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Ansiedade causa cada vez mais perdas de memória

Saúde. O modo como a sociedade vive o seu dia-a-dia alterou as causas até há poucos anos ligadas às perturbações da memória. Segundo Belina Nunes, o ‘stress’, a privação de sono e a toma de ansiolíticos são, agora, os principais responsáveis pela diminuição da memória em pessoas entre os 30 e os 40 anos
A depressão e a ansiedade são as causas mais comuns para os problemas da memória na população em geral, ultrapassando significativamente as que até há poucos anos estavam associados a esta perturbação: o envelhecimento e as demências. “A maneira como as pessoas hoje vivem em sociedade, com os muitos compromissos, o stress, as preocupações profissionais e a falta de descanso, alterou profundamente esse cenário”, disse ao DN a médica neurologista Belina Nunes, que acaba de lançar no mercado um livro sobre o tema.

“Os problemas com a memória têm aumentado nos últimos anos, sobretudo na população na casa dos 30 e 40 anos”, disse aquela especialista, directora da Clínica da Memória, no Porto, e responsável pela consulta de demências do serviço de Neurologia do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. “Cada vez aparecem mais pessoas nas consultas e não estão velhas nem dementes. A depressão e a ansiedade têm uma prevalência extrema”, frisou. “Muitas vezes chegam ao consultório bastante preocupadas porque pensam que estão dementes, mas isso não corresponde à realidade. Há outras causas, sobretudo a ansiedade, que as leva a tomar ansiolíticos, que, por sua vez, têm um impacto importante no equilíbrio da memória.”

A depressão, a ansiedade, o papel da emoção, as memórias involuntárias, o uso de medicação calmante tais como benzodizepinas (o conhecido Xanax) são abordados no livro “Memória – Funcionamento, Perturbações e Treino”, dado o seu elevado impacto. Doenças como a epilepsia temporal, a perturbação bipolar e a esquizofrenia são também apresentadas, dada a sua interdependência com a actividade cognitiva. São também abordados os processos de aprender e de esquecer, assim como a amnésia infantil.

“Em termos de aperfeiçoamento do funcionamento da memória devemos cuidá-la ao longo de toda a vida e não apenas quando percebemos que está a falhar. A nossa memória representa um arquivo único e irrepetível, o qual devemos rever, organizar, catalogar, para mantermos sempre a noção de identidade própria”, disse, acrescentando que “devemos cultivar memórias agradáveis, mantermo-nos ligados a actividades de lazer, aprender a gerir a ansiedade e o stress crónicos, evitar e tratar a depressão, ter hábitos de vida saudáveis e não depender em demasia de ajudas externas de memória, pois para a memória aplica- -se o mesmo que para qualquer função do nosso corpo, isto é, o que não se usa perde-se”.

Belina Nunes alerta para a necessidade de “estarmos atentos ao ritmo do nosso organismo, fazer pausas no trabalho, ter horários regulares e dormir mais”. A memorização de informação, diz, necessita de atenção, de tempo, de pausas, factos muitas vezes descurados em trabalhos desgastantes que exigem diversas solicitações em simultâneo.|

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08/08/2008 Posted by | Saúde: notícias | , | Deixe um comentário