram-nos como se “constituíssem elemento integrante da remuneração”, em despesas suas ou “com amigos e outras pessoas” quer nos dias de trabalho quer em férias ou fins-de-semana.

Em refeições, Francisco Ribeiro usou os cartões de crédito da Gebalis para gastar 12,7 mil euros; Mário Peças, 40,1 mil euros; e Clara Costa, 11,5 mil euros. Tudo somado: 64,3 mil euros. Conclusão do Ministério Público: “Os almoços de trabalho ocorriam sempre a expensas da Gebalis e tinham, em regra, lugar em restaurantes de preço elevado e consistiam em repastos incompatíveis com a sua natureza e com a situação financeira da empresa.” O mais caro ascendeu a 870 euros, despesa paga pelo cartão de crédito de Mário Peças, em 30 de Outubro de 2006, na Varanda da União.

Mas as despesas não se ficaram por aqui. O levantamento efectuado pela investigação criminal incluiu livros, viagens, DVD e outros objectos. Verificou, por exemplo, que em 20 de Julho de 2006 o arguido Mário Peças comprou dois conjuntos de caneta e esferográfica (um deles Montblanc) no valor total de 2686 euros, “dando–lhes destino associado à satisfação dos seus próprios interesses pessoais”.

Viagens com namorado

Também se verificou que dois dos arguidos usaram os cartões de crédito para viagens em períodos de férias pessoais, todas em 2006. Clara Costa fê-lo numa viagem a Belfast (12 de Junho) e noutra a Viena (27 de Junho); Mário Peças numa a Dublim (15 de Setembro) e noutra Rio de Janeiro (6 de Outubro).

Contas feitas, a Gebalis pagou em viagens 56,9 mil euros (no ano de 2006) e 24,1 mil euros em 2007 (até 31 de Outubro). Sendo que, em várias efectuadas pela arguida Clara Costa (a Cracóvia, Belfast, Dublim, Marraquexe, Viena e Sevilha), esta se fez acompanhar pelo namorado. O MP concluiu que os custos das viagens do namorado eram parcialmente cobrados à Gebalis.

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24/10/2008 Posted by | Política: notícias | , , | Deixe um comentário

Este Portugal é uma alegria…: Ex-administradores da Gebalis acusados pelos crimes de peculato e administração danosa

Ex-administradores da Gebalis acusados pelos crimes de peculato e administração danosa

23.10.2008, Josér António Cerejo

Francisco Ribeiro disse à Lusa que não comenta acusação do MP. António Costa afirmou que os actuais gestores da empresa já não têm cartões de crédito

Os três anteriores administradores da Gebalis, empresa municipal que gere os bairros sociais de Lisboa, foram acusados pelo Ministério Público, esta semana, pela prática dos crimes de peculato e administração danosa. Os acusados são Francisco Ribeiro, que desempenhou as funções de presidente da empresa entre Fevereiro de 2006 e Outubro de 2007 e ocupou o sétimo lugar da lista de Carmona Rodrigues às eleições intercalares de Lisboa do ano passado, a advogada Clara Costa, que foi vogal da administração no mesmo período, e Mário Peças, um representante do PS que foi vogal desde 1995 até Outubro passado.
O inquérito teve origem numa denúncia e num relatório de uma comissão nomeada pelo ex-vereador da acção social Lipari Pinto (PSD) no princípio de 2007, na quadro das guerras internas que opunham diferentes facções do PSD na câmara. Lipari Pinto pediu a demissão dos três administradores nomeados quando Maria José Nogueira Pinto tutelava a Gebalis, em 2006, mas Carmona Rodrigues manteve-os em funções até a câmara cair meses depois.
Parte dos factos investigados respeitava a suspeitas de ilegalidades na contratação de serviços e de empreitadas que envolviam também administrações anteriores à de Francisco Ribeiro, mas o Ministério Público optou por desencadear processos autónomos, que estão ainda a decorrer, para aprofundar esses casos.
Na acusação agora formulada, a nona secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa sustenta que os três arguidos usaram ilegalmente e em benefício próprio os cartões de crédito que lhe foram atribuídos pela empresa e as verbas do Fundo de Caixa. No total, as despesas assim efectuadas em refeições, objectos de uso pessoal, prendas e viagens ascenderam a cerca de 200.000 euros, o que equivale a 40 por cento do subsídio anual atribuído pela câmara à Gebalis.
Em comum, estes gastos têm o facto de corresponder quase sempre a consumos luxuosos, supérfluos e mesmo sumptuários, o que contrastava com o facto de a empresa se encontrar então numa situação financeira calamitosa.
Muitas das despesas consideradas ilegais foram feitas em períodos em que os arguidos se encontravam de férias ou em fim-de-semana, ou, apesar de alegadamente serem feitas em serviço, ocorreram em acumulação com o recebimento de subsídios e abonos para o efeito.
Mais gastadora mostrou-se a arguida Clara Costa, que, nos 20 meses de exercício, fez 15 viagens ao estrangeiro no valor de quase 34.000 euros (incluindo alojamento), contra três de Mário Peças (6600 euros) e quatro de Francisco Ribeiro (1900 euros). Algumas destas viagens foram feitas em companhia de pessoas que não tinham direito a elas.
Já no tocante a refeições, quase todas elas em restaurantes de luxo, como o Porto de Santa Maria, no Guincho, e o Gambrinus ou a Bica do Sapato em Lisboa, Mário Peças gastou em proveito pessoal 40.000 euros (2000 por mês em média), pagando frequentemente gorjetas de 20 e 30 euros. Clara Costa ficou-se pelos 11.500 euros (570 por mês) e Francisco Ribeiro atingiu os 12.700 euros (630 por mês).
Os arguidos usaram igualmente os cartões para adquirir objectos pessoais diversos, que incluem livros, DVD e canetas de luxo num total próximo dos 5000 euros.
Lor aut nostrud dolummo estis nonsequismod et, quamet ad te modolobore tat dunt lam vercipit dolorer estrud tatum.
Dui te tem auguerit augueros niat ing exero dolorerit incin utat in heniamconsed magna feum estionum nulputatie ming essenibh er sisi.
Lorem ipsustin ulputat. Duis nonullan volor sit loreet, conum venim zzriusci tie commolut la aliquat, sit ametue volobor ercil del iriure diam, venim quisit, sustio od dolobor riure et, consequation utat. Ut ectet lor sisis exeriusto conse dolore
200 mil

O total do prejuízo causado à empresa pelos arguidos soma 200.000 euros. O vogal Mário Peças, que estava na Gebalis desde 1995, comprou uma caneta Mont Blanc por 1700 euros e uma outra por 990 com os cartões de crédito.

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23/10/2008 Posted by | Política: notícias | , , , | Deixe um comentário