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O enigma do autismo

Os autistas em Portugal podem ser mais de 65 mil. Muitos não foram diagnosticados nem tiveram o tratamento adequado.

00h38m

helena norte

Por razões ainda mal explicadas, a incidência desta perturbação do desenvolvimento – que pode variar de formas muito severas e incapacitantes até ligeiras ou de alto funcionamento – está a aumentar substancialmente, a ponto de, nos Estados Unidos, já se falar em epidemia de autismo.

É um mal misterioso. A ciência ainda não conhece cabalmente as causas nem é capaz de o curar. Em Portugal, não se sabe sequer quantos são, mas extrapolando as estatísticas internacionais, o número poderá rondar os 65 mil. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA actualizou a prevalência e estima que uma em cada 150 crianças nasça com uma perturbação do espectro de autismo, o que representa um aumento de cerca de 600% em três décadas. O aperfeiçoamento no diagnóstico pode ajudar a compreender este brutal aumento, mas os especialistas são incapazes de explicar totalmente o fenómeno.

Embora a palavra já tenha entrado no léxico comum, persistem muitos mitos e confusões a respeito do autismo. Até porque não há um autismo: há muitas e diversas formas de autismo que podem variar desde uma perturbação profunda (autismo clássico ou síndrome de Kanner) até ao autismo de elevado funcionamento (também designado de síndrome de Asperger).

Em comum, dificuldades na comunicação e na interacção social e padrões de comportamento repetitivos ou ritualísticos. Mas o grau de afectação nas várias áreas é muito diverso. Há autistas com grave défice cognitivo, que não têm qualquer grau de autonomia, e há outros que, à excepção de um ou outro traço considerado mais excêntrico, são perfeitamente funcionais.

“Há muitos que trabalham, em todo o tipo de profissões, alguns são professores universitários”, explica Miguel Palha, pediatra do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças e especialista nesta problemática. Os portadores de Asperger, que são detectados e estimulados precocemente, melhoram consideravelmente à medida que entram na juventude e idade adulta. Persistem, porém, alguns comportamentos disfuncionais, como a fixação nalguns assuntos, a rigidez e repetição das regras e dos hábitos ou a tendência para o isolamento social.

Um autista, por definição, vive no seu mundo e não procura o outro. Uma incapacidade que pode decorrer de alterações bioquímicas verificadas durante o período fetal, explica Edgar Pereira, psicólogo e professor da Universidade Lusófona. Não se sabe bem se por causas genéticas, virais ou químicas, a verdade é que o cérebro de um autista não funciona nos mesmos moldes do que os das outras pessoas.

Quem nasce autista, morre autista. O que não significa que não haja nada a fazer. O tratamento adequado pode fazer a diferença entre uma vida de dependência ou de relativa funcionalidade. E pode, acima de tudo, fazer uma grande diferença para as famílias que têm de cuidar destes doentes.

Os apoios são insuficientes e caros – só em terapias particulares, há famílias a gastar 700 a mil euros por mês, sem contar com as restantes despesas. O pior é quando tudo é “um falhanço absoluto”, como conta Francisco Calheiros, pai de Henrique, um menino autista de 13 anos, que já passou por escolas públicas e terapias particulares. Mais do que os fracos progressos, este pai revolta-se contra as nódoas negras que o filho regularmente apresentava quando chegava da escola e da redução do número de professores de ensino especial.

No último ano lectivo, foram apoiados 500 alunos com perturbações do espectro do autismo, em 93 unidades de ensino estruturado com 187 docentes de ensino especial, de acordo com o Ministério da Educação. Embora a tendência seja para integrar mais crianças nessas unidade, a verdade é que muitos continuam sem apoio. Entre os 60 utentes da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) do Norte, nenhum frequenta essas estruturas.

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13/07/2008 Posted by | Necessidades Educativas Especiais | , | Deixe um comentário

DN: O MÁRIO LINO É MUITO ESPERTO

Quando tudo parecia bem encaminhado, é revelada na imprensa a existência de um estudo que declara o Sá Carneiro um mono, apenas viável mediante brutais e irrealistas aumentos das taxas e do número de passageiros.Vi logo as impressões digitais de Mário Lino nestas notícias, plantadas pelo seu ministério. Esperto, o ministro das Obras Públicas imita a táctica do Vaqueiro e está a desvalorizar o produto, para melhor o vender.

Outra explicação não arranjo para o caso. Se o aeroporto do Porto fosse mesmo uma catástrofe, Mário Lino não arejava o estudo – punha-lhe o carimbo de “Confidencial” e arrumava-o no fundo de uma gaveta fechada à chave. Não seria justo que o aeroporto de Lisboa perdesse competitividade por ter de aguentar o deficitário aeroporto do Porto, pois não?|

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13/07/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário

Os imponderáveis políticos que Sócrates não domina e que lhe podem tirar o poder

13.07.2008, São José Almeida

Com a legislatura a chegar ao fim, o país político que José Sócrates encontra não é aquele que planeou. O risco de perder o poder assusta os socialistas.

A um ano de três actos eleitorais que redefinirão quem vai ocupar toda a estrutura do poder político em Portugal, o primeiro-ministro, José Sócrates, encontra-se perante um país diverso daquele que esperava ter ao fim de três anos da sua governação, e que não previu no guião que elaborou para o seu consulado à frente do Governo. O primeiro-ministro tinha tudo desenhado para criar condições de reedição do seu poder absoluto em 2009, mas a realidade é diversa; Sócrates não consegue controlar os imponderáveis que poderão resultar mesmo na sua derrota.
Da forma como o país político evoluir no próximo ano dependerá o futuro de Sócrates, não só no que se refere à sua reeleição como primeiro-ministo, mas também na sua própria candidatura à chefia do Governo. Essa evolução depende de factores internos ao próprio PS e à governação e de factores externos, todos eles incontroláveis pelo primeiro-ministro.
É certo que muito do que de imponderável existe na situação política portuguesa tem pouco que ver com a própria política e até com o país. Ao contrário do que o primeiro-ministro esperava e todos os líderes mundiais previam, a crise económica é uma realidade incontornável. O disparar de preços dos alimentos, os valores exorbitantes que as taxas de juro atingem (com aumentos em média de 100 euros num ano no valor das prestações de pagamento de empréstimos à habitação na ordem dos 100 mil euros), a espiral de preços do petróleo (com empresas a comprarem já barris a mais de 200 dólares para assegurarem o stock do próximo ano) são três factores externos que o Governo não domina, mas que entram como uma onda gigante que destrói a praia que Sócrates estava a preparar para si e para o PS no final da legislatura.
Mas também há factores internos, quer nacionais, quer partidários, que poderão complicar os planos de uma segunda maioria absoluta de Sócrates. Factores que vão desde a nova liderança no PSD, que veio revitalizar a oposição de direita, até ao crescimento da oposição à esquerda, que, por mais que o primeiro-ministro desvalorize, não consegue travar, passando pelos problemas internos do PS, dos quais Manuel Alegre pode até ser o menor.
Isto para não falar sobre a sua relação com o Presidente da República. Quer Sócrates, quer Cavaco Silva têm insistido em fazer passar a imagem de relação cordial, mas esta tem as tensões próprias à natureza do poder de ambos os cargos e à personalidade e convicções dos seus protagonistas.
Será assim um ano de apreensão para José Sócrates e para os restantes actores políticos e cujo desfecho é impossível de prever.

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13/07/2008 Posted by | Política: notícias | | Deixe um comentário