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Vereadora que pagava 146 euros de renda à Câmara de Lisboa recebe reforma de 3350

A vereadora do PS responsável Acção Social da Câmara de Lisboa, que até ao final do ano passado pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre, tem uma reforma de cerca de 3350 euros.

Ana Sara Brito deu ontem uma conferência de imprensa para explicar uma situação que durou 20 anos e que “nunca pôs em causa” os seus “valores éticos”. É por isso que não se demite: “Continuarei, apesar de alguns não o desejarem, com a mesma determinação, a trabalhar de acordo com o programa eleitoral.”

Sem esclarecer todos os aspectos da questão, a autarca explicou que quando tentou alugar a casa, em 1987 – era então vereadora da Acção Social pela primeira vez -, percebeu que o seu proprietário, um privado, tinha problemas com o município que o impediam de o fazer. “Apresentei a situação a Abecasis”, o então presidente da câmara, que, actuando como se o imóvel pertencesse ao município, lho arrendou. Como? Porquê? Sara Brito invocou motivos “pessoais” para não responder, não tendo também esclarecido que tipo de problema deu à autarquia o direito de se tornar senhoria de um imóvel que pertencia a um particular.

Questionada sobre se tinha necessidade da casa há 20 anos, era então enfermeira de profissão além de vereadora, respondeu que sim. E 20 anos depois, quando auferia uma pensão que, segundo a declaração de rendimentos que entregou em 2006 no Tribunal Constitucional, se eleva aos 46.883 euros anuais, ainda tinha necessidade de uma renda camarária de 146 euros? “Não era uma casa de habitação social”, repetiu várias vezes. O imóvel integrava-se no património disperso do município, até hoje gerido com critérios discricionários. A renda, inicialmente inferior aos 146 euros, foi sendo aumentada de acordo com a lei até chegar a este montante, “A casa foi-me atribuída legalmente. O contrato de arrendamento era legal”, disse Sara Brito.

Para evitar que estes e outros casos do género se repitam, a Câmara de Lisboa promete ser mais rigorosa daqui em diante na entrega de casas. Também presente na conferência de imprensa, o presidente da autarquia, António Costa, fez questão de referir que todos os escândalos sobre a matéria vindos até agora a público se referem a habitações atribuídas em mandatos anteriores ao seu. E que desde que começou a governar o município os critérios de entrega de casa sempre foram objectivos: quando os habitantes se encontram em prédios municipais a ameaçar ruína, quando têm problemas de saúde graves comprovados e várias outras condições.

Recordando que as autoridades estão na câmara a investigar vários destes processos, António Costa anunciou que pediu à Comissão Nacional de Protecção de Dados para divulgar a lista do património disperso do município, renda e nome do inquilino.

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30/09/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Paulo Ferreira: O exemplar caso de Lisboa

O esquema de atribuição de casas de forma arbitrária, para dizer o menos, pela Câmara Municipal de Lisboa dura há, pelo menos, 30 anos. É bom repetir a longevidade da aparente tramóia: 30 longos anos de impunidade. Os factos daquele que poderá constituir um dos maiores escândalos da política portuguesa das últimas décadas não estão ainda todos apurados. Longe disso. Quando estiverem – se vierem a estar… -, perceber-se-á melhor o alcance do estratagema, tão revelador do modo como tende a ser olhada pelos portugueses a “coisa pública”.

Parece que, tanto quanto foi possível apurar até agora, terão sido entregues casas a amigos, amigos de amigos, correlegionários, amigos de correlegionários, artistas, amigos de artistas, jornalistas amigos (e até jornalistas inimigos que passaram a amigos) e, por fim, a efectivamente necessitados. No todo e por junto, qualquer coisa como 3200 casinhas a preços módicos: uma renda média de 35 euros com que qualquer português sonha.

O eterno vereador Pedro Feist não vê nisto qualquer problema, uma vez que, por se ter cristalizado, a entrega de casas sem critério já não provoca azia a ninguém. Pelo menos na Câmara de Lisboa.

A pergunta é: e deve provocar? Depende dos gostos. Se quisermos que o “jeitinho” e o pequeno favor, vetustos recursos dos portugueses para eliminar incómodos e alcançar benessses, continuem a minar as nossas instituições – e, por consequência, a nossa democracia -, não se vê, de facto, por que há-de ficar com azia quem beneficiou e quem foi beneficiado. Se quisermos dar um pulo qualitativo rumo à decência e ao mérito, eliminando pelo caminho as pressões espúrias e os esquemas ínvios como forma de alcançar o desejável independentemente do preço a pagar, então aí devemos ficar todos com muita azia.

Deve ser, aliás, por causa da azia que, apesar do fenómeno lisboeta atravessar a gestão de vários presidentes, foram ainda tão poucos os responsáveis que se decidiram a esclarecer um bocadinho do esquema, em que podem até ter sido apanhados sem nada saberem. Ainda assim, não deixa de ser verdadeiramente impressionante, mas ao mesmo tempo tão revelador, o silêncio ensurdecedor que rodeia este sinistro caso.

O que resta fazer? Restam duas coisas. Antes de tudo o mais, exigir que a lista dos beneficiários das casas ao longo dos últimos trinta anos seja divulgada na totalidade. Essa é a única maneira de separar o trigo do joio e de perceber quem actuou de boa e de má-fé. Segunda e de seguida: actuar exemplarmente sobre os prevaricadores. A impunidade em casos como este é um factor de tremenda corrosão para a democracia. E para a decência.

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30/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Manuel António Pina: ‘Auto-regulação’, dizem eles

Os fiéis do Deus-mercado parecem ter descoberto de repente as virtudes do Estado Social, devidamente adaptado aos valores da religião do lucro a qualquer preço, e que, em vez de apoiar os pobres, subsidia os ricos. Já tem um Papa. Chama-se Henry Paulson e cabe-lhe a duvidosa glória de ser um dos inventores do capitalismo de casino que agora bateu no fundo provocando a crise financeira que abala a Terra Prometida e arredores.

Depois de 30 anos de especulador na Wall Street, Paulson chegou a secretário do Tesouro e é dele a feliz ideia de pagar com 700 mil milhões dos contribuintes as dívidas e “activos tóxicos” acumulados por empresas falidas, acrescidos de “compensações” milionárias aos gestores que as levaram à falência, assim salvando fortunas como a sua, calculada em 500 milhões de dólares, a maior parte em acções da também falida Goldman Sachs. No Estado Providência neoliberal, quem paga quer as crises quer as soluções das crises do mercado são sempre os contribuintes. Lá como cá, chamam eles a isso (meter os lucros ao bolso e cobrar ao Estado as perdas) “auto-regulação” do mercado.

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29/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

É só corrupção! – ainda eles querem a municipalização da educação…: Hospital da Póvoa aluga os mesmos médicos

Fornecimento de clínicos gerais por empresa privada muda de nome

O Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde continua a contratar os mesmos médicos que eram fornecidos pela empresa de que é sócio o presidente da Administração, apesar do anunciado fim do contrato.

Informações recolhidas pelo “Jornal de Notícias” permitem concluir que a vintena de médicos que a GPA, Prestação de Serviços de Saúde colocava à disposição do CHPV/VC é a mesma que continua a ser contratada e que o elemento de contacto para o preenchimento de vagas por clínicos externos é o mesmo, apesar de o presidente do Conselho de Administração, Gaspar Pais, ter afirmado ao JN (edição do dia 18) que a posição contratual foi cedida a outra empresa.

Recorde-se que Gaspar Pais, um administrador hospitalar com uma década de carreira no sector público, possui metade do capital da GPA, que coloca médicos em vários hospitais públicos do Norte e teve como primeiro cliente, em 2003, o Hospital da Póvoa de Varzim, que mantinha à data da sua posse, no dia 1 deste mês.

Aquela acumulação é criticada pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Ordem do Médicos e Federação Nacional dos Médicos, tendo dado origem à abertura de uma averiguação pela Inspecção-Geral das Actividades de Saúde.

Assegurando ao JN que, por razões de princípio, a GPA não presta serviços a hospitais cuja administração integre, Gaspar Pais disse na altura que fez cessar o contrato logo no dia da sua posse no CHPV/VC, tendo sido cedida a posição contratual à Gestau.

No entanto, a denominação social não consta do Portal da Justiça nem se conhece qualquer contacto telefónico, enquanto médicos do CHPV/VC disseram ao JN que o número de telemóvel conhecido para a requisição de clínicos externos continua a ser o do gerente da GPA, Pedro Osório.

Por outro lado, cópias de mapas de turnos de clínica geral na urgência do CHPV/VC a que o JN teve acesso, relativos aos períodos de 1 a 7 de Setembro, 8 a 14 e 15 a 21 do mesmo mês mantém inalterável o conjunto de médicos ali colocados.

A única alteração nos documentos está na referência à denominação da empresa – GPA no mapa assinado em 1 de Setembro, o dia em que Gaspar Pais afirma ter feito cessar a prestação dos serviços por esta, e Gestsau nos mapas seguintes – nos campos que não seria possível conhecer os nomes dos clínicos a designar.

Apesar das tentativas feitas pelo JN anteontem e ontem, não conseguimos chegar à fala com Pedro Osório. Diligências idênticas através dos telemóvel do presidente do CA, assim como do director clínico do Centro Hospitalar, Gil da Costa, também não lograram melhores resultados.

Procurando alargar as fontes de informação, o JN confirmou junto da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que o CHPV/VC não tem actualizado o registo de profissionais de saúde ao seu serviço, pelo que não é possível confirmar por esta via se o conjunto de médicos se mantém inalterável.

No entanto, o vogal do Conselho Directivo da ERS Joaquim Brandão reconheceu que a a maioria dos estabelecimentos de saúde – públicos e privados – não actualizou essa informação, desde o seu registo em 2006, apesar de estarem obrigados a fazê-lo mensalmente.

Na sequência da nossa diligência, a ERS deverá oficiar, nos próximos dias, os estabelecimentos públicos e privados de cuidados de saúde para que actualizem as listagens de profissionais que neles prestam serviço, mesmo que não pertençam aos seus quadros.

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28/09/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Também quero uma…: Câmara paga rendas de luxo por realojados

Moradores do Bairro da Liberdade custam aos cofres municipais milhões de euros

Pagam 18 euros mensais por uma casa mas em troca contam com grandes privilégios, como jacuzi ou estacionamento. Este é apenas um dos luxos que, desde 2004, a Câmara de Lisboa permite aos desalojados do Bairro da Liberdade.

As localizações não poderiam ser as melhores: avenidas do Uruguai, de Roma, Estados Unidos da América ou Rua António Stromp, ao Campo Grande. E a qualidade das habitações também não fica aquém desta centralidade: várias assoalhadas, jacuzzi, banheiras de hidromassagem ou parques de estacionamento. Pequenas extravagâncias que a Câmara Municipal de Lisboa assegura há quatro anos às famílias do Bairro da Liberdade, que tiveram de abandonar as suas casas devido ao alegado perigo de derrocada da encosta onde moravam.

Os valores já chegaram a ultrapassar os dois milhões de euros por ano, agora rondam os 1,2 milhões. Esta é a verba correspondente às rendas que a autarquia paga à Analigest, empresa com quem a então vereadora da Habitação Social, Helena Lopes da Costa (PSD) acordou, em 2004, a responsabilidade de angariar as habitações destinadas aos desalojados.

Nos últimos meses, alguns moradores já foram retirados destas habitações e rumaram a outras da Gebalis, a entidade gestora dos bairros sociais da Câmara. Ainda assim, mantêm-se os elevados encargos com os restantes arrendamentos.

A um casal de idosos foi-lhes atribuída uma casa em pleno centro de negócios, no Campo Grande. Por uma cozinha com seis metros de comprimento ou um jacuzzi pagam somente 18 euros mensais à Câmara, que aumentou em 2007 a renda em 0,18 cêntimos. Já a autarquia, pela ocupação do mesmo imóvel, despende 1.500 euros por mês, além dos 60 euros relativos aos condomínios.

Ao JN, a actual vereadora da Acção Social, Ana Sara Brito (PS), não escondeu o desconforto que este cenário causa ao actual executivo. “É inaceitável. Estamos já a canalizar algumas famílias para habitações sociais do município e já se verifica uma diminuição na despesa”, explicou. “Há casos escandalosos. Uma das famílias que já realojámos estava numa casa em plena Avenida de Roma, pela qual a Câmara pagava 1200 euros por mês”, acrescentou.

Os moradores não podem regressar às antigas casas, porque ou foram vandalizadas ou alugadas a outras famílias.

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28/09/2008 Posted by | Política: notícias | , | Deixe um comentário

Mais um “golpe” do José Sócrates: Bloco de Esquerda quer anular privatização da Galp

O BE vai apresentar no parlamento uma proposta para anular a privatização da Galp, que Francisco Louçã considera «financeiramente desajustada, politicamente desastrosa e socialmente negativa»

«No Orçamento de Estado apresentaremos uma proposta para anular esta fase da privatização da Galp, em nome da defesa dos contribuintes, em nome da defesa da sustentação orçamental, porque esse é um aspecto fundamental», anunciou hoje o líder do BE, Francisco Louçã, durante uma conferência de imprensa em Lisboa.

Segundo Francisco Louçã, esta operação força os contribuintes a pagar pela privatização duas vezes.

«Além de perderem aquilo que é público e que é vendido barato demais para favorecer os lucros de quem vier a ter esta parte da Galp, os contribuintes ainda vão pagar a diferença em relação ao que se vai perder de valor fundamental da petrolífera, como impostos e com preços especulativos que a Galp terá agora mais facilidade em aplicar», afirmou o líder do BE.

Francisco Louçã explicou que a alienação deste capital retira ao Estado «capacidade de controlar um sector estratégico» e criticou o facto de o negócio ser feito por ajuste directo, permitindo a escolha do comprador e favorecimentos no preço.

O Governo anunciou a 31 de Julho que aprovou a última e quinta fase da reprivatização da Galp Energia, em que vai vender os sete por cento que detém na empresa.

Essa participação corresponde a 58.079.514 acções, segundo fonte oficial da Galp, o que ao preço de 11,91 euros (cotação de fecho do título na Euronext Lisboa a 31 de Julho) pode valer 691 milhões de euros.

Os moldes em que esta operação se vai desenrolar transformam-na numa operação «estranha», segundo Francisco Louçã.

«Esta operação é uma operação estranha. Em vez de serem vendidos os sete por cento da Galp, o que o Governo faz é emitir obrigações, pelas quais vai pagar juros, a quem comprar esses títulos e daqui a cinco anos, depois de ter pago juros, vai entregar as acções da Galp a troco dessas obrigações», explicou.

Para Francisco Louçã, a alienação prevista dos sete por cento da Galp que o Estado detém, representa uma perda de dinheiro, uma vez que as obrigações emitidas pelo Estado em 2008 serão entregues ao comprador apenas em 2013, sem que estejam previstas quaisquer compensações a pagar ao Estado pela eventual valorização dos títulos nos cinco anos de intervalo.

De acordo com o líder do BE, a possibilidade de valorização dos activos da petrolífera é evidente, tendo em conta as recentes descobertas de jazidas de petróleo no Brasil e a evolução das cotações do petróleo.

Por tudo isto, esta é, para Francisco Louçã, uma «política estrategicamente desastrada».

Francisco Louçã considerou ainda esta operação uma «oferta de um valor extraordinariamente importante, de uma das empresas mais valiosas de Portugal», tendo em conta «o turbilhão dos mercados internacionais e a enorme desvalorização das bolsas».

«É um sinal contra os tempos e que promove a desqualificação da intervenção pública, favorecendo a especulação, e favorecendo as bolsas no pior momento», referiu.

Lusa / SOL

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28/09/2008 Posted by | Política: notícias | | 1 Comentário

Ferreira Leite acusa Sócrates de «governar por anúncios»

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou hoje o PS de «governar por anúncios», uma «originalidade» que, afirmou, «já chegou ao extremo de anunciar que vai anunciar»

Manuela Ferreira Leite encerrou hoje o Conselho Nacional dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD), que decorreu em Santarém, acusando o Governo da «verdadeira originalidade» de, ao contrário do que normalmente acontece em véspera de eleições, «não mostrar obra, porque senão teria de mostrar as estatísticas, que são um desastre».

«Em vez disso, anuncia que vai fazer e já chegou ao extremo de anunciar que vai anunciar», disse, dando como exemplo o ministro das Finanças ter «anunciado que vai anunciar» medidas para a regulação do mercado financeiro.

A líder social-democrata afirmou que o Governo socialista tem ainda «outra originalidade», a de fazer «oposição à oposição».

«Está-lhes no sangue. É um caso nunca visto», disse, considerando «masoquismo puro» pedir ao PSD que os critique e que «apresente ideias, propostas».

Manuela Ferreira Leite apontou como «exemplo do que não deve ser feito em política, e o PS fê-lo», a indicação de «um número certo» de criação de novos postos de trabalho.

No seu entender, o anúncio da criação de 150.000 novos postos de trabalho na actual legislatura, «além de falta de seriedade, dá ainda a ideia de que, por qualquer posto de trabalho criado, ainda temos de agradecer ao Governo».

Para Manuela Ferreira Leite, se os 150.000 postos de trabalho anunciados o foram em termos brutos e não líquidos isso representa uma «desonestidade total», pelos empregos que são destruídos.

A presidente do PSD advertiu os trabalhadores social-democratas de que, a prosseguir a actual política económica, «não augura melhores dias».

Lusa / SOL

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28/09/2008 Posted by | Política: notícias | | 1 Comentário

Não acredito nisto!: Agentes denunciam que “só pára quem quer”

Operações desgastam PSP e deixam fugir suspeitos

Segurança. Agentes denunciam que “só pára quem quer”

As sucessivas operações de fiscalização policial, que se têm multiplicado por todo o País desde a onda de criminalidade violenta registada em Agosto, estão a deixar “desgastados” os elementos da PSP, dizem ao DN dirigentes do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP). Salientam que “a gravidade da situação é que toda esta sobrecarga de trabalho não é eficaz, porque os condutores que têm algo a esconder não param nas operações stop e fogem, não sendo fiscalizados”.

O problema, segundo explicaram, é que “não estão a ser utilizadas nestas acções de fiscalização as lagartas com espigões para obrigar os veículos a parar e não lhes permitir a fuga. E também não se colocam as chamadas gincanas – barreiras com sinalização em que as viaturas têm de reduzir a velocidade para contornar várias curvas apertadas”.

Consideram que “estas operações de segurança têm de ser feitas com pés e cabeça. É preciso fiscalizar os condutores para tentar detectar, principalmente, armas ilegais e estupefacientes. Mas não há eficácia a esse nível, porque em todas estas acções há vários veículos que não param e continuam a sua marcha”.

“O cidadão comum obedece à autoridade e pára, mas quem transporta armas ou segue numa viatura roubada, acelera e foge. E aos polícias só resta anotar a matrícula, mas depois verifica-se não haver nada a fazer, porque o veículo era roubado. Assim, nem se consegue saber quem o conduzia”, explicaram.

“Como não se colocam barreiras físicas, só pára quem quer”, dizem os mesmos sindicalistas, salientando que “esse equipamento existe, mas está armazenado sem ser utilizado”.

Quanto aos meios humanos envolvidos nestas acções, sublinham que “os polícias ficam sem tempo para a sua vida própria. Os elementos estão constantemente a ser mudados de turno. Trabalham de dia e depois também à noite, realizando operações atrás de operações. Nem chegam a descansar e têm de fazer essas operações, mesmo sem estarem em condições para isso”.

“Trabalho não é pago”

Alertam que “agora essas operações não sucedem a título excepcional. É quase todas as noites, principalmente em Lisboa, Porto, Setúbal e Algarve. E a PSP não paga esse trabalho extraordinário. Além disso, por vezes os agentes têm trabalho gratificado para fazer fora do seu horário e ganhar algum dinheiro extra. E ficam impossibilitados de o cumprir, porque são requisitados à última hora para essas operações”.

O DN contactou a Direcção Nacional da PSP para se pronunciar sobre estas questões, tendo o oficial de serviço respondido que “não há nada para dizer sobre isso”.

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28/09/2008 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Este sr. só faltou baixar as calças e agora abre a boca para dizer disparates…que Portugal de treta!

UM ‘ERCGATE’ LUSITANO

J. A. Azeredo Lopes
Presidente do Conselho Regulador da ERC

Desde há pouco mais de uma semana, a partir de uma notícia do Expresso retomada no dia seguinte num artigo e em editorial do jornal Público (e, depois, num artigo de opinião no mesmo jornal e até numa crónica da TSF), tem sido repicada a circunstância de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social ter demorado nove meses – o tempo de uma gestação – a entregar os documentos relativos ao processo dito do “caso Sócrates” a um jornalista do mesmo Expresso. Atento o número de textos e tomadas de posição que se foram sucedendo, e porque me era impossível responder a tudo e todos de cada vez, entendi como preferível esperar, pelo menos, alguns dias para me pronunciar sobre o assunto em causa.

Em bom momento o fiz.

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28/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário

Jorge Fiel – Jornalista: Varrer o lixo das contas

A ampla e sábia comunidade de comentadores e analistas da coisa política convergiria num inédito momento de consenso escandalizado se José Sócrates perdesse o juízo e viesse comunicar-nos que dera instruções severas a todos os ministros para observarem a Constituição da República e deixarem de roubar os contribuintes – e que proibira os polícias de infringirem as leis e os juízes de desrespeitarem o Código Penal.

Mas, que eu tenha reparado, ninguém, na curta mas influente comunidade de comentadores a analistas da coisa económica, achou digno de nota que Miguel Cadilhe tenha usado o mais importante jornal do País para nos comunicar que proibira expressamente os seus empregados do BPN de cometerem qualquer ilegalidade. Pequena ou grande. Ponto final.

Fiquei arrepiado quando li esta comunicação do novel e austero presidente do BPN. Mas o silêncio dos meus ilustres e avisados colegas, bem como a revelação de pormenores escabrosos da ida ao tapete do Lehman, obrigou-me a pensar melhor neste assunto, antes de abrir a minha bocarra.

Após uma semana de aturada ponderação, concluí que o meu arrepio espontâneo e solitário se filia nas minhas pueril ingenuidade e triste ignorância.

Devemos todos aplaudir, com entusiasmo e ambas as mãos, a eloquente decisão de Cadilhe de proibir o pessoal do BPN de continuar a fazer malabarismos com a lei, a marimbar-se para as regras do Banco de Portugal e a violar alegremente o disposto nas rigorosas alíneas do Código de Valores Mobiliários. Foi uma pedrada no charco. Uma atitude corajosa que deveria ter sido prontamente secundada pelos seus pares.

Confesso que tenho estranhado a demora dos doutores Faria de Oliveira, Santos Ferreira, Fernando Ulrich e Ricardo Salgado em nos informarem que já decretaram internamente a proibição dos funcionários da Caixa, Millennium bcp, BPI e BES de atropelarem a legislação em vigor.

Nesta semana em que os olhos da comunidade financeira estiveram grudados em Bush e na América, tal com o girassóis se voltam para o Sol, terá passado despercebido o atestado de bom comportamento passado à nossa banca por Ricardo Salgado.

“Os bancos portugueses portaram-se bem, não investiam nos produtos tóxicos que estão por trás da crise”, garantiu o presidente do BES.

Longe de mim duvidar da sageza e veracidade da declaração de Ricardo Salgado. Mas nestes tempos em que prudência e sensatez se tornaram palavras arcaicas, não fico sossegado quando vejo grandes bancos portugueses a produzirem espumante (por sinal muito bom, adoro o Vértice!) , serem accionistas de referência de uma multinacional cimenteira e a terem uma presença activa no mercado da construção civil e obras públicas, em vez de concentrarem a sua atenção e esforços na gestão cuidada das poupanças que os clientes lhes confiaram.

Suspeito que há muito lixo escondido debaixo do tapete, que deve ser urgentemente varrido das contas dos bancos, para evitar que o sistema financeiro português perca o seu principal activo: a credibilidade.

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28/09/2008 Posted by | Política: artigos de opinião | | Deixe um comentário