Livresco’s Weblog

O que vou lendo por ai…

Paula Teixeira da Cruz: Defraudados

Defraudados
“A estas medidas ditas de simplificação sem tradução no real devia ser aconselhado o internamento urgente”.

O ‘grito’ do professor António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, sobre o estado das universidades, os meios que não têm, a impossibilidade de fazer investigação, a funcionalização destas instituições, a asfixia financeira, contrastou violentamente com uma muito propagandeada distribuição de alguns computadores ‘Magalhães’ (e pelos vistos os alunos até os podem levar para casa em vez de ficarem na escola a servir para o que devem e não para o que não devem). Mas isto de respeito por património público tem muito que se lhe diga.

Não se ouviu falar em programas de leitura ou de matemática neste regresso às aulas. Nem em incentivos de qualquer espécie ou natureza sobre intervenção em actividades culturais ou de voluntariado. Nem uma palavra sobre métodos de estudo que, como é sabido, são muitas vezes o problema principal: aprender a estudar.

Nisto como no resto, do Governo vem lei e propaganda. Quanto à lei, reconheça-se que a maioria é má e a pequena minoria que preconiza algo de bom… amiúde não funciona. Pouco importa estabelecer regimes de alegada prática conjunta de actos e de simplificação que depois não podem ser aplicados… letra, ou melhor, lei morta. Estabelecer na lei que se pode praticar um conjunto de actos em simultâneo sob a alegação de simplificação quando os serviços depois não o podem fazer, de nada adianta.

Anunciar a simplificação da vida dos cidadãos e das empresas e depois verificar que essas medidas não existem no terreno… as ditas simplificações legislativa e administrativa que alegadamente visam combater a burocracia morrem por falta de meios e formação, defraudando as pessoas e deslegitimando a lei. No País do Simplex.

Sócrates afirmou em tempos que o Simplex é transformar o impossível em possível. Estou em dia optimista: talvez. Pode ser até certo, mas é incerto quando. Por ora, continuamos na dimensão do impossível e da virtualidade.

Afinal, Simplex também é nome de vírus e de vírus antipático, igualmente com elevada prevalência na população em geral. Apresenta-se muitas vezes com infecção sistémica. A estas medidas ditas de simplificação sem tradução no real devia ser aconselhado o internamento urgente. Como ao uso dos ‘Magalhães’ sem rei nem roque.

O único Simplex que se descortina vivo e na sua integralidade é o facilitismo na educação. Simples? Não, uma vez mais a pagar em gerações, como é timbre deste Governo.

LINK

Anúncios

25/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Pacheco Pereira atira-se ao jornalismo da RTP

Polémica. O social-democrata ataca, mais uma vez, o jornalismo feito pela RTP, acusando-o de servir os interesses do Governo de José Sócrates. O comentador da ‘Quadratura do Círculo’, na SIC Notícias, considera as peças da estação pública uma vergonhosa propaganda e que a ERC fecha os olhos
José Pacheco Pereira volta a atacar o jornalismo da RTP, acusando-o de servilismo em relação ao Governo, desta vez por causa do tratamento informativo dado à entrega de computadores Magalhães nas escolas. Mas a querela não é nova. Aliás, o social-democrata tem falado reiteradamente neste assunto no programa onde é comentador, no Quadratura do Círculo, transmitido na SIC Notícias. Só que, desta vez, o tom é mais forte, e lançou ainda um repto, desafiando os jornalistas da RTP a um debate com ele próprio.

“Mais uma escandalosa sessão de propaganda, com um longo tempo de antena do primeiro-ministro, está em curso no noticiário das 13.00 da RTP a pretexto do [computador] Magalhães (“o primeiro portátil inteiramente português é produzido em Matosinhos” mente o oráculo). A RTP perdeu toda a vergonha e a ERC, que fecha os olhos a esta completa ausência de jornalismo substituído por favores políticos, também”, começa o texto de Pacheco Pereira no seu blogue Abrupto (http/abrupto.blogspot.com).

No final do texto, Pacheco Pereira faz ainda um apelo aos políticos e um lança repto aos jornalistas da estação pública: “Neste momento o descaramento destes noticiários da RTP é tal, que justificava medidas quer da oposição, quer do Presidente (de forma discreta aliás), já que aqui a regulação não nos defende. Aliás, o PS não se queixa de falta de regulação. Se a RTP tiver coragem e os jornalistas que fazem estes noticiários também, desafio-os para um debate público (porque não na RTP?), com passagem das peças antes, para todos poderem ver. Venham cá explicar-nos onde está o jornalismo, a ‘edição’, a distanciação, o afastamento do discurso do poder nestes noticiários. Venham”.

O director de informação da RTP, José Alberto Carvalho, respondeu à Lusa: “Cada vez que o dr. Pacheco Pereira fala sobre a RTP parece estar a fazer política. A RTP recusa entrar em debate sobre política com o dr. Pacheco Pereira ou seja com quem for”. E acrescentou: “Já tenho 13 entidades às quais respondo. Não há redacção no País mais escrutinada do que a da RTP”.

Quem também respondeu a Pacheco Pereira foi o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), José Azeredo Lopes. “A ERC não é regulável de fora. A ERC tem tempos de decisão que não flutuam ao sabor da opinião pública. A ERC não pode decidir ao ritmo imediatista de Pacheco Pereira. E digo isto com todo o respeito que tenho por ele. Aliás, já aconteceu uma vez, a ERC dar seguimento a uma queixa que ele fez sobre um noticiário da RTP. Pacheco Pereira pode ir ao nosso site e formalizar uma queixa através de um formulário”, explicou.

LINK

25/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | , | 1 Comentário